Clipping – 11/02 a 21/02/2009

PASTORAL CARCERÁRIA NACIONAL/CNBB

Pastoral Carcerária Nacional - Assessoria de Comunicação PCrN – Rede Rua

 

 

Clipping, produzido pela Assessoria de Comunicação da Pastoral Carcerária Nacional/CNBB, em parceria com a Rede Rua, pretende oferecer aos associados uma visão panorâmica do que diz a imprensa sobre temas relacionados à questão prisional em todo o Brasil e em outros países. As matérias reproduzidas neste clipping não refletem, necessariamente, a posição da Pastoral Carcerária, mas têm o objetivo de informar e incentivar o debate público. O clipping está sujeito a omissões involuntárias de notícias e conta com a colaboração de todos para o envio de outras notícias com a citação da fonte e data de publicação para o endereço imprensa@carcerária.org.br.

 

 

SUMÁRIO

OAB-AC inaugura sala para advogados dentro de presídio. 2

Estado deveria assumir co-culpabilidade pelos crimes. 3

STF contratou oito presos em aberto e semiaberto. 4

Procuradoria defende direito a voto de preso. 5

Yoga para reeducandas do CR de Piracicaba. 5

Reeducandas grávidas participam de programa de apoio. 5

MP cobra novas regras para visitas. 6

MPE paulista quer que presos provisórios votem... 7

Homens e mulheres ocupam a mesma cadeia no ES. 7

43% dos detentos no país estão em prisão provisória. 8

Não transigir com princípios. 9

Bope “invade” Iapen. 10

Três detentos morrem enforcados no Iapen. 11

Batalhão de Operações Especiais faz revista no Iapen. 12

Quem controla o Iapen: o Estado ou os bandidos?. 12

Morre mais um detento na desumana penitenciária do Amapá. 13

Homicida pode não ter se enforcado. 14

Denúncia de que presos estariam com regalias no Centro de Custódia de Oiapoque gera Recomendação. 14

Deputado convoca diretor do Iapen. 15

Após revista no Iapen, Bope encontra várias armas brancas e celulares. 15

Boas ondas para afastar a reclusão e as paranóias. 16

Superlotação: levantamento de processos expõe situação de pessoas que deveriam estar fora da CPP.. 16

Papaléo quer redução da maioridade penal para crimes hediondos. 18

Direção de presídio poderá ter rodízio obrigatório. 18

Gilmar Mendes: um terço dos presos no Brasil estão detidos 'indevidamente' 18

Entenda os tipos de prisão existentes no Brasil 19

Violência nos presídios. 20

Justiça manda governo do Rio acabar com superlotação da Polinter. 20

Subprocurador afirma que “cadeia no Brasil é para preto, pobre e prostituta”. 21

Penas alternativas, soluções para o sistema penitenciário. 23

Palestra incentiva qualidade de vida dos funcionários da Penitenciária I de Tremembé. 24

Feminina do Butantã incentiva leitura. 24

Decisão do STF não acaba com a prisão provisória. 25

Pastoral Carcerária leva Evangelho e busca a dignidade humana para os presídios. 27

Presídios cada vez piores. 27

Número de adolescentes presos no país subiu 397%... 28

Onda  de suicídios nos presídios esconde ação do esquadrão da morte. 29

Tribunal Federal manda Califórnia reduzir população prisional 30

A prisão, segundo Foucault 30

 

 

21/02/2009

Revista do Consultor Jurídico

OAB-AC inaugura sala para advogados dentro de presídio

A seccional da OAB do Acre inaugurou o Parlatório da Unidade Prisional Francisco D"Oliveira Conde, sala onde os advogados poderão atender seus clientes com mais privacidade. Além da sala de espera, há sete cabines equipadas com telefone, sendo que cinco são destinadas a homens e duas a mulheres.

O presidente da OAB-AC, Florindo Poersch, explicou durante a cerimônia de inauguração que o parlatório foi a primeira reivindicação feita ao Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) pela atua gestão. “Antes era apenas um balcão enorme, sem privacidade nenhuma, dava para ouvir tudo o que os advogados e seus clientes conversavam”, acrescentou Poersch.

O presidente do Iapen, Leonardo das Neves Carvalho, destacou que a sala da OAB no presídio possibilitará mais conforto às defesas e aos réus, como uma forma de humanizar o tratamento dado aos detentos na unidade prisional. “Os profissionais poderão exercer melhor sua função, ficarão mais próximos dos clientes e terão oportunidade de manter conversas com mais privacidade, ou seja, ficarão mais à vontade”, explicou.

O parlatório é o primeiro passo para resolver os problemas do sistema penitenciário acreano. Outra questão que precisa ser resolvida com urgência é relacionada às prisões provisórias. De acordo Florindo, no estado, 53% ainda aguardam julgamento. “Nós, da OAB, vamos continuar lutando para que as coisas melhorem ainda mais. Precisamos discutir fatos como os de os presos com deficiência mental estarem misturados com os outros”, finalizou.

Com informações da Assessoria de Comunicação da OAB

 

 

21/02/2009

Revista do Consultor Jurídico

Estado deveria assumir co-culpabilidade pelos crimes

Por Priscyla Costa

O Brasil tem 446 mil presos. Destes, 43% são provisórios, ou seja, ainda não foram condenados. Há um déficit de 328 mil vagas, o que equivale à população de uma cidade de porte médio. Isso significa que há, no Brasil, quatro vezes mais presos do que o país comporta. Os números são de dezembro de 2008 e foram divulgados pelo Departamento Penitenciário Nacional.

O último censo penitenciário feito em São Paulo (estado que concentra 34% da população carcerária do país), no ano de 2000, aponta que a maioria é presa por ter cometido crime contra o patrimônio (veja gráfico). Em 2000, 47% da população carcerária em São Paulo  foi condenada por roubo. O segundo maior índice é o crime de furto, 12%. O quadro não é diferente para os presos provisórios. O mesmo censo indica que 29% das prisões preventivas no estado de São Paulo são decretadas também para acusados por roubo. A segunda acusação, com 23% de presos, é a de homicídio. 10% dos presos provisórios são acusados de furto.

Também existe a imagem de um criminoso padrão. Ele é pobre, sem formação cultural — de acordo com o censo penitenciário de 2000, feito em São Paulo, 75% da população carcerária masculina e 65% da feminina têm o ensino fundamental incompleto  — e vive nos subúrbios das grandes cidades.

O quadro poderia ser outro se a sociedade reconhecesse a parcela de responsabilidade que tem no cometimento de determinados crimes. Basta, para isso, entender o crime como um fato social. Assim, na aplicação e execução da pena, as condições socioeconômicas do réu deveriam ser consideradas, além de ser feita a análise do meio ambiente em que vive o indivíduo. Agir assim é afirmar o princípio da co-culpabilidade no Direito Penal.

A tese é defendida por Grégore Moura, procurador federal da Procuradoria-Geral Federal, no livro Do Princípio da Co-Culpabilidade, publicado pela Editora Impetus. Na obra, o autor defende que a vida social do réu deve ser levada em consideração pelo juiz quando a pena for arbitrada.

Moura afirma que a co-culpabilidade é o reconhecimento da parcela de responsabilidade que o Estado tem no cometimento dos crimes praticados por pessoas que têm menor poder de autodeterminação em virtude de suas condições sociais. Esta diminuição do poder de autodeterminação vem da ineficiência estatal em gerar oportunidades para essas pessoas.

Ao reconhecer sua parcela de responsabilidade, o Estado igualará os acusados, de maneira específica, além de afirmar sua ineficiência na promoção da dignidade da pessoa humana, princípio consagrado na Constituição Federal, explica o procurador. Segundo Moura, quando o Estado compreende parte de sua culpa, minimiza os efeitos da exclusão social decorrentes da desigualdade social que ele mesmo promove, além de diminuir as consequências que o próprio Direito Penal gera.

Direito comparado

Na América do Sul, Argentina, México, Peru, Bolívia, Colômbia, Equador e Paraguai reconhecem que a condição econômica do agente é critério para a mensuração da pena. Nesses países, a co-culpabilidade está prevista na legislação penal.

Na Argentina, a co-culpabilidade é prevista como uma circunstância legal que agrava ou atenua a pena. No México, além de ser circunstância que atenua ou agrava a pena, o princípio é aplicado também nas medidas de segurança. No Peru, legislação e doutrina prevêem a aplicação do princípio. A Bolívia coloca a co-culpabilidade no Código Penal como circunstância judicial para aferir a personalidade do autor como atenuante, quando o agente pratica o fato impulsionado pela miséria.

Na Colômbia, a co-culpabilidade é prevista como circunstância que pode até mesmo excluir a responsabilidade do agente. O Equador restringe a aplicação do princípio aos crimes contra a propriedade. O Código Penal paraguaio prevê que o juiz tem de analisar as condições pessoais e econômicas do agente antes de arbitrar a pena. Na Europa, Portugal também defende que as condições econômicas do agente são critério para a mensuração da pena.

Realidade brasileira

Grégore Moura mostra em seu livro que a co-culpabilidade não está expressamente prevista na legislação penal brasileira, mas doutrina e jurisprudência já a reconhecem. Há ainda um anteprojeto de lei assinado por Miguel Reale Júnior que insere o princípio como circunstância prevista no artigo 59 do Código Penal. O texto diz que o juiz deve se atender à culpabilidade, antecedentes, reincidência, condições pessoais do acusado e oportunidades sociais a ele oferecidas.

O autor lembra que a doutrina tem admitido a aplicação da co-culpabilidade com base no artigo 66 do Código Penal, que se refere às atenuantes. Segundo Moura, o artigo dá mais liberdade para o juiz aplicar a pena atendendo às peculiaridades do caso concreto.

O princípio da co-culpabilidade também é observado pela jurisprudência. Em 2001, a 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul considerou, quando analisava a apelação de um condenado por roubo e corrupção de menores, que o “princípio da co-culpabilidade faz a sociedade também responder pelas possibilidades sonegadas ao cidadão”.

Outro precedente também vem do 4º Grupo de Câmaras Criminais do TJ gaúcho. Os desembargadores diminuíram a pena de um condenado por tentativa de estupro afirmando que,  quanto maior a vulnerabilidade social, menor a culpabilidade. Pensar assim é aplicar a teoria da co-culpabilidade.

O Estado também reconhece a co-culpabilidade, mesmo que involuntariamente, quando permite que Habeas Corpus sejam concedidos. Isso porque, explica Grégore Moura, o HC é um instrumento que pode ser usado “contra abusos praticados pelo Estado no exercício do direito de punir, o que enseja sua utilização na defesa da aplicação do princípio da co-culpabilidade. A co-culpabilidade atua exatamente na reprovação penal da conduta praticada pelo agente”.

“Assim, não resta dúvida de que o reconhecimento da responsabilidade estatal no cometimento de determinado delitos nos leva a crer que o Direito Penal estará diminuindo, e muito, o seu âmbito de atuação, na incessante procura de uma minimalização do poder punitivo, ao contrário do que vem ocorrendo nos dias atuais, com o apoio midiático e o Movimento de Lei e Ordem”, finaliza o autor em seu livro.

Do Princípio da Co-Culpabilidade é publicado pela Editora Impetus, tem 151 páginas e custa R$ 35.

 

 

20/02/2009

Revista do Consultor Jurídico

STF contratou oito presos em aberto e semiaberto

O Supremo Tribunal Federal já tem nos seus quadros de funcionários oito contratados por meio do programa de ressocialização de sentenciados que cumprem pena em regimes semiaberto e aberto. Nesta tarde (19/2), após dar as boas-vindas aos novos funcionários, o presidente da corte, ministro Gilmar Mendes, afirmou que vários tribunais já se mostraram dispostos a integrar o projeto. “Alguns [tribunais] até já tinham iniciativas assemelhadas, mas não com essa formalização”, disse.

O ministro informou que o presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Cesar Asfor Rocha, comunicou que vai aderir ao projeto e que o Tribunal Superior do Trabalho e o Tribunal Regional do Trabalho no Distrito Federal (10ª Região) também já se mostraram dispostos a participar. “Nós estamos orientando os Tribunais de Justiça para que tomem essa iniciativa”, emendou.

Segundo o ministro, os primeiros resultados do programa já sensibilizam. “Creio que nós realmente realizamos uma coisa que pode nos ajudar e pode ajudá-los de forma marcante. E, com isso, nós também estamos dando um sinal à sociedade de que é possível avançar numa questão que é extremamente sensível, marcada por grande preconceito.”

Um dos oito funcionários contratados por meio do programa de ressocialização ressaltou a importância de o STF liderar o movimento. “[A corte] está demonstrando para outros tribunais que eles também podem ampliar esse projeto, dar um voto de confiança para nós. Quando a pessoa está fora do sistema, está em liberdade e adquire um voto de confiança desses, com certeza não vai pisar na bola. É uma chance ímpar, uma chance única.”

Formado em Filosofia e Teologia pela Universidade Católica de Belo Horizonte, ele promete que em 2010 começa a realizar um sonho de infância: cursar Direito e se preparar para ser juiz. “Quando estudava Filosofia, li a frase de um grande filósofo que disse: o importante não é como começa a história, mas como ela termina. Eu quero terminar [a minha história] de um modo genial. Esse é o meu desejo e de todos nós que estamos aqui.”

Copa do Mundo

Ao todo, 40 egressos do sistema prisional serão beneficiados com vagas no STF em 2009. A iniciativa foi possível por meio de convênio celebrado entre a corte e o governo do Distrito Federal em dezembro. No primeiro dia de trabalho, eles recebem orientações sobre o tribunal, o trabalho que irão desempenhar e as regras que deverão seguir. Em seguida, são encaminhados às unidades onde estão lotados.

Os oito contratados exercem atividades na área administrativa. Eles preenchem os requisitos exigidos pela vara de execuções penais, como estar cumprindo a pena em regime aberto ou semiaberto e passar por entrevistas com uma assistente social do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça.

Ainda nesta quinta-feira, o ministro Gilmar Mendes lembrou que a corte tem conversado com a CBF e a Fifa para incluir egressos e jovens infratores nos projetos de construção de obras para a Copa de 2014. “Nós queremos mais”, afirmou Mendes.

Com informações da Assessoria da Imprensa do STF.

 

 

20/02/2009

O Estado de São Paulo

Procuradoria defende direito a voto de preso

A Procuradoria Eleitoral em São Paulo entrou com representação no TER para que garanta em 2010 o direito ao voto dos presos provisórios do Estado. Com um terço da população carcerária do Brasil, até hoje São Paulo não garante o exercício desse direito aos presos, como ocorre em outros Estados.

 

 

 

20/02/2009

Secretaria da Administração Penitenciária

Yoga para reeducandas do CR de Piracicaba

Técnicas de relaxamento e reflexão aliadas à pratica milenar da yoga foi uma das formas encontradas pela direção do Centro de Ressocialização Feminino (CRF) de Piracicaba para a melhoria do bem-estar das reeducandas e no convívio delas com os funcionários da unidade.

De 20/01 a 12/02, as internas tiveram a oportunidade de participar de 12 aulas de yoga – todas com duração de uma hora e meia e realizadas por professores da Organização Brahma Kumaris. A Organização é reconhecida como entidade de utilidade pública federal e trabalha na restauração dos valores humanos, de forma individual e coletiva através de mais de 8,5 mil escolas em 100 países. No CR, o objetivo do programa foi ensinar às presas que a prática de meditação e alguns simples exercícios físicos e mentais ajudam acalmar a mente e relaxar o corpo.

