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PCr e Sul 1 enviam missionário leigo para Amazonas
Com o pensamento “você deve ser para o mundo aquilo que você quer que o mundo seja”, o missionário leigo Pedro Yamaguchi Ferreira despede-se do Regional Sul 1, onde atuava como advogado na Pastoral Carcerária. Pedro Yamaguchi foi enviado em missão para a Diocese de São Gabriel da Cachoeira, na cidade localizada na região conhecida como Cabeça do Cachorro, no estado do Amazonas.
O missionário Pedro Yamaguchi é formado em Direito e nos últimos três anos se dedicava a advocacia na Pastoral Carcerária do Estado de São Paulo.
"Pude sentir que o Brasil do papel e dos direitos da Constituição ainda está léguas distante do que acontece para o cidadão pobre e miserável, mesmo no estado mais rico do País, que é São Paulo. Nossa riqueza ainda é pouquíssimo distribuída. E os efeitos que disso decorrem são tristemente sentidos”, ressalta Pedro, comentando sua experiência de trabalho junto à Pastoral Carcerária.
A missa de envio celebrada no dia 25 de fevereiro, na Igreja Nossa Senhora da Boa Morte pelo Coordenador da Pastoral Carcerária Nacional, Pe. Valdir João Silveira, marcou sua despedia e rezou por sua missão na Diocese de São Gabriel da Cachoeira. A missa contou com a carinhosa presença de dezenas de amigos da pastoral e de familiares.
Segundo o missionário Pedro, “essa decisão é fruto de um antigo desejo de viver mais profundamente na realidade social de nosso País, de sentir na pele o que as pessoas mais simples e esquecidas sentem. A partir dessa partilha, colaborar para a transformação da realidade”.
Confira a entrevista concedida a Renato Papis, da Assessoria de Comunicação Regional Sul1:
A missão na Amazônia será mais um passo de uma longa caminhada com Deus. Quais são suas expectativas neste novo trabalho missionário?
Espero contribuir para a melhoria da realidade social dos povos da Amazônia. Para que tenham mais voz, mais acesso aos direitos de cidadania, para que a Constituição Federal seja igual para todos.
A partir do trabalho com a Diocese de São Gabriel da Cachoeira, estar ao lado dos povos indígenas e lutar para que sua diversidade de culturas seja preservada e respeitada, que seu contato com os povos ditos civilizados seja um contato menos deletério possível, com mais solidariedade e respeito as diferenças.
Igualmente, assim como para os índios, lutar pelas comunidades ribeirinhas, para que vivam com mais dignidade, com acesso a saúde, educação e justiça, respeitadas as identidades culturais locais.
Pretendo contribuir para que tenhamos um País mais justo e igual, que possa investir e crescer igualmente, não apenas no sul, mas sobretudo no Norte do Pais, que ainda tem um povo muito esquecido e humilhado e que sente ainda mais os efeitos das corrompidas instituições de poder.
Porque razão escolheu, ou se sentiu escolhido para o Projeto Missionário?
Escolhi o projeto para ter o apoio da Igreja nesta causa tão importante, nesta caminhada tão difícil de Fe que nos propomos a viver.
Me senti escolhido por minha trajetória que desde cedo esteve ligada a Igreja: desde meu nome, em homenagem ao querido Pedro Casaldaliga, pelo meu padrinho de batismo, Dom Davi Picão, a meus pais, que sempre militaram nas Cebs da zona leste de São Paulo, e mais tarde por minha trajetória como advogado da Pastoral Carcerária, que me despertou para a necessidade de viver essa missão.
Qual a importância do papel de um missionário para os dias de hoje?
Creio que o mundo de hoje, em razão dos apelos e seduções capitalistas, suga de nos todo nosso potencial para um fim não importante, que e a acumulação de dinheiro, o status do poder, da aparência, do ter.
Viver pela causa, pelos sonhos, deixando de lado, ainda que temporariamente, essas seduções e mesmo algumas necessidades de sobrevivência, é algo muito difícil.
Um missionário de hoje deveria ao menos tentar ser livre e viver conforme sonha o mundo, conforme quer que o mundo seja.
Que contribuição deseja dar aquela região como missionário?
Como disse acima, desejo contribuir para que o povo do norte do Pais tenha mais voz, seja mais respeitado em seus direitos e, em especial aos povos indígenas, que tenham sua cultura preservadas e respeitadas.
Uma mensagem para os nossos leitores
Desejo a todos os leitores que possam sonhar e realizar um mundo mais justo e solidário, um País de todos, que distribua sua riqueza, que garanta os direitos a todos os seus cidadãos, que respeite as diferenças.
Que cada pessoa, mesmo nao partindo para outro lugar em missão, possa em seu meio social doar mais tempo de sua vida e de seu potencial a ajudar outras menos favorecidas.
Todos queremos um mundo melhor, mas devemos, e logo, começar a fazer a nossa parte.
Renato Papis, Assessoria de Comunicação Regional Sul1. 26/02/2010
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