Clipping – 15/05 a 21/05/2009

PASTORAL CARCERÁRIA NACIONAL/CNBB

Pastoral Carcerária Nacional - Assessoria de Comunicação PCrN - Alter Comunicare

 

 

Clipping, produzido pela Assessoria de Comunicação da Pastoral Carcerária Nacional/CNBB, em parceria com a Alter Comunicare, pretende oferecer aos associados uma visão panorâmica do que diz a imprensa sobre temas relacionados à questão prisional em todo o Brasil e em outros países. As matérias reproduzidas neste clipping não refletem, necessariamente, a posição da Pastoral Carcerária, mas têm o objetivo de informar e incentivar o debate público. O clipping está sujeito a omissões involuntárias de notícias e conta com a colaboração de todos para o envio de outras notícias com a citação da fonte e data de publicação para o endereço imprensa@carcerária.org.br.

 

 

SUMARIO

 

Agentes da Pastoral Carcerária participam de retiro espiritual e Conferência Livre com defensores públicos do Ceará. 2

Penas Alternativas: solução ou mais punição?. 2

Entidades avaliam denunciar situação de presídios do ES à Corte Interamericana. 4

SC abrirá 272 vagas no sistema prisional - Serão inauguradas unidades em Brusque e Rio do Sul 5

21/05/2009. 5

Ministério da Justiça. 5

Tarso oferece ajuda para criar plano emergencial nas prisões do ES. 5

21/05/2009. 6

Ministério da Justiça http://www.mj.gov.br/data/Pages/MJ7CBDB5BEITEMID7D5A7890C5914995AD5CA732A41A1B3FPTBRIE.htm.. 6

21/05/2009. 7

Autoridades buscam soluções para presídios do ES. 8

Calamidade prisional no ES denunciada pelo CNPCP continua. 20

CNJ confirma condições precárias de presídio do ES. 24

Intenção de matar não desclassifica crime. 26

Presos trabalharão em empresas em Joaçaba.. 29

Prisão - Espírito Santo. 30

Conselho de Política Criminal e Penitenciária pede intervenção no Espírito Santo. 37

Superlotação em presídios impede medida que transfere detentos de delegacias em SC. 41

15/05/2009. 41

CONJUR. 41

http://www.conjur.com.br/2009-mai-15/conselho-penitenciario-intervencao-federal-espirito-santo. 41

Conselho pede intervenção de presídios no ES. 41

Conselho pede intervenção de presídios no ES. 43

Proposta para mudar o CPP começa a ser discutida. 44

Conselho pede intervenção de presídios no ES. 46

 


21/05/2009

ANOTE: Agência de Notícias Esperança

http://www.anote.org.br/novosite/manchete.asp?cod=236

Agentes da Pastoral Carcerária participam de retiro espiritual e Conferência Livre com defensores públicos do Ceará  

 

Membros da Pastoral Carcerária do Regional Nordeste I (CNBB – Ceará) nos dias 22,23 e 24 de maio participarão de um retiro espiritual orientado pela Irmã Lucília, da Congregação das Irmãs Dorotéias. Se espera, desse momento, alimentar a espiritualidade para dar continuidade à missão da Pastoral, como também pensar a 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública.

No dia 22, às 14h00, no local do retiro será realizada a Conferência Livre, juntamente com a Defensoria Pública do Estado do Ceará debatendo os eixos: Diretrizes para o Sistema Penitenciário; Prevenção Social do crime e das violências; construção da cultura de paz.

A Pastoral Carcerária chama a atenção para a realização da 1.ª Conferência Nacional de Segurança Pública que  vem sendo realizada durante todo ano de 2009 em âmbito municipal, estadual e nacional. A etapa municipal será realizada nos dias 27,28 e 29 de maio; a estadual nos dias 24, 25 e 26 de junho; a nacional, entre 27 e 30 de agosto em Brasília, com um total de 2095 representantes.  

A Pastoral Carcerária compõe oficialmente a Comissão Organizadora Municipal (COM), além de compor a Comissão Organizadora Estadual (COE). Essas Comissões têm a responsabilidade de implementar a Conferência em seu território, estimulando as iniciativas da sociedade, promovendo debates e, especialmente, preparando as etapas locais, que são eletivas dos representantes que serão enviados a Brasília. O membro da PCr que atua na COM e na COE é Igor Barreto. Pe. Marco Passerini, por indicação própria, figura como suplente.