A idéia do projeto partiu de uma conversa informal entre a técnica responsável da Central de Penas e Medidas Alternativas (CPMA) de Piracicaba, Rosane Rodrigues Marques, com as internas. “Durante o bate-papo foi possível notar a instabilidade emocional que a maioria delas têm e o yoga é uma boa solução nessas situações” lembra Marques. “Levei a sugestão à diretora e ela aprovou”, conta.

Durante as aulas práticas as participantes ficaram maravilhadas com as técnicas apresentadas. “Muitas relataram não acreditar que poderiam ter esse tipo de experiência dentro de uma unidade prisional. Notamos que a auto-estima delas melhorou muito, facilitando o relacionamento entre todos”, afirma a diretora do CR, Camila Caran. 

Esse foi o inicio de uma série de programas relacionados à reflexão, meditação e yoga, para melhorar a auto-estima das reeducandas. “Abrimos, ainda, inscrições para o curso de meditação noturno, direcionado às presas que trabalham no período diurno e não puderam participar da primeira turma”, conclui Caran.

 

 

20/02/2009

Secretaria da Administração Penitenciária

Reeducandas grávidas participam de programa de apoio

Projeto da Coordenadoria de Saúde é testado na Penitenciária Feminina Sant´Ana

 

Se o período da gravidez já é uma época especial na vida da mulher, para aquelas que estão presas a situação requer uma atenção especial. Com o objetivo de prover tranquilidade às reeducandas grávidas do sistema prisional paulista, está sendo realizado desde outubro na Penitenciária Feminina Sant´Ana (PFS) o “Programa de Atenção Integral a Gestante”. O projeto piloto da Coordenadoria de Saúde do Sistema Penitenciário está sendo testado em parceria com a Diretoria de Centro de Reintegração e Atendimento à Saúde da PFS. Se bem sucedido, ele será replicado em outras unidades femininas da SAP.

O programa é composto por palestras, acompanhamento das gestantes e dos exames, troca de informações entre as presas e atividades diversas que podem incluir até danças circulares. Em 2009, o programa iniciou suas atividades com uma palestra sobre “O Uso de Drogas durante a Gestação”, ministrada pela enfermeira Shirley Aparecida Lima, realizada no dia 9/2.

Através do programa, são repassadas informações sobre mudanças no corpo, parto, cuidados com o recém-nascido, aleitamento materno, puerpério (período logo após o parto) e planejamento familiar, com ênfase nos possíveis riscos, dúvidas e cuidados necessários à saúde da gestante e do bebê.

Embora a maioria das participantes já esteja em sua segunda ou terceira gestação, a experiência de ter um filho durante o cumprimento de uma pena é diferente, como explica uma das reeducandas: “Gravidez já mexe com você e estar aqui, presa, mexe ainda mais. Eu amamentei meu filho durante um ano e agora só vou poder ficar com esse seis meses” lamenta ela, referindo-se ao período em que a mãe reeducanda fica com a criança (após esse período, o bebê é entregue aos pais, parentes ou pessoa legalmente responsável por sua guarda).

Riscos na gravidez– Na palestra do dia 09/02, a enfermeira tratou dos problemas que o uso de drogas lícitas, como alcoól e o cigarro, e ilícitas podem trazer para os bebês. Os problemas vão desde má formação fetal a distúrbios de comportamento que podem acompanhá-los até a vida adulta. Também foram distribuídas agendas de acompanhamento de exames e esclarecimento sobre gravidez. O material foi conseguido através de parceria com o projeto Mãe Paulistana, da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo. A parceria também permite o cadastro das gestantes no sistema que acompanha os atendimentos e exames realizados. O pré-natal é feito com a médica obstetra da unidade.

Entre as 15 gestantes que assistiam à palestra, pelo menos cinco fumavam. Estas se comprometeram a parar ou pelo menos diminuir em grande parte o número de cigarros consumidos por dia. Para muitas reeducandas grávidas, era a primeira vez que elas percebiam o risco que estavam correndo devido ao vício, pois mesmo as que não fumavam convivem com colegas de cela que fumam, tornando-as fumantes passivas.

Temas foram sugeridos pelas próprias reeducandas – O “Programa de Atenção Integral a Gestante” teve início em outubro, a partir da aplicação de questionários e conversas com as reeducandas. Os assuntos abordados nas palestras e as atividades do programa surgiram das sugestões e dúvidas expostas. No mês seguinte foram realizadas a primeira e segunda palestra sobre “A Importância do pré-natal” e “Desenvolvimento da gestação: modificações corporais e emocionais”, respectivamente. Em dezembro foi feita a avaliação e uma confraternização, na qual as grávidas participaram de uma oficina de danças circulares. Em fevereiro de 2009 as palestras foram retomadas e segundo o planejamento da diretora do Centro de Reintegração e Atendimento à Saúde da PFS, Orodelina Duarte Vieira de Oliveira, a idéia é realizar dois encontros mensais. O tema da próxima palestra será “Tipos de parto”.

 

 

19.02.2009

www.opopular.com.br  

PRESÍDIOS

MP cobra novas regras para visitas

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) enviou um ofício ao Juizado da Infância e Juventude pedindo a expedição de portarias para regular as visitas de crianças e adolescentes aos presídios de Goiânia. A medida foi tomada depois que o órgão recebeu um dossiê encaminhado pelo Conselho Penitenciário do Estado, que revela uma série de situações constrangedoras a que os menores são submetidos em dias de visitas.

No pedido feito ao Juizado, assinado pelo coordenador do Centro de Apoio Operacional (CAO) da Infância e Juventude, Everaldo Sebastião de Sousa, e pela promotora Renata de Matos de Lacerda Becker, foram apresentadas sugestões de regras. Entre as sugestões estão a apresentação de documentos que comprovem que o adolescente é casado ou tem filho com a pessoa que está presa, que os filhos de presos só poderão entrar no presídio acompanhados de um representante legal, ou caso não atendam aos requisitos anteriores devem ingressar no local com autorização judicial. O MP-GO pede ainda que os menores passem por uma revista diferenciada, para evitar que sejam submetidos a condições degradantes. Já a visita íntima para menores de 18 anos só deve ocorrer mediante ordem judicial.

 

19/02/2009

Revista do Consultor Jurídico

MPE paulista quer que presos provisórios votem

A Procuradoria Regional Eleitoral, em São Paulo, pediu ao Tribunal Regional Eleitoral paulista que presos provisórios possam votar nas eleições de 2010. Embora tenha a maior população carcerária do Brasil, com 1/3 do total nacional, até a eleição de 2008 o estado de São Paulo não havia garantido o exercício desse direito. Ao contrário do que já ocorre nos estados do Amazonas, Ceará, Espírito Santo, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe.

O requerimento foi feito neste ano para permitir a adoção, pelo Tribunal Regional Eleitoral, das medidas necessárias para a implementação do direito, como criação de seções eleitorais em locais de recolhimento de presos provisórios.

Essa foi uma das iniciativas de um programa de “inclusão eleitoral” da Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo. No dia 4 de fevereiro, a PRE já havia representado no sentido de que todas as seções eleitorais do estado sejam acessíveis a deficientes físicos.

 

 

18/02/2009

Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH

Homens e mulheres ocupam a mesma cadeia no ES

 

O Centro de Apoio aos Direitos Humanos do Espírito está denunciando que no município de São Mateus "homens e mulheres ocupam a mesma cadeira" (na foto ao lado o interior de um presídio do município capixaba). Segundo Valdício Barbosa dos Santos , do Centro "não é só na Grande Vitória que a superlotação de presos em delegacias e penitenciárias é um problema que se torna mais grave e alarmante a cada dia que passa. No interior do Estado a situação pode ser considerada ainda pior, já que muitas cidades não contam, por exemplo, com a atuação do Grupo de Apoio Operacional (Gao) e o Batalhão de Missões Especiais (BME), acionados, principalmente, em operações de alto risco, como as próprias rebeliões de presos".

Para Ademir Torres, do CDDH Pedro Reis, "o que vem acontecendo no Espírito Santo, nos último anos, é uma aberração contra os direitos humanos neste estado".

De acordo com Torres "as autoridades competentes freqüentemente divulgam nos meios de comunicações construção de presídios e de cadeias, mas raramente vemos alguns programas sendo implantado".

Para o representante do CDDH Pedro Reis , "a questão de segurança pública deve ser enfrentada com políticas sociais sérias. Não adianta alardear com mais cadeias, presídios, policiais, armas... O que vemos no Espírito Santo é a segregação dos pobres nas cadeias, conforme o que está ocorrendo em São Mateus, onde  mulheres e homens convivem no mesmo espaço".

Ademir torres denuncia, ainda, que no município da Serra "presos estão vivendo dentro do chamado microondas. O fato precisou transformar-se em um escândalo nacional para que fosse tomada uma atitude meramente paliativa".

Na  minha opinião – diz Torres - o Ministério Público e o Judiciário deveriam ser mais enérgico, pois quando acontece alguma denúncia ou escândalos envolvendo alguma autoridade do judiciário ou do legislativo ela se prevalece das prerrogativas do  Código Penal. Já do outro lado, se vê que mulheres e homens 'comuns' não gozam do mesmo direito".

Cadeião de São Mateus

Segundo relato de Valdício Barbosa dos Santos "no Departamento de Polícia Judiciária (DPJ) de São Mateus, local que também abriga o chamado 'Cadeião', policiais e agentes carcerários vivem, diariamente, em clima de medo e tensão. Superlotado e com estrutura precária, a delegacia é palco constante de motins e fugas de presos".

De acordo com o delegado chefe do DPJ do município, Walter Barcelos, a unidade concentra atualmente, 261 presos, quando a capacidade máxima deveria ser de apenas 60. Diferente da Região Metropolitana de Vitória, que dispõe de uma penitenciária feminina, mulheres que são detidas em São Mateus e região, têm o mesmo destino que os homens: o "Cadeião" da cidade.

Segundo informações policiais, a delegacia conta ainda com uma cela só para as detentas, que também está superlotada, e fica no mesmo pavimento que abriga as celas masculinas. Onde cabem apenas seis mulheres, existem 26. E a solução encontrada para "desafogar" o espaço ocupado por elas, foi mesmo deixar algumas em um corredor do presídio.

Na tarde da última terça-feira (17 de fevereiro), o delegado Walter Barcelos emitiu ofício à Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) pedindo, justamente, a transferência de todas as mulheres da unidade.

O delegado Walter Barcelos afirmou ainda que, além de abrigar presos de São Mateus, o "Cadeião" recebe todos os criminosos de Jaguaré e Conceição da Barra, já que esses municípios não têm unidades para mantê-los detidos.

Rebeliões e fugas

Semelhante ao que acontece nos presídios da Grande Vitória, na penitenciária do Norte do Estado as rebeliões e fugas também são constantes. Na última delas, ocorrida na semana passada, três internos fugiram após quebrarem as grades de uma cela. Dois acabaram recapturados.

Barcelos afirmou também que é praticamente impossível controlar os motins promovidos pelos presos. "Todo dia tem tentativa de fuga. Todo dia descobrimos um buraco diferente, encontramos objetos de escavação. Temos apenas dois policiais por turno para vigiar esses presos. Além disso, aqui em São Mateus não temos os policiais que atuam na Grande Vitória (BME) em casos de rebeliões. Quando aparece o Gao, o caldo já entornou".

Sem policiais suficientes para controlar os internos, fica fácil, também, a entrada de materiais utilizados para abrir buracos e, conseqüentemente, ajudar na fuga de criminosos. "Em cada revista encontramos barras de ferro, brocas e até picaretas. Como o muro do "Cadeião" é baixo, os comparsas deles conseguem jogar esses objetos aqui pra dentro. Esse material cai no pátio e o presos utilizam calçados amarrados em linhas para puxar tudo pra cela onde estão. Geralmente isso acontece à noite", revela o delegado.

Durante as fugas, a situação se agrava. Ou a polícia persegue os fugitivos, ou controla os que ficaram no presídio. "É muito complicado. Como vamos correr atrás de presos sem policiais? Se vamos atrás de dois ou três que escapam, os outros mais de 200 é que acabam fugindo".

Morte

Por conta da superlotação e das más condições de higiene na unidade prisional, muitos presos acabam contraindo doenças e passando inclusive, aos outros internos. No mês passado, por exemplo, um dos detentos não resistiu a uma meningite que contraiu dentro do presídio e morreu.

Ainda de acordo com o delegado Walter Barcelos, a situação caótica do "Cadeião" de São Mateus, já foi repassada em ofício ao Ministério Público, Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e Secretaria de Estado da Justiça (Sejus).


Nota
Em nota divulgada na noite de terça, a Chefia de Polícia informou que já solicitou à Sejus, que faça a transferência de todas as mulheres para a unidade prisional de Barra de São Francisco. Assim que as vagas forem disponibilizadas, um planejamento conjunto entre o órgão e a Sesp será feito para as transferências

Ainda segundo a nota, será construído em São Mateus um Centro de Detenção Provisória (CDP) com capacidade para 350 presos. A inauguração da unidade está prevista para o segundo semestre deste ano. Além da CDP, serão mais 510 vagas abertas, sendo 444 para homens e 66 para mulheres, após a inauguração da Penitenciária Regional de São Mateus.

 

 

17/02/2009

Revista do Consultor Jurídico

43% dos detentos no país estão em prisão provisória

Por Marina Ito

Em 11 estados brasileiros, o número de presos provisórios supera o dos que já têm decisão condenatória. "O desproporcional número de presos provisórios estrangula o sistema penitenciário", critica o juiz Erivaldo Ribeiro dos Santos. Ele apresentou dados sobre o sistema carcerário no 2º Encontro Nacional do Judiciário, em Belo Horizonte, na segunda-feira (16/2).

Segundo o juiz, em Alagoas, 77% dos presos são provisórios. Para Erivaldo Ribeiro, o alto número de presos nessa situação cria uma dificuldade na administração das penitenciárias. Isso porque não se sabe quando e se esses presos se tornarão definitivos. Dados do Departamento Penitenciário Nacional revelam que até dezembro de 2008 haviam 446.687 presos. Destes, 43% são presos provisórios. Em oito anos, o número de presos provisórios saltou de cerca de 43 mil para 190 mil.

 

“Há uma dificuldade de organização do sistema”, afirma Erivaldo Ribeiro. Para o juiz, o problema também é do Poder Judiciário. “Estamos contribuindo para esse estrangulamento”, disse. O juiz contou que, durante os mutirões carcerários realizados em alguns estados, foi verificada a existência, em uma mesma cela, de presos condenados e provisórios, em regime semiaberto e fechado.

Outro ponto citado pelo juiz é o déficit de vagas para os presos. Presídios e cadeias lotadas estão longe de serem problemas do passado. Hoje, afirma, há um déficit de 328 mil vagas, o que equivale à população de uma cidade de porte médio. “Isso está a indicar, parece-me, que não estamos adotando política séria, política que faça frente ao grau de encarceramento no país”, observa.

