Clipping – 11/04 a 17/04/2009

PASTORAL CARCERÁRIA NACIONAL/CNBB

Pastoral Carcerária Nacional - Assessoria de Comunicação PCrN - Alter Comunicare

 

 

Clipping, produzido pela Assessoria de Comunicação da Pastoral Carcerária Nacional/CNBB, em parceria com a Alter Comunicare, pretende oferecer aos associados uma visão panorâmica do que diz a imprensa sobre temas relacionados à questão prisional em todo o Brasil e em outros países. As matérias reproduzidas neste clipping não refletem, necessariamente, a posição da Pastoral Carcerária, mas têm o objetivo de informar e incentivar o debate público. O clipping está sujeito a omissões involuntárias de notícias e conta com a colaboração de todos para o envio de outras notícias com a citação da fonte e data de publicação para o endereço imprensa@carcerária.org.br.

 

 

SUMÀRIO

Prisões estão em ''crise terrível'', diz Tarso. 3

Educação x Presídios. 3

Condenado por crime hediondo não pode ser beneficiado com indulto natalino. 4

Indulto de natal não pode beneficiar condenado por crime hediondo. 5

Penitenciárias são 'fábricas de criminosos', diz Tarso. 6

TJ-RS condena réu, mas impõe condição para prisão. 6

Detentas de Curitiba fazem vestidos de alta costura. 7

ONU vê 'desastre humanitário' em prisões superlotadas. 8

Rondônia deve reformar prisões e contratar funcionários. 9

CNJ decreta mutirão em favor de presos de SP. 10

O Estado de São Paulo. 10

O novo ''Pacto Republicano'' 10

SAP na luta contra a tuberculose. 12

Presos reformam unidade do presídio para tratamento de dependentes químicos. 15

Agentes penitenciários serão instrutores em curso de formação do Depen. 15

Rondônia deve reformar presídios em 120 dias. 16

Rebelião Cultural visa humanizar espaço penitenciário no Rio de Janeiro. 17

Brasil - A Paz fruto da Justiça. 18

Curso para detentos triplica número de capacitados em 2009. 20

Palestras previnem doenças bucais entre presos do semi-aberto. 21

1ª Conseg abre mais um canal de diálogo com internautas. 22

Pacto estabelece metas para aperfeiçoar a Justiça. 22

Ministério da Justiça oferece cursos à distância. 25

Ministro Gilmar Mendes diz que novo Pacto Republicano abrangerá todo o sistema de Justiça. 26

Debate sobre Segurança Pública e Juventude. 27

Sistema prisional goiano recebe armas e munições. 27

Grupos reflexivos pela desnaturalização da violência. 28

Sarney diz que vai trabalhar pela reforma do Código de Processo Penal 31

No país do BBB, Judiciário é instrumento de paz social 32

Juízes têm responsabilidade sobre sistema carcerário, diz presidente do CNJ. 38

República dos terçados. 39

''Segurança está na pauta do dia e precisa ter orçamento preservado'' 40

Mais um detento comete suicídio. 41

Desrespeitar a Defensoria Pública é desrespeitar o cidadão. 41

Por causa da superlotação, juiz manda presos para casa no MA. 42

Deputado Camilo denuncia em Brasília descaso do Governo do Amapá com os direitos humanos. 43

CNJ vai uniformizar execução penal e aplicação de penas alternativas. 44

PPPs em segurança pública podem tornar o crime um ótimo negócio para empresários. 45

Polícia investiga rede de aliciamento e exploração sexual de menores no Iapen. 46

 

 


17/04/2009

Estado de São Paulo

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090417/not_imp356302,0.php

Prisões estão em ''crise terrível'', diz Tarso

Ministro defende mais investimentos para pôr fim a ''fábricas de criminosos''

Alexandre Rodrigues

O ministro da Justiça, Tarso Genro, avaliou ontem no Rio que o sistema penitenciário brasileiro está "numa crise terrível" e precisa de mais investimentos para que as penitenciárias não sejam mais "fábricas de criminosos".

Segundo destacou Tarso, 60% dos jovens de 18 a 29 anos que deixam as prisões se tornam reincidentes. Ele disse que casos como a fuga de dois líderes de uma facção criminosa do Rio que deixaram a prisão para trabalhar não desqualificam os programas de reabilitação de detentos.

"Eventualmente pode ocorrer algum erro, mas isso não tira o mérito do trabalho que vem sendo feito pela Justiça, associada ao Ministério e à Defensoria Pública, para a recuperação dos presos", afirmou o ministro.

DEFENSORIA PÚBLICA

Tarso participou da inauguração do núcleo de Defensoria Pública no Sistema Penitenciário do Rio, no centro da cidade, que vai prestar assistência jurídica a presos e a seus parentes no Estado. O Ministério da Justiça investiu R$ 1,5 milhão do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci) para a criação do escritório, que deve fazer pelo menos 28 mil atendimentos por ano.

CAUTELA

O ministro disse que decisões como a de juízes do Rio Grande do Sul de colocar presos em regime domiciliar por falta de condições nos presídios podem ser boas alternativas, mas é preciso cautela. "O Estado, quando encarcera uma pessoa, se compromete com os direitos e com a salvaguarda da sua integridade física e com a sua possibilidade de recuperação. Em casos extremos, o Judiciário tomar uma decisão como esta é salutar", afirmou. "Só que tem que ser feita com cautela, para que determinadas pessoas que têm risco iminente de cometerem novos delitos não sejam beneficiadas", ressaltou Tarso.

 

 

17/04/2009

Zero Hora

http://www.clicrbs.com.br/jornais/dsm/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2461461.xml&channel=10&tipo=1

Educação x Presídios

JAQUELINE TRAVI FARIAS/ Professora da Escola Estadual Naura Teixeira Pinheiro, pós-graduada em Educação Escolar

Assistindo a reportagens que mostram as condições precárias em que se encontram os presídios do Rio Grande do Sul, percebemos o descaso com os presos, que vivem em condições desumanas, sendo amontoados na sujeira, sem hábitos de higiene pessoal, ambiental e espiritual. Imagina-se a comida, a educação, o ambiente, como poderão ser. E quando voltarem a viver na sociedade, como será sua dignidade e aceitação?

Não sou a favor dos presos, sem entrar em méritos individuais de julgamento pelo que fizeram, mas o mínimo de respeito deveriam ter: quartos, banheiros, cozinha, refeitório limpos e arejados. Espaço para trabalho, educação, lazer e oração. Pois os presos são humanos, erraram e estão pagando por suas dívidas com a sociedade de modo geral.

Sempre nos preocupou o futuro dos presídios, o caos, e pensamos que o sistema penitenciário deveria ser inovado, não somente com a construção de novos prédios, mas com a infraestrutura desses prédios. Um lugar de refortalecimento do espírito, de repensar nos erros, na responsabilidade do trabalho que as normas sociais nos pedem porque temos direitos a gozar e deveres a cumprir.

Então, pensamos que os presídios deveriam ser não um depósito de delinquentes, mas um ambiente de renovação das pessoas que erraram. Nele, os presos deveriam trabalhar para viver num lugar limpo e organizado, distribuídos em grupos de limpeza, cozinheiros, fazendo hortas e jardins, construindo áreas e melhorias, costurando etc.

Esses presos são pessoas que, em um futuro mais próximo ou distante, farão parte da sociedade. Abalados psicologicamente, eles voltarão a cometer roubos, crimes e outros danos. Porém, se forem tratados com respeito, saberão, em sua maioria, respeitar as regras sociais.

Enfim, precisamos melhorar o conceito de prisão, educação, e saber que o futuro, se não nos pertencer, pertencerá a nossos filhos e netos. Temos de melhorar essa visão do amanhã e não o sobrecarregar de mais impurezas.

 

 

 

17/04/2009

Correio Forense

http://www.correioforense.com.br/noticia/idnoticia/43526/titulo/Condenado_por_crime_hediondo_nao_pode_ser_beneficiado_com_indulto_natalino.html

 

Condenado por crime hediondo não pode ser beneficiado com indulto natalino

 

O Plenário do Supremo Tribunal Federal negou o pedido de Habeas Corpus (HC 81810) no qual o preso Marcos Pereira da Silva questionava no Supremo Tribunal Federal o decreto presidencial 4.011/2001 no que veda a concessão de indulto natalino aos condenados por crime hediondo. O preso alegava que, embora a Constituição (artigo 5º, inciso XLIII) diga que os crimes hediondos são insuscetíveis de graça ou anistia, não haveria na Carta a mesma previsão sobre o indulto.

Na interpretação do relator do caso, ministro Cezar Peluso, “pelo fato de não existir a vedação expressa ou inferida na Lei Maior à concessão de indulto a condenados pela prática de crime hediondo, não se pode cogitar a inconstitucionalidade das normas incidentes no caso”. Peluso lembrou casos semelhantes em que a Corte teve entendimento equivalente, e a votação foi unânime.

Ao julgar o caso, o relator frisou que o decreto diz expressamente, no artigo 10, que os benefícios previstos no decreto não alcançam os condenados por crimes hediondos. “Está claro, pois, que o indulto parcial foi expressamente denegado aos condenados por tais crimes”. Ele lembrou que a concessão do indulto é ato tipicamente discricionário (facultativo) do chefe do Poder Executivo.

Marcos foi preso em 14 de abril de 1996 e condenado a vinte anos de pena em reclusão (regime fechado) por roubo seguido de morte – motivo que o impede de ter direito à saída do Natal.

O indulto natalino, que leva essa denominação por ser concedido, tradicionalmente, no fim do ano, representa um perdão ao condenado em condições de merecê-lo, proporcionando-lhe a oportunidade de retorno útil ao convívio da sociedade, objetivo maior da sanção penal. O indulto não se confunde com a permissão para o preso passar o feriado com a família, pois, neste caso, ele deve retornar à prisão.

Fonte: STF

 

 

17/04/2009

Última Instância

http://ultimainstancia.uol.com.br/new_site/novonoticias/INDULTO+DE+NATAL+NAO+PODE+BENEFICIAR+CONDENADO+POR+CRIME+HEDIONDO_63414.shtml

Indulto de natal não pode beneficiar condenado por crime hediondo

O perdão presidencial aos presos que tenham bons antecedentes e preencham os requisitos legais não pode ser estendido aos condenados por crimes hediondos. O entendimento foi consolidado de forma unânime pelo STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quinta-feira (16/4).

 Na sessão plenária, os ministros negaram recurso de um homem que cumpre pena de 20 anos de detenção por latrocínio (roubo seguido de morte) e pretendia ser beneficiado pelo indulto natalino.

A defesa do preso alegava que, embora a Constituição (artigo 5º, inciso XLIII) diga que os crimes hediondos são insuscetíveis de graça ou anistia, não haveria a mesma previsão sobre o indulto. Argumentava, então, que a proibição da extensão do benefício pelo decreto presidencial é inconstitucional.

Entretanto, para o relator do caso, ministro Cezar Peluso, o fato de a Constituição não vedar expressamente a prática não torna inconstitucionais os dispositivos legais que assim dispõe. O ministro citou casos semelhantes em que a Corte teve entendimento equivalente, e foi seguido pelos demais ministros.

Peluso frisou que o artigo 10 do decreto diz expressamente que os benefícios previstos não alcançam os condenados por crimes hediondos. “Está claro, pois, que o indulto parcial foi expressamente denegado aos condenados por tais crimes”. Ele lembrou ainda que a concessão do indulto é um ato estritamente discricionário (facultativo) do chefe do Poder Executivo.

O indulto natalino, que leva essa denominação por ser concedido, tradicionalmente, no fim do ano, representa um perdão ao condenado em condições de merecê-lo, proporcionando-lhe a oportunidade de retorno útil ao convívio da sociedade, objetivo maior da sanção penal.

O indulto não se confunde com a permissão para o preso passar o feriado com a família, pois, neste caso, ele deve retornar à prisão.

 

 

 

16/03/2009

O Estado de São Paulo

http://www.estadao.com.br/geral/not_ger355962,0.htm

Penitenciárias são 'fábricas de criminosos', diz Tarso

Segundo o ministro da Justiça, 60% dos jovens que saem das prisões viram reincidentes no País

Alexandre Rodrigues - O Estado de S.Paulo

 

Fábio Motta/AE

Tarso durante a inauguração no Rio

RIO - O ministro da Justiça, Tarso Genro, avaliou nesta quinta-feira, 16, que o sistema penitenciário brasileiro está "numa crise terrível" e precisa de mais investimentos para que as penitenciárias não sejam mais "fabricas de criminosos".

Segundo Tarso, 60% dos jovens de 18 a 29 anos que deixam as prisões se tornam reincidentes. Ele disse que casos como a fuga de dois líderes de uma facção criminosa do Rio que deixaram a prisão para trabalhar não desqualificam os programas de reabilitação de detentos. "Eventualmente pode ocorrer algum erro, mas isso não tira o mérito do trabalho que vem sendo feito pela Justiça, associada ao MJ (Ministério da Justiça) e a Defensoria, para a recuperação dos presos", afirmou.

Tarso participou da inauguração do núcleo de Defensoria Pública no Sistema Penitenciário do Rio, no Centro, que vai prestar assistência jurídica a presos e seus familiares no Estado. O Ministério da Justiça investiu R$ 1,5 milhão do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci) para a criação do escritório, que deve fazer 28 mil atendimentos por ano.

 

 

 

16/04/2009

CONJUR

http://www.conjur.com.br/2009-abr-16/tj-gaucho-condena-reu-impoe-condicao-prisao

TJ-RS condena réu, mas impõe condição para prisão

Por Lilian Matsuura

“Com base na lei se condenam pessoas a pena de prisão (para prejudicar) mas no momento em que se deve beneficiá-las (condições prisionais), nega-se a legalidade. Algo intolerável, beirando a hipocrisia.” Estas palavras de crítica ao Estado e ao próprio Judiciário foram registradas em voto do desembargador Amilton Bueno de Carvalho, da 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Por maioria, os integrantes da turma determinaram a expedição de mandado de prisão contra condenado por roubo, mas definiram que ele só poderá ser detido quando o Estado oferecer condições mínimas de sobrevivência em presídio.

Os desembargadores só discordaram do voto do relator, Amilton Bueno de Carvalho, no ponto em que dizia que o mandado de prisão só deveria ser expedido quando houvesse presídio adequado. O artigo 85 da Lei de Execuções Penais fala de obediência rigorosa ao limite máximo da capacidade prisional, de celas arejadas e com condicionamento térmico adequado à existência humana.

Segundo os integrantes da 5ª Câmara, o Estado tem o dever de punir os que agridem a lei penal, mas não pode descumprir a legislação aprovada para garantir direitos mínimos aos condenados. “A legalidade tem dois vieses: um que determina a prisão (contra o cidadão) e outro que protege o apenado”, escreveu o relator em seu voto, em que afirma também “o mea culpa” de sua Câmara Criminal por, até então, ter sido conivente com o sistema prisional.

O desembargador afirma que o juiz também é responsável pelo cumprimento da pena de acordo com a legislação. Para ilustrar, cita frase do ilustre Rui Barbosa: “Não há salvação para o juiz covarde”.