A Pastoral Carcerária está  ligada à Comissão para o Serviço da Caridade da Justiça e da Paz, da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e busca o controle social das unidades. Realiza visita a todas as dependências da unidade: celas em geral, inclusão, celas de castigo, seguro, enfermaria etc; diálogo com a sociedade a fim de promover uma consciência coletiva comprometida com a vida e a dignidade da pessoa humana; participação em debates e de matérias na imprensa; apoio jurídico e social às famílias de presos e presas; acompanhamento de denúncias de violação de direitos humanos.  

O retiro acontecerá no Condomínio Espiritual Uirapuru (CEU) - Casa de Retiros Nossa Senhora de Fátima (Irmãs Dorotéias), na Avenida Alberto Craveiro, 2222, próximo ao Castelão.

  

 

21/05/2009

ANOTE

http://www.anote.org.br/novosite/destaque.asp?cod=354

Penas Alternativas: solução ou mais punição? 

 

José de Jesus Filho*      
O Ministério da Justiça divulgou recentemente a notícia de que os/as condenados/as a penas alternativas superaram o número de pessoas sob privação da liberdade. No primeiro semestre de 2008, quase 500 mil presos estavam cumprindo pena alternativa.         

No entanto, o que o Governo apresenta como positivo, ao menos implicitamente, pode na verdade significar a expansão do controle penal a pessoas que antes não eram atingidas.

A lei que ampliou o rol das penas alternativas e elevou para quatro anos o tempo máximo da pena para que haja substituição da pena privativa de liberdade para alternativa data de 1998. A idéia básica para criação das penas alternativas seria justamente reduzir o número de pessoas levadas à prisão por sentença condenatória e assim baixar o número de presos com vistas a uma execução penal coercitiva e mais humana.     

O Ministério da Justiça não fornece o número da população prisional de 1998, mas a do final de 1997 era de 170.207 e a taxa por 100 mil habitantes era de 108,6. Dez anos depois da publicação da lei, as penas alternativas alcançaram e superaram o número de presos. Em junho de 2008 a população prisional era de 440 mil com uma taxa de 227 por 100 mil habitantes, ou seja, o crescimento da população prisional em relação à população geral dobrou.

O Brasil é o 4º País no mundo em número de presos. É também o segundo país na América Latina em número de presos por 100 mil habitantes, perdendo somente para o Chile.

Em janeiro deste ano, a SAP anunciou a construção de 44 novas unidades prisionais. Se somarmos os privados de liberdade com aqueles cumprindo pena alternativa nos aproximaremos de 1 milhão de apenados. Isso sem contar aqueles que estão em livramento condicional e regime aberto, o que eleva esta cifra a bem mais de um milhão de pessoas.         

Esses números parecem contradizer a idéia de que a expansão das penas alternativas reduz o número de presos. Eles nos levam a crer que elas tendem a aumentar o controle penal, atingindo agora pessoas que antes não eram. 

Uma das razões que parecem explicar esse fenômeno é o fato de que as penas restritivas de direito ou alternativas estarem sendo aplicadas cumulativamente com as privativas de liberdade. Com efeito, há casos em que somente se alcança a substituição da pena no Tribunal, ou seja, em segunda instância, quando a pessoa já permaneceu por meses ou por anos aguardando em prisão sentença definitiva.           

Outro elemento importante a ser considerado é fato de que as prisões, mesmo antes do advento da lei das penas alternativas, são ocupadas principalmente por pessoas que praticaram roubo e tráfico de entorpecentes. Esses dois crimes juntos em 1997 superavam a cifra de 50% da população prisional. Em outras palavras, crimes que não contam com a substituição da pena. Enquanto isso, os crimes que merecem hoje pena alternativa são crimes de baixa lesividade e possivelmente não eram atingidos pelo poder punitivo do estado antes de 1998.

Esses dois aspectos, resistência dos juízes em aplicar as penas alternativas logo da sentença e o baixo alcance das penas restritivas de direito levaram à Pastoral Carcerária propor duas recomendações para uma melhor efetividade das penas alternativas:       

1 - Ampliação do alcance das penas alternativas para penas superiores a 5 anos e não restrição dessa substituição a crimes não violentos e não hediondos.        

2 - Que deixem de ser alternativas para serem autônomas para certos crimes como o furto e passar o papel de alternativo para as penas privativas de liberdade. Assim, diante da condenação por furto, a pena principal seria a restritiva de direito e a pena alternativa a prisão.