O Brasil, afirmou, desponta como um dos países com maior taxa de encarceramento comparando com Portugal, França, Dinamarca, Argentina. Na América Latina, só perde para Chile e Panamá.

Não é só no Brasil que o tema desperta preocupação. Recentemente, o ministro da Suprema Corte Argentina e referência em matéria penal, Raul Zaffaroni, atentou para o número de medidas cautelares. “Os juízes abusam do emprego das prisões cautelares”, disse.

Soluções

A solução para o problema, acredita o juiz Erivaldo Ribeiro, passa pelo julgamento em um prazo mais adequado. Para ele, é necessário que haja um esforço nesse sentido. Outra ideia que surgiu em seminários realizados com juízes de execução penal e sugerida pelos próprios é a implantação de processo eletrônico para a execução da pena. No Rio de Janeiro, em dia 3 de fevereiro, foi assinado acordo de cooperação técnica entre o presidente do CNJ, ministro Gilmar Mendes, e o presidente do Tribunal de Justiça fluminense, desembargador Luiz Zveiter. Sergipe foi o pioneiro.

Segundo Erivaldo, ao ligar o computador o juiz já sabe quais os presos que conseguiram benefícios. Com o sistema, a análise da situação dos condenados será mais rápida. Além disso, há o atestado de pena a cumprir, exigência da Lei de Execuções Penais e que alguns tribunais não cumprem. O preso recebe periodicamente o atestado, constando o que já foi cumprido e o que resta a cumprir da pena aplicada.

Os mutirões carcerários realizados pelo CNJ junto com alguns Tribunais, além de ajudar a resolver o problema, contribuem para diagnosticar as falhas.

Realizados, em 2008, em quatro estados (Maranhão, Pará, Piauí e Rio de Janeiro), os mutirões revelaram dados preocupantes. De cerca de 6 mil processos analisados, mais de 2 mil presos foram soltos nos mutirões, seja porque já cumpriram pena ou por terem direitos a benefícios. Com os mutirões, afirma Erivaldo, foi diagnosticada uma série de problemas.

O mais grave é a superlotação. “Mesmo no Rio, que apesar das 24 mil vagas para 21 mil presos, nós temos graves problemas em relação a presos em delegacias”, constata. Também falta assistência jurídica. “Em várias unidades prisionais não há defensoria.” Segundo Erivaldo Ribeiro, até a estrutura de presídios construídos para presos provisórios dificulta a implantação de medidas para capacitá-los profissionalmente, além de faltar projetos de reinserção do egresso dos presídios brasileiros.

Casos

O juiz contou que um presídio para mulheres no Maranhão possuía máquinas de costura e matéria-prima para confecção. Entretanto, o material estava parado há dois anos. Foi preciso fazer a manutenção dos equipamentos. Hoje, diz Erivaldo Ribeiro, com acordo firmado no Maranhão, as presas estão fazendo curso de corte e costura e produzindo peças.

Também no Maranhão foi identificado um condenado preso há oito anos, embora tenha sido condenado a cinco anos. O juiz afirma, ainda, que foram encontrados diversos presos que receberam o benefício do livramento condicional sendo que estavam no regime fechado. “Dado o tempo em que ficaram no regime fechado, não transitaram pelo semiaberto.”

Erivaldo Ribeiro acredita que, embora haja ainda muitos problemas no sistema penitenciário, é possível que ele se torne melhor. “O juiz tem de se preocupar com todo o aspecto da execução e não só do processo”, afirma.

Na abertura do 2º Encontro Nacional do Judiciário, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, afirmou que um acordo com empresas privadas no estado vai garantir 500 vagas para ex-presidiários.

 

 

17/02/2006

Correio da Cidadania

Não transigir com princípios

As fotos em que aparecem assassinos, fraudadores do fisco, estelionatários de alto coturno, condenados pela justiça, mas tranqüilos, sorridentes, em viagens pelo mundo e em eventos sociais chocam e provocam justa indignação na opinião pública.

Acontece que todas essas pessoas estão protegidas por normas constitucionais que proíbem a detenção de pessoas que ainda não tenham sido condenadas em última instância pela prática de crimes, salvo nos casos previstos em lei.

Para corrigir essa situação certa mídia está propondo medidas, que aos leigos parecem corretas, mas que terminarão certamente anulando direitos e garantias individuais, essenciais para o funcionamento da democracia.

Senão, vejamos: o artigo 5°, letra LVII determina que: "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória".

Trata-se da presunção de inocência – um avanço civilizatório que custou séculos de lutas para ser inscrito nas leis constitucionais.

A enorme importância deste princípio pode ser aquilatada pelo seu inverso: a presunção da suspeição. Basta ver o estrago que o Patriot Act produziu na estrutura da democracia norte-americana. Agora, nos Estados Unidos, todos são suspeitos, até que provem o contrário. O resultado disso foram as prisões de Guantánamo e Abu Graib, que escandalizaram as consciências democráticas de todo o mundo, e que constituem hoje uma ameaça a todos nós, uma vez que nenhum de nós, em qualquer parte do mundo, está livre de ser considerado suspeito por um agente da CIA.

Para reforçar a presunção de inocência a norma do art.5°, letra LXVI reza: "ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança".

Recente decisão do Supremo Tribunal Federal exigindo o rigoroso cumprimento dessas normas provocou reação negativa – cautelosa, mas inequívoca - de certa imprensa. Chegou-se a dizer que isto representaria a libertação imediata de milhares de pessoas que estão presas à espera de julgamento - o que não corresponde, de forma alguma à realidade.

Qual seria o jeito certo e o jeito errado de solucionar esse problema?

Certo seria modificar a lei processual para fechar a porta dos recursos meramente protelatórios, acessíveis apenas aos réus que podem pagar caríssimos advogados; aumentar substancialmente o número de juízes, promotores e funcionários de cartórios, a fim de abreviar o tempo de tramitação dos processos; exigir de juízes, tribunais, promotores e cartorários rigor no cumprimento dos prazos do processo penal.

Como isto custa caro e o "establishment" burguês não está disposto a gastar dinheiro com a malta ignara que compõe a maioria dos presos à espera de julgamento, a mídia, alegando a impossibilidade prática de adotar a solução correta, está sutilmente optando pelo jeito errado: está sugerindo que o Supremo deverá interpretar as normas da Constituição de maneira restritiva, a fim de manter presa essa gente, antes da condenação em última instância, mesmo contrariando as normas constitucionais.

É preciso que o Supremo Tribunal Federal, que é guardião da Constituição, resista a este ataque ao Estado Democrático de Direito.

 

 

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Bope “invade” Iapen

José Maria - Da Redação


De acordo com o comandante a guarda foi ativada por voltas de cinco horas da manhã de ontem e às seis chegaram ao Iapen para efetuar os trabalhos. Drogas, armas brancas de diversos tipos feitas de forma artesanal foram apreendidas dentro das celas onde moram os presos. Segundo ele, o material estava escondido em vários pontos para ser usado em casos específicos.

Durante seis horas mais de sessenta militares pertencentes ao Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope) fizeram uma varredura em vários pavilhões do Instituto de Administração Penitenciário do Amapá em busca de armas, drogas e outros objetos usados pelos detentos para agredir colegas de cela. A operação foi coordenada pelo major PM “Rômulo” com ajuda de outros oficiais, e membros do Choque e Companhia de Operações Especiais.

De acordo com o comandante a guarda foi ativada por voltas de cinco horas da manhã de ontem e às seis chegaram ao Iapen para efetuar os trabalhos.. Drogas, armas brancas de diversos tipos feitas de forma artesanal foram apreendidas dentro das celas onde moram os presos. Segundo ele o material estava escondido em vários pontos para ser usado em casos específicos.

Após os trabalhos os militares fizeram uma troca entre os internos do Pavilhão F-1 que foram para a Triagem e vice e versa, ou seja, cerca de 130 presos que estavam no F-1 passaram a morar na triagem enquanto que os 110 da Triagem foram transferidos para o F-1. A mudança segundo o oficial foi motivada pela falta de entendimentos entre detentos os dois pavilhões devido às desavenças que há entre eles.

Parentes de presos que aguardavam do lado de fora disseram temer a mudança devido aos presos do cadeião vir para o setor provisório.

O fato está relacionado às quatro mortes que aconteceram nos últimos quinze dias quando o clima na penitenciária esquentou provocando tumulto entre os internos.

De acordo com informações da polícia três detentos foram encontrados enforcado sendo um no sanitário da cela onde morava, outro em uma sala usada para ginásticas e o terceiro dentro das dependências da cadeia. A quarta morte cuja vítima estava na Escola São José quando foi atacado pelo rival, que alegou ao delegado no Ciosp do Pacoval que tinha rixa antiga com ele por isso resolveu acertar as contas.

O material apreendido ficou em poder do coordenador de segurança tenente PM “Vilhena” que prometeu aos jornalistas que somente na segunda-feira (16) vai fazer entrevista coletiva e dá informação sobre o que foi detectado nas celas. Mas adiantou que vários telefones celulares foram encontrados nas mãos de presos além de facas, estoques, terçados entre outros objetos.

O quantitativo apreendido será divulgado apenas às 10 horas quando ele vai falar com a imprensa.

 

 

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Três detentos morrem enforcados no Iapen

O terceiro detento morto enforcado no interior do Instituto de Administração Penitenciaria (Iapen) foi registrado no final da manhã de ontem e achado por colegas de cela. Os agentes foram avisados sobre a morte e detectou o cadáver pendurado por uma corda feita com lençóis popularmente chamada de “Tereza”, nome batizado pelos internos.

Segundo informações da polícia trata-se de Romilson dos Santos Melo que cumpria pena no Pavilhão F-3 daquela casa de apenados, cujo delito cometido não foi informado.

Informações extra-oficiais dão contas de a vítima saiu para tomar banho de sol por volta de 11h40 e logo depois foi encontrado sem vida numa sala onde funciona uma espécie de academia.

Houve tumulto entre os demais detentos sobre os constantes casos de assassinatos que estão rondando a penitenciária. Em menos de vinte e quatro horas duas vidas foram ceifadas de forma trágica. Sobre este fato, parentes de presos suspeitam de uma possível mega-rebelião preste a acontecer por falta de providencias por parte da direção geral que segundo eles sabe dos problemas e não faz nada para solucionar o caos, conforme declarou a mãe de um interno Maria Izaltina.

Os responsáveis pela segurança e administração foram procurados, porém em semelhante situação aos episódios anteriores ninguém quis falar com jornalistas para comentar sobre as mortes existentes naquele lugar que em cerca de quinze dias quatro detentos morreram.

A reportagem do “Leia Agora” tentou falar com o presidente da OAB advogado Washington Caldas, mas ele estava em audiência com clientes, conforme alegou a recepcionista daquela entidade.

O presidente da Comissão de Humanos da Assembléia Legislativa deputado Camilo Capiberibe, também foi procurado cuja conversa ficou marcada para este sábado devido aos compromissos do parlamentar. Juizes da Vara de Execução Penal foram procurados na sede do Fórum, mas tivemos a informação que devido ser sexta – feira a tarde era difícil falar com algum magistrado.

Sem ter alternativo o secretário de defesa delegado de polícia Federal Aldo Alves Ferreira foi entrevistado via telefone. Ele disse que o problema está relacionado a superlotação fato que tem causado falta de espaço para as quase duas mil pessoas que estão recolhidas sob regime de cumprimento de pena.

Na avaliação de Aldo somente a construção da nova penitenciária poderá resolver o problema. O prédio já está licitado aguardando apenas a empresa apresentar o projeto do sistema elétrico para dá inicio as obras de ampliação de pavilhões e construção que será erguido anexo a que já existe.

Segundo ele o valor orçado é de cerca de R$ 10 milhões de reais oriundos do Ministério da Justiça via Sistema Penitenciário Nacional. Em Macapá o dinheiro está depositado na Caixa Econômica Federal. Adiantou ainda que ontem mesmo teve reunião com a superintendência do banco cujo assunto tratado foi mesmo Iapen.

O secretario disse que há muitas obras paradas aguardando liberação de verbas, mas segundo ele algumas têm prioridades e deu como exemplo a penitenciaria.

Disse ainda que após o período do carnaval provavelmente sejam iniciadas obras do hidro-sanitário com esgoto tratado que vai beneficiar todos os pavilhões. As obras que se refere ao Iapen devem iniciar ainda neste semestre. Ressaltando que das quatros mortes três foram vítimas de enforcamento e um esfaqueado. (José Maria)

 

 

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Batalhão de Operações Especiais faz revista no Iapen

Depois de três mortes ocorridas em menos de uma semana no Iapen, na manhã de ontem o Batalhão de Operações Especiais (Bope), fez uma revista em todos os pavilhões do presídio.
Conflitos internos ocorridos na semana passada entre detentos do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen), resultou na morte de três presos. A confusão envolveu todos os internos do pavilhão (F-1), o motivo seria rixa e disputa pelo comando do crime dentro da penitenciária.

De acordo com informações da polícia, a primeira e a última morte dos presos José Willian Souza Inajosa, 24 anos do pavilhão (F-2) e Romildo Santos Melo, foram ocasionadas pela prática de suicídio, já a segunda cuja vítima foi Ozan Dias Moraes de 36 anos do pavilhão (P-2), foi uma execução o mesmo foi morto à estocadas na sala de aula por quatro detentos do pavilhão (F-1), segundo a Politec foram mais de cinqüenta facadas por todo o corpo da vítima.

Em razão de tantos conflitos e mortes no Complexo Penitenciário o Bope foi acionado para fazer uma revista rigorosa em todos os pavilhões. Segundo o delegado Celson Pacheco, coordenador do Grupo Tático Aéreo (GTA), foram feitas algumas seleções e mudanças de determinados presos para outros pavilhões.

“O comando Geral acionou o Batalhão de Operações Especiais (Bope), para dar apoio a direção do Iapen, por causa dos conflitos entre grupos rivais, que estão travando uma guerra interna resultando nas mortes que ocorrerão recentemente. Então fizemos uma revista geral, onde encontramos vários estoques, celulares e uma determinada quantidade de substância entorpecente. Os grupos rivais do pavilhão F-1 e F-2 foram separados para evitar mais brigas”, informou o major Rômulo. O pavilhão F-1 foi transferido para o bloco onde ficavam os presos da Triagem A e B, e os detentos da triagem foram para um único pavilhão onde ficava o F-1.

Com a mudança será provavelmente será sanada uma situação e gerada outra. Segundo uma fonte do interior do presídio que não quis se identificar, os internos do F-1 estão ameaçando os companheiros que ficam no bloco próximo da antiga triagem. “Eles estão matando todo mundo aqui dentro, são mais de 100 presos no F-1 entre eles tem bandidos de extremamente perigosos como o “Rafaelzinho”, “Moca”, “Mula” e o “Mata sete”, que quando chegam pra matar nem conversam, estamos todos correndo risco de morte a qualquer hora podemos ser o próximo,” disse à fonte que preferiu não se identificar. (A.F.)

 

 

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Quem controla o Iapen: o Estado ou os bandidos?