Precedentes

O relator lembrou de decisão recente do Supremo Tribunal Federal (HC 95.332, de março de 2009), em que os ministros permitiram que condenados em regime aberto, em locais onde casa do albergado não cumpre condições de higiene suficientes e estão superlotadas, sem separação de condenados em regime semi-aberto, cumpram pena em regime domiciliar.

Citou, ainda, reportagem publicada pela Folha Online. Juízes da Califórnia estão prestes a liberar 60 mil presos por conta da superlotação carcerária.

Apoio

“Impossível não aderir aos argumentos do relator, no que diz com a situação penitenciária”, declarou o desembargador Luís Gonzaga da Silva Moura. Ele ressaltou que, com algumas exceções, o Estado não cumpre o princípio da dignidade da pessoa humana.

“Seguir ignorando tal situação e atirar um jovem, com as condições pessoais do ora acusado, ou seja, menor de 21 anos e primário, em um dos atuais “depósitos de presos” — com superlotação, condições subumanas e dividido por facções criminosas —, é privá-lo não só da liberdade (pena a que foi condenado a cumprir), mas também da dignidade e da esperança, já que nula a possibilidade de ressocialização”, concluiu.

O crime

O rapaz de 21 anos foi preso por ter “subtraído para si” um Play Station, um aparelho de DVD, três celulares, uma máquina fotográfica, um porta CD e R$ 530.

De acordo com os autos, ele jantava na casa das vítimas quando o refrigerante acabou e ele foi incumbido da tarefa de comprar mais. O acusado saiu e voltou acompanhado de outra pessoa, que o teria ajudado a roubar os anfitriões do jantar. A causa, segundo o processo, foi uma dívida de R$ 80, “de origem sexual, não comprovada”. O jovem foi condenado a mais de quatro anos de reclusão, em regime semi-aberto.

 

 

 

16/04/2009

Folha On Line

http://blogdofred.folha.blog.uol.com.br/arch2009-04-12_2009-04-18.html#2009_04-17_00_23_07-126390611-0

Detentas de Curitiba fazem vestidos de alta costura

 

A modelo que desfila na foto acima --produzida pela Agência Estadual de Notícias-- veste uma peça cuja grife não é uma assinatura famosa do mundo da alta moda. Nem foi costurada para circular na alta sociedade. É uma amostra do trabalho de uma dúzia de detentas de uma penitenciária do Paraná, iniciativa de voluntários que procuram valorizar, nos presídios, a função de casas de reeducação. Por entender que a experiência está afinada com o programa "Começar de Novo", o Conselho Nacional de Justiça publicou em seu site o texto reproduzido a seguir:

A Penitenciária Feminina de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (PR), oferece oportunidade de trabalho às detentas. Um grupo de 12 presas recebe aulas para confecção de vestidos de alta costura. Elas produziram cerca de 45 vestidos que foram expostos, no dia 7 de abril passado, em um desfile de moda no museu Oscar Niemeyer. Iniciativas como essa são estimuladas no programa Começar de Novo, coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), destinado à ressocialização de detentos.

A produção das peças foi possível graças à doação de máquinas de costura feita pelo Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar Ação Social) e dos tecidos doados pela Receita Federal. As detentas receberam um curso especial de alta costura, que foi oferecido por dois empresários dessa área. As apenadas receberam aulas aos sábados para confecção dos vestidos,que possuem acabamento artesanal. Elas ainda estão recebendo treinamento e, ao final, aquelas que saírem do presídio receberão uma máquina de costura doada pela Provopar.

Os vestidos produzidos pelas detentas não foram comercializados. A Propovar Ação Social e os empresários colaboradores decidiram utilizar as roupas como exemplo de trabalho desenvolvido dentro de presídio. No próximo dia 28 haverá outra exposição das roupas na Escola de Governo do Paraná.

O presídio oferecerá o curso a outras detentas para permitir que elas tenham um ofício. As participantes recebem um salário que vai para suas famílias e para uma poupança que só pode ser utilizada pela própria detenta ao sair do presídio. Além disso, a cada três dias de trabalho, um dia da pena é reduzido.

 

 

 

16/04/2009

O Estado de São Paulo

http://www.estadao.com.br/internacional/not_int355916,0.htm

ONU vê 'desastre humanitário' em prisões superlotadas

AE-AP - Agencia Estado

VIENA - O chefe do Escritório contra as Drogas e o Crime da Organização das Nações Unidas (ONU) alertou hoje que o mundo enfrenta um "desastre humanitário" por causa das prisões superlotadas. Antonio Maria Costa afirma que existe uma população carcerária permanente de 30 milhões de pessoas no mundo e que o problema da superlotação é particularmente grave nos países mais pobres. Costa disse que a maneira de liberar espaço nas prisões inclui o oferecimento de penas alternativas à prisão para crimes menos graves e internar viciados em drogas em hospitais e "não nas mãos de carcereiros".

Costa também alertou que as prisões superlotadas são "universidades para criminosos" e um campo de proliferação do vírus HIV, que provoca a Aids. "Nós enfrentamos um desastre humanitário", disse Costa, ao reparar que existem "situações dramáticas" em penitenciárias na África, América Central e Caribe. Costa disse que visitou uma prisão no Haiti com capacidade para 400 presos e na qual vivem 4 mil detentos, com alguns deles com tão pouco espaço que eram obrigados a passar a maior parte do dia em pé. "Eu nunca vi algo assim. Eu acredito que durante a escravidão os indivíduos eram tratados de maneira melhor", afirmou.

Ele alertou que colocar presos em ambientes sem nenhuma higiene e péssimas condições de vida é algo que ameaça luta da sociedade contra a Aids, porque quando soltos os presos poderão contaminar pessoas fora da cadeia. "Nós enfrentamos no mundo uma onda de criminalidade que virou uma crise na segurança", disse Costa. "Essa crise precisa ser debelada antes que espalhe mais medo, violência, corrupção e pobreza no mundo". A partir de 24 de abril, representantes de 40 países se encontrarão em Viena para discutir durante uma semana questões como a reforma penal e a redução das populações carcerárias.

 

 

 

16/04/2009

CONJUR

http://www.conjur.com.br/2009-abr-16/estado-rondonia-condenado-reformar-unidades-prisionais

Rondônia deve reformar prisões e contratar funcionários

O estado de Rondônia foi condenado a reformar as unidades prisionais Ênio Pinheiro e Dr. José Mário Alves, além de contratar, mediante concurso público, agentes penitenciários para a fiscalização dos detentos. Esse foi o entendimento da 1ª Vara de Fazenda Pública da Comarca de Porto Velho, que julgou procedente ação civil pública proposta pelo Ministério Público Estadual.

Na decisão, o juiz Alexandre Miguel determinou que o estado siga a Resolução 3 do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária,  de 23 de setembro de 2005, que edita as Diretrizes Básicas para construção, ampliação e reforma de estabelecimentos penais. "O Estado deve elaborar todos os projetos de reformas, sob orientação e supervisão do Ministério Público e do Juízo da Vara de Execuções Penais, sendo que estes deverão, no prazo máximo de 90 dias do trânsito em julgado desta, apresentar as necessidades atualizadas das reformas ao Estado que por sua vez, deverá elaborar todos os projetos de reformas no prazo máximo de 180 dias e remeter para este Juízo, para que seja dado início ao processo licitatório no prazo máximo de 120 dias", frisou Miguel.

O juiz ordenou, ainda, que seja iniciado o processo de concurso para a contratação de agentes penitenciários, no prazo 120 dias, no máximo, observado, no quantitativo, recomendação do CNPCP - Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária - definindo como razoável uma escala de 05 presos para 01 agente. "A demora no cumprimento desta decisão permitirá a imposição de medidas de apoio e de multas, na proporção necessária à sua efetiva execução", ressaltou.

Na decisão, o juiz citou a visita feita pelos representantes do Conselho Nacional de Justiça que estiveram nas unidades prisionais da Capital e constataram problemas de superlotação, onde a própria estrutura do prédio parece não suportar o número de presos no local. "O judiciário local, por meio da Vara de Execuções Penais, vem realizando um mutirão de execução penal, com vários profissionais trabalhando na revisão dos processos penais, mas a ação ataca o problema que só poderá ser solucionado com a abertura de novas vagas no sistema carcerário", concluiu Miguel. Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-RO.

 

 

15/04/2009

O Estado de São Paulo

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090415/not_imp354870,0.php

CNJ decreta mutirão em favor de presos de SP

População carcerária no Estado chega a 150 mil pessoas

Mariângela Gallucci, BRASÍLIA

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai fazer mutirões nos presídios de São Paulo para avaliar a situação carcerária dos cerca de 150 mil detentos do sistema penitenciário paulista. A inspeção, vista por muitos como uma espécie de "intervenção branca", começará no segundo semestre. Ela foi acertada, depois de muita insistência, em encontro ocorrido entre o presidente do CNJ, Gilmar Mendes, o governador José Serra e a cúpula do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Há estimativas de que cerca de 45 mil presos, 30% da população carcerária paulista, possam receber benefícios que vão desde a mudança para regime menos rigoroso de pena até a libertação. O mutirão em São Paulo é, para o CNJ, a quebra de um tabu. De acordo com integrantes do conselho, há grande resistência do Judiciário paulista em aceitar e aderir às decisões e iniciativas do CNJ.

"É preciso que São Paulo não olhe só para si próprio e olhe para os problemas da Justiça nacional", disse o corregedor nacional de Justiça, Gilson Dipp, responsável pela inspeção. O CNJ resolveu baixar portaria deixando claro que os mutirões serão realizados "em todas as unidades da Federação".

Em São Paulo, segundo o CNJ, há 160 presídios. A situação é complicada também por causa da grande quantidade de presos - estão no Estado 150 mil dos 446 mil presidiários do País. Há ainda um contingente considerável de detentos de alta periculosidade, incluindo líderes do crime organizado.

PACTO

A portaria assinada ontem por Mendes prevendo os mutirões em todo o País está relacionada ao 2º Pacto Federativo, firmado na véspera pelos presidentes dos três Poderes. A norma criou um grupo para monitoramento, acompanhamento e aperfeiçoamento do sistema carcerário. Além dos mutirões, a portaria também prevê a implantação dos processos eletrônicos em todas as varas de execução penal.

O presidente do CNJ afirmou ontem que o Judiciário tem de enfrentar essa situação complicada nos presídios. "Estamos assumindo as nossas responsabilidades. É o juiz quem manda prender", disse.

Mendes explicou que São Paulo já realiza uma força-tarefa em presídios, mas, mesmo assim, o trabalho do CNJ está mantido. Ele acha provável que sejam encontradas situações semelhantes às verificadas em outros Estados onde já ocorreram os mutirões, como Rio, Pará, Maranhão e Piauí.

"Verificamos que havia até 70% dos presos em alguns Estados de forma provisória." Também foram detectadas superlotação e falta de separação de presos.

Mendes informou que, além dos presídios, os mutirões serão realizados em delegacias e nos 15 hospitais penitenciários psiquiátricos existentes no País. O presidente do CNJ informou que recebeu informações de que a situação nesses hospitais é muito grave.

 

 

15/04/2009

O Estado de São Paulo

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090415/not_imp354843,0.php

O novo ''Pacto Republicano''

 

Ao contrário do "Pacto de Estado em favor de um Judiciário mais Rápido e Republicano", que foi lançado em 2004 e se concentrava em projetos concebidos para modernizar a legislação processual, com o objetivo de desafogar os tribunais, o "Pacto Republicano de Estado por um Sistema de Justiça mais Acessível, Ágil e Efetivo", firmado esta semana pelos presidentes dos Três Poderes, destaca-se pela abrangência das matérias abarcadas.

Elas vão do controle da ação policial e adoção de sanções severas para os autores de interceptações telefônicas ilegais à penhora de bens para pagamento de débitos fiscais, passando pela ampliação das prerrogativas da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, pela ampliação das Defensorias Públicas e pela imposição de limites ao trabalho das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs).

Por isso, o novo "Pacto", que envolve projetos de lei que já tramitam no Legislativo e projetos que ainda serão elaborados pelo Executivo, deve ser visto com cuidado. São positivas, por exemplo, as medidas que têm por objetivo conter a expansão do chamado "Estado policialesco", reforçando os direitos fundamentais.

Entre essas medidas se destacam as que foram concebidas para coibir excessos que têm sido cometidos por delegados em operações midiáticas, fazendo escutas não autorizadas, expondo indevidamente presos e algemando quem não oferece resistência e não constitui risco para a segurança pública. A ideia é tipificar esses abusos como crime, com penas de reclusão de 6 meses a 2 anos de prisão. A mesma pena também será aplicada aos delegados que negarem aos advogados dos investigados o acesso aos autos e que mantiverem os presos em local inadequado, sem instauração de inquérito.

Também são positivos os projetos de lei que ampliam a assessoria jurídica gratuita aos segmentos mais pobres da população e tipificam os crimes praticados por grupos de extermínio, enquanto é preciso examinar com cautela a ideia de julgamento colegiado nos processos que envolvem organizações criminosas, para evitar pressões e ameaças contra os juízes de primeira instância. Merecem aplauso ainda as medidas que exigem que as CPIs tenham foco determinado (o que, aliás, já está disposto na legislação) e as que impedem deputados e senadores de intimidar depoentes e investigados com ameaças de prisão. O problema, contudo, não se limita à aprovação de novas leis e à modernização do anacrônico Código Penal, editado há quase 70 anos pela ditadura de Getúlio Vargas. Acima de tudo, é preciso que as medidas previstas pelo novo "Pacto" para reforçar o Estado de Direito sejam cumpridas à risca quando entrarem em vigor.

Entre as medidas mais polêmicas, e que merecem uma análise mais cuidadosa, destacam-se as que envolvem matérias de natureza fiscal. À primeira vista, constitui um excesso - que pode inviabilizar a atividade econômica do devedor - o projeto de lei que prevê que a Fazenda Nacional indique os bens a serem penhorados para o pagamento de débitos fiscais. Atualmente, a indicação cabe apenas aos devedores. Outro projeto polêmico é o que prevê o arresto administrativo de bens de devedores da União. O bloqueio de um bem sem prévia autorização judicial e a ampliação das prerrogativas da Fazenda dificilmente deixarão de ser caracterizados como uma violência contra os contribuintes.

Também merece exame mais acurado o projeto que permite às autoridades fazendárias negociar débitos fiscais que estão sendo cobrados na Justiça, antes que haja sentença definitiva. O "Pacto" prevê a criação de uma Câmara de Negociação na Procuradoria da Fazenda Nacional composta por auditores e procuradores. A medida parece boa, mas é preciso aguardar a divulgação do seu texto integral para ver se ela não fere direitos e se não esvazia o Conselho de Contribuintes de suas funções.

O "Pacto" engloba matérias variadas e de desigual importância - o que pode ser entendido pelos legisladores como um convite à demagogia. A ideia do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de incluir no "Pacto" uma proposta que substitui o aviso prévio, que corresponde a um mês de salário, por um benefício proporcional ao tempo de serviço do trabalhador numa empresa, dá a medida desse risco.