Há uma série de reformas necessárias em relação às penas restritivas de direito, mas estamos certos de qualquer mudança terá de tomar em conta as duas necessidades apontadas acima.    

*Assessor Jurídico e membro da Coordenação Nacional da Pastoral Carcerária

 

 

21/05/2009

Folha On-Line

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u569328.shtml

Entidades avaliam denunciar situação de presídios do ES à Corte Interamericana

da Agência Brasil

O Conselho Estadual de Direitos Humanos e a Pastoral do Menor no Espírito Santo cogitam apresentar denúncia sobre a situação degradante dos presídios capixabas à Corte Interamericana de Direitos Humanos, caso o pedido de intervenção federal e o mutirão carcerário previsto pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) não surtam efeitos rápidos na contenção do problema.

O presidente do conselho estadual, Bruno Alves de Souza, argumentou, por exemplo, que as obras prometidas para a Casa de Custódia de Viana, onde presos vivem soltos em pavilhões, vão demorar no mínimo seis meses.

O temor é de que as mortes violentas continuem. "Tenho muita dificuldade de achar que a solução virá. Considerando as reiteradas violações, me parece que um caminho deverá ser uma petição à Corte Interamericana de Direitos Humanos, devido à não disposição do estado em enfrentar o problema de imediato, mas só a longo prazo", afirmou Souza.

Apesar de reconhecer que o atual governo do Estado ampliou significativamente os valores investidos no sistema prisional, o representante do conselho critica os resultados obtidos até aqui.

"Por que os milhões investidos e o número de vagas abertas não impediram o caos que estamos vivendo? Por que não impossibilitaram no mínimo quatro esquartejamentos em dois anos, além de mortes em unidades de menores? O que é preciso é de uma gestão do sistema prisional que de fato ressocialize", disse Souza.

As entidades avaliam que mesmo eventualmente negado, o pedido de intervenção federal feito pelo CNPCP (Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária) já serviu para despertar a sociedade brasileira para a gravidade da situação carcerária no Estado.

"Esgotamos internamente as possibilidades de articulação, mobilização e pressão. Nossa expectativa é de que mesmo que não venha a intervenção, que a pressão para resolver os problemas continue", disse Souza.

O padre Xavier Paolillo, representante da Pastoral do Menor e do Movimento Nacional de Direitos Humanos, salientou que o pedido de intervenção resultou, no mínimo, na presença de conselhos nacionais para averiguar a relação entre as condições do sistema carcerário e o aumento da violência no Estado.

"O sistema penitenciário está servindo de alavanca para aumentar índices de criminalidade no Espírito Santo. Essa movimentação dos conselhos serve para pressionar as autoridades a encontrar soluções", afirmou Paolillo.

 

 

21/05/2009

Diário Catarinense

http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&newsID=a2517985.htm

SC abrirá 272 vagas no sistema prisional - Serão inauguradas unidades em Brusque e Rio do Sul

Santa Catarina abrirá 272 vagas no sistema prisional do Estado. Na próxima segunda-feira, serão inaugurados o Presídio Regional de Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, e a Unidade Prisional Avançada (UPA) em Brusque, no Vale do Itajaí.     

As unidades foram orçadas em R$ 6 milhões. A maior parte dos recursos (R$ 4 milhões) foram investidos na construção do presídio em Rio do Sul, com capacidade para 200 presos.

A unidade construída na Estrada Geral Serra do Canoas substituirá o antigo presídio regional, localizado no Centro do município.          

— O antigo presídio ficava na área central da cidade e, por isso, construímos uma nova unidade, distante do perímetro urbano, que dará mais segurança à população — afirma o secretário-executivo de Justiça e Cidadania, Justiano Pedroso.          

Quanto à unidade de Brusque, foram investidos R$ 2 milhões. A UPA terá capacidade para 72 detentos e contará com 16 agentes prisionais.

 

 

21/05/2009

Ministério da Justiça

http://www.mj.gov.br/data/Pages/MJ7CBDB5BEITEMID2CE937BC4DE54907BFE3DC88E07D2ABAPTBRIE.htm

Tarso oferece ajuda para criar plano emergencial nas prisões do ES

Brasília, 21/05/09 (MJ) – Em carta enviada nesta quinta-feira (21) ao governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, o ministro da Justiça, Tarso Genro, ofereceu ajuda do MJ para elaboração de um plano emergencial para o sistema prisional do estado. Denúncias apontam violações aos direitos humanos nos presídios capixabas.