Ontem, depois de três na mesma semana, o Bope entrou em ação e fez revista nas celas da penitenciária

A realidade do sistema penitenciário do Amapá não difere do que ocorre no Rio, São Paulo ou qualquer outra grande cidade. Dentro do Iapen existem facções que lutam pelo domínio do tráfico ou pelo controle total do lugar. A vida, atrás dos muros, segundos os próprios presos, vale quase nada. De acordo com um ex-detento que pediu para não ser identificado, às vezes se mata desconfiança, por uma simples discussão ou R$ 2 mil. Não tem uma regra, mas de modo geral, sempre tem um “bomba” a disposição– preso escolhido para assumir a culpa pelo que não fez. O fato é que atrás dos muros altos do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen) a única lei que prevalece é a do mais forte.

Um sistema corrompido

Segundo o ex-detento não precisa ser nenhum investigador ou policial para saber como drogas, armas e até dinamites, chegam aos presos. As visitas ocorrem nos sábados e domingos. Para o parente de um preso chegar até a cela onde o mesmo se encontra é necessário passar por uma minuciosa revista corporal. As mulheres, em muitos casos, são obrigadas a ficarem nuas e de cócoras. É que muitas já foram flagradas transportando drogas e celulares dentro da genitália. Da mesma forma os homens também ficam nus, a comida é verificada e as garras de refrigerante são abertas para verificar se o líquido não foi troca por álcool. O fato é que em tese não há como uma pessoa passar para dentro da penitenciária levando qualquer objeto ilícito. Então surge a pergunta: Como entraram armas, drogas, facas e até dinamites? A resposta é simples. Alguém facilita essa entrada. Seja os agentes penitenciários ou até mesmo policiais militares que fazem a segurança externa do presídio. E não adianta tocar neste assunto com a direção. Entra diretor e sair diretor e a resposta é sempre a mesma: estamos investigando; foi aberto inquérito, sindicância e coisas assim. O fato é que ninguém toca realmente no assunto.

As facções

Adriano dos Santos (nome fictício), já cumpriu pena no Iapen por assalto, viu companheiros seus serem assassinados e outros tendo que assumir a culpa. Só não aconteceu o mesmo com ele porque ao chegar na cela foi logo “apadrinhado”. Mas Adriano conhece bem a realidade lá de dentro. “Os motivos das brigas e mortes são quase sempre os mesmos. Acerto de contas, seja por fato que ocorreu quando eles ainda estavam em liberdade ou porque um preso não honrou o pagamento de uma mercadoria, seja ela droga ou não. Além disso há disputas, por exemplo, entre os presos vindos de Laranjal do Jari e os de Macapá, logo, os dois grupos vivem sob tensão.. Qualquer descuido é fatal. Outra questão diz respeito aos grupos que tentam dominar a venda de drogas na penitenciária. Acreditem, é mais fácil faltar maconha e cocaína aqui fora do que lá dentro”, comentou a fonte.

Como descobrir

De acordo com Adriano para a polícia descobrir quem são os responsáveis pela entrada de objetivos ilícitos no Iapen basta que o Ministério Público entre em ação e investigue. Procure ex-detentos e os coloquem no programa de proteção a testemunhas para que eles contem o que sabem. “É fácil pegar esses caras. Eles sabem como fazer isso. Mas, ninguém tem interesse em resolver o problema e justamente por isso a coisa vai ganhando dimensões que eles não poderão controlar. Quando abrirem os olhos todo o sistema está corrompido e muitas mortes já terão acontecido. Aí será tarde demais”, declarou Adriano.

O controle

“A polícia pensa que controla o Iapen. Mas eles não controlam nada. Ninguém faz rebelião porque não interessa, até porque tudo o que os presos querem eles têm. Então vão acabar com isso porque. Lá, dentro, a exemplo de São Paulo e Rio, eles negociam droga, articulam assalto, mandam matar. Fazem tudo o que querem. Então, são eles que estão no controle”, disse Adriano.

 

 

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Morre mais um detento na desumana penitenciária do Amapá

Segundo agentes do Iapen, detento foi encontrado já em estado de óbito

O detento Romildo Santos Melo, que estava preso no pavilhão F3 do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen), foi encontrado morto no fim da manhã de ontem no interior de uma sala de ginástica que existe no complexo. De acordo com informações repassadas à imprensa por agentes de plantão, Romildo foi visto cerca de uma hora antes na área onde os presos tomam banho de sol.

Depois ele deixou a área e seguiu para o interior da sala. Consta que momentos depois outros internos que chegaram no local já se depararam com a vítima que estava pendurada pelo pescoço com um lençol em volta. Logo se constatou que o detento havia entrado em estado de falência múltipla. A Polícia Técnico-científica foi acionada para fazer a remoção do cadáver até o Departamento Médico Legal, onde os peritos farão o exame necroscópico para diagnósticar a verdadeira causa da morte.

A polícia quer saber se ele realmente cometeu suicídio ou se foi vítima de um assassinato. Um inquérito será aberto para apurar a morte do interno. Hoje a Politec já deverá estar com um laudo oficial que mostrará se o homem sofreu agressões de terceiros antes de morrer ou não.

Essa é a quarta morte registrada desde o dia 1º de janeiro. Outros dois detentos também foram encontrados mortos no interior das celas onde eles estavam. Segundo o que foi apurado nenhum apresentava sinais que pudessem levar a crer que eles tivessem sido mortos por outros internos. E na ma-nhã desta quinta-feira, 12, o detento Ozan Dias Moraes, 36, foi brutalmente assassinado com cerca de dez estocadas dentro da sala de aula onde ele estudava.

A Escola São José onde o crime ocorreu, funciona no interior do presídio. Quatro detentos foram indiciados pelo homicídio. Manoel Nascimento Costa o "Manelão", Francisco Ramos Viana, o "Chau", Fagner Barroso de Souza "Corcoran" e Silvalino Santa Rosa Abreu, o "Neguinho" tiveram o crime atribuído a eles que devem responder pelo assassinato na Vara do Tribunal do Júri.

 

 

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Homicida pode não ter se enforcado

Alyne Kaiser - Da Redação

De acordo com informações de um agente penitenciário, três pessoas foram servir como testemunhas do crime, inclusive o irmão do acusado, Edinaldo Aimoré. “Eles vieram depor, mas não querem falar o que realmente aconteceu. Esta é a lei da cadeia, quem deletar algum presos, pode sofrer as conseqüências depois”, afirmou o agente.

Um mistério ronda a morte de Francinaldo Dias Aimoré, de 23 anos, detento do pavilhão F2 do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen). Ele foi encontrado enforcado com um lençol, no banheiro localizado no interior da cela que ele divide com onze presos, por volta de 4h da manhã desta segunda-feira.

De acordo com informações de um agente penitenciário, três pessoas foram servir como testemunhas do crime, inclusive o irmão do acusado, Edinaldo Aimoré. “Eles vieram depor, mas não querem falar o que realmente aconteceu. Esta é a lei da cadeia, quem deletar algum presos, pode sofrer as conseqüências depois”, afirmou o agente.

O agente garantiu que os detentos conseguiram cortar o lençol antes da chegada de peritos da Polícia Técnica Cientifica. Agora, o laudo sobre a morte de Francinaldo só deve sair em trinta dias, porém há suspeitas de que ele pode ter sido assassinado.

Francinaldo cumpriu pena inicial por roubo e dentro do Iapen tivera cometido três assassinatos. Em dezembro de 2007, o acusado assassinou o reeducando Vanger Rogério Almeida Dias. Segundo interrogatório de Francinaldo, o mesmo matou Vanger a estocadas, por ele ter tentado lhe abusar sexualmente. No dia do crime, Vanger estava deitado de lado na cama de pedra da cadeia.

Francinaldo foi condenado a 22 anos de reclusão em regime fechado. Ele também responderia pelo assassinato de Maurício da Silva Sores, que ocorreu no dia 2 de julho do ano passado. Maurício foi morto com várias estocadas pelo corpo. Na época do crime, interrogado pela imprensa, Francinaldo garantiu que apenas assumiu a autoria do crime, para não morrer também.

No Ciosp do Pacoval, Edinaldo Aimoré quando perguntado sobre o crime, apenas informou que não vira nem ouvira nada. “Eu estava dormindo e ouvi quando os outros presos disseram que ele teria se enforcado. Acredito em suicídio e não em assassinato”, admitiu Edinaldo.

 

 

17/02/2009

http://www.correaneto.com.br/noticias/02/17_2_09presos.htm

Denúncia de que presos estariam com regalias no Centro de Custódia de Oiapoque gera Recomendação

O Promotor de Justiça Alexandre Monteiro, titular da Promotoria de Justiça da Comarca de Oiapoque, editou a Recomendação nº 001/2009 ao Diretor do Centro de Custódia e à Coordenadoria do Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (CIOSP) do Município, com o objetivo de impedir que presos provisórios e condenados recebam regalias.

A Recomendação partiu de denúncias feitas à Promotoria de Justiça de Oiapoque, informando que presos estariam livremente transitando pelas ruas do Município, com o consentimento de funcionários do setor de segurança pública, o que pode configurar, em tese, ato de improbidade administrativa, além de crimes contra a Administração Pública.

Segundo o Promotor de Justiça, “a autorização de saída para presos provisórios e condenados está totalmente disciplinada pelo art. 120 da Lei de Execução Penal (LEP), reservando-se a casos de doença do próprio preso ou de pessoa de sua família e, ainda assim, mediante prévia permissão do diretor de estabelecimento, sendo que a saída terá duração para o atendimento fiel da finalidade para a qual foi concedida”, esclarece o representante do Ministério Público Estadual.

Com isso, o MP-AP recomendou ao Diretor do Centro de Custódia e ao CIOSP de Oiapoque que se abstenham de autorizar a saída de presos provisórios e condenados com sentença penal transitada em julgado. E que, no prazo máximo de 10 (dez) dias, prestem informações sobre as pessoas que se encontram presas nas unidades que administram (menores e maiores de idade), bem como sobre o atendimento das disposições legais relativas à concessão de saídas.

 

17/02/2009

http://joaoboleroneto.blogspot.com/

Deputado convoca diretor do Iapen

Foi aprovado em caráter de urgência, durante a sessão ordinária de ontem na A.L, o requerimento de autoria do deputado Paulo José, convocando o Diretor Presidente do IAPEN, Cel. Walcyr Alberto Costa Santos, para prestar esclarecimentos em plenário, sobre os gravíssimos fatos e situações que foram denunciados através de programas jornalísticos e jornais escritos, que circulam no Estado.

 

 

17/02/2009

http://www.jornalagazeta-ap.com/policia_estadual.htm

Após revista no Iapen, Bope encontra várias armas brancas e celulares

O coordenador de segurança tenente Vilhena, mostrou o material encontrado pelo Bope nos pavilhões do presídio

Em razão de conflitos internos que ocasionou três mortes em menos de uma semana no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen), o Comando Geral prestou apoio a direção do presídio.

Revista
Na manhã do último sábado por volta de 6hs, o Batalhão de Operações Especiais (Bope), adentrou no Complexo Penitenciário para fazer uma revista em todos os pavilhões, inclusive no F-1, onde fica o alojamento dos presos condenados e, que também são considerados de alta periculosidade que vinham cometendo assassinatos em série em outros pavilhões como F-2, P-1 e P-2.

O que foi encontrado

A rivalidade entre esses pavilhões virou uma espécie de tribunal paralelo ao Estado, onde os próprios bandidos é que decidem quem vive e quem morre. Na manhã de sábado em poder dos detentos o Bope encontrou 43 estoques, ou seja, arma branca, 10 aparelhos celulares com carregador e várias porções de substância entorpecente.

Segundo informações da direção do Iapen, das três mortes registradas no interior do Complexo Penitenciário, apenas uma foi assassinato. José Willian Souza Inajosa e Romildo Santos Melo, teriam cometido suicídio, Ozan Dias Moraes foi brutalmente assassinado na sala de aula da escola do Instituto Penitenciário por quatro presos com diversas facadas pelo corpo.

População Carcerária

A população carcerária brasileira está sofrendo um aparente e suspeito surto de suicídios, que cresceram 40% em três anos, além do aumento do número de mortes por causas naturais, embora a média da faixa etária dos detentos fique entre 18 e 45 anos. Ao mesmo tempo, há uma redução de óbitos provocados por assassinatos e outros crimes, comuns às prisões.

O levantamento do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), vinculado ao Ministério da Justiça, revela, porém, indícios de uma mudança na tática das facções criminosas que controlam as penitenciárias: os líderes das quadrilhas estão forjando suicídios nas celas de presos que não obedecem à lei do crime, o que acaba distorcendo as estatísticas.

De 2006 a 2008, os suicídios cresceram 40% (de 77 para 108), se somados os dados de todas as cadeias brasileiras. A proporção de suicidas é quase cinco vezes maior dentro das penitenciárias e delegacias do que do lado de fora.

Segundo levantamento de suicídios do Datasus feito em 2007, pelo menos 8.500 brasileiros se mataram — média de um caso para 22.331 pessoas. Já nas carceragens, foram 97 suicídios, em 2007, para uma população prisional de 422.373 detentos — um caso para cada 4.354 presos.

Superlotação no Iapen preocupa

Condenado há 20 anos por formação de quadrilha e homicídio e preso há 10, Layos (nome fictício) é testemunha do cotidiano violento do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen). Ele diz que a superlotação e o acerto de contas entre fornecedores e usuários de drogas são as principais causas da violência no local.

Segundo ele, há no Iapen duas facções que controlam o tráfico de drogas e o crime organizado, ou seja, decidem quem morre e quem vive. São presos com muito tempo de casa ou maior poder aquisitivo. Layos disse ainda que, com a transferência do pavilhão F-1 para as proximidades do alojamento “especial” as mortes vão continuar, tudo porque os presos do F-1 já ameaçaram invadir o local onde ficam os ex-militares, ex-policiais e outros.
Ele conta que as brigas e mortes também acontecem quando o controlador de uma “rua” vai cobrar a dívida de um devedor preso em outra “rua” do presídio, dando início às disputas por território.

Observa que também ganha status de controlador o preso que, mesmo sem condição financeira, tem contatos com traficantes do lado de fora. ´ O celular é uma arma perigosa para o tráfico, disse Layos contando como os presos negociam a droga.

 


17/02/2009

http://www.derechopenitenciario.com/noticias/noticia.asp?id=2101

Boas ondas para afastar a reclusão e as paranóias

A psiquiatria penitenciária de Sevilha cria uma emissora para os internos.

El Pais (Margot Molina). "Uma pessoa não tem porque estar refugiada em um buraco. Se você se propõe, podes fazer muitas coisas". E Jenaro, 42 anos, malaguenho, curioso nato e esquisofrênico paranóico, certamento o faz: cerâmica, alvenaria, pintura, jardinagem, atletismo e até canoagem nas águas de Guadalquivir são algumas de suas atividades as quais, desde 07 de novembro passado, somou a de radialista.

Jenaro é um dos 20 internos do Hospital Psiquiátrico Penitenciário de Sevilha que forma parte de Onda Cerebral, uma emissora com um pequeno e muito especial ráio de ação que já se transformou na sua maior terapia. Sua nova ocupação o ajuda a esquecer os dez anos de internação e os três que ainda tem de permanecer.