 

 

 

15/04/2009

SAP

http://www.sap.sp.gov.br/common/noticias/0400-0499/not430.html

 

SAP na luta contra a tuberculose

Unidades se mobilizam contra a doença

 

O combate permanente à tuberculose (TB) sempre foi uma constante nas unidades prisionais da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). No último mês de março, aproveitando o “Dia Mundial de Combate à Tuberculose”, comemorado em 24/3, a Coordenadoria de Saúde do Sistema Penitenciário mobilizou as unidades prisionais e pela primeira vez foi feita uma ação coletiva única.

  

A TB tem grande número de ocorrências no país: só em 2007, foram 72 mil novos casos, com uma média nacional de 38,2 por 100 mil habitantes. Nesse mesmo ano, 4,5 mil pessoas morreram em decorrência da doença. Entre as populações mais vulneráveis está a do sistema carcerário, cuja incidência chega a ser 40 vezes maior que a média nacional, segundo o Ministério da Saúde. Um dos principais motivos se deve ao confinamento nas celas por longos períodos, já que o bacilo de Koch (bactéria que causa a TB) é transmitido pelo ar através de gotículas expelidas pelos doentes quando tossem, espirram ou falam.

Em São Paulo, a SAP vem coordenando esforços na luta contra a doença. Durante todo o ano, continuamente são oferecidas capacitações para que agentes e reeducandos colaborem para a identificação de casos, se possível, já na inclusão do preso (quando ele chega à unidade). Dá-se especial atenção ao sintomático respiratório – o conjunto de sintomas que indicam uma possível detecção de TB, especialmente quando há tosse por mais de três semanas. Em caso de suspeita são feitos exames, como a baciloscopia (exame de escarro) para identificação da presença ou não do bacilo de Koch.

 

Reforçando as ações já efetuadas, a Coordenadoria de Saúde mobilizou as unidades que realizaram, pela primeira vez e ao mesmo tempo, uma série de atividades esclarecedoras sobre a TB, como palestras, oficinas de capacitação para detecção da doença, peças de teatro, histórias em quadrinhos, concurso de cartazes (com premiação simbólica para melhor desenho e frase. Algumas unidades ainda aproveitaram para conscientizar os reeducandos sobre outras doenças, como a dengue, por exemplo.

Ao todo, 52 unidades participaram dessa primeira edição da campanha

 

UNIDADES PARTICIPANTES

CDP de Cauiá

CDP de Diadema

CDP de Mogi das Cruzes

CDP de São Bernado do Campo

CDP de Sorocaba

CDP de Suzano

CDP de Tupi Paulista

CDP1 de Guarulhos

CDP2 de Guarulhos

CDP de Mauá

CPP Campinas

CPP de Mongaguá

CR de Araçatuba

CR de Araraquara

CR de Birigui

CR de Jaú

CR de Limeiras

CR de Lins

CR de Presidente Prudente

CRF de São José do Rio Preto

CRM de Rio Claro

IPA de Bauru

IPA de São José do Rio Preto

P. Álvaro de Carvalho

P. de Assis

P. de Iaras

P. de Junqueirópolis

P. de Lucélia

P. de Marabá Paulista

P. de Martinópolis

P. de Pacaembu

P. de Paraguaçu Paulista

P. de Pracinha

P. de Presidente Prudente

P. de Presidente Venceslau

P. de Riolândia

P. de Valparaíso

P1 de Bauru

P1 de Guareí

P1 de Pirajuí

P1 de Potim

P1 de Reginópolis

P2 de Balbinos

P1 de Franco da Rocha

P2 de Franco da Rocha

P2 de Lavínia

P2 de Mirandópolis

P2 de Potim

P2 de Serra Azul

PF da Capital

PF de Campinas

PF de Ribeirão Preto

PF de Santana

 

 

 

15/04/2009

SUSEPE

http://www.agenciaprisional.go.gov.br/noticias/noticia_pub.php?publicacao=52963

Presos reformam unidade do presídio para tratamento de dependentes químicos

 

Presos que fazem parte do “Projeto Renascer”, de tratamento de dependência química, reformam, a partir das 09 h desta quarta-feira (15/04), as instalações onde estão abrigados e onde funciona o projeto. A atividade, composta de pintura das paredes dos dormitórios, banheiros e espaços de convivência, faz parte do programa de recuperação desses indivíduos e será acompanhada por psicólogos e terapeutas ocupacionais. Atualmente, o Renascer trata 11 presos no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. Todos eles participarão da reforma

De acordo com a gerente de Saúde e Recuperação de Dependentes Químicos da Superintendência do Sistema de Execução Penal (Susepe), Sheila Melo, a reforma, além de proporcionar um ambiente mais saudável, é um reflexo positivo do processo de recuperação dos dependentes químicos. “Essa mudança física é a exteriorização de uma mudança psíquica vivida por cada um desses pacientes. É como se organizando o ambiente externo, o indivíduo fosse se reorganizando internamente, tomando para si a responsabilidade pelos seus atos”, completa Sheila.

Os presos ainda pintarão um painel, com tema livre, em uma parede externa, e farão uma “faxina”, quando se desprenderão de objetos velhos e sem valor.

Renascer
O Projeto Renascer foi criado em 2006 para o tratamento e recuperação de presos dependentes químicos de Goiás. O encaminhamento ao tratamento é realizado a pedido ou com o consentimento do próprio preso. Durante noves meses entre desintoxicação, recuperação e acompanhamento após tratamento, os presos são assistidos por psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, arte-terapeutas e família. A perspectiva é de que neste ano, o “Renascer” seja levado para outras cidades do interior do Estado

 

 

 

15/04/2009

MJ

http://www.mj.gov.br/depen/data/Pages/MJFB3ADAA8ITEMIDF227C10B1A044AD9B09F76B1191D0AF8PTBRIE.htm

Agentes penitenciários serão instrutores em curso de formação do Depen

Brasília, 15/04/09 (MJ) – Os 656 candidatos que passaram na primeira etapa do concurso público oferecido pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, contarão com um treinamento especial na segunda etapa do processo seletivo. A diretoria do Sistema Penitenciário Federal (SPF) recrutou 50 agentes penitenciários federais para atuarem como instrutores no Curso de Formação Profissional.

A iniciativa é uma forma de valorizar a carreira do agente penitenciário e reconhecê-lo como principal operador do sistema. Com até 70 dias de duração, o curso é eliminatório e contará com treinamento técnico, operacional e teórico.

Os novos instrutores trabalham nas duas penitenciárias federais – Catanduvas (PR) e Campo Grande (MS). No curso, eles atuarão em parceria com a Academia Nacional de Polícia (ANP) nas disciplinas operacionais (armamento e tiro; defesa pessoal e educação física policial) e teóricas (procedimentos administrativos e Sistema Penitenciário Federal).

Serão duas turmas: a primeira iniciará o curso no dia 13 de julho e a segunda, em meados de outubro. Após esta etapa, os candidatos aprovados aguardarão a nomeação e a posse. Além de Catanduvas (PR) e Campo Grande (MS), os novos servidores serão lotados nas duas unidades que serão inauguradas ainda este ano, em Mossoró (RN) e Porto Velho (RO).


Sistema Penitenciário Federal

O Sistema Penitenciário Federal (SPF) atua há 3 anos no combate ao crime organizado e, recentemente, recebeu o apoio da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) para preencher os cargos abertos até que o concurso público seja finalizado. Atualmente, 30 agentes da Força e cerca de 170 agentes penitenciários federais trabalham em parceria para garantir a segurança do SPF.

Os estabelecimentos penais federais foram criados para abrigar presos de alta periculosidade que possam tumultuar o ambiente dos presídios estaduais, ser vítimas de atentados e tentativas de resgate ou que estejam em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

Exemplo positivo para outros países, as unidades contam com modernos equipamentos de segurança, como aparelhos de Raio-X, de coleta de impressão digital, detectores de metais e câmeras que monitoram os detentos 24 horas por dia. As imagens são transmitidas em tempo real para uma sala de controle na penitenciária, para a Superintendência da Polícia Federal do estado e para a Central de Inteligência Penitenciária do Depen, em Brasília.

Todas as pessoas que entram nas unidades penais são revistadas e não há contato direto do detento com os advogados – eles ficam separados por um vidro e monitorados por câmeras durante o encontro.
 
As celas possuem 7 metros quadrados, uma cama, mesa, banco, prateleiras, lavatório e vaso sanitário feitos de concreto. Para detentos do RDD, o espaço tem o dobro do tamanho – há espaço para o preso tomar banho de sol sem sair do confinamento.

 

 

 

14/04/2009

CONJUR

http://www.conjur.com.br/2009-abr-14/rondonia-reformar-presidios-contratar-agentes-120-dias

Rondônia deve reformar presídios em 120 dias

A pressão das visitas feitas por representantes do Conselho Nacional de Justiça nas unidades prisionais de Rondônia renderam um pesado ônus sobre o governo estadual. O Executivo foi condenado pela Justiça, nesta segunda-feira (13/4), a reformar dois presídios e a contratar, em 120 dias, agentes penitenciários. Clique aqui para ler a sentença.

A decisão foi tomada pela 1ª Vara de Fazenda Pública da Comarca de Porto Velho, que julgou procedente a Ação Civil Pública do Ministério Público estadual. O MP pediu que o estado siga a Resolução 3/05 do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, que edita as Diretrizes Básicas para construção, ampliação e reforma de estabelecimentos penais. "O Estado deve elaborar todos os projetos de reformas, sob orientação e supervisão do Ministério Público e do Juízo da Vara de Execuções Penais, sendo que estes deverão, no prazo máximo de 90 dias do trânsito em julgado desta, apresentar as necessidades atualizadas das reformas ao Estado que por sua vez, deverá elaborar todos os projetos de reformas no prazo máximo de 180 dias e remeter para este Juízo, para que seja dado início ao processo licitatório no prazo máximo de 120 dias", disse o juiz Alexandre Miguel na decisão.

Um concurso para a contratação de agentes penitenciários deve começar dentro de 120 dias. A quantidade deve seguir uma escala de cinco presos para cada agente. "A demora no cumprimento desta decisão permitirá a imposição de medidas de apoio e de multas, na proporção necessária à sua efetiva execução", disse o juiz.

O próprio juiz afirmou que as visitas do Conselho Nacional de Justiça que constataram problemas de superlotação — principalmente no "Urso Branco", onde a própria estrutura do prédio parece não suportar o número de presos no local — reforçaram a necessidade de mudanças. "O judiciário local, por meio da Vara de Execuções Penais, vem realizando um mutirão de execução penal, com vários profissionais trabalhando na revisão dos processos penais, mas a ação ataca o problema que só poderá ser solucionado com a abertura de novas vagas no sistema carcerário", concluiu. *Com informações da Assessoria de Imprensa do Tribunal de Justiça de Rondônia.

 

 

 

 

14/04/2009

ADITAL

http://www.adital.com.br/Site/noticia.asp?lang=PT&cod=38209

Rebelião Cultural visa humanizar espaço penitenciário no Rio de Janeiro


Adital -

Muros altos. Cercas. Isolamento. Essas são algumas, entre tantas realidades vividas pelos detentos do sistema carcerário. A vida de reclusão, além de privar a liberdade como forma de pagamento de pena por uma infração cometida, priva também o acesso à cultura, esporte e educação. No Rio de Janeiro, há menos de um mês, um projeto vem tentando mudar essa realidade através de várias ações.

Trata-se do Projeto Rebelião Cultural - resultado do F-4, uma junção das organizações não governamentais AfroReggae, Observatório de Favelas, Nós do Morro e Cufa, - que tem como objetivo humanizar o espaço carcerário, além de dar aos detentos, a oportunidade de viver a arte e o esporte, propiciando o estímulo da criatividade cultural. O projeto é realizado nas cinco unidades do Complexo Penitenciário de Bangu, no Rio de Janeiro, e atende em média 650 detentos.

Desenhado há cerca de dois anos, a ideia inicial do Rebelião Cultural era realizar um trabalho de acompanhamento para aqueles presos que estivessem próximos a obterem a liberdade, mas a falta de recursos permitiu apenas a realização de oficinas sócio-educativas.

Para dar consistência ao projeto, os idealizadores realizavam visitas aos presídios para analisar a estrutura do espaço físico e, junto com coordenadores, profissionais e agentes, pensarem a melhor forma e oportunidade de difundir as novas atividades.

Ao todo, nove cursos são oferecidos: Audiovisual, Fotografia, Música, Teatro, Percussão, Capoeira, Grafite, Informática e Basquete. Os professores são ex-alunos de cursos ofertados pelas instituições e são, também, moradores de favelas. As aulas acontecem uma vez por semana e têm duração de duas horas.

De acordo com Elionalva Sousa Silva, uma das coordenadoras do Observatório de Favelas, o F-4 foi bem recebido nos presídios em que atua. "Essa é a primeira vez que 4 ONGs da sociedade civil entram no sistema penitenciário brasileiro para realizar um trabalho como esse", diz.

Os detentos receberam com muita expectativa a iniciativa e é possível perceber a dedicação e a entrega com que eles realizam as atividades, "Eles parecem criança", afirma a coordenadora. E diz ainda: "Nós não temos a pretensão de formar profissionais, mas dar oportunidade de fazer exercer a criatividade, através dessas ações".

De acordo com a coordenadora, há pouco investimento social nessa área e poucas oportunidades. "Existe um discurso negativo em torno desta questão", afirma. Mas mesmo com as adversidades, Elionalva avalia como positivo os resultados até agora apresentados.

O projeto tem o apoio da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado do Rio de Janeiro (Seap) e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos do Governo Federal, e é financiado pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).

A duração dos cursos é de 1 ano, e ao final, será feito um levantamento apresentando os resultados das atividades. Futuramente, o F-4 pretende ampliar a atuação do Rebelião Cultural e fazer com que este programa seja incorporado como Políticas Públicas do Governo Federal.

Para saber mais sobre o projeto, basta acessar o site das instituições integrantes do F-4:

Observatório de Favelas: www.observatoriodefavelas.org.br

CUFA: www.cufa.org.br

AfroReggae: www.afroreggae.org.br

Nós do Morro: www.nosdomorro.com.br

As matérias do projeto "Ações pela Vida" são produzidas com o apoio do Fundo Nacional de Solidariedade da CF 2008.

 

 

14/04/2009

ADITAL

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=38193

Brasil - A Paz fruto da Justiça


Selvino Heck *


Adital -


Toda vez que vou visitar mamãe em Santa Emília, Venâncio Aires, interior do interior do Rio Grande do Sul, ela vem com histórias e mais histórias sobre roubos de fumo nos galpões, roubo de gado nas estrebarias, violência com pessoas idosas para roubar um dinheirinho que guardam em casa. Tantos acontecimentos que, quando mamãe fica sozinha em casa ou todos vão sair, ainda que fiquem em alguma atividade na comunidade ou participem da missa na igreja, ela quer que se chaveie tudo, o que, na minha infância, décadas atrás, era impensável e desnecessário. E lá vem ela com aquelas chaves antigas, enormes, de um século ou mais, que sobraram da antiga casa, dos primeiros descendentes alemães, que teve reaproveitadas portas e janelas.