Tarso reconhece o esforço do governo estadual ao investir na criação de 1.100 vagas. E lembra que, desde 2003, o Espírito Santo já firmou 14 convênios com o MJ, tendo recebido, até hoje, R$ 26 milhões do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen).

Após ressaltar que a cooperação federativa tem sido a marca das ações do ministério, Tarso afirma que “o aspecto colaborativo implica não só em auxílio, mas em vigília mútua em prol de uma prestação estatal eficiente e condizente com a dignidade da pessoa humana.”

O ministro cita, ainda, as ações do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), do MJ, criado com foco humanista e na luta por melhores condições sociais. “Nosso objetivo, claro, é o de se fazer cumprir a Lei de Execuções Penais, garantindo o mínimo de dignidade àqueles que cumprem pena privativa de liberdade”, diz.

Na carta enviada ao governador, o ministro descreve a situação encontrada pelo CNPCP e confirmada pelas inspeções do Conselho Nacional de Justiça, do Ministério Público e da Secretaria Especial de Direitos Humanos.

“Em inúmeras unidades prisionais, mas especialmente na Casa de Custódia de Viana (Cascuvi) e no Presídio de Celas Metálicas de Serra, são várias as denúncias de tortura, agressões, maus-tratos a detentos e visitantes, homicídios e de esquartejamentos – cometidos tanto por agentes do Estado quanto pelos próprios presos”, relata.

Manifestando “contrariedade” em relação às condições apresentadas, Tarso solicita informações ao governador sobre as medidas emergenciais que estado esteja adotando. “Reitero a disponibilidade do Ministério da Justiça no sentido de auxiliar na elaboração de um plano emergencial que ponha fim às denúncias recebidas”, conclui.

Leia aqui a íntegra da carta ao governador

Histórico

·  Após visita às prisões capixabas, em abril, o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), ligado ao MJ, cobrou providências da Secretaria de Justiça do Espírito Santo.

·  Devido à falta de soluções, no dia 15 deste mês, o Conselho entregou ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, pedido de intervenção federal no sistema prisional do estado.

·  Nesta quinta-feira, a Secretaria Especial de Direitos Humanos, ligada à Presidência da República, criou uma comissão especial para apurar o caso. Um dos seis integrantes representa o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça.

 

 

 

 

21/05/2009

Ministério da Justiça      
http://www.mj.gov.br/data/Pages/MJ7CBDB5BEITEMID7D5A7890C5914995AD5CA732A41A1B3FPTBRIE.htm

Estados terão banco de DNA para identificar criminosos

Brasília, 20/05/2009 (MJ) - O Brasil passa a ter mais uma ferramenta de apoio para desvendar crimes e identificar criminosos em território nacional. Durante reunião do Colégio Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp), seis estados (Amazonas, Amapá, Ceará, Mato Grosso, Paraíba e Paraná) assinaram acordo de cooperação técnica com o Ministério da Justiça para uso do banco de dados de perfis genéticos Codis (Combined DNA Index System), usado pelo FBI, o escritório de investigação norte-americano. O FBI permitiu a utilização do software sem custos para o Brasil.

 
O Codis é um software de propriedade exclusiva do FBI, que permite a comparação de perfis genéticos. O sistema já é usado em mais de 30 países. Com ele, será possível ao Brasil dar o primeiro passo para a criação de uma rede integrada de dados de DNA, parte da célula que transmite a herança genética.  
 
O sistema poderá auxiliar na identificação de criminosos em casos como estupro e pedofilia. Com o banco de perfis genéticos, será possível interligar crimes praticados por um mesmo indivíduo, se houver algum tipo de material genético, como sangue, pele ou pêlo.

Com o acesso ao banco de DNA, os estados poderão pesquisar se o material genético encontrado na cena do crime já tem registro em outro estado, por exemplo. O sistema é o mesmo mostrado na série de TV americana CSI.         
 
Para o secretário Nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, o convênio vai permitir que o Brasil ingresse em uma nova fase de polícia científica. ”Hoje, no mundo inteiro, segurança pública de qualidade se faz com ciência, tecnologia e com o acúmulo de conhecimentos estratégico e racional” ressalta Balestreri.        
 
A Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) vai coordenar a implantação do sistema nos estado e financiar a compra dos equipamentos de informática necessários.  A Polícia Federal será responsável por manter a parceria com o FBI.