Inspirado pelo êxito da experiência argentina RAido La Colifata, em Buenos Aires, o educador Julian Vicente, o músico Paco Herrera e 20 pacientes do Hospital Psquiátrico Penitenciário de Sevilha criou uma emissora de rádio, Onda Cerebral, que emite em 107,8 FM. Suas ondas só alcançam um raio de dois quilômetros, o suficiente para para que os 180 pacientes do Hospital Psquiátrico possam ouvir.

Leia mais em: http://www.derechopenitenciario.com/noticias/noticia.asp?id=2101

 

 

17.02.2009

www.opopular.com.br  

Superlotação: levantamento de processos expõe situação de pessoas que deveriam estar fora da CPP.

Em meio à superlotação na Casa de Prisão Provisória, com reflexos nas delegacias da capital, abarrotadas de presos, a manutenção indevida no complexo prisional de pessoas que têm direito a responder a processos em liberdade ou mesmo à progressão de regime agrava o problema da população carcerária. Na CPP, o índice é estimado em pelo menos 20% dos quase 1,3 mil presos. Isso significa que cerca de 250 detentos poderiam estar fora do presídio. Juízes discutem hoje formas de amenizar o problema, como pedidos de fiança e de liberdade provisória.

250 presos da CPP deveriam responder processo em liberdade

MP e superintendência de execução penal estimam que 20% dos quase 1,3 mil detentos da casa de prisão provisória têm direito ao benefício. Reunião vai debater superlotação

Malu Longo e Carla Borges

Pelo menos 20% dos quase 1,3 mil presos da Casa de Prisão Provisória (CPP) estão detidos indevidamente e têm direito a responder aos processos em liberdade ou mesmo a progressão de regime (muitos já têm condenações anteriores). Isso significa que cerca de 250 pessoas poderiam estar fora do presídio, abrindo vagas para detentos que superlotam a própria CPP e delegacias de polícia (veja reportagem nesta página).

O número foi revelado por um levantamento minucioso em todos os processos de presos recolhidos à CPP. “Cabe agora aos juízes das varas criminais avaliar os casos”, explicou ao POPULAR o superintendente do sistema de Execução Penal (Susepe) do Estado, Edilson de Brito. Ele espera abrir pelo menos 200 vagas com a iniciativa dos juízes das varas criminais para resolver o problema da superpopulação carcerária e agilizar os processos.

A situação dos presos provisórios de Goiânia segue tendência nacional. Ontem, o presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, afirmou que um terço da população carcerária nacional “se encontra recolhida aos presídios indevidamente”. O juiz da Vara de Execuções Penais de Goiânia, Wilson da Silva Dias, preferiu não falar em porcentuais, mas reconhece que é grande o número de presos da CPP que deveriam estar em liberdade.

“A grande massa carcerária é pobre e não tem acesso a advogados. Se o Estado tivesse defensoria pública, a situação não estaria tão grave como hoje”, disse o juiz. “Muitos pedidos não chegam ao juiz criminal. Outros são negados em primeira instância, mas não há recurso aos tribunais”, reconhece o juiz.

O promotor de Execuções Penais, Haroldo Caetano da Silva, acredita que o porcentual de 20% reflete “por baixo” a situação da CPP. O quadro mais grave é o que envolve os presos provisórios. “Na penitenciária há um controle maior sobre a população”, explica. O superintendente da Susepe confirma. “Esse mesmo levantamento que fizemos na CPP já foi realizado na penitenciária e em outras unidades”. Edilson de Brito observa que o trabalho é rotineiro, mas diz que ele foi intensificado no início do ano, época em que há a maior demanda por parte dos presos.

Os mais de 20 juízes que atuam em Varas Criminais vão se reunir hoje à tarde, no Fórum de Goiânia, para discutir as ações que poderão ser tomadas para reduzir o número de presos em delegacias que convivem com superlotação. A informação foi passada ontem pelo juiz da Vara de Execuções Penais, Wilson da Silva Dias que, na semana passada, autorizou a criação de 50 vagas na CPP do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.

No encontro, será discutida a possibilidade de acelerar a avaliação dos pedidos de fiança e de liberdade provisória dos presos. Na semana passada, Wilson da Silva Dias despachou dentro da Delegacia de Capturas em Goiânia e entrou em contato com juízes de vários Estados para pedir agilidade no recambiamento de presos.

Segundo o magistrado, o próximo passo é avaliar com o superintendente do Sistema de Execução Penal (Susepe), da Secretaria de Segurança Pública, Edilson Brito, a possibilidade de aumentar a capacidade da CPP. Construída para abrigar 800 presos, a unidade está hoje com 1.250 detentos e vai atingir o teto de 1.300 por decisão do titular da Vara de Execuções Penais. Desde dezembro de 2005, a administração penitenciária cumpria determinação legal de não ultrapassar a lotação da CPP em 1.250 presos.

Promotor da área no Ministério Público Estadual, Haroldo Caetano vem insistindo na tese de criação de uma Defensoria Júridica Pública para atender a população carcerária em Goiás, um das únicas unidades da Federação a não contar com o benefício. Para a Susepe, o atual quadro de superlotação da CPP sugere uma discussão neste sentido.

Delegacias enfrentam superlotação

O problema da superlotação carcerária é recorrente também em delegacias de polícia distritais e especializadas, onde os presos deveriam permanecer apenas pelo período necessário para fazer o auto de prisão em flagrante, sendo depois encaminhados à Casa de Prisão Provisória (CPP). Mas o problema, mostrado pelo POPULAR nas últimas semanas, prossegue.

Um dos casos mais graves é o da Delegacia de Repressão a Narcóticos (Denarc), que ontem abrigava 23 presos, mas tem capacidade só para 12. “Estamos intensificando o trabalho de tolerância zero às drogas. Com a média diária de dois a quatro presos, em um ano vamos encher uma CPP”, comparou o titular da Denarc, Izaías Araújo Pinheiro.

“Essa situação prejudica as investigações”, conclui o titular da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), Alzemiro José dos Santos. Ontem, a carceragem da Deic tinha 16 presos, o dobro de sua capacidade. “É preciso tirar agentes que deveriam investigar para tomar conta dos detentos”, diz. Situação melhor tinham ontem as Delegacias de Homicídios e do 5º DP. Na primeira, com 28 vagas, havia 17 presos. No 5º DP, seis pessoas dividiam a única cela em funcionamento.

 

 

16/02/2009

Papaléo quer redução da maioridade penal para crimes hediondos

O senador Papaléo Paes (PSDB-AP) defendeu, nesta segunda-feira (16), proposta de emenda à Constituição (PEC 9/04), de sua autoria, que torna penalmente imputável o menor com idade psicológica igual ou superior a 18 anos - atestada por uma junta de especialistas - nos casos de crimes hediondos e de lesão corporal grave.

"Não se trata simplesmente de criminalizar de maneira ampla os delitos praticados por pessoas com menos de 18 anos, para encher cadeias de menores ou banalizar o processo penal. Trata-se de não permitir a impunidade nos casos de crimes hediondos e de lesão corporal de natureza grave praticados por menores. O que estamos considerando é o caso em que o menor tem capacidade de entender a gravidade e o caráter ilícito do ato delituoso praticado", explicou.

Papaléo lembrou o inconformismo da sociedade com os crimes praticados por menores de idade, enfatizando que a ineficácia da legislação atual acaba desamparando a sociedade e protegendo indiretamente deliquentes perigosos, alguns de difícil recuperação. O senador assinalou que a análise da legislação penal de outros países que seguem ideologias e sistemas político-econômicos totalmente diferentes, e até antagônicos, coincidem em relação à maioridade penal.

 

 

16/02/2009

Direção de presídio poderá ter rodízio obrigatório

Agência Câmara

A Câmara analisa o Projeto de Lei 4533/08, do Deputado Jurandy Loureiro (PSC-ES), que estabelece prazo máximo de dois anos para a permanência de diretor de presídio em um mesmo estabelecimento. "A rotatividade nos cargos de diretor se faz conveniente para a segurança de seus ocupantes", argumenta o deputado.

O parlamentar ressalta que nos estabelecimentos prisionais encontram-se condenados de "índoles diversas" e que "há uma tendência ao surgimento e ao acúmulo de sentimentos que estimulam práticas vingativas".

Ele lembra que, no exercício da função, o diretor prisional é obrigado a adotar medidas disciplinares contra os detentos, que, muitas vezes, reagem com animosidade e rancor.

Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e Constituição e Justiça e de Cidadania.

 

 

16/02/2009

Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos

Gilmar Mendes: um terço dos presos no Brasil estão detidos 'indevidamente'

 O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Gilmar Mendes, disse nesta segunda-feira (16/02) que aproximadamente um terço da população carcerária nacional se encontra "recolhida aos presídios indevidamente". "Ou porque já cumpriram a pena ou porque não deveriam ter sido recolhidas. Esse é um quadro grave, preocupante e vergonhoso", afirmou o ministro, que coordenou o 2º Encontro Nacional do Judiciário, realizado em Belo Horizonte.

Mendes também aproveitou o evento para rebater as críticas à decisão do STF sobre os recursos de presos. Na decisão do início do mês, a Corte entendeu que o réu tem direito a recorrer em liberdade em caso de decretação de prisão até que estejam esgotadas todas as possibilidades de recurso. Para o presidente do STF, houve uma interpretação equivocada da decisão.

"O Supremo Tribunal Federal não mandou soltar todos os presos provisórios", afirmou. "Só disse que a sentença condenatória ou a decisão de um tribunal confirmando a sentença condenatória não é o bastante para mandar alguém para o presídio. É preciso que haja um fundamento para a prisão provisória. É preciso que o juiz diga: 'Essa pessoa é perigosa, essa pessoa pode continuar a praticar crime', e aí então haverá realmente a necessidade de fazer o recolhimento", disse Mendes destacou que o País possui uma grande população carcerária presa preventivamente, mas afirmou que não há razão para pânico. "Não houve essa soltura que foi anunciada ou ameaçada na mídia.

Diagnóstico

O CNJ divulgou no encontro um diagnóstico sobre o sistema carcerário brasileiro. Conforme o balanço, até dezembro de 2008 havia no País 446.687 presos. Deste total, 42,97% eram presos provisórios e 57,03% condenados.

Responsável pelo levantamento, o juiz federal Edvaldo Ribeiro dos Santos disse que de 2000 a 2008 o número de presos provisórios saltou de cerca de 42 mil para aproximadamente 191 mil. No mesmo período, segundo o CNJ, o déficit de vagas avançou de 97 para 156.328 (Fonte: Agência Estado)

 

 

 

15/02/2009

Revista do Consultor Jurídico

Entenda os tipos de prisão existentes no Brasil

A lei penal brasileira prevê seis tipos de prisão: temporária, preventiva, em flagrante, para execução de pena, preventiva para fins de extradição e civil do não pagador de pensão alimentícia. Entenda as diferenças:

Prisão temporária é utilizada durante uma investigação e geralmente decretada para assegurar o sucesso de diligência “imprescindível para as investigações”. Conforme a Lei 7.960/89, que regulamenta a prisão temporária, ela será cabível: I — quando imprescindível para as investigações do inquérito policial; II — quando o indicado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade; III — quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal, de autoria ou participação do indiciado nos seguintes crimes de homicídio, sequestro, roubo, estupro, tráfico de drogas, crimes contra o sistema financeiro, entre outros. A duração da prisão temporária, em regra, é de cinco dias. No entanto, existem procedimentos que estipulam prazos maiores.

Prisão preventiva é a modalidade mais conhecida e debatida do ordenamento jurídico. Ela pode ser decretada tanto durante as investigações, quanto no decorrer da Ação Penal. Nos dois casos, devem estar preenchidos os requisitos legais para sua decretação. O artigo 312 do Código de Processo Penal aponta os requisitos que podem fundamentar a prisão preventiva, sendo eles: a) garantia da ordem pública e da ordem econômica (impedir que o réu continue praticando crimes); b) conveniência da instrução criminal (evitar que o réu atrapalhe o andamento do processo, ameaçando testemunhas ou destruindo provas); c) assegurar a aplicação da lei penal (impossibilitar a fuga do réu). A Constituição Federal determina que uma pessoa somente poderá ser considerada culpada de um crime após o fim do processo, ou seja, o julgamento de todos os recursos cabíveis.

Prisão em flagrante tem uma peculiaridade pouco conhecida: a possibilidade de poder ser decretada por “qualquer do povo” que presenciar um ato criminoso. As autoridades policiais têm o dever de prender se o suspeito estiver “flagrante delito”.

Prisão para execução da pena é aplicada para os condenados por algum crime. No dia 5 de fevereiro, o Supremo Tribunal Federal entendeu que os condenados só podem ser presos nesta modalidade de prisão se o processo não for mais passível de recurso. No entanto, esse regra só se aplica aos condenados que respondem o processo em liberdade. Se houver fundamento, o juiz pode determinar a prisão preventiva do condenado sem processo transitado em julgado. Esta modalidade de prisão é regulamentada pela Lei de Execuções Penais (7.210/1984), que possibilita o sistema de progressão do regime e trata dos direitos e deveres dos presos e das faltas disciplinares.

Prisão preventiva para fins de extradição é decretada para garantir o processo extradicional. A Extradição será só pode ser pedida depois da prisão do acusado. O país, onde o réu é suspeito de cometer o crime, deve fazer o pedido de prisão pela via diplomática. O Ministério das Relações Exteriores repassa a solicitação ao Ministério da Justiça, que o encaminhará ao STF. O relator do processo é quem decide se o acusado deve ser preso. Ela serve para garantir que o Brasil extradite o réu se o Supremo assim decidir.

Prisão civil do não pagador de pensão alimentícia é a única modalidade de prisão civil admitida na Justiça brasileira. Recentemente o Supremo reconheceu a ilegalidade da prisão civil de depositário infiel. O objetivo dessa prisão é garantir que não pagador de pensão alimentícia cumpra sua obrigação de prestar alimentos ao seu filho. Em alguns casos, ela pode ser aplicada ao filho que não garante a subsistência de pais necessitados. (Com informações da assessoria de impensa do STF)

 

 

 

 

14/02/2009

O Globo

Violência nos presídios

Prisões têm 'boom' de suicídios, e autoridades investigam ação de facções, que mudaram métodos para encobrir assassinatos

RIO E SÃO PAULO - Nos últimos três anos, os casos de suicídio na população carcerária cresceram 40% (de 77 para 108). As autoridades desconfiam desta estatística porque descobriram que presos chegam a ser forçados por outros a tomar coquetéis venenosos - com cocaína e água - que provocam paradas cardíacas.

A pedido do GLOBO, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), vinculado ao Ministério da Justiça fez um levantamento que revela uma mudança na tática das facções criminosas que controlam as penitenciárias: os líderes das quadrilhas estão forjando suicídios nas celas de presos que não obedecem à lei do crime, o que acaba distorcendo as estatísticas. É o que mostra reportagem de Flávio Tabak e Soraya Aggege na edição deste do mingo em O GLOBO. (Qual a solução para o sistema prisional?)

A proporção de suicidas é quase cinco vezes maior dentro das penitenciárias e delegacias do que do lado de fora. Segundo o Datasus, em 2007, pelo menos 8.500 brasileiros teriam cometido suicídio - média de um caso para 22.331 pessoas da população do país. Já nas carceragens, foram 97 suicídios, em 2007, para uma população prisional de 422.373 detentos - um caso para cada 4.354 presos.