A criminalidade e a violência são hoje uma realidade, infelizmente. Lembro-me que quando morava nas vilas populares da Lomba do Pinheiro, anos 70 e 80, eu andava por todos os lugares. Até porque havia um código entre os ladrões de então, alguns inclusive conhecidos: ‘Não se rouba de ninguém da comunidade, muito menos dos freis’. (Uma vez roubaram toda minha roupa que tinha vindo da lavadeira. Comuniquei-o a algumas pessoas. Não passou um dia, as roupas voltaram intactas.)

Os tempos são outros. Não faz muito, na pacata rua em que moro em Porto Alegre (embora paguemos um guarda noturno privado), foi-me apontada uma arma, numa tentativa de assalto. Felizmente nada aconteceu, mas a imagem da arma apontada para o meu rosto a três metros de distância persegue-me até hoje quando passo pelo mesmo lugar.

Por isso, nada mais oportuno que a Campanha da Fraternidade/2009, com o tema FRATERNIDADE E SEGURANÇA PÚBLICA, com o lema "A Paz é Fruto da Justiça" (Is 32,17). Diz o texto-base: "A CNBB pretende, com esta Campanha, debater a segurança pública, com a finalidade de colaborar na criação de condições para que o Evangelho seja mais bem vivido em nossa sociedade por meio da promoção de uma cultura de paz, fundamentada na justiça social."

Já o governo federal está organizando a 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (CONSEG), a realizar-se de 27 a 30 de agosto de 2009. O objetivo é "definir princípios e diretrizes da Política Nacional de Segurança Pública, com participação da sociedade civil, trabalhadores e poder público, visando efetivar a segurança como direito fundamental".

A CONSEG terá seminários temáticos, Conferências municipais e estaduais, Conferências Livres e Conferência virtual. Maiores informações no site oficial: www.conseg.gov.br

A falta de segurança, o recrudescimento da violência e da criminalidade têm pelo menos duas causas principais: a má e injusta distribuição de renda e os valores produzidos pelo capitalismo neoliberal.

Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), órgão do governo federal, acaba de publicar "Proprietários: Concentração e Continuidade". Segundo o estudo, os meios de produção do país estão concentrados nas mãos de 6% dos brasileiros.  De cada 20 brasileiros apenas um é dono de alguma propriedade geradora de renda: empresa, imóvel, propriedade rural ou mesmo conhecimento. Os proprietários brasileiros têm um perfil específico comum: a grande maioria tem entre 30 e 50 anos de idade, é de cor branca, concluiu o ensino superior e não têm sócios.

Apesar dos avanços no governo Lula - aumento real do salário mínimo, mais empregos, ascensão de milhões de trabalhadores das chamadas classes D e E para a classe C, classe média baixa, políticas sociais -, o Brasil ainda tem um dos piores índices de distribuição dos meios de produção de riqueza da América Latina e do mundo.

Escreve Márcio Pochmann: "A urbanização aumentou o número de propriedades e de proprietários, mas não acompanhou o aumento da população. A concentração permanece. Nós nunca tivemos uma experiência de democratização do acesso às propriedades no nosso país". (O que explica a resistência, ainda hoje, à Reforma Agrária e o fato de ela nunca ter acontecido no Brasil, mesmo tendo acontecido nos demais países latino-americanos, menos na Argentina.)

O capitalismo neoliberal das últimas décadas (agora renegado por todos que o incensaram ao longo do tempo, a ponto de na reunião do G20 em Londres ter sido proclamado oficialmente o fim do Consenso de Washington, a Bíblia dos neoliberais), exacerbou, com a tese do mercado livre e absoluto e do Estado mínimo, valores capitalistas  como o individualismo, a competição, o lucro pelo lucro, o erotização de tudo, a mercadorização até do afeto e dos sentimentos, o consumismo.

Disse o escritor Bartolomeu Campos de Queirós no IV Encontro Nacional do Programa Escolas-Irmãs em Brasília: "Você liga a televisão e vê sete minutos de notícia, de afeto, de fantasia. Depois você vê, obrigatoriamente, cinco minutos de tudo aquilo que você não tem, deveria ter, deve comprar e muitas vezes não pode."

A juventude atual, formada nos tempos neoliberais, absorveu e ainda absorve este discurso e seus valores. No período, nunca tão poucos enriqueceram tanto em tão pouco tempo. Agora, com a crise econômica, desnuda-se a farra, os bônus milionários recebidos pelos executivos de bancos falidos, os bilhões que giravam no mercado financeiro sem lastro na vida real.

Resultado? Aumentou o número dos que passam fome no mundo, de 850 milhões para cerca de um bilhão. Aumentou a violência. Aumentou a desesperança da juventude.

Urgente, pois, como diz o texto da Campanha da Fraternidade, que a "paz e a segurança, mais que discursos ou conjunto de propostas, constituam-se em mentalidade que determina o modo de pensar e de agir de todas as pessoas. Devem ser expressão de uma cultura."

É o que propõe também a Conferência de Segurança Pública, na esteira do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (PRONASCI), lançado em 2007 pelo Ministério da Justiça do governo Lula, quando diz que o direito à segurança é um direito humano fundamental. Diz o texto-Base da Conferência: "Segurança humana é o termo que consegue conjugar as dimensões de paz, segurança e desenvolvimento. A expressão evoca os direitos fundamentais, governança, acesso à saúde e à educação. Para Celso Furtado, o desenvolvimento é uma construção coletiva, resultado portanto da mobilização e vontade da sociedade. Não basta anunciar, pois, um novo paradigma de segurança pública no Brasil. É preciso mobilizar a sociedade em torno dele."

A Rede TALHER de Educação Cidadã, ligada ao Gabinete de Pessoal do Presidente da República, está empenhada, como tantos e tantas, na organização da CONSEG, especialmente a partir da juventude, dos seus movimentos, da sua cultura, como o hip-hop. Um grande mutirão será capaz de tornar a distribuição de renda mais justa no Brasil e construir/vivendo novos valores, de igualdade, de respeito às diferenças, de solidariedade, de justiça e paz.

[As matérias referentes ao projeto ‘Ações pela vida’ são divulgadas com o apoio do Fundo Nacional de Solidariedade].


* Assessor Especial do Presidente do Brasil

 

 

 

14/04/2009

MJ

http://www.mj.gov.br/depen/data/Pages/MJFB3ADAA8ITEMID8AE7A87DEE1A4E78B452DD97B1E6CFB9PTBRIE.htm

Curso para detentos triplica número de capacitados em 2009

Brasília, 13/04/09 (MJ) – Em tempos de crise econômica, profissionais bem capacitados  têm mais chances de enfrentar o competitivo mercado de trabalho. O mesmo não acontece com um ex-presidiário ao retornar à sociedade, após cumprir sua pena. Diante dessa realidade, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) do Ministério da Justiça, numa iniciativa pioneira no âmbito de educação profissional, triplicou o número de presos que serão capacitados este ano: 153 detentos contra os 52 que receberam treinamento em Mecânica Automobilística e Alimentos Seguros em 2008.

Serão formados presos das penitenciárias federais de Catanduvas (PR) – 73 detentos - e de Campo Grande (MS) – 80 - presídios em funcionamento desde 2006. O projeto de iniciação profissional de detentos será a distância, por meio de tele-aulas. O projeto foi desenvolvido em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) para oferecer oportunidades de educação, profissionalização e frente de trabalho, levando em conta as peculiaridades do regime disciplinar das penitenciárias federais.

Em 2008, o SENAI capacitou agentes penitenciários para atuarem como gestores do processo de aprendizagem e formou monitores para mediar o atendimento entre tutores e alunos.  Além disso, as penitenciárias disponibilizaram aparelhos de TV, DvD e projetor de multimídia.

Para a coordenadora-geral de Tratamento Penitenciário do Depen, Rosângela Peixoto, essa é uma forma de contribuir para que o detento tenha a oportunidade, quando em liberdade, de exercer alguma atividade profissional. “Tivemos bons resultados em 2008. Este ano, com um leque maior de cursos, os presos poderão estudar e se dedicar a uma atividade intelectual”.

Dentre os cursos oferecidos, destacam-se Gestão de Marketing e Relacionamento com o Mercado; Diagnóstico e Solução de Problemas e Qualidade de Produtos e Serviços; Noções de Qualidade e de Segurança de Alimentos e Boas Práticas de Fabricação; Planejamento de Negócios e Técnicas de Negociação e Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC).

Os cursos terminam em 15 de junho, quando serão divulgados os relatórios dos professores com as notas dos alunos. Em 2008, o resultado foi satisfatório, as avaliações aplicadas ao final dos módulos registraram notas que foram de 7,7 a 10.

Resumo dos cursos

Gestão de Marketing e Relacionamento com o Mercado: conhecer formas de divulgação e promoção de produtos e serviços para o atendimento das atuais exigências de satisfação, encantamento e fidelização do cliente, bem como, os princípios de qualidade aplicados a serviços de atendimento ao público.

Diagnóstico e Solução de Problemas e Qualidade de Produtos e Serviços: compreender a utilização de métodos de análise para resolução de problemas e conhecer os principais sistemas de gestão da qualidade de produtos e serviços utilizados pelas organizações.

Noções de Qualidade e de Segurança de Alimentos e Boas Práticas de Fabricação: reconhecer a importância da manipulação higiênica de alimentos, visando a uma produção segura e de qualidade. Reconhecer também a importância das Boas Práticas de Fabricação e entender os seus requisitos para a implantação nas empresas.

Planejamento de Negócios e Técnicas de Negociação: avaliar técnicas de elaboração de planos de negócios e planejamento e gestão de negócios para as organizações e conhecer as principais técnicas que compõem uma negociação.

Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC): conhecer as tecnologias e identificar as diferentes formas de aplicação em benefício do bem-estar pessoal e coletivo.

Pronasci

A reestruturação do sistema penitenciário é um dos eixos principais do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). As ações visam à ressocialização dos detentos, por meio de oficinas educacionais e profissionalizantes. A formação educacional dentro das prisões servirá ainda para a remissão da pena: cada 18 horas de estudo representará um dia a menos na prisão.

O Pronasci prevê a construção de pelo menos um presídio especial para jovens de 18 a 24 anos e um feminino em cada uma das regiões metropolitanas atendidas pelo Programa. Todos os presídios construídos contarão com módulos de educação e profissionalização, além de áreas de saúde. Os recursos para as obras serão repassados pelo Pronasci, enquanto que estados e municípios ficarão responsáveis pela gestão das unidades. Os presídios para jovens adultos, com 421 vagas, estão orçados em R$ 12 milhões. Os de mulheres, com 256 vagas, custarão R$ 7 milhões.

O Pronasci também realiza uma pesquisa com a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) para diagnosticar a situação da educação nas prisões brasileiras. O resultado vai subsidiar o governo federal à implantação de políticas públicas na questão e deve sair em um ano.

 

 

14/04/2009

SUSEPE

http://www.agenciaprisional.go.gov.br/noticias/noticia_pub.php?publicacao=52955

Palestras previnem doenças bucais entre presos do semi-aberto

Os presos do regime semi-aberto do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia participarão, a partir desta quarta-feira (15/04), às 09:30 h, de palestras sobre higiene, saúde e prevenção de doenças bucais. A ação é fruto de uma parceria entre o Serviço Social da Indústria (SESI), Pastoral Carcerária, Conselho da Comunidade e Superintendência do Sistema de Execução Penal (Susepe). Todos os participantes receberão kits de higiene contendo creme dental, escova, fio dental e outros.

De acordo com o diretor do Semi-Aberto, Sandro Mendonça, a instrução educativa é tão importante quanto a distribuição de kits de higiene aos presos, que acontecem regularmente nos estabelecimentos prisionais. “A manutenção da saúde bucal não é só uma questão de estética. Uma boca mal-cuidada é uma porta para entrada de infecções que pode atingir todo o organismo do indivíduo. As palestras ajudarão a população carcerária a ter uma preocupação maior com a higiene da boca”, completa o diretor.

As palestras serão ministradas, no próprio semi-aberto, por profissionais do SESI, para turmas de até 30 presos, sempre às quartas-feiras. A perspectiva é de atender toda a população carcerária até o início de maio.

 

 

14/04/2009

CONSEG

http://www.conseg.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=856:conferencia-virtual-discute-seguranca-publica&catid=49:noticias-gerais&Itemid=226

1ª Conseg abre mais um canal de diálogo com internautas

Conectada com os avanços tecnológicos, a 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg) aposta na realização de conferências via web; Iniciativa inclui chats e fóruns virtuais para receber sugestões de cidadãos pela internet

Nesta quinta-feira (16) a 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg) realiza mais um bate-papo virtual. A partir das 16 horas, o especialista José Antônio Moroni* conversa via chat com internautas de todo o país sobre a gestão democrática da segurança pública. O objetivo é provocar o debate em torno de questões como as formas de participação social nas políticas públicas do setor.

O encontro terá duração de duas horas e todos podem participar. Cada chat promovido pela 1ª Conseg trata de um dos sete eixos-temáticos contidos no Texto-base elaborado pelo Ministério da Justiça para nortear as discussões no âmbito da Conferência. Após as discussões on-line, os interessados podem contribuir com propostas no Fórum de debates disponível no portal www.conseg.gov.br.

No último dia 8, a rodada de bate-papo foi inaugurada com a participação do secretário Nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri. Na ocasião, foram abordadas questões como a cobertura jornalística da violência e a integração das polícias. Balestreri defendeu que o Brasil precisa de "polícias inteiras". "Para integrar [as polícias] é preciso separar totalmente", disse.

Conferência virtual - Todo esse processo participativo, que inclui chat, fórum e sugestões, configura uma conferência virtual. O evento é preparatório à 1ª Conseg e as ações sugeridas no Fórum vão compor o caderno de propostas a ser votado durante a etapa nacional da Conferência, de 27 a 30 de agosto, em Brasília.

Filósofo, Moroni é membro do colegiado de gestão do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e diretor da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong).

 

 

 

13/04/2009

CONJUR

http://www.conjur.com.br/2009-abr-13/pacto-32-propostas-prioritarias-aperfeicoar-sistema-judicial

Pacto estabelece metas para aperfeiçoar a Justiça

Por Rodrigo Haidar

 

Atualizar as regras de interceptação telefônica e rever a legislação de abuso de autoridade para conter abusos policiais e judiciais. Criar colegiados de juízes em primeira instância para julgar crimes cometidos por organizações criminosas e evitar que criminosos ameacem magistrados. Instituir Juizados da Fazenda Pública nos estados. Criar ações coletivas a exemplo das class actions americanas.

Não são poucas as propostas que formam o II Pacto Republicano de Estado por um Sistema de Justiça mais acessível, ágil e efetivo, assinado nesta segunda-feira (13/4) pelos chefes dos três poderes. O acordo para agilizar o Judiciário e torná-lo mais efetivo foi assinado pelos presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva; do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes; do Senado, José Sarney (PMDB-AP); e da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP).

O II Pacto é fundado em três eixos: proteção dos direitos humanos e fundamentais, agilidade e efetividade da prestação jurisdicional e acesso universal à Justiça. O programa abarca de questões pontuais como a disciplina do uso de algemas a matérias genéricas, como o “fortalecimento das defensorias”.

Da lista de 32 propostas consideradas prioritárias para aperfeiçoar o sistema processual e judicial (veja a lista abaixo), quatro devem receber atenção especial da Secretaria de Reforma do Judiciário. O secretário Rogério Favreto disse à revista Consultor Jurídico que a sistematização da legislação processual penal é um dos primeiros pontos a ser trabalhado.