 

 

 

 

21/05/2009

http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_2/2008/04/16/em_noticia_interna,id_sessao=2&id_noticia=59278/em_noticia_interna.shtml

 

Minas testa sistema de monitoramento remoto em presos

 

Um sistema de monitoramento pode trazer mais tecnologia para o sistema prisional em Minas. É o que promete um teste realizado pela Secretaria de Defesa Social (Seds), com previsão de início até o final de abril. Dez presos do regime semi-aberto na Grande Belo Horizonte, foram selecionados para usar uma tornozeleira que monitora as ações do indivíduo.       

Para isso, oito agentes prisionais começaram um treinamento nesta quarta-feira para operar o sistema de monitoramento, que tem base em local mantido em sigilo pela secretaria. Os testes vão durar 60 dias e servirão para análises do Governo, Justiça e Ministério Público sobre a adoção do sistema. Os estudos de implantação são inéditos no Brasil.

Entenda como funciona o sistema  

A tecnologia vem de Israel e já é utilizada na Argentina, onde uma missão composta por autoridades do sistema prisional mineiro esteve no final de março. Duas opções serão testadas: o Sistema de Posicionamento Global (GPS) e o Identificador de Radiofreqüência (IRF). Os aparelhos foram cedidos para os testes e, caso um deles seja escolhido, haverá licitação para a compra dos equipamentos.        

De acordo com o empreendedor público da Seds Marcos Siqueira de Morais, o monitoramento remoto é uma tecnologia barata, tendo em vista dos resultados apresentados em comparação à vigilância tradicional. “A proposta é moralizar o sistema prisional em Minas, pois permite o cumprimento integral da pena imposta pela Justiça”, afirma.     

Os custos estimados para implantação do sistema é estimado em R$ 600 por preso, incluindo a compra dos equipamentos e gastos com os monitores. Segundo Morais, nos Estados Unidos o preço do monitoramento é em torno de quatro dólares por dia. Já na Argentina, a valor sobe para dez dólares/dia. “Mesmo que custo final no estado seja equivalente ao argentino, o investimento será mais barato que deixar o preso dentro da unidade prisional, onde o custo médio por detendo é de R$ 1800 por mês”, diz.

Os presos selecionados para os testes foram escolhidos de acordo com vários critérios. Eles cumprem penas em regime semi-aberto, que não seja por crimes contra pessoa, nem mais de um processo criminal, possuem infra-estrutura na residência (linha telefônica e energia elétrica) e têm comportamento compatível para ser contemplados com o regime aberto. Além disso, a participação acontece com o interesse do detento.     

As vantagens para o preso, de acordo com a Seds, é que indivíduo poderá cumprir a pena dentro de casa, ao invés de retornar para o presídio. Na prisão em regime semi-aberto, o detento pode passar o dia em casa ou trabalhando, mas tem que passar a noite na cadeia. Além de contribuir com a ressocialização do detento, a medida aumenta o de vagas nos presídios.

A proposta é que o sistema seja aplicado aos presos do regime semi-aberto, mas os testes também poderão auxiliar o governo para aplicar também nos outros detentos do sistema prisional.

 

 

 

21/05/2009

Conjur

http://www.conjur.com.br/2009-mai-21/autoridades-buscam-solucoes-problemas-sistema-carcerario-es

Autoridades buscam soluções para presídios do ES

O Conselho Nacional de Justiça, o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) e a Comissão de Direitos Humanos do Senado estão unindo esforços para resolver os problemas encontrados no sistema carcerário do Espírito Santo. Inspeção feita pelos órgãos constatou que os presídios estão em condições precárias e com superlotação.

Os juízes Erivaldo Ribeiro e Paulo Tamburini, auxiliares da presidência do Conselho Nacional de Justiça, farão relatório sobre a Casa de Custódia de Viana, na região metropolitana de Vitória (ES), um dos presídios que estão em situação precária.

Erivaldo Ribeiro confirmou que será feito um mutirão carcerário – como os que já foram feitos em Porto Alegre e Porto Velho em 2008 – para verificar a situação de cumprimento de pena das pessoas que permanecem detidas, superlotando os presídios.

O juiz avaliou que “a cadeia está fora de controle do Estado. Os presos circulam livremente entre os pavilhões, não tem mais celas”. Segundo Erivaldo, não houve condições para aprofundar relatos de tortura mas a inspeção verificou um relato de homicídio dentro do presídio.