As mortes naturais, como as causadas por doenças, também subiram de 586 em 2006 para 819 em 2008 - alta de 39%. Já os assassinatos caíram 21%: de 336 para 264, o que pode indicar a mudança na forma de agir das quadrilhas.

'Não há democracia nos porões', diz OAB

As dívidas de drogas são a principal causa dos suicídios forçados nas prisões comandadas por uma facção paulista, inclusive em estados como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Paraná. Esses débitos e as mortes decorrentes deles teriam aumentado tanto nos últimos anos, que a facção proibiu a venda de crack para presos. O preços das drogas nas prisões chega a ser três vezes maior que nas ruas.

O advogado Antonio Everton de Souza, da Comissão de Direitos Humanos da OAB suspeita das chamadas "mortes naturais".

- Tuberculose e pneumonia não têm socorro e viram mortes naturais. Não há democracia nos porões. Mandam as facções e os chamados agentes do Estado. Não há lei alguma atrás dos muros - afirma.

O diretor do Depen, Airton Michels, admite que os números e os tipos de óbitos das cadeias brasileiras, informados pelas secretarias estaduais, estão longe da realidade. Embora os dados do próprio departamento, vinculado ao Ministério da Justiça, mostrem um aumento das mortes naturais, Michels diz que existem incoerências porque as secretarias responsáveis pelas cadeias não estão assumindo corretamente o seu papel. (Colaboraram Odilon Rios, Isabela Martin e Soraya Aggege)

 

 

14/02/2009

Agência Brasil

Justiça manda governo do Rio acabar com superlotação da Polinter

A Justiça do Rio de Janeiro determinou que o governo do Estado acabe com a superlotação da carceragem da Polinter, no Grajaú, zona norte da cidade. Segundo a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça, a cadeia, que tem capacidade para 150 presos, está com mais de 430 detentos.

A decisão foi tomada pelo juiz da quinta vara de Fazenda Pública, João Felipe Mourão, a pedido da Defensoria Pública do Estado. Caso o governo não cumpra a determinação judicial em dez dias, terá que pagar uma multa diária de R$ 10 mil.

O juiz determinou ainda que o estado mantenha a carceragem com condições de saúde e higiene. A Polinter é uma unidade da Polícia Civil fluminense, cujas carceragens mantêm detidos presos provisórios.

Em janeiro de 2006, a carceragem da Polinter localizada no centro da cidade foi desativada pelo governo do estado, meses depois de um relatório da organização não-governamental Justiça Global mostrar superlotação na unidade e presos vivendo em condições precárias naquela cadeia.

 

 

14/02/09

Contas Abertas

Subprocurador afirma que “cadeia no Brasil é para preto, pobre e prostituta”

Leandro Kleber

Quem nunca ouviu a expressão “cadeia no Brasil é para os três ‘p’: preto, pobre e prostituta”? Pois bem. O subprocurador-geral da República Wagner Gonçalves também concorda com o dito popular. Em entrevista ao Contas Abertas, ele afirma que, infelizmente, há uma grande lacuna entre os que podem pagar bons advogados e os mais desfavorecidos econômica e socialmente.

Para o subprocurador, os réus que dispõem apenas de assistência judiciária gratuita (defensores públicos) são prejudicados, pois, ainda que existam esses profissionais nas Comarcas, eles estão abarrotados de processos, seja por falta de estrutura ou pela reduzida quantidade de pessoal. Segundo ele, os defensores não conseguem acompanhar uma ação penal, em todas as instâncias, como os advogados regiamente pagos fazem. “Assim, eles não podem, nunca - e isso é óbvio - acompanhar uma ação penal da mesma forma”, acrescenta.

Gonçalves, que já ganhou o V Prêmio Cidadão Mundial, em 1999, concedido àqueles que contribuem para a prosperidade da humanidade, também comentou a respeito da aparente contradição da Justiça brasileira ao julgar o caso da mulher que pichou uma parede de uma salão na 28ª Bienal de Artes de São Paulo, no fim do ano passado, e o caso do banqueiro Daniel Dantas, acusado de vários crimes considerados mais graves. Caroline Pivetta da Mota ficou presa por cerca de dois meses e Dantas foi solto duas vezes durante a mesma semana depois ter sido preso pela Polícia Federal.

“Um é poderoso, tem recursos e pode pagar bons advogados. Se a moça tivesse o mesmo advogado, ou outro que ela pudesse pagar regiamente, também não ficaria tanto tempo presa ou estaria solta no dia seguinte. Além disso, havia muito mais fundamentos a justificar a prisão de Daniel Dantas, com base nos pressupostos do artigo 312 do Código de Processo Penal (CPP) do que quanto à prisão da moça. Aliás, a favor dela havia todas as razões para relaxar o flagrante”, disse.

Confira a entrevista na íntegra:

CA: O senhor defende que a concessão de habeas corpus (HC) deve ter limites. Agora, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que concederá habeas corpus a todos os réus cuja sentença não houver transitado em julgado (decisão da qual não se pode mais recorrer). Qual a sua opinião sobre essa decisão do Supremo?

Wagner Gonçalves: Entendo que os parâmetros à interposição do HC foram tão alargados pela jurisprudência, que se deve discutir, sim, os limites deste instrumento. A Constituição diz que “conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder”. Acontece, por exemplo, que hoje é comum receber e dar seguimento a habeas corpus, após sentença transitada em julgado, em ação na qual, conseqüentemente, já houve denúncia, sentença condenatória, embargos de declaração, acórdão do tribunal, embargos de declaração ou embargos infringentes, recurso especial e extraordinário, agravos de instrumento, julgamento do recurso especial (ou, antes, agravo regimental) novos embargos de declaração, julgamento do recurso extraordinário, novos embargos de declaração, etc.

Já vi chamar a julgamento na Suprema Corte o seguinte recurso: embargos de declaração em embargos de declaração em agravo regimental em agravo de instrumento em recurso extraordinário. No HC cabem também os recursos especiais e extraordinários e todos os recursos ‘menores’. Após tudo isso, com o trânsito em julgado, o réu apresenta, mesmo assim, um HC para dizer que a denúncia é inepta, que o juiz não obedeceu ao sistema trifásico da pena, que a agravante não existe, que não se obedeceu, na aplicação da pena, ao art. 59 do CPP etc. - todas as questões discutidas amplamente durante o correr da ação penal, que, como se demonstra, é quase infinda. E durante o andamento desta ação, cada ato judicial ainda é questionado mediante HC. Após, com a execução, se essa chegar, é também atacado com outros HCs.

Enfim, não há trânsito em julgado para o HC. E, na prática, no habeas corpus hoje se discute tudo. Assim, entendo que se deve repensar os casos, principalmente quando o réu está solto e respondendo regularmente a ação penal, os limites à propositura da ação constitucional de habeas corpus. Se não se quer discutir tais ‘limites’, deve-se discutir sim as situações em que ele não será conhecido, em homenagem à celeridade da prestação jurisdicional – inclusive para a vítima e seus familiares; à segurança jurídica; em respeito ao duplo grau de jurisdição, e, principalmente, em respeito à coisa julgada. Enfim, em respeito à própria Justiça.

Quanto à segunda parte da pergunta, não creio que o STF afirmou que concederá HC a todos os acusados presos, cuja sentença ainda não tenha transitado em julgado, diante do novo entendimento firmado por maioria. Há as prisões cautelares, preventivas e temporárias, as quais, atendendo o artigo 312, do Código de Processo Penal, serão mantidas. E a Corte Suprema as apreciará, caso a caso, quando a questão lhe seja submetida via HC, se a questão não se resolver nas instâncias anteriores.

CA: A medida não poderá beneficiar réus que contratam bons advogados, o que aumenta ainda mais, por exemplo, o simbolismo de que cadeia no Brasil é lugar de pobre?

Wagner Gonçalves: Quando Charles Darwin passou pelo Brasil, no navio beagle, rumo às ilhas Galapagos, no Pacífico, em 1832, ele ficou uns quatro meses no Rio de Janeiro. A impressão dele sobre a Justiça no Brasil foi a seguinte (palavras textuais): ‘Se um crime, não importa quão grave seja, é cometido por um homem rico, ele logo estará em liberdade’. Assim, revendo a história, parece haver um anátema no Brasil, no que se refere à aplicação da lei penal aos poderosos ou aos mais aquinhoados. Eles dificilmente vão para a cadeia. Com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal, prefiro acompanhar o entendimento dos respeitáveis votos vencidos. Confirma-se, mais uma vez, que a prisão no Brasil foi feita para os três ‘p’: ‘preto, pobre e protistuta’.

Os argumentos jurídicos dos ilustres ministros que defendem a execução da pena só depois do trânsito em julgado, apesar de juridicamente relevantes e bem fundamentados, estão longe da realidade do País, no que se refere ao andamento da ação penal e à utilização de todos os recursos e HCs, como mencionado. Cria-se, portanto, um espaço entre os que podem pagar bons advogados – e estes eternizaram as ações – e aqueles, os três ‘p’, que não podem, e, por isso, ficam com a assistência judiciária gratuita – defensores públicos, quando os há na Comarca, que também estão abarrotados de processos, seja por falta de estrutura e número, não podendo, nunca – e isso é óbvio – acompanhar uma ação penal, em todas as instâncias, como os advogados regiamente pagos fazem. Não me cabe aqui discutir o mérito da decisão do STF, no ponto, mas entendo que atendido o duplo grau de jurisdição (também princípio constitucional) poder-se-ia, como era antes, dar início à execução penal, em homenagem à segurança jurídica, à celeridade processual (também princípios constitucionais), numa interpretação sistêmica da Carta Maior.

Em vários países o Princípio da Presunção da Inocência também está nas suas Constituições e nem assim se espera a palavra final da Corte Constitucional para só após dar início a uma condenação. Creio que a decisão do STF é importante, por definir o entendimento sobre uma questão jurídica relevante, de há muito discutida e questionada, mas creio também que, no futuro, será restabelecida a interpretação que permitia a execução da pena após a confirmação da sentença pelo Tribunal Estadual ou Regional. Os erros nas decisões destes tribunais, para evitar a execução, poderão ser corrigidos mediante HCs ou medidas cautelares para dar efeito suspensivo, como vem sendo feito até hoje. Ou, então, por pressão popular, principalmente das vítimas e seus familiares, por pressão dos movimentos sociais ou ONGs, que combatem a impunidade, o Congresso Nacional será sensível para reformular a redação do inc. LVII, art. 5º da Constituição Federal.

Afinal, nenhum culpado, para ser reconhecido culpado, pode depender da palavra final da Corte Suprema Constitucional de um país. Tal situação, na prática, é um estímulo à prescrição, por óbvio. Como diz a Ministra Ellen Gracie, “em nenhum país do mundo, depois de observado o duplo grau de jurisdição, a execução de uma condenação fica suspensa, aguardando referendo da Corte Suprema”.

CA: O senhor defende que o Código de Processo Penal brasileiro deve ser reformulado urgentemente para que, entre outras medidas, se reduza a possibilidade de recursos por parte dos réus. Agora, diante da decisão do STF, o senhor acredita que o código ainda deverá ser reformulado ou a idéia foi ou será abandonada?

Wagner Gonçalves: É preciso diminuir o número de recursos ou a possibilidade dos mesmos. Além disso, deve-se discutir a necessidade de deferir defesa prévia antes do recebimento da denúncia, principalmente nas ações originárias nos tribunais, devido a foro privilegiado. A própria defesa prévia, para o crime de tráfico de entorpecente, por exemplo, deve ser revogada. Só atrasa a ação penal e, muitas vezes, gera nulidades. Se ela tem andamento em um tribunal, a situação do recebimento da denúncia se torna ainda mais complexa.

CA: Recentemente, tivemos o caso de uma mulher que foi presa por cerca de dois meses em outubro de 2008 por ter pichado as paredes de um salão da 28ª Bienal de Artes de São Paulo. O banqueiro Daniel Dantas, acusado de vários crimes considerados mais graves, foi solto duas vezes durante a mesma semana depois ter sido preso pela Polícia Federal. Como o senhor analisa essa aparente contradição da Justiça brasileira nos dois exemplos?

Wagner Gonçalves: Um é poderoso, tem recursos e pode pagar bons advogados. Se a moça tivesse o mesmo advogado ou outro, que ela pudesse pagar regiamente, também não ficaria tanto tempo presa ou estaria solta no dia seguinte. Além disso, havia muito mais fundamentos a justificar a prisão de Daniel Dantas, com base nos pressupostos do artigo 312 do CPP do que quanto à prisão da moça. Aliás, a favor dela havia todas as razões para relaxar o flagrante.

CA: O procurador da República Rodrigo De Grandis disse em entrevista que o número de grampos telefônicos autorizados pela Justiça brasileira não é exagerado. O presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, acredita que no Brasil há uma espécie de “grampolândia”. Como o senhor analisa a questão do grampo no país? É uma ferramenta essencial, quando autorizada pela Justiça, para o combate a crimes como o de colarinho branco?

Wagner Gonçalves: Se o crime a cada dia se organiza mais, inclusive com a sofisticação da Internet (pedofilia, furto de contas correntes, remessas ilegais em segundos para o exterior, lavagem de dinheiro, espionagem de todos os tipos, etc.), o combate ao crime deve contar com ferramentas novas para a sua apuração. E uma delas, já definida em lei, de há muito, é a escuta telefônica. Comunicação – e a imprensa está aí para provar isso – é poder. E conhecer a comunicação entre os agentes de uma sofisticada organização criminosa é fundamental. Fala-se em ‘grampolândia’ e chegou-se a falar em mais de 400.000 escutas. Entretanto, o ilustre corregedor-geral do Conselho Nacional de Justiça, ministro Gilson Gipp, após um levantamento, teria apurado 98.000. Há, creio, um sensacionalismo em tudo isso, que não ajuda em nada. O importante é que as escutas sejam autorizadas pelo juiz, comunicadas e acompanhadas pelo Ministério Público (MP). Inclusive, há um projeto para que, antes de deferir a escuta, o juiz colha o parecer do MP.

 

13/02/2009

Ministério da Justiça

Penas alternativas, soluções para o sistema penitenciário

Brasília, 13/02/09 (MJ) - O Departamento Penitenciário Nacional (Depen) participa nesta sexta-feira (13) de reunião com diretores e representantes da Comissão Nacional de Apoio às Penas e Medidas Alternativas (Conapa), para definir uma agenda de prioridades com foco na 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg).

Para a coordenadora-geral do Programa de Fomento às Penas e Medidas Alternativas, Márcia de Alencar, é o momento exato para debater e esgotar as discussões sobre a elaboração de estratégias integradas para uma solução às superlotações. “É uma dos problemas mais graves hoje, e precisamos colocar na pauta dos debates”.

Nos estudos que vêm sendo elaborados pelo Depen estão saídas para:  a falta de uma política de reintegração social; a constante violação de direitos dos presos; a pouca atenção aos egressos; a falta de ferramentas de inteligência e as condições precárias de trabalho dos agentes.

Penas alternativas em números

Algumas medidas já estão sendo colocadas em prática pelo Depen juntos aos estados. Pela primeira vez, o número de cumpridores de penas alternativas (498.729) ultrapassou o número de presos (439.737), no período de janeiro de 2007 a julho de 2008. O crescimento significativo se deve à ampliação da previsão legal e a atuação da Conapa, e faz parte ainda da perspectiva do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci).