Favreto defende que é preciso dar uniformidade ao processo para evitar atos que tornam seu desfecho muito custoso. Além do processo penal, a Secretaria deve centrar seus esforços na estruturação das defensorias públicas, na revisão da lei das escutas e nas novas regras de processos coletivos. A ideia, neste último caso, é racionalizar o julgamento dos conflitos de massa para fazer com que um processo dê cabo de milhares e impeça o Judiciário de julgar centenas ou milhares de vezes a mesma coisa.

Aperfeiçoamento contínuo

No lançamento do II Pacto, o ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou que o plano privilegiou projetos já em andamento no Congresso Nacional, para dar mais agilidade ao andamento das propostas. “Estamos diante de uma agenda de aperfeiçoamento do estado Democrático de Direito”, disse.

O presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, lembrou que o primeiro pacto para tornar mais ágil a Justiça, fechado há quatro anos, resultou em leis que ajudaram a dar racionalidade ao sistema, como as que disciplinaram a Repercussão Geral e a Súmula Vinculante. No último ano, graças às medidas, o número de recursos distribuídos aos ministros do STF caiu 40%.

Nasceu também do primeiro pacto entre os três poderes a lei que uniu as fases de conhecimento e de execução dos processos. Até então, o cidadão ganhava a ação, mas não levava. O processo tramitava por anos na Justiça apenas para que o direito fosse reconhecido. Depois disso, se iniciava uma nova ação, de execução, para fazer valer aquele direito — mais alguns anos. Hoje, depois de reconhecido o direito, a execução é feita em seguida, no mesmo processo.

Mendes lembrou que graças à criação do Conselho Nacional de Justiça, com a Reforma do Judiciário de 2004, está sendo possível melhor usar as estruturas judiciárias. “A Justiça do Trabalho e a Justiça Federal podem utilizar do alcance e capilaridade da Justiça Estadual, para estarem presentes em todo o território, mediante estruturas e protocolos integrados, sem despender exagerados investimentos em organizações superpostas. Não tardará, até que o habitante de Araguatins (TO) possa solicitar sua revisão de contrato do Sistema Financeiro de Habitação sem necessidade de viajar 600 quilômetros até o Fórum da Justiça Federal em Palmas”, disse o ministro.

Veja as matérias prioritárias do Pacto

1 — Proteção dos Direitos Humanos e Fundamentais

1.1 Atualização da Lei nº 9.296, de 1996, estabelecendo novas condições para o procedimento de interceptação telefônica, informática e telemática, objetivando evitar violação aos direitos fundamentais.

1.2 Revisão da legislação relativa ao abuso de autoridade, a fim de incorporar os atuais preceitos constitucionais de proteção e responsabilização administrativa e penal dos agentes e servidores públicos em eventuais violações aos direitos fundamentais.

1.3 Atualização da disciplina legal das Comissões Parlamentares de Inquérito.

1.4 Legitimação da propositura da Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental por pessoas lesadas ou ameaçadas de lesão por ato do Poder Público.

1.5 Disciplina do mandado de segurança individual e coletivo, em especial quanto à concessão de medida liminar e aos recursos.

1.6 Sistematização da legislação processual penal, conferindo-se especial atenção à investigação criminal, recursos, prisão processual, fiança, liberdade provisória e demais medidas cautelares.

1.7 Alteração do Código Penal para dispor sobre os crimes praticados por grupos de extermínio ou milícias privadas.

1.8 Revisão da legislação sobre crime organizado, lavagem de dinheiro, perdimento e alienação antecipada de bens apreendidos, no sentido de tornar mais eficiente a persecução penal.

1.9 Revisão da Lei de Execução Penal, no sentido de aperfeiçoar o sistema carcerário, garantindo tanto a função ressocializante da pena quanto a segurança pública.

1.10 Disciplina do uso de algemas, de forma a atender ao princípio constitucional da dignidade da pessoa humana.

1.11 Aperfeiçoamento do Programa de Proteção à Vítima e Testemunha, para maior segurança e assistência ao beneficiário da proteção.

1.12 Aperfeiçoamento da legislação material trabalhista, visando a ampliar, em especial, a disciplina de novas tutelas de proteção das relações do trabalho.

2 — Agilidade e efetividade da prestação jurisdicional

2.1 Conclusão da Reforma Constitucional do Poder Judiciário e das normas relativas ao funcionamento do Conselho Nacional de Justiça, em especial das Propostas de Emenda Constitucional nº 358, de 2005 e 324, de 2009.

2.2 Aprimoramento normativo para maior efetividade do pagamento de precatórios pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios.

2.3 Regulamentação do processo e julgamento da representação interventiva perante o Supremo Tribunal Federal.

2.4 Regulamentação do processo e julgamento da ação direta de inconstitucionalidade por omissão.

2.5 Normatização da convocação de juízes para instrução de ações penais originárias nos tribunais superiores.

2.6 Revisão de normas processuais, visando a agilizar e a simplificar o processamento e julgamento das ações, coibir os atos protelatórios, restringir as hipóteses de reexame necessário e reduzir recursos.

2.7 Aperfeiçoamento do sistema de execução trabalhista para incorporar aprimoramentos já adotados no processo de execução civil.

2.8 Aperfeiçoamento do recurso de revista, do recurso ordinário e do procedimento sumaríssimo no processo trabalhista.

2.9 Instituição de sistema de uniformização de jurisprudência no âmbito dos Juizados Especiais Estaduais, na esteira do sistema Federal.

2.10 Estruturação das Turmas Recursais dos Juizados Especiais Federais.

2.11 Revisão da legislação referente à cobrança da dívida ativa da Fazenda Pública, com vistas à racionalização dos procedimentos em âmbito judicial e administrativo.

2.12 Atualização do Código de Defesa do Consumidor, com o objetivo de conferir eficácia executiva aos acordos e decisões dos PROCONs, quanto aos direitos dos consumidores.

2.13 Regulamentação da responsabilidade civil do Estado para estabelecer formas de reparação, em especial no âmbito administrativo, de danos provocados pelo Poder Público, bem como as formas de regresso em relação aos seus causadores.

2.14 Revisão da Lei de Improbidade Administrativa, assegurando maior eficácia na recuperação de ativos, aprimorando a gestão da Administração Pública e prevenindo ações indevidas e malversação de recursos públicos.

2.15 Criação de colegiado para julgamento em primeiro grau nos casos de crimes de organizações criminosas, visando a trazer garantias adicionais aos magistrados, em razão da periculosidade das organizações e de seus membros.

2.16 Atualização da Lei Orgânica da Magistratura – LOMAN.

2.17 Nova disciplina constitucional para Medidas Provisórias.

3 — Acesso universal à Justiça

3.1 Fortalecimento da Defensoria Pública e dos mecanismos destinados a garantir assistência jurídica integral aos mais necessitados.

3.2 Revisão da Lei da Ação Civil Pública, de forma a instituir um Sistema Único Coletivo que priorize e discipline a ação coletiva para tutela de interesses ou direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos, objetivando a racionalização do processo e julgamento dos conflitos de massa.

3.3 Instituição dos Juizados Especiais da Fazenda Pública no âmbito dos Estados e do DF, com competência para processar, conciliar e julgar causas cíveis, de pequeno valor, de interesse dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

 

 

 

13/04/2009

SUSEPE

http://www.agenciaprisional.go.gov.br/noticias/noticia_pub.php?publicacao=52915

Ministério da Justiça oferece cursos à distância

 

O Telecentro em Goiás do Projeto de Educação à Distância (EAD), do Ministério da Justiça, abre, na próxima segunda-feira (20/04), inscrições para 27 cursos de capacitação em diversas áreas de aprendizagem. As inscrições são limitadas e podem ser feitas, até o dia 23/04 (quinta-feira), no site www.mj.gov.br/ead. Os cursos são gratuitos e destinados aos profissionais da Segurança Pública.
Os cursos à distância do Ministério da Justiça (MJ) são equiparados aos cursos presenciais, porém são integralmente à distância. O acesso pode ser feito do próprio telecentro ou em qualquer horário e local, bastando ter acesso à internet.

Cursos oferecido

O Ministério da Justiça está oferecendo os seguintes cursos à distância: Conteúdos do Bloco Investigação Criminal; Ocorrências Com Produtos Perigosos; Representação Facial Humana; Redação Oficial; Português Instrument al; Sistema de Comando de Incidentes; Segurança Pública sem Homofobia; Elaboração de Materiais para Educação a Distância; Licitações e Contratos Administrativos; Sistemas e Gestão em Segurança Pública; Gerenciamento de Crises; Emergencista Pré-Hospitalar – EPH; Técnicas não-letais de Atuação Policial – TNL; Identificação Veicular; Polícia Comunitária; Crimes Ambientais; Formação de Formadores em Inst. Estaduais e Mun. – FFSP; Atendimento Policial às Mulheres Vítima de Viol. Doméstica; Saúde ou doença: em qual lado você está?; Uso Progressivo da Força – UPF; Local do Crime: isolamento e Preservação – PLC; Tráfico de Seres Humanos – TSH;Violência, Criminalidade e Prevenção – VCP; Direitos Humanos – DH; Combate à Lavagem de Dinheiro; Uso das Informações na Gestão das Ações de Seg. Pub.– UIG e Curso Busca e Apreensão – BEA.

 

 

 

 

 

13/04/2009

STF

Ministro Gilmar Mendes diz que novo Pacto Republicano abrangerá todo o sistema de Justiça

Durante a cerimônia de assinatura do II Pacto Republicano de Estado, na manhã desta segunda-feira (13), o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, afirmou que o foco do trabalho estará difundido em todo o sistema de Justiça com ações concretas para fortalecer as Defensorias Públicas, o Ministério Público, a advocacia e as forças policiais. Ele citou a Reforma do Judiciário, primeiramente concretizada na Emenda Constitucional 45, como resultante do primeiro pacto republicano que modernizou a Justiça brasileira, com grande participação da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Gilmar Mendes ressaltou dez metas nacionais do Judiciário estabelecidas para 2009 no intuito de reduzir as desigualdades entre os diversos segmentos do Judiciário. Entre elas está o compromisso de identificar e julgar todos os processos distribuídos (aos juízes) até 2005.

O presidente do Supremo citou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como coordenador e planejador das atividades da Justiça, seja em mutirões carcerários, na virtualização das Varas de Execução Criminais, na construção de Casas de Justiça e Cidadania e no projeto Começar de Novo – que envolve crianças em risco ou em conflito com a lei em atividades de reinserção – entre outros. Esses projetos são considerados fundamentais para a celeridade e maior cobertura da Justiça nas comunidades. Segundo Mendes, o Judiciário vem fazendo bom uso da tecnologia para compartilhar dados e cadastros atualizados.

Ele garantiu que o Poder Judiciário “assume o compromisso com a melhoria constante de suas estruturas, como protagonista de suas próprias mudanças”.

Trabalho conjunto

Gilmar Mendes lembrou que deve haver perfeita sintonia na execução dos projetos para o novo pacto e disse que quanto mais abrangente, criteriosa e participativa for a atuação do Legislativo, melhor, mais eficiente e legítimo será o processo de aperfeiçoamento das instituições democráticas. “Só um Congresso permanentemente aberto, ativo e altivo pode garantir o Estado Democrático de Direito”, resumiu.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou, em seu discurso, que, como no primeiro pacto, o aperfeiçoamento dependerá de todos os poderes trabalharem juntos, sem corporativismo. “Ninguém aqui está defendendo seu próprio espaço. Nós estamos é dando para o País uma cara de democracia”, afirmou. E ainda incentivou a capacidade de promover mudanças – mesmo que elas sejam feitas na Constituição, que em 2009 completará 21 anos.

Legislativo

O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, destacou o fato de o primeiro pacto, assinado em 2004, ter possibilitado o desenvolvimento de mais de 20 projetos criados por força do acordo. Já o presidente do Senado Federal, José Sarney, afirmou que o pacto significa o aprofundamento da democracia e a boa aplicação da Justiça num ambiente de harmonia entre os três Poderes.

Ele observou que com a concretização das metas previstas no pacto a polícia deverá respeitar os direitos humanos e a qualidade das provas e também a forma de conduzir a investigação. E pediu a participação dos estados num esforço nacional para alcançar o que propõe o acordo.

Entrevista

Ao deixar o Palácio do Buriti, onde ocorreu a assinatura do acordo, o ministro Gilmar Mendes falou a jornalistas da importância de serem aprovadas leis sobre abuso de autoridade, sobre Comissões Parlamentares de Inquérito e sobre interceptações telefônicas. Ele destacou as necessidades de os processos judiciais serem mais rápidos, seja na esfera cível ou criminal e de melhora e uniformização dos juizados especiais federais e cíveis. Além disso, disse que as Varas de Execução Criminal deverão ser virtualizadas.

O ministro explicou que o pacto enfatizará a celeridade da Justiça e dos julgamentos, a segurança jurídica e a defesa dos direitos humanos – no que diz respeito, por exemplo, à interceptação de conversas, a abuso de autoridade e a outras medidas ligadas ao encarceramento e ao excesso de prisões provisórias.

Na cerimônia de assinatura do II Pacto Republicano de Estado, o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, afirmou que o foco do trabalho estará difundido em todo o sistema de Justiça, com ações concretas para fortalecer as Defensorias Públicas, o MP, a advocacia e as forças policiais.

 

 

13/04/2009

http://www.arquidiocesedegoiania.org.br/site/component/content/article/64-noticias/553-debate-sobre-seguranca-publica-e-juventude.html

Debate sobre Segurança Pública e Juventude

A integrante das coordenações nacional e arquidiocesana da Pastoral Carcerária, irmã Petra Pfaller, participa da 2ª edição do ciclo de debates sobre Segurança Pública e Juventude, no dia 16 de abril, quinta-feira, às 19h, no Auditório da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás (UFG), no Setor Universitário, em Goiânia.

O tema da discussão é “Segurança Pública, um Direito Humano”. A proposta é aprofundar a discussão sobre segurança publica entre educadores de adolescentes e jovens. Participam ainda da mesa debatedora o secretário de Segurança Pública de Goiás Ernesto Roller, o deputado estadual Mauro Rubem e o coordenador estadual de educação para a diversidade, Sebastião Donizete Carvalho.

O Ciclo de debates é promovido pela Casa da Juventude Padre Burnier, em parceria com entidades religiosas e sociais de Goiânia. São disponibilizadas 500 vagas e uma nova edição do debate está marcada para 14 de maio. Mais informações e inscrições, pelo telefone (62) 4009-0339 ou pelo e-mail: recepcao@casadajuventude.org.br

 

 

 

 

13/04/2009 19:34 - POLÍCIA

www.opopular.com.br

Sistema prisional goiano recebe armas e munições

 Agência Goiana de Comunicação

A Secretaria da Segurança Pública entrega às 9h30 de amanhã, dia 14, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, 208 pistolas (Taurus ponto 40), 94 espingardas (calibre 12), 10 mil munições (ponto 40) e 2,5 mil munições menos que letais (borracha) às unidades prisionais de todo o Estado. A entrega será realizada pelo secretário, Ernesto Roller, e pelo superintendente do Sistema de Execução Penal (Susepe), Edilson de Brito.