O CNPCP, órgão ligado ao Ministério da Justiça, entregou no último dia 15 ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, pedido de intervenção federal no estado em função de denúncias de precariedade das unidades prisionais e da prática de tortura, homicídios e esquartejamentos nos presídios. Em um das penitenciárias, o conselho identificou pessoas presas em conteiners, cercados de lixo e esgoto a céu aberto e grande quantidade de insetos.

Dados da Associação de Defensores Públicos do Estado (Adepes) mostram que cerca de 70% do contingente carcerário do Espírito Santo é de presos provisórios. O presidente da Adepes, Bruno Pereira Nascimento, revela que aguardam julgamento 3.980 presos do total de 5.808 detidos. Dos detentos provisórios, 90% não têm condições de pagar um advogado e dependem dos três defensores que atuam na área de execução penal em todo o estado. 

Nascimento lembra que, devido ao contato próximo entre defensores e detentos, a situação de muitos presídios denunciados ao MPF já era conhecida. Antes da solicitação de intervenção, a defensoria tinha pedido a interdição de cinco unidades no interior e na grande Vitória. O órgão também preparava documentos para tentar fechar mais cinco. Entre elas, uma unidade feminina e uma casa de detenção para adolescentes. “Pedimos a interdição daqueles que são verdadeiras ratoeiras, pocilgas, nos quais não há condições mínimas de dignidade humana”, revelou o defensor.

Segundo ele, além dos presídios denunciados várias outras prisões estaduais estão em condições calamitosas, mas para evitar um prejuízo orçamentário não calculado ao governo, a instituição decidiu priorizar dez. “Estamos pedindo apenas [o fechamento] das ratoeiras. Nesses, a situação é pública e notória”.

Esquartejamentos

O secretário de Justiça do Espírito Santo, Ângelo Roncalli, afirmou, em entrevista à Agência Brasil, que o governo estadual reconhece dois esquartejamentos dentro da Casa de Custódia de Viana e que não aceita intervenção federal pelo fato de outros estados terem problemas mais graves em presídios. O relatório do CNPCP, que fundamenta o pedido de intervenção,  constata a ocorrêbncia de pelo menos dez esquartejamentos dentro do presídio em 2006.

“O relatório que eu li traz o número de esquartejados, mas não traz os nomes. Ocorreram outras mortes lá dentro, mas só duas por esquartejamento”, disse Roncalli. “Não justifica, mas não ocorreu só aqui. Em local nenhum deve ocorrer o esquartejamento e isso revela os problemas do sistema penitenciário brasileiro. A gente lamenta”, acrescentou.

Roncalli reiterou que a situação prisional do ES não é mais grave do que a de outras unidades da federação, sem citar, entretanto, nomes. Este argumento e o investimento de R$ 216,7 milhões pelo governo estadual na construção de novas unidades prisionais até 2010 são as justificativas para a resistência ao pedido de intervenção.

“Quantas mortes ocorreram em alguns estados do Brasil, até em número bem maior? Não se justifica a intervenção com os investimentos que o estado do Espírito Santo está fazendo em construção, gestão e tratamento penal. Se tivesse que intervir, teria que intervir no Brasil inteiro”, ressaltou Roncali.

O secretário admitiu a existência de presos soltos em pavilhões da Casa de Custódia de Viana. Prometeu solucionar o problema com uma obra prevista para ser concluída em 2010 e investigar com rigor denúncias de tortura. Em relação aos presos detidos em contêineres no presídio de Novo Horizonte, a promessa é transferi-los em julho para outra unidade.

Ampliação de visitas

Autor do relatório que serviu de base para solicitar a intervenção federal no Espírito Santo, o presidente do CNPCP, Sérgio Salomão Shecaira, disse que o conselho pretende ampliar o diagnóstico sobre o sistema penitenciário do Espírito Santo com a visita de mais unidades prisionais no estado.

Na próxima segunda-feira (25/5), em audência pública, o CNPCP vai propor um cronograma de visitas que serão realizadas com o reforço de mais dois conselheiros. O conselho já realizou vistorias na Casa de Custódia de Viana e no presídio de contêineres localizado no bairro Novo Horizonte, ambos na região metropolitana de Vitória.

A situação encontrada nas duas unidades, em visitas realizadas em abril, motivou a solicitação para que o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, peça a intervenção federal no Espírito Santo.

“Queremos encontrar soluções imediatas para o problema e ainda discutir problemas estruturais, desde que o governo aceite o trabalho conjunto com instituições sérias ligadas à causa dos direitos humanos e que se disponha a conversar. O que não dá é ficar