Pronasci

O Pronasci foi criado em agosto de 2007 para articular ações de prevenção, controle e repressão da violência com atividades sociais. Hoje com a o Pronasci conta com adesão de 19 estados e o Distrito Federal, além de mais de 90 prefeituras. Um total de R$ 6,7 bilhões estão previstos até 2012.

Conseg

Convocada por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em dezembro de 2008, a 1ª Conseg tem o objetivo principal de criar “princípios e diretrizes” para uma política nacional de segurança pública. De março a julho, serão realizadas conferências estaduais e municipais em todo o país. Esse processo resultará na etapa nacional, marcada para agosto, em Brasília.

 

 

13/02/2009

Secretaria da Administração Penitenciária

Palestra incentiva qualidade de vida dos funcionários da Penitenciária I de Tremembé

 Objetivo da atividade foi ensinar a como evitar os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT)

Os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), também conhecidos pelo nome de Lesão por Esforço Repetitivo (LER), são uma epidemia mundial, sendo a mais freqüente causa de afastamento do trabalho no mundo. Segundo pesquisa do Instituto Nacional de Prevenção às LER/ DORT (Prevler), realizada pelo Datafolha com financiamento do Ministério da Saúde, cerca de 310 mil trabalhadores sofrem de LER/DORT só na cidade de São Paulo.

Para alertar sobre os DORT e prevenir seu aparecimento entre os funcionários, a direção da Penitenciária I de Tremembé, em conjunto com a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) local, promoveu nos dias 20 e 21/01 palestra sobre o tema com o título: “DORT e a importância de se movimentar”.

A palestra foi proferida por Max Sander Fabrini, agente de segurança penitenciária e presidente da CIPA da PI de Tremembé, na sede da COREVALI (Coordenadoria da Região do Vale do Paraíba e Litoral).

Nos últimos anos, vem se substituindo o termo LER, mais popular, pelo DORT pois, segundo especialistas, este último é mais preciso porque inicialmente ocorrem sintomas como fadiga, peso e dor nos membros e somente depois aparecem as lesões. Ainda podem ocorrer dormência, formigamento, inchaços, irritabilidade, exaustão física e falta de firmeza nas mãos.

A palestra de Fabrini, que tem formação na área de preparação física de atletas, teve como objetivo conscientizar os funcionários sobre como podem ser acometidos pelos DORT, sua causas, sintomas, tratamento e a importância de se praticar atividades físicas para se evitar esses distúrbios.

Participaram da atividade 16 servidores ao total. As dúvidas dos funcionários foram relacionadas a que atividades provocam as lesões, que tipo de atividade física são benéficas para manter a saúde e o que se deve fazer com alguns desconfortos que sentem no corpo, geralmente dores articulares.

Como, segundo Fabrini, cerca de 90% dos funcionários da unidade são sedentários, a atividade foi importante para alertá-los sobre atitudes que podem prevenir os DORT, como:praticar exercícios físicos; melhorar a postura corporal; praticar alongamentos; receber massagens e principalmente evitar trabalho extenuante numa mesma posição durante muito tempo, com cargas excessivas e repetitividade nas tarefas.

A atividade acabou despertando o interesse dos demais funcionários sobre o tema e já existe a a intenção da CIPA em promover algumas vivências de atividade física, além de outras palestras relacionadas. Fabrini ressalta que “quando falamos em qualidade de vida, falamos também em bem estar físico, mental e psicossosial e que a prevenção de lesões e a prática de atividades físicas orientadas proporcionam esses benefícios”, explica o servidor.

 

 

13/02/2009

Secretaria da Administração Penitenciária

Feminina do Butantã incentiva leitura

Projeto de sucesso coloca reeducandas em contato com livros

 

Estimular a leitura é uma das formas encontradas para a ressocialização de reeducandos do sistema prisional. Na Penitenciária Feminina do Butantã não é diferente. Desde fevereiro de 2005, a unidade promove o Projeto “Leitura Ativa”, que acontece semanalmente com inúmeras atividades, como indicações e discussões sobre obras literárias, palestras de autores, oficinas de escrita, cinema e teatro.

O empenho em incentivar a leitura crítica e consciente dentro do ambiente carcerário partiu de dois alunos de biblioteconomia e ciência da informação da Fundação Escola e Política de São Paulo (FESPSP), Durvalino Peco e Wagner Paulo da Silva. Ambos levaram a proposta de trabalho à direção da unidade, que abraçou a causa. A partir de então começaram a pôr o projeto em prática: apresentaram a leitura como instrumento auxiliador da inclusão social.

Segundo os idealizadores do Leitura Ativa, o projeto é bem aceito pelas presas, que participam em grande número de todas as reuniões realizadas. A atividade não é obrigatória, demonstrando que o trabalho feito desperta, de forma espontânea, a curiosidade e a vontade de aprender das reeducandas. “Os temas analisados surgem da apresentação de músicas, filmes, textos e assuntos do cotidianos colocados em roda. Depois, indicamos livros relacionados com o que foi discutido, mas em nenhum momento pedimos para que leiam, são elas que se sentem instigadas e vão à biblioteca pesquisar pelas obras”, esclarece Silva.

 

Iniciativa rende premiação

Com tanta aceitação e crescimento no número de empréstimos de livros na biblioteca da unidade, eles decidiram inscrever a penitenciária em um concurso público do Ministério da Cultura, o “I Concurso Pontos de Leitura – Edição 2008, Machado de Assis”, que reconhece espaços criados para o incentivo à leitura e à educação. Devidamente inscrita, a biblioteca da PF do Butantã concorreu com outras do Brasil inteiro e conseguiu a 4ª colocação. A partir de agora, a iniciativa é reconhecida pelo governo federal como Ponto de Leitura e passará a fazer parte da Rede Biblioteca Viva – uma plataforma virtual de acompanhamento, interlocução e interação das iniciativas de livro e leitura por todo o país.

Como prêmio, a unidade será contemplada com um kit composto por 500 títulos, distribuídos em obras de ficção, não-ficção e de referência; um mobiliário básico , com mesa, estante, tapete, almofadas, duas estantes, mesa e cadeira giratória e um computador completo, com impressora.

 

 

 

13/02/2009

Revista do Consultor Jurídico

Decisão do STF não acaba com a prisão provisória

O ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, lembrou que a decisão que impede a prisão preventiva de condenado com direito a recurso não significa que todo preso preventivamente vai ser solto. “É preciso esclarecer de uma forma definitiva que a prisão preventiva tem pressupostos definidos na Constituição e na legislação processual. Ela pode ocorrer e continuar ocorrendo, tanto é que nós temos no Brasil um número elevado de presos submetidos a essa condição”, afirmou o ministro em entrevista coletiva nesta sexta-feira (13/2). Segundo ele, há no país mais de 200 mil presos nessa condição.

Em decisão tomada por sete votos a quatro no dia 5 de fevereiro, o Supremo decidiu, com base no principio da inocência, que a execução da pena só pode acontecer quando o processo transitar em julgado. Gilmar Mendes, que participou da formatura de 31 defensores públicos na OAB em Brasília, diz que o Judiciário deve fazer um esforço para acelerar o julgamento dos processos criminais.

Sobre os cincos presos que tiveram liberdade na sessão de quinta-feira (13/2), o ministro explicou que eles já estavam soltos por decisão liminar. “A discussão básica foi apenas quanto ao fundamento para o recolhimento à prisão, se havia razão para a prisão antes do trânsito em julgado ou não. E o tribunal entendeu que, naqueles casos, não havia fundamento suficiente para prisão preventiva”, afirmou.

Para Gilmar Mendes, a decisão não foi bem compreendida. “Está se passando para a sociedade, talvez, uma visão equivocada do significado da decisão do Supremo. Agora, o tribunal está, na verdade, aplicando uma norma da Constituição. Ele não está criando algo do nada ou revelando um fato novo, isto está no texto constitucional”, diz.

Leia a entrevista

O SFT proferiu decisão, na quinta-feira (13/2), de soltar cinco presos condenados de estupro, qual a preocupação de vocês com a indignação da sociedade?

Na verdade, os casos já estavam submetidos à apreciação do tribunal há algum tempo, acho que já constavam com liminar. A discussão básica foi apenas quanto ao fundamento para o recolhimento à prisão, se havia razão para a prisão antes do trânsito em julgado ou não. E o tribunal entendeu que, naqueles casos, não havia fundamento suficiente para prisão preventiva. Ela poderia ocorrer se houvesse ameaça de que o réu viesse a fugir, ou de que ele pudesse comprometer o livre julgamento da causa, mas o tribunal não identificou isso no caso. Portanto, entendeu que era de se esperar o trânsito em julgado, que deve ocorrer com o julgamento célere dos recursos.

É preciso esclarecer de uma forma definitiva que a prisão preventiva tem pressupostos definidos na Constituição e na legislação processual. Ela pode ocorrer e continuar ocorrendo, tanto é que nós temos no Brasil um número elevado de presos submetidos a essa condição. São mais de 200 mil presos provisórios neste momento, e ninguém está dizendo que essas pessoas estão indevidamente presas. Eelas são presas com base em decisões judiciais.

Agora, em relação à condenação, para que haja o recolhimento à prisão, o juiz terá que fundamentar ou a necessidade que se revela, que se manifesta de que agora teria surgido um fato que justificaria a prisão provisória ou teremos que aguardar o término do processo. Teremos que de fato ter o trânsito em julgado. Temos que fazer esforço nos tribunais para que aceleremos os processos criminais e nós estamos fazendo isso. Estamos cuidando no Supremo, estamos cuidando no STJ para que haja maior celeridade na apreciação dos recursos, para que eles não tenham essa finalidade procrastinatória.

Mas na prática como essa aceleração vai funcionar? Já tem uma ideia?

Nós criamos, por exemplo, no Supremo Tribunal Federal, um núcleo do processo penal, e ele está identificando os recursos extraordinários. Essa central está chamando atenção do gabinete para que haja prioridade no julgamento desses recursos que podem impedir o trânsito em julgado das sentenças. O mesmo nós estamos fazendo no STJ, estamos conversando com o presidente do STJ nesse sentido; e, claro, nas outras instâncias também tem que haver celeridade, prioridade no processo criminal. O Conselho Nacional de Justiça inclusive está se debruçando sobre este tema para verificar onde há maior ou menor atraso. São questões diferentes: uma coisa é a celeridade do processo criminal, outra é o direito de não ser preso se não houver uma sentença com trânsito em julgado, a não ser que haja esse fundamento relativo à prisão preventiva.

Mas como lidar diretamente com a sociedade que tem esse sentimento de indignação?

A sociedade é atingida de uma maneira geral pela insegurança, pelo mau funcionamento das políticas públicas, [estado] que não decorre e não é atribuído necessariamente a essa decisão do Supremo. Essa decisão não provoca a libertação das pessoas de imediato, apenas daqueles que eventualmente não foram presos e para os quais não haja fundamento para uma prisão preventiva, tão somente isso. Está se passando para a sociedade, talvez, uma visão equivocada do significado da decisão do Supremo. Agora, o tribunal está, na verdade, aplicando uma norma da Constituição. Ele não está criando algo do nada ou revelando um fato novo, isto está no texto constitucional.

Agora os magistrados vão poder individualmente decidir casos semelhantes sem que a Corte precise se reunir?

Sim, os juízes do Supremo poderão apreciar esses casos, não só o caso da prisão provisória ou da prisão sem trânsito em julgado, mas também outros casos. Nós dissemos na quinta sobre a prisão civil ou mesmo o direito de acesso ao inquérito penal, tudo isto poderá ser feito por decisão monocrática sem necessidade de levar o tema ao Plenário ou às Turmas. (Com informações da assessoria de imprensa do STF)

 

 

12/02/2009

MJ

Gestores visitam Mj para discutir a 1ª Conseg

Brasília, 12/02/09 (MJ) – Prefeitos, vereadores e secretários municipais conheceram em Brasília, durante seminário no Centro de Convenções, os propósitos da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), evento histórico no país que definirá um programa de grandes proporções jamais adotado na segurança pública.

Gestores estiveram reunidos no Ministério da Justiça com a coordenadora geral da 1ª Conseg, Regini Miki, em busca de informações e parceria, de olho na etapa municipal da Conferência – entre março e maio. "Estamos com a nossa equipe à disposição e enviaremos todo o material de divulgação gratuitamente", enfatizou Regina Miki. "Queremos que os prefeitos contribuam com a discussão sobre o assunto”.

"A iniciativa de discutir com a sociedade a formatação de um plano municipal de segurança vinculado às iniciativas do MJ é fundamental. Todos precisam se envolver nesse mutirão", declarou o prefeito Helder Barbalho, de Ananindeua (PA), que fica na região metropolitana de Belém e possui mais de 500 mil habitantes.

Gilmar Soares, outro gestor público recebido por Regina Miki, é diretor de Segurança e Trânsito de Ilha Soleira (SP). Ele também acredita que o trabalho conjunto é a solução contra a violência. "Embora meu município tenha pouco mais de 25 mil habitantes, o crime vem aumentado. O que eu vou propor é que a gente realize um encontro com a participação de cidades vizinhas".

Etapas municipais - os municípios com mais de 200 mil eleitores – muitos deles já parceiros do programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Ptronasci) - poderão realizar conferências eletivas, garantindo a participação de dois representantes (um da sociedade civil e um do Poder Público) com direito a voz na etapa nacional, que será realizada de 27 a 30 de agosto, em Brasília. Além disso, poderão enviar um representante da Guarda Municipal para a etapa estadual. Já os municípios que não atendem àqueles critérios, poderão apenas enviar propostas para o plenário nacional.

 

 

11/02/2009

ADITAL

Pastoral Carcerária leva Evangelho e busca a dignidade humana para os presídios

"Ser presença de Jesus Cristo e da Igreja Católica no cárcere e promover a valorização da dignidade humana". É guiada por essa missão que a Pastoral Carcerária realiza visitas em vários presídios e delegacias do Brasil. Apesar de possuir uma coordenação nacional, em São Paulo, a Pastoral tem representações em todas as regiões do País.

De acordo com padre Marcos Passerini, coordenador da Pastoral no Ceará, a ideia não é somente visitar os presídios, mas levar o Evangelho e mais dignidade aos presos: "A Pastoral Carcerária é algo a mais que somente visitar a cadeia", afirma. Segundo o coordenador, os objetivos da pastoral são: garantir o direito da população carcerária, acompanhar os presos e atender às necessidades deles e dos familiares, intermediar as relações entre presos, familiares e instituição, além de monitorar a situação de vida deles, denunciando os maus-tratos e as violências sofridas.

O padre explica que a Pastoral ainda tem o papel de evangelizar e de reeducar os presos, provocando mudanças nos pensamentos deles. "Todo ser humano é intocável na sua dignidade". Essa é a afirmação que o coordenador tenta servir de guia para os trabalhos da Pastoral, pois acredita que todos são capazes de recuperação, independente do ato cometido.

Passerini acrescenta que a Pastoral Carcerária tenta amenizar, juntamente com outras entidades, o problema do sistema carcerário: "o sistema penitenciário está falido", afirma. Ele explica que a intenção é fazer com que as autoridades repensem a questão da Justiça Punitiva: "o puro castigo não significa que o infrator saia reeducado, ressocializado", comenta.