As armas e munições que serão entregues representam um investimento de R$ 600 mil e fazem parte do projeto de reaparelhamento do sistema prisional goiano que, neste ano, significa um investimento de cerca de R$ 1,5 milhão em armamentos e equipamentos letais e menos que letais. Os recursos são originários de convênios com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

 

 

 

 

13/04/2009

Comunidade Segura

http://www.comunidadesegura.org/pt-br/MATERIA-grupos-reflexivos-pela-desnaturalizacao-da-violencia

Grupos reflexivos pela desnaturalização da violência

Flávia Resende

 

Na semana em que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou resultados dos dois anos de vigência da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), o estado de Minas Gerais mostrou que nem sempre a pena restritiva de liberdade é a única que garante a efetividade da lei.

Segundo a avaliação do CNJ, dos 150.532 processos que tramitam em 23 tribunais de justiça do país (com exceção dos tribunais de Rondônia, Roraima, Rio Grande do Norte e Paraíba, que não repassaram as informações ao CNJ), apenas 2% dos casos, ou seja, 1.801 casos geraram pena de prisão.

Em Minas, um dos caminhos encontrados para o trato da violência contra mulher e a violência familiar, que também é abrangida pela Lei Maria da Penha, passa por outras alternativas à pena de prisão.

Bons exemplos são os grupos reflexivos para homens – o grupo Andros – e para mulheres – o grupo V.I.D.A (Violência Interrrompida, Direito e Ação) –  ambos realizados pelo Instituto Albam, ONG especializada em violência de gênero. Os grupos reflexivos tornaram-se possíveis graças a parcerias firmadas com o Tribunal de Justiça e a Promotoria de Defesa da Mulher para combate à violência de gênero e familiar.

O Andros existe há quatro anos – é anterior, portanto, à Lei Maria da Penha. Foi criado pelo Tribunal de Justiça e o Instituto Albam para tratar de crimes de menor potencial ofensivo que atingem sobretudo as mulheres, tais como lesão corporal leve, ameaça, violação de domicílio, entre outros, e que não tinham tratamento especial indo para os Juizados Especiais Criminais (Jecrim).

Segundo a psicóloga Fátima Pessali, sócia fundadora do instituto, a parceria com o Jecrim veio para tratar os casos de violência doméstica e intrafamiliar de forma diferenciada. "Os juizes decidiam por penas pecuniárias, pagamento de cestas básicas e prestação de serviços à comunidade que não resolviam os problemas de violência de gênero. Muito pelo contrário, acabavam por banalizar tão grave problema", conta.

Fátima lembra que foi a partir destas observações e de um projeto desenvolvido pelo departamento psicossocial do Juizado que nasceu o grupo. “Pensamos em um projeto em que o objetivo principal seria responsabilizar os homens que exercem violência contra mulheres através de intervenções grupais e com caráter psicoeducativo e reflexivo”, relembra.

O Andros trabalha com grupos de homens em Belo Horizonte, Neves e outras cidades, recebendo homens que praticaram tanto crimes de menor potencial ofensivo como os crimes abrangidos pela Lei Maria da Penha. Tudo depende do encaminhamento que os juízes e a promotoria dão aos acusados.

 

Segundo a promotora Laís Maria Costa Silveira (foto), 90% dos casos que chegam à Promotoria de Justiça são crimes de ameaça e lesões corporais leves, que poderiam ser tratados com outras penas e o grupo reflexivo é uma alternativa para o trato da violência.

A brecha na lei para justificar a medida para os homens foi encontrada no artigo (artigo 22, da Lei 11.340/2006) que propõe um rol de medidas de proteção às mulheres, que não é taxativo. “Na parte que permite o aplicador da lei obrigar o acusado a freqüentar determinados lugares, nós achamos a brecha para que os homens pudessem ser encaminhados para os grupos”, explica.

Tempo de refletir

Os homens chegam ao grupo reflexivo por duas vias: encaminhados pela Promotoria em cumprimento a uma medida cautelar enquanto o processo é julgado pelo juiz da vara especializada nos crimes da Lei Maria da Penha, ou através de uma medida sócio-educativa de um crime de menor potencial ofensivo, encaminhado pelo Juizado Especial Criminal.

É o caso do técnico adminstrativo A.J.S., que está cumprindo uma medida alternativa por crime de desacato. Segundo ele, por causa de uma briga com a ex-mulher quanto ao horário de visitas do seu filho, ela chamou a polícia e ele, muito nervoso, acabou brigando com os policiais e foi preso.

No Juizado, durante a audiência, para não prosseguir o processo ele acabou fazendo uma transação penal com o Ministério Público, preferindo juntar-se ao grupo reflexivo de homens a ter de suportar uma condenação processual e possível pena de prisão. Foram 16 encontros no grupo. Segundo ele, apesar de se sentir injustiçado por achar que a mulher também deu causa ao conflito entre eles, freqüentar o Andros foi positivo.

"Eu sou contra a violência. Mas as mulheres também são mais agressivas hoje do que há um tempo. Eu acho que deveria ter um grupo também pra elas", sugere. "Aqui a gente aprende pela experiência do outro. Pensamos: se ele agiu assim e aconteceu isto, eu posso fazer diferente", explica.

O segurança G.S., apesar de também se sentir injustiçado pois, segundo ele, a mulher também deu causa a sua prisão, gostou da primeira experiência com o grupo. “Achei gostoso. Eu pude falar, ouvir, pegar algumas orientações e ainda tirei base da experiência das outras pessoas”, conta.

G.S chegou ao grupo por causa do descumprimento de uma medida protetiva que o impedia de chegar próximo a sua ex-mulher, mas ele acabou a agredindo, pois se sentia impedido de ver o filho, culminando em mais uma medida cautelar, desta vez para o grupo reflexivo.

Para Alessandro Vinícius, psicólogo e coordenador do grupo, o sentimento de injustiça dos homens que chegam para cumprir a medida é normal. “Eles chegam fragilizados, custam a entender a responsabilidade deles no ato que os trouxe aqui”, afirma. “Nossa função é fazer que eles vejam a situação pelo outro lado, daquele sofreu a violência. Se eles entenderem a sua responsabilidade no fato que aconteceu, podem mudar de conduta”, explica.

Para Alessandro, a culpabilização do indivíduo não leva necessariamente a uma mudança. O processo psico-pedagógico pode ser mais eficaz nesses caos. "Aqui há espaço para trocas de informações, orientações e tem ainda o viés psicológico. Mexemos com padrões, outros pontos de vista e sentimentos", conta.

A promotora Laís vai além. Segundo ela, os grupos reflexivos são condições de eficácia concreta da Lei Maria da Penha, uma vez que a lei não tem condições de vigorar somente pelo lado jurídico. "Nós juízes, promotores, policiais e demais operadores do direito somos incapazes de aplicar a lei”, acredita. “É preciso que uma equipe multidisciplinar dê conta disso", defende.

Mulheres agressivas?

 

O que não pode faltar em qualquer reflexão é o outro lado da questão. Pensando nisto, a Promotoria de Defesa da Mulher criou num grupo espelho ao de homens, o V.I.D.A, para onde as mulheres vítimas de agressão são encaminhadas caso queiram tratar do seu lado na violência.

Segundo a psicóloga Lucy Diniz, coordenadora do grupo, a abordagem no grupo para mulheres é um pouco diferente já que a participação é voluntária. “As mulheres chegam muito fragilizadas, com auto-estima baixa e se sentem incapazes de nenhuma ação”, afirma Luzy.

A professora Zélia Lúcia é uma das muitas que freqüenta o grupo por causa de agressões sofridas pelo filho. Ela conta que foi a primeira vez que ela o denunciou e o tirou de casa, em 30 anos de sofrimento. “Com o grupo, eu tenho me sentido mais forte pra lidar com as minhas decisões. Sozinha você pensa que não é capaz. Aqui, todas nós temos problemas parecidos”, declara.

A dona de casa Beatriz do Carmo, agredida pelo marido, não consegue abandonar o grupo. Começou em Contagem e quando as sessões de lá terminaram, veio freqüentar o grupo de Belo Horizonte. Ela conta que foi agredida pelo marido após 20 anos de casamento. “O meu pai também agredia a minha mãe. Hoje, vejo que também tive participação na agressão que sofri”, reflete.

Para a psicanalista Malvina Muskat, a violência de gênero deve ser vista sob múltiplos pontos de vista. "Será a mulher totalmente passiva diante da violência?", polemiza. Ela acredita na eficácia em grupos reflexivos tanto para mulheres como para os homens. "A punição não é suficiente. Muitos homens são violentos e acham que tem o direito de ser. A violência pra eles, muitas vezes é uma forma de por fim ao conflito", acredita. "Os homens precisam ser compreendidos e ouvidos. Isto não quer dizer que os estamos desculpando pela violência. Mas, que é preciso uma oportunidade de escuta para esses homens", defende.

Resultados

Segundo Amanda Alcântara Peixoto, assistente social do Programa Central de Penas Alternativas (Ceapa) da Secretaria do Estado de Defesa Social (Seds), responsável por monitorar o cumprimento das medidas sócio-educativas dos homens encaminhados pelo Jecrim, ainda não existem números oficiais que comprovem, ou não, a eficácia dos grupos reflexivos de homens no trato com a violência de gênero e intra-familiar, no estado.

Ela explica que os juizes do Juizado Especial, no final do cumprimento da medida pelo acusado, marcam a audiência de multitransatores, que consiste num encontro entre 20 homens que passaram pelos grupos reflexivos, os psicólogos do Instituto Albam e um técnico do Ceapa, a fim de analisarem os resultados dos grupos.

Nesta audiência,segundo ela, os homens costumam ficar muito arredios por causa da presença do juiz, mas quando se dirigem aos técnicos que acompanharam a sua medida-educativa, eles costumam se abrir mais, demonstrando que tiveram benefícios. "A postura, as reflexões que alguns homens nos trazem, mostram que eles aprenderam que a conversa é melhor que a agressão, ou seja, que a violência começa a ser desnaturalizada", avalia.

Segundo Silveira, a promotoria também não dispõe de números ou cruzamento de dados para saber se os homens que passaram pelos grupos voltaram a delinqüir. Mas ela explica que um dos benefícios concretos, é que o juiz pode diminuir a pena caso o acusado tenha tido boa freqüência no grupo reflexivo.

No entanto, o que a promotora julga mais importante nesta iniciativa, é a oportunidade promovida pelos grupos reflexivos a homens e mulheres. "Do mesmo modo que as mulheres reproduzem a violência sofrida para filhos e filhas, entendemos que os homens também são repetidores de condutas das quais eles são herdeiros. Ambos precisam tomar consciência do ciclo do qual são parte", conclui.

 

 

 

13/03/2009

O Estado de Minas

http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_3/2009/04/13/em_noticia_interna,id_sessao=3&id_noticia=106272/em_noticia_interna.shtml

Sarney diz que vai trabalhar pela reforma do Código de Processo Penal

O presidente do Senado, José Sarney, disse nesta segunda-feira, durante a assinatura do Pacto Republicano de Estado por um Sistema de Justiça mais Acessível, Ágil e Efetivo, que fará o possível para que o Congresso Nacional agilize a reforma no Código de Processo Penal brasileiro. “O Brasil não será um país justo enquanto o Código de Processo Penal permitir que advogados hábeis arrastem os processos indefinidamente”, afirmou Sarney.

A mesma estrutura que permite que os processos não se concluam, segundo o presidente do Senado, também propicia que um terço dos presos no sistema prisional sejam provisórios – o que significa que eles poderiam estar respondendo ao processo em liberdade. “A discussão e a aprovação do Código de Processo Penal é uma das prerrogativas do presente pacto”, afirmou Sarney em discurso.

O presidente do Senado também falou sobre a importância do pacto para equilibrar a força dos Três Poderes e sobre a parte que caberá ao Legislativo no acordo. “Este segundo pacto implica em uma longa lista de proposições a serem analisadas pelo Poder Legislativo. Desde uma nova regulamentação do funcionamento das CPIs, passando pela legislação aos delitos de improbidade administrativa, abuso de autoridade e formação de milícias armadas, até o aperfeiçoamento do programa de proteção à vítima”, afirmou Sarney, lembrando que há quatro anos foi assinado o primeiro pacto republicano que promoveu a reforma do Judiciário.

 

 

 

12/04/2009

CONJUR

http://www.conjur.com.br/2009-abr-12/pais-bbb-judiciario-instrumento-harmonia-social

No país do BBB, Judiciário é instrumento de paz social

Por David Prado

 

“Vivemos no país do BBB!..." A exclamação, em tom de lamento, é do advogado, professor, escritor e ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior. "A sociedade está absolutamente desorientada pela grande prevalência dos veículos de comunicação e pelo enfraquecimento dos meios de controle sociais informais.” Para ele, o brasileiro trocou o “sucesso do ideal” para buscar o “ideal do sucesso”. 

É nesse contexto que florescem mentalidades como a que ele chama de "ilusão do Direito Penal". "Em anos de eleições, os políticos sempre apresentam projetos absurdos em matéria penal só para poderem dizer no horário eleitoral: 'Eu ajudei a aprovar a Lei de Crimes Hediondos'", exemplifica. Foi assim que surgiram leis como a dos Crimes Hediondos e a Lei Maria da Penha. Outros projetos só não foram à frente por excesso de absurdo: "Já tentaram fazer a Lei de Sequestro de Ônibus e a Lei dos Pais que Atiram os Filhos pela Janela". 

Razão para otimismo, só a atuação do Supremo Tribunal Federal, que tem tido sabedoria para preencher os vazios que se abrem na política e na sociedade. "O STF tem assumido um papel quase de ordenador, especialmente da estrutura política". Para isso, a corte tem se valido de institutos como o Mandado de Injunção para suprir omissões do Poder Legislativo.

Quanto ao Judiciário em geral, Reale Júnior lembra que ele é um instrumento de paz e harmonia social. "Onde há juiz existe paz, desde que ele saiba que o seu papel é de conciliação. Ele é autoridade absolutamente respeitável, capaz de impor-se e estabelecer o termo de convivência", diz. A realidade, é verdade, nem sempre corresponde a esse ideal de harmonia. Miguel Reale Júnior lamenta os casos de corrupção nos quais o Judiciário é acusado, e não se conforma com o desvirtuamento de experiências originalmente alvissareiras, como os Juizados Especiais.

Em entrevista à revista Consultor Jurídico, o também escritor Miguel Reale Jr. revela detalhes sobre o seu terceiro romance O Juramento, livro que aborda o conflito geracional entre pais e filhos no interior de Minas Gerais no fim da década de 1940. Presidente do Conselho do Instituto Pro Bono, Reale fala também da importância da advocacia voluntária para a sociedade. “A advocacia pro bono é um ônus que o profissional tem, um dever social, que só honra a advocacia”. Na entrevista, o jurista defende uma reforma no Código Penal e fala do legado deixado por seu pai, o jurista Miguel Reale, para o Direito brasileiro.

Participaram da entrevista os jornalistas Aline Pinheiro e Mauricio Cardoso.

Leia a entrevista:

ConJur — O que o leitor pode esperar do seu mais novo livro, o romance O Juramento?

Miguel Reale Jr. — Este é o meu terceiro romance, mas não policial, como os anteriores. O Juramento também se situa no passado mais distante, em 1948, na cidade mineira de Pouso Alegre. Entre os principais dados de realidade histórica que a obra traz está a de que Pouso Alegre foi o único lugar no Brasil a ter um campo de prisioneiros de guerra. Eram prisioneiros alemães que tinham sido detidos depois de aportar em águas brasileiras. O romance relata um confronto de valores entre a geração do século XIX e meados do século XX, e seus filhos. Uma família tradicional mineira, Paiva Lisboa, enfrenta novas formas de vida. O livro demonstra que mesmo numa sociedade tradicional e com padrões religiosos, não há um segredo na transmissão de valores e de comportamento para os filhos. A família vive então uma grande decepção com seus herdeiros. Há um confronto de valores porque há um filho homossexual, outro viciado em drogas e outro comunista. Marca o surgimento de uma nova mentalidade, novas manifestações de liberdade que vão de encontro aos valores tradicionais da aristocracia rural.

ConJur — Pode-se fazer alguma relação aos tempos de hoje?

Miguel Reale Jr. — É um pouco difícil, já que vivemos hoje em uma sociedade em radical mudança. Na década de 50, a sociedade ainda estava se instalando. Houve uma transformação fundamental, houve mudanças, uma grande evolução. Essa transformação começa nos anos 50, no pós-guerra, e alcança o seu ápice na geração dos anos 60, especialmente em 1968, que é a grande transformação da libertação sexual, da afirmação da mulher, do processo mais galopante da industrialização, da urbanização. E hoje mudou muito. Vivemos uma mudança mais grave, que é a desordenação da sociedade. Ela está absolutamente desorientada pela grande prevalência dos veículos de comunicação e pelo efetivo enfraquecimento dos meios de controle social informais.

ConJur — Como o senhor define a sociedade hoje?

Miguel Reale Jr. — Nós vivemos em uma sociedade de receio, de paúra, de incomunicabilidade, de antissocialidade. As pessoas não participam mais dos problemas dos outros, não se cumprimentam nos elevadores, são indiferentes, têm medo. Essa tão propalada sociedade do risco vive um imenso individualismo, momento em que se passou do “sucesso do ideal para o ideal do sucesso”. As pessoas não têm mais o ideal, só buscam o sucesso. Os referenciais que nós temos hoje são as celebridades criadas pelos meios de comunicação. Nós estamos no país BBB, do presidente da República BBB. Só presidente BBB lança camisinha do palanque carnavalesco. Uma sociedade imensa que, a partir dos anos 50, passou a questionar os controles sociais — a família, a igreja, a escola, o sindicato, o clube, a própria sociedade como um todo — que antes eram inquestionáveis. Estes instrumentos de controle foram contestados ao longo do tempo como no “É Proibido Proibir”, que aborda a liberdade sexual e a afirmação feminina. Mas hoje não existe absolutamente referencial valorativo. A crise de hoje é muito mais profunda porque não existem referenciais. Não há desenvolvimento da personalidade como havia na geração de 68. O jovem afirmava o seu modo de ser e isso significava autonomia. Hoje perdeu-se a capacidade de autonomia.

ConJur — De que maneira a sociedade de hoje influencia o Judiciário?

Miguel Reale Jr. — O Judiciário está dentro da sociedade. O Judiciário hoje, infelizmente, está muito envolvido moralmente com a corrupção. Isso conforme dados passados pelo próprio corregedor-geral do Conselho Nacional de Justiça. Corrupção no Espírito Santo, no Maranhão, no Piauí, na Bahia, no próprio Superior Tribunal de Justiça, e com níveis preocupantes nas justiças estaduais. Numa sociedade de medo, em que esses controles sociais não mais funcionam, as pessoas se perguntam: “Como é que eu vou ter segurança”? E a segurança cai na vala comum do Direito Penal. Como existe um vício brasileiro de imaginar que a realidade se revolve pela lei, passamos a ter uma criação vertiginosa de leis penais que têm valor meramente simbólico. Como se os brasileiros pudessem dizer: “Ah, já que existe uma lei penal, eu vou dormir tranquilo”, o que é uma mentira.

ConJur — De que forma podemos observar essa desorganização da sociedade brasileira?

Miguel Reale Jr. — A sociedade é politicamente desorganizada. Não existe um centro de poder que imponha respeito. O próprio presidente faz do comportamento educacional baixo um modo de se fazer popular. Ele não transmite comportamentos. O Senado não transmite comportamentos, a Câmara dos Deputados não transmite comportamentos. Passa a ter um papel fundamental o Supremo Tribunal Federal, que fica preenchendo vazios.

ConJur — Qual é o papel do STF nesse vazio da sociedade?

Miguel Reale Jr. — Ao contrário do que se estabeleceu durante muitos anos, o STF tem assumido um papel quase de ordenador, especialmente da estrutura política. Eu fiz um dos primeiros Mandados de Segurança de Inconstitucionalidade por Omissão. A Constituição estabelecia em 70 o número máximo de deputados por estado, dependendo de Lei Complementar. São Paulo era o único que poderia ter 70 deputados. Entrei com Mandado de Injunção para que o Supremo legislasse na ausência da atividade legislativa para conceder as cadeiras para São Paulo. Perdi por seis a cinco, mas o Supremo recomendou ao Congresso que legislasse. O Congresso não legislou e entrei com uma Reclamação quanto à ordem judicial. O Supremo também não legislou, mas fez uma outra reprimenda, que levou o Congresso a criar a Lei Complementar que deu 70 lugares de representação para São Paulo na Câmara. O Supremo tinha muito cuidado e dizia “não vou legislar, não vou interferir em outro campo”, numa medida que era claramente uma omissão do Congresso. Agora vêm o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo e legislam em matéria constitucional, como por exemplo, na questão da fidelidade partidária, que impõe a perda do mandato, como está previsto na Constituição. São matérias da reforma política que o Legislativo não faz e que o Supremo achou que deveria fazer.

ConJur — O Supremo não está indo além de suas atribuições?

Miguel Reale Jr. — O STF está indo além de suas funções porque criou-se um vazio. Ele não iria além se houvesse uma atuação responsável do Congresso Nacional, que não produz nada de relevante. O Congresso produz medidas provisórias e algumas leis penais, sempre dentro daquela mentalidade da ilusão penal. Quando fui ministro da Justiça, meu grande trabalho em ano eleitoral era impedir que se votassem projetos de leis penais, tamanho eram os absurdos das propostas. Não há ano eleitoral que resista ao aparecimento de normas penais de grande apelo para que depois os deputados, gloriosamente, possam dizer no horário eleitoral “olha, eu participei da elaboração da lei que puniu tal coisa”. É uma ilusão imaginar que leis mais rigorosas vão reduzir a criminalidade.

ConJur — O Direito Penal pode ser considerado instrumento de segurança pública?

Miguel Reale Jr. — Tanto o governo federal como o Congresso são indiferentes a qualquer política criminal de cunho social. Isso estava num diagnóstico do sistema criminal de uma comissão que eu presidi em 2000, com várias propostas de política criminal, que não foram postas em prática. Porque reina sempre a lei do mínimo esforço. “Ah, existe um problema? Então vamos criar a lei penal”. Em 2002 foi criada no Congresso uma Comissão Mista de Segurança Pública, de onde saíram os maiores absurdos. Um deles nasceu com o sequestro do ônibus 174, fato que rendeu um filme que quase foi indicado ao Oscar. Na época, a Câmara dos Deputados ganhou o Oscar da imbecibilidade. Foi criado um projeto de lei, do qual eu consegui segurar a votação, que tipificava o “sequestro de ônibus” com pena mínima de 20 anos. Recentemente, criaram a figura de matar o filho jogando pela janela, por causa do caso Nardoni.

ConJur — O Congresso acaba de aprovar a lei do sequestro-relâmpago. Há necessidade de aprovar leis para tipificar crimes tidos como novos?

Miguel Reale Jr. — Eu fiz parte da comissão que criou a figura do sequestro-relâmpago. Pode-se até criticar a descrição, mas já existe e tem pena elevada.

ConJur — A pena, agora, pode chegar a 30 anos.

Miguel Reale Jr. — Trinta? Isso é jogar para a platéia.

ConJur — A Lei dos Crimes Hediondos foi oportuna?

Miguel Reale Jr. — A Lei dos Crimes Hediondos foi o maior blefe que já houve neste país. As fontes legislativas no Brasil são: a lei, a doutrina, a jurisprudência e a televisão. Em 1990, às vésperas do processo eleitoral, foi sequestrado Roberto Medina, jornalista de conhecida rede televisiva. Em função do sequestro, cria-se a Lei dos Crimes Hediondos e se estabelece o rigor na execução da pena. O que aconteceu depois de 1990? Multiplicou-se por dez o número de sequestros no Rio [de Janeiro]. Então não é a lei penal. Essa lei é inconstitucional porque impede o cumprimento individualizado da pena e a progressão de regime. Mas o Supremo, na época, entendeu que não era inconstitucional. Então foi criada uma comissão e nós propusemos uma outra legislação chamada Crimes de Especial Gravidade em que se estabelecia a progressão — mais rigorosa do que está no Código Penal, que é tênue demais.

ConJur — Como esse projeto foi avaliado pelo Legislativo?

Miguel Reale Jr. — O texto iria para votação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. O Antônio Carlos Magalhães, que presidia a CCJ [Comissão de Constituição e Justiça], viu naquilo benefícios aos outros criminosos do país. O caso foi parar no Jornal Nacional e houve um "estrondo" no país. A tal ponto que, erradamente, o governo se acovardou e retirou o projeto. Muda a composição do Supremo e, por maioria, os ministros dizem que a Lei dos Crimes Hediondos é inconstitucional e determinam que não poderia haver a proibição de passagem de um sistema rigoroso para outro menos rigoroso e também proibiram o cumprimento da pena integral em sistema fechado. Nessa hora, todos os juízes que decidiram em contrário passaram a decidir em função de um voto de uma decisão em Habeas Corpus e não por Arguição de Inconstitucionalidade. Se é inconstitucional a norma da Lei dos Crimes Hediondos, vai se aplicar o quê? Código Penal comum, que é muito tênue. Aí vem o Congresso e aprova o projeto que nós tínhamos feito. É piada ou não é? Posso acreditar nesse país? Posso levar a sério esse Congresso?

ConJur — A Lei Maria da Penha também produziu efeitos contrários aos que se propunha?

Miguel Reale Jr. — Acaba de sair um estudo de uma juíza do Rio Grande do Sul — eu já tinha escrito isso — concluindo que a Lei Maria da Penha acabou tendo um efeito perverso. Copiaram a normativa de uma lei espanhola e não perceberam qual seria o efeito. Qual foi o efeito dessa lei? Ela reduziu o número de denúncias e de fatos. As mulheres deixaram de denunciar seus maridos ou companheiros porque sabem que a denúncia é irreversível e é difícil de retornar. Elas não querem pôr o marido na cadeia, só querem que cesse a agressão. Então reduziu o número de comunicações e isto também por causa da má aplicação da lei pelos juizados especiais criminais. Virou piada.

ConJur — O Código Penal precisaria de uma reforma?

Miguel Reale Jr. — Sim. Até tenho um projeto de lei que precisa de uma comissão para reordenar a parte geral de 1984. Esse projeto está parado na Câmara há um bom tempo. A parte geral foi alterada no sistema de penas pela Lei 9.914. Foi uma coisa horrorosa. Essa lei cria etnomias absurdas que envergonham a legislação brasileira no plano internacional. A parte especial já é mais complicada. Precisa fazer uma consolidação das leis penais porque não existe lei no país que não tenha uma disposição penal. Nenhum deputado fica satisfeito de elaborar uma lei que não traga uma previsão de crime. Tudo vira crime. Então passa a haver crimes de comportamento. Meras desobediências administrativas ou a regulamentos são criminalizadas.

ConJur — Há um excesso de leis penais?

Miguel Reale Jr. — O trabalho mais difícil é o de consolidação da legislação penal extravagante brasileira. Tem lei penal para todo o lado, com penas absolutamente desproporcionais. Exemplo clássico ocorreu no ano eleitoral de 1998, quando surgiu o caso dos “bebês Shering”, cujas mães tomaram pílula de farinha no lugar de anticoncepcional. Grandes matérias nos jornais televisivos falavam sobre falsificação de remédios. O que fazem? Uma nova lei dos remédios. Mudam o Código Penal e estabelecem pena de 10 a 15 anos para adulteração de remédio. Crime hediondo. Tinha que ser, afinal de contas estávamos às vésperas da eleição.

ConJur — A lei abrange cosméticos também, não é?

Miguel Reale Jr. — Vender um shampoo com fórmula diferente daquela escrita na Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] virou crime hediondo com pena de 10 a 15 anos. O shampoo pode ser melhor, mas como a fórmula não é a inscrita na Anvisa, é crime hediondo. Lembro-me de tantos deputados que compareciam com suas manifestas inteligências no horário eleitoral dizendo: “Eu participei da elaboração da lei que transforma falsificação de remédio em crime hediondo”.

ConJur — Isso acontece também no caso da lei ambiental?.

Miguel Reale Jr. — A lei ambiental é um desastre. É a legislação mais envergonhante do Direito brasileiro. Eu a chamei de a “lei hedionda dos crimes ambientais”. É uma coisa ridícula que transforma vários crimes de comportamento em crime de desobediência. Quer dizer: deixar de respeitar um regulamento no uso de agrotóxicos é crime. Dano culposo indireto. Maltrato a plantas ornamentais tem a forma culposa. Se você escorrega e amassa a begônia do jardim do vizinho é crime.

Conjur — Um membro do Conselho Nacional de Justiça diz que as leis são produzidas, caem no limbo e só se efetivam depois que passam pelo crivo do Judiciário. O senhor concorda?

Miguel Reale Jr. — A lei é eficiente quando não é desrespeitada. Nesse caso, nem precisa ser apreciada pelo Judiciário. Evidentemente que toda lei está sujeita à interpretação. A vontade do legislador é desfeita porque a lei ganha vida própria, a lei tem a sua autonomia. O Direito é o que a interpretação for, isso é um princípio internacional. E a interpretação não está apenas na letra. Ela se faz na relação entre a lei e o fato concreto em exame. É o Judiciário que em parte vai examinar a contribuição da doutrina na aplicação ao fato concreto. E como a realidade é muito mais rica do que a lei, a realidade traz novidades sempre que a aplicação vai além daquilo que a norma diz.

ConJur — Qual a sua avaliação da atuação dos juizados especiais?

Miguel Reale Jr. — Ainda continua a haver no Brasil as audiências coletivas de juizados especiais. São 400 pessos chamadas na mesma audiência que parece um verdadeiro mercado. O juiz vai lá e faz uma conversa assim.“Olha, vocês são boas pessoas, vocês foram honestos sempre. Cometeram um pequeno erro, a Justiça vai compreender. Nós vamos perdoar. Quem concorda em pagar uma cesta básica?" O incrível é que o acordo ocorre mesmo que haja erro na autoria do crime ou em casos em que não há crime. E o juiz diz “isso é pra depois, isso não interessa”. Muitos advogados também concordando porque eles ganham para acompanhar o cliente na audiência. E os juízes querem resolver o acúmulo de processos.

ConJur — É possível conciliar e fazer justiça com celeridade?

Miguel Reale Jr. — É possível conciliar desde que exista mentalidade para tanto. Existem juízes que sabem que estão lá para compor, promotores que sabem que tem que se fazer uma seleção. Mas via de regra, o que há é uma burocratização da Justiça, uma ausência de dedicação. É massa de trabalho: números que eu tenho que resolver, gavetas e estantes que eu tenho que esvaziar. A que preço, não importa. O problema não é processual, é social. E não encaram que por trás do processo existe gente, existe um drama, existe um conflito. Esta é uma visão positivista, processualista, que herdamos dos nossos fundadores portugueses.

ConJur — Mas o papel de resolver os problemas não é do Judiciário?

Miguel Reale Jr.— É, na medida em que o Judiciário é o grande instrumento de paz social, de harmonia social. Organizei no Ministério da Justiça os “plantões sociais” nas delegacias de polícia, com psicólogos e assistentes sociais. O Judiciário tem que ser auxiliado por estes profissionais, este é seu papel. Onde há juiz, existe paz desde que ele saiba que o seu papel é de conciliação. Ele é a autoridade absolutamente respeitável que é capaz de impor-se e estabelecer o termo de convivência.

ConJur — Qual seria o prazo razoável de tramitação de um processo?

Miguel Reale Jr. — Não existe o prazo razoável do processo. O processo exige uma complexidade de provas, de elementos de análise de busca de documentos, de análises periciais. Então tem vários problemas sérios de perícia que muitas vezes demandam tempo. O que não é razoável é que o processo fique quatro anos para ser distribuído no Tribunal de Justiça. Porque ali não está sendo feito prova. Ele está parado.

ConJur — Como é que o senhor avalia o trabalho do CNJ?

Miguel Reale Jr. —  O Conselho Nacional de Justiça, contra o qual a magistratura se colocou tão ardorosamente tem um papel fundamental. Durante a Constituinte acreditva-se que um órgão de controle traria a destruição do Judiciário. Hoje a própria AMB [Associação dos Magistrados Brasileiros] reconhece que precisa de um órgão de controle. Porque a corrupção contaminou grande parte do Judiciário brasileiro. O nepotismo é um exemplo muito claro. Já está previsto na Constituição quando ela diz que tem que haver o respeito ao princípio da impessoalidade. Depois veio a Lei dos Servidores Judiciários e Federais de 1996 [Lei 11.416/06], que proibiu o nepotismo. E não era cumprida. Agora tem a Portaria 4 do CNJ que proibiu essa prática.

ConJur — O economista Albert Fishlow diz que a estabilidade econômica e política do Brasil foi mais obra do Judiciário do que do Executivo e do Legislativo. O senhor concorda?

Miguel Reale Jr. — O Judiciário, depois da Constituição de 1988, sofreu uma imensa demanda. Havia uma litigiosidade contida. Mas, ao mesmo tempo, tem um dado assustador: o Judiciário brasileiro é dos Judiciários do mundo que tem o maior número de processos, mas é o que tem o menor número de partes. As partes são as grandes corporações, as grandes empresas, ou o Estado, seja a União, os estados e os municípios, que açambarcam 80% do Judiciário. Então, a maior parte da população não tem acesso ao Judiciário.

ConJur — Mas o juizado especial foi criado com a ideia de ampliar o acesso à Justiça.

Miguel Reale Jr. — Foi criado com essa ideia e funciona. O juízo cível especialmente tem funcionado bem. Alguns da Justiça criminal até funcionam, mas a maioria tem se transformado numa “fábrica de soluções rápidas legais”. Mas, agora, não sei por quê, o Judiciário virou fonte de segurança jurídica. As decisões dos tribunais dão segurança jurídica ao investidor e os agentes econômicos querem essa segurança. Mas, ao mesmo tempo, essa segurança jurídica é sempre uma reclamação dos empresários. Primeiro porque há uma demora no processo judicial imensa. Depois porque existe a criação legislativa. O Judiciário não consegue suprir tudo isso.

ConJur — As mudanças da composição, principalmente no Supremo, prejudicam a segurança jurídica?
Miguel Reale Jr.
— Não, acho até que ela areja. Sou até defensor de um mandato de nove anos para ministro do Supremo Tribunal Federal. Exatamente para arejar, para mudar, é fundamental. E tem mudado, às vezes, para muito melhor.

ConJur — O senhor é presidente do conselho do Instituto Pro Bono. Qual a importância da advocacia voluntária no país?

Miguel Reale Jr. — A advocacia Pro Bono enfrentou uma série de reações dos que achavam que seria uma forma de captar clientela. O Instituto Pro Bono dedica-se a fazer advocacia gratuita com vários escritórios. Temos mais de 300 escritórios que estão inscritos para a produção de trabalhos jurídicos consultivos ou contenciosos. O trabalho é prestado a entidades assistenciais sem fins lucrativos que têm problemas tributários, trabalhistas ou comerciais.

ConJur — Como o senhor avalia a posição da Ordem dos Advogados do Brasil em relação à advocacia voluntária?

Miguel Reale Júnior — Existe um projeto sobre advocacia voluntária que está em tramitação no Conselho Federal da OAB. Existem várias decisões, regulamentos de OABs estaduais aprovando a advocacia voluntária. Existe também o receio de que haja perda do mercado de trabalho porque muitos advogados sobrevivem graças ao convênio de Assistência Judiciária com o estado. Houve um grande crescimento de faculdades de Direito e, mesmo com Exame de Ordem, acabou havendo uma proletarização da profissão. Mas isso não proíbe que exista advocacia pro bono porque é um ônus que o profissional tem, um dever social, que só honra a advocacia.

ConJur — Qual foi o legado de seu pai, o jurista Miguel Reale, para o Direito Brasileiro? Quais foram suas principais contribuições?

Miguel Reale Jr. — O legado principal foi, sem dúvida nenhuma, o novo Código Civil, que recebeu muitas críticas, mas depois se percebeu o quanto é inovador e criativo. A busca de flexibilidade para adaptação a situações novas, por meio de cláusulas abertas, demonstra como ele é moderno. Outra grande contribuição foi no ensino do Direito. O livro dele sobre anulamento e revogação do ato administrativo, é um clássico. Lições Preliminares do Direito e A Filosofia do Direito, por exemplo, continuam a ser livros básicos adotados por inúmeras faculdades. Outra contribuição importante foi a criação do Instituto Brasileiro de Filosofia e a edição da Revista Brasileira de Filosofia, que já consta com mais de 200 números. São 54 anos ininterruptos da publicação.

ConJur — Como era o pensamento dele sobre o Direito?

Miguel Reale Jr. — Ele foi um dos últimos jurisconsultos do Brasil, um filósofo do Direito. Foi um administrativista, constitucionalista e civilista, inclusive no Direito Privado. Ele tinha uma ampla gama de conhecimentos em diversas áreas. Atuava tanto no campo público como no privado, o que é extremamente raro numa época de especializações. Ele tinha também uma visão culturalista muito importante. A ideia de cultura como uma priori, ou seja, o homem é natureza, mas é, antes de tudo, História. Estou criando um Instituto de Estudos Culturalistas em homenagem ao pensamento dele.

ConJur — Miguel Reale é renomado pela compreensão tridimensional do Direito. Qual sua opinião sobre essa visão?

Miguel Reale Jr. — É uma visão integrada, concreta e realista, que revela a nomogênese jurídica, ou seja, o processo da formação do Direito. E esse processo de formação por meio da Teoria Tridimensional é completada pela visão das fontes e modelos legais, consuetudinários, negociais, judiciais para chegar a uma outra contribuição importante no campo da teoria da interpretação. Ela revela especialmente a ideia de que o Direito é o que a interpretação for e que este está condicionado pela cultura e pela História. Não se pode ter uma visão exclusiva da teoria tridimensional sem a compreensão da construção dos modelos e de fontes de modelos. No livro Fontes e Modelos, ele amplia e mostra que o Direito vem de diversos focos de poder, que estão sempre condicionados por circunstâncias concretas e históricas.

 

 

 

11/04/2009

Jornal Recomeço

http://jornalrecomeco.blogspot.com/

Juízes têm responsabilidade sobre sistema carcerário, diz presidente do CNJ

"... A postura do “discurso escapista” não tem mais vez no cenário atual. É fundamental que assumamos a nossa responsabilidade.”

A mudança de postura do Judiciário em relação ao sistema carcerário nacional foi destacada pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Gilmar Mendes, na abertura do I Seminário Nacional sobre o Sistema Carcerário nesta quinta-feira (02/04), no Rio de Janeiro.O ministro afirmou que a postura do “discurso escapista” não tem mais vez no cenário atual. “É fundamental que assumamos a nossa responsabilidade”, disse.

O ministro Gilmar Mendes enfatizou que o CNJ tem realizado um grande esforço para transformar a realidade do sistema carcerário. “Realidade delicada e que muitas vezes nos causa constrangimento”, disse. Segundo o ministro, o discurso de que a responsabilidade sobre os problemas carcerários é da administração do sistema, e não dos juízes, é equivocado. “Somos nós (juízes) que decidimos se o preso fica ou não preso”, afirmou. Na avaliação do ministro, o discurso “escapista” não é condizente com os preceitos constitucionais.

Também afirmou que os mutirões realizados pelo Conselho têm constatado situações lamentáveis. “Encontramos presos que tinham direito a benefícios que não eram concedidos”. Segundo ele, “porque o sistema não estava funcionando”. Para o ministro, a mudança de postura da Justiça e as ações realizadas em parceria com os órgãos do sistema carcerário estão alterando esse quadro.

Programa Começar de Novo

Ao falar sobre as mudanças no sistema carcerário, o ministro Gilmar Mendes enfatizou a importância do Programa “Começar de Novo”, que incentiva a reinserção social do egresso do sistema prisional. Também relatou ações como a implementação da advocacia voluntária, parcerias com organizações da sociedade civil e a virtualização das Varas de Execução Penal. A ação do Supremo Tribunal Federal de oferecer trabalho para 40 egressos do sistema prisional também foi destacada pelo presidente do CNJ. “Um deles atua no meu gabinete”, comentou.

De acordo com o ministro, com as ações propostas será possível promover mudanças significativas no sistema carcerário.A tendência é caminhar para a superação desse modelo”, afirmou. Na avaliação de Mendes, na medida em que há fiscalização do CNJ, dos tribunais e das corregedorias, o cenário está mudando.
FONTE: CNJ – Conselho Nacional de Justiça

 

 

11/04/2009

Diário do Amapá

República dos terçados

 

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11/04/2009

CONSEG

http://www.conseg.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=843:seguranca-esta-na-pauta-do-dia-e-precisa-ter-orcamento-preservado-diz-regina-miki-ao-estadao&catid=49:noticias-gerais&Itemid=226

 

Em entrevista ao Estado de S.Paulo, Regina Miki fala sobre segurança pública

''Segurança está na pauta do dia e precisa ter orçamento preservado''

Regina Miki: coordenadora da 1.ª Conferência Nacional de Segurança; assessora de Tarso diz que estabelecimento de recursos fixos evitaria surpresas como o corte recente de R$ 1,2 bilhão

Alexandre Rodrigues, VITÓRIA

Estado de S.Paulo (11/04/09)

O corte de R$ 1,2 bilhão no orçamento do Ministério da Justiça divulgado na semana passada jogou um balde de água fria nos gestores, agentes policiais, militantes de direitos humanos e pesquisadores que se preparam para a 1° Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), em agosto. Convocada pelo governo para criar uma política nacional para o tema, a conferência tem induzido a discussão sobre o estabelecimento de recursos fixos no orçamento para segurança, a exemplo do que ocorre com saúde e educação.

Em entrevista ao Estado, no Fórum Brasileiro de Segurança Pública, na semana passada, Regina Miki, coordenadora da Conseg, disse que a ideia tem sido consenso nos debates regionais da conferência.

A proposta, que dependeria de uma emenda constitucional, ganhou mais força com a constatação do ministro da Justiça, Tarso Genro, de que a perda de mais de 40% do orçamento de sua pasta inviabiliza o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). Tarso já afirmou que o corte deverá ser revisto na próxima semana, após reunião que terá com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Assessora especial do ministro da Justiça, Regina confia na reversão dos cortes, mas diz que só recursos constantes darão ao País uma resposta a um dos temas que mais afligem os brasileiros.

Os cortes no orçamento ameaçam as conferências?

As verbas para as conferências nos Estados já foram repassadas, e o cronograma permanece intacto. Começamos as etapas municipais, haverá as estaduais em junho e julho, e a nacional em agosto. É um processo político que já está em curso e não há como retroceder. Segurança está na pauta do dia. Acredito que temos condição de reverter os cortes, tendo em vista que, para 47% da população, há, com a crise, tendência de a criminalidade aumentar. Se temos esse cenário, programas como o Pronasci têm que ser preservados.

A conferência discute a fonte de recursos para segurança?

Os debates estão sendo travados em torno de uma política nacional de segurança pública. Isso significa termos orçamento preservado para a área, conselhos fortalecidos, ter transferência de fundo a fundo, sem ingerência de projetos.

A proposta de ter recursos fixos para segurança, como saúde e educação, será uma das diretrizes propostas pela Conseg? É um consenso nos debates?

Totalmente. Entre os gestores, trabalhadores e sociedade civil, sem dúvida. O próprio texto-base aponta essa necessidade. O Sistema Único de Segurança Pública teria como patamar a integração dos três níveis de governo e o orçamento preservado para o desenvolvimento de políticas.

Isso teria evitado surpresas como o corte da semana passada?

Claro. No corte orçamentário, o Saúde em Casa ou o Fundeb foram preservados porque não são programas de governo, mas políticas de Estado. Na segurança, o Pronasci não conseguiu ultrapassar a condição de programa de governo, já que não temos orçamento próprio. Nunca se teve tanto orçamento na segurança, mas não há garantia de que essa previsão vai continuar no ano que vem.

Ao mobilizar participantes de vários setores, não há risco de se perder em tantas propostas? Como tirar uma política da conferência?

Temos uma metodologia diferenciada exatamente porque o tema é diferenciado. É a primeira conferência de segurança. A saúde está na sua 13ª. Não estamos nem engatinhando. Em cada etapa, tiramos um número limitado de três princípios e sete diretrizes a partir de um texto-base, o que vai dar um número limitado em todo o Brasil.

O repórter viajou a convite do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Quem é Regina Miki

Assessora especial do ministro da Justiça

Coordena a 1° Conferência Nacional de Segurança Pública

Foi secretária de Defesa Social de Diadema (SP)

 

 

 


11/04/2009

http://joaoboleroneto.blogspot.com/

Mais um detento comete suicídio

Foi por volta das 00:30h de sexta-feira, que detentos do fechadão encontraram no banheiro, já morto, enforcado com uma camisa jeans, o colega de cela JOSILDO SOUZA DOS SANTOS, 29 anos, maranhense, que estava há trinta dias no IAPEN, pelo crime de tentativa de homicído. Só este ano, já foram quatro o número de suicídos dentro do IAPEN.