De acordo com o coordenador, o conceito mais adequado seria o da Justiça Restaurativa, que já está sendo pensada em alguns países do mundo. Padre Marcos explica que esse conceito busca alternativas que façam o agressor efetivamente repensar e reconhecer os erros cometidos, resgatando a dignidade dele e se preocupando com o sofrimento da vítima e da família.

É pensando dessa maneira que a Pastoral procura mudar a concepção da Justiça: "tentamos convencer às autoridades que o Sistema Carcerário não é caso de polícia, é um problema que precisa da ajuda das autoridades e da sociedade para, assim, sonharmos com um sistema diferente", explica.

Contato: (85) 3388-8718

As matérias do projeto "Ações pela Vida" são produzidas com o apoio do Fundo Nacional de Solidariedade da CF 2008.

 

 

Jornal Recomeço

Fevereiro/2009

Presídios cada vez piores

Temos um terço da população carcerária recolhida indevidamente nos presídios ou porque já cumpriu pena. Esse é um quadro grave, vergonhoso” (Gilmar Mendes - Presidente do STF)

Presidente do STF afirma que as condições carcerárias no Brasil são péssimas. Situação é agravada com a manutenção no sistema de presos que já teriam cumprido suas penas

Bertha Maakaroun

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, criticou ontem, em Belo Horizonte, as condições que considerou “péssimas” dos presídios brasileiros. “Temos 440 mil presos e um dos maiores índices de encarceramento em relação aos modelos mundiais. Temos péssimas condições”, assinalou Gilmar Mendes. O sistema penitenciário brasileiro foi muito criticado ontem, durante o 2° Encontro Nacional do Judiciário, realizado no Hotel Ouro Minas, sobretudo a falta de controle do Poder Judiciário em relação ao cumprimento das penas. Há todo tipo de distorções, desde presos que já cumpriram a pena máxima até presos provisórios, que por não terem sido julgados não poderiam estar indefinidamente nas penitenciárias. O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), César Asfor Rocha, considerou ser “fato público e notório” a gravidade extrema da situação dos presídios brasileiros. “Muitos continuam presos com pena cumprida, muitos presos com prisão temporária, pois já deveriam estar em liberdade, mas não há controle do Poder Judiciário nem mesmo do sistema prisional”, afirmou.

Opinião semelhante manifestou o secretário geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Álvaro Ciarlini. “O que temos é uma situação gritante. Muitos estados não têm controle sequer de sua população carcerária”, disse, referindo-se ao fato de os juízes das Varas de Execução não terem instrumentos para acompanhar a situação da população carcerária. “Os presos cumprem penas além do que seria razoável e existem muitas pessoas, quase a metade da população carcerária de presos provisórios, que não foram julgados ainda e estão lá muitas vezes por período maior do que a própria pena máxima. Isso é uma coisa inconcebível, inadmissível”, assinalou Ciarlini.

O Conselho Nacional de Justiça tem promovido mutirões carcerários para acompanhamento da situação das penas da população carcerária no país. Também desenvolveu um sistema de controle para que os tribunais de justiça acompanhem a população carcerária. “Estamos dotando as varas de execução penal de um sistema de automação que vai ajudar no controle das penas”, disse Ciarlini. Temos 440 mil presos e um dos maiores índices de encarceramento em relação aos modelos mundiais. Temos péssimas condições. Temos um terço da população carcerária recolhida indevidamente nos presídios ou porque já cumpriu pena.

Presos provisórios

Em entrevista coletiva à imprensa, Gilmar Mendes rebateu as críticas em relação à recente decisão do STF, segundo a qual condenados pela Justiça têm o direito de recorrer em liberdade até que não haja mais possibilidade de recurso. Por 7 votos a 4, os ministros concluíram que a Constituição Federal garante que ninguém será considerado culpado até que haja uma condenação definitiva da Justiça. Gilmar Mendes negou que a decisão sobre os recursos coloque em liberdade os presos provisórios. “O Supremo não mandou soltar todos os presos provisórios. Só disse que a sentença condenatória, ou a decisão de um tribunal confirmando a sentença condenatória, não é o bastante para mandar alguém para o presídio", disse. De acordo com Gilmar Mendes, é preciso que haja um fundamento para a prisão provisória. “Do tipo essa pessoa é perigosa, essa pessoa pode continuar a praticar crime. Aí haverá realmente a necessidade de fazer recolhimento”, assinalou. “Temos um terço da população carcerária recolhida indevidamente nos presídios ou porque já cumpriu pena. Esse é um quadro grave, vergonhoso”, concluiu.

Fonte: Jornal Estado de Minas - 17/02/09 - Caderno Política

 

 

Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH

Número de adolescentes presos no país subiu 397%

 

Mais de 11 mil adolescentes brasileiros estão atrás das grades. Levantamento feito pela Secretaria Nacional dos Direitos Humanos em dezembro mostra que o número é 397% maior do que o verificado em 1996.

Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, a privação de liberdade é uma medida breve e excepcional, que só deve ser aplicada no caso de grave ameaça ou violência, além de reincidências. Indicadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que somente 20% das infrações cometidas por adolescentes referem-se a homicídios ou latrocínios.

O ECA prevê que, no caso de infrações mais leves, devem ser aplicadas medidas como advertência, obrigação de reparar o dano e prestação de serviços à comunidade. "Mas, na verdade, você vê muito menino internado por crimes leves, como furtos e ameaças", revela a defensora pública Daniela Cavalcante Martins, responsável pelo acompanhamento da execução das medidas socioeducativas na Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal. "Não há investimento para acompanhar o meio aberto", diz em entrevista ao jornal Correio Braziliense.

O advogado Ariel de Castro, membro da Comissão da Criança e do Adolescente da OAB e presidente da Fundação Criança de São Bernardo do Campo (SP), dá outro exemplo do excesso de rigor. "Apesar de a internação ser uma medida de brevidade e excepcionalidade, ainda existe falta de vagas na semiliberdade. Um grande percentual de internos poderia estar nesse sistema ou na liberdade assistida", analisa. Ele explica que a maioria dos programas de aplicação das medidas alternativas à privação total de liberdade não recebem acompanhamento. Por isso, juízes e promotores não os consideram confiáveis. Estudo do Ministério da Justiça de 2006 revela que, em todo o país, há 2.876 técnicos para acompanhar o cumprimento das medidas, o correspondente a 0,19% dos adolescentes atendidos.

Para Fábio Silvestre, coordenador do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, desenvolvido pela Secretaria Nacional dos Direitos Humanos e pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), a tendência é que as internações de adolescentes comecem a diminuir. Ele lembra que o número de garotos privados de liberdade cresceu no ano passado, mas numa proporção menor do que a verificada entre 2006 e 2008. "A redução é significativa. Esse crescimento já foi de 28% entre 2002 e 2006. Depois, passou para 4,4% e, agora, está em 2,17%. Ou seja, o avanço progressivo no sistema de privação de liberdade tem diminuído", afirma.

 

 

10/02/09

Extra Alagoas (Maceió- AL)

Onda  de suicídios nos presídios esconde ação do esquadrão da morte

Ródio Nogueira

Grupo de Combate as Organizações Criminosas (GECOC) exige que Polícia Civil esclareça mortes nos presídios

A série de suicídios no sistema prisional alagoana pode está escondendo a participação do esquadrão da morte dentro das penitenciárias do Estado. Esquadrão este que conta com a participação de agentes para matar os detentos e depois passar para as famílias que depressivos, os apenados acabam se matando por não suportar a solidão e o sistema que é cruel e demolidor. A versão é idiota, infantil e não convence a sociedade. “Já sabemos que não são casos de suicídios. Precisamos conhecer os autores”, a afirmação é do promotor de justiça, Idelzito Andrade.

Em janeiro deste ano, foram achados mortos em sua celas José Militão, David Cerqueira Vieira, Alberto Léo Lima, Edmilson José da Silva e Luiz Carlos da Silva todos com sinais de estrangulamento e torturas, conforme denúncias feitas pelos seus parentes a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos de OAB em Alagoas. No entanto, a direção dos presídios se apressou em falar em suicídios.

O Centro de Perícias Forenses (CPFOR) afirma que a Intendência do Sistema Penitenciário não tem nenhuma informação técnica para afirmar que cincos presos se suicidaram este ano. "Achei estranho alguém concluir que foi suicídio. São respostas precipitadas de pessoas que estão extrapolando sua funções", a afirmação é da diretora do CPFOR, - Ana Márcia Nunes que acompanha o caso pessoalmente.

Dias depois de sustentar a versão de suicídios, o intendente penitenciário Luiz Bulgarin, mudou de opinião, ao deixar a sede do 10º Distrito Policial, onde foi interrogado sobre a onda de estranhas mortes nos presidios. Luiz Bulgarin, ponderou explicando que não pode tratar o caso como sendo suicídio ou homicídio.

Intendente diz que presos participam de revistas

Luiz Bulgarin, mesmo sabendo que no sistema existem facções que brigam pelo poder do tráfico e venda de armas, disse solenemente que é comum a participação de presos nas operações e revistas nas cadeias. No entendimento de Bulgarin, os detentos participam de forma voluntária. E que há outros detentos que fazem o mesmo serviço para ajudar a tranquilidade do sistema.

Luiz Bulgarin, que é tenente-coronel da Polícia Militar de Alagoas, sabe perfeitamente que delação na cadeia é morte certa. E como permite que sentenciados entrem nas celas para apreender maconha, dinheiro e armas e depois circular livremente como se nada tivesse acontecido. Talvez a razão de algumas mortes deve ter relação com este tipo de “serviço” prestado por alguns apenados. Tem detento que chega a usar o fardamento do temido Grupo de Operações Especiais (GOE).

A viúva do preso José Militão, que temendo represália pede para não ter o nome revelado, disse que bateram, furaram e depois enforcaram seu marido. Ela relata que fez as fotos dele para provar que ele foi torturado. Esta denúncia foi tomada pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos que vai encaminhar com outras para o delegado Ayres Ponciano que investiga a onda de suicídios nas prisões alagoanas.

Gilberto Irineu disse que o que ocorre no sistema prisional é preocupante e é preciso que a polícia dê uma resposta as dúvidas entre suicidio ou assassinato de presos. O delegado que preside o inquérito vai solicitar os laudos a fim de analisar e se manifestar a respeito do que está acontecendo. Os familiares dos cinco detentos acreditam em assassinato.

 

 

09/02/2009

New York Times

Tribunal Federal manda Califórnia reduzir população prisional

Uma decisão colegiada da Justiça Federal decidiu preliminarmente ontem que a California deve reduzir sua população prisional em um terço, cerca de 55.000 pessoas, dentro de três anos a fim de resolver o problema da superpopulação prisional que tem resultado não só em insegurança para os internos e os agentes, mas também colocado em risco a provisão de cuidados médicos para doentes e idosos.

"Baseado no depoimento de especialistas, o Tribunal decidiu que o sistema prisional da California, o maior do país com mais de 150.000 internos, poderá reduzir sua população por meio da diminuição do tempo da pena, conduzindo condenados por crimes não violentos para programas municipais, premiando o bom comportamento de presos com liberdade antecipada e reforma do livramento condicional, o que segundo eles não provocaria impactos adversos na segurança pública. A mesa julgadora disse que sem tal plano, as condições continuariam a se deteriorar e os internos poderão morrer regularmente por suicídio ou por carência de cuidados adequados". Lei mais em: http://www.nytimes.com/2009/02/10/us/10prison.html?_r=1

 

 

Publicação Rio Negro, de Bariloche, Argentina

A prisão, segundo Foucault

Martin Lozada

Há quase trinta anos, no dia 20 de maio de 1978, efetuou-se um debate que girou ao redor do texto de Jacques Leonard "O historiador e a filosofia". Durante seu transcurso, Michel Foucault foi agudamente interrogado a respeito de suas indagações sobre o fenômeno da prisão.

Afirmou que seu interesse pelo castigo em geral e pela prisão em particular radicava em duas razões pontuais; a primeira, que o cárcere fora até então descuidado nas análises históricas e filosóficas, a tal ponto que, quando se queria estudar os problemas da penalidade, escolhiam-se duas vias de preferëncia: o problema sociológico da população delinqüente, ou o problema jurídico do sistema penal e seu fundamento.

A prática em si do castigo só fora estudada por Kirscheimer e Rusche, na linha da Escola de Frankfurt. É verdade que haviam feito estudos das prisões como instituições, mas eram poucas as pesquisas sobre o encarceramento como prática punitiva geral em nossas sociedades.

A segunda razão aludida pelo filósofo radicava em seu interesse em retomar o tema da genealogia da moral, mas seguindo o fio condutor das transformações, denominado por ele de "as técnicas morais". Para entender o que se castiga e por que se castiga, propôs estabelecer a pergunta consistente em: como se castiga?

Propunha-se, então, um caminho similar ao empreendido em relação ao outro fenômeno que caiu sob sua lupa: a loucura. Antes de se perguntar o que é considerado como loucura e o que é admitido como não loucura, como doença mental e como comportamento normal numa certa época, sublinhando a importância de interrogar-se a respeito de como opera a divergência entre ambos.

Outra das razões de seu interesse, segundo o manifestado na ocasião, estava dada pelo forte questionamento ao qual se submetia não só a prisão senão inúmeros aspectos da prática penal, movimento de crítica observável na França, Inglaterra, Itália e nos Estados Unidos .

Sua análise sobre as prisões não partia da questão institucional, nem das ideologias ou teorias vigentes nesse âmbito; pelo contrário, o que lhe interessava substancialmente eram as práticas que ali se repetiam. E aquilo, no fundamental, para captar as condições que num dado momento as tornam aceitáveis.

Segundo sua hipótese, os tipos de prática não resultam somente dirigidos pela instituição, prescritos pela ideologia ou guiados pelas circunstâncias, senão que até certo ponto eles possuem sua regularidade própria, sua lógica, sua estratégia, sua evidência e razão. E que por isso era necessário analisar um regime de práticas, já que elas constituem o lugar de encadeamento do que se diz e do que se faz, das regras que se impõem e das razões que ocorrem, dos projetos e das evidências.

Foucault não pretendeu fazer a história da instituição-prisão, senão da "prática do encarceramento"; mostrar a origem ou, mais exatamente, mostrar como esta maneira de agir, certamente muito antiga, chegou a ser aceita num dado momento como peça principal do sistema penal, a ponto de aparecer como uma peça completamente natural, evidente e indispensável.

O filósofo, fora de toda complacência intelectual, queria livrar-se da falsa evidência, exibindo sua precariedade e fazendo aparecer não o arbitrário mas sim a complexa vinculação com processos históricos múltiplose, muitos deles, recentes.

Sua mirada comoveu e ainda o faz em nossos dias, os enfoques que as ciências sociais empregam com profusão no universo carcerário. É óbvio que que conseguiu o efeito procurado: demonstrar que a racionalidade procurada no encarceramento penal não era o resultado de um cálculo de interesse imediato, produto de uma lógica que combinava o mais simples com o menos custoso, pelo contrário, o encarceramento fazia parte de toda uma tecnologia da correção humana, da vigilância, do comportamento e a individualização dos elementos do corpo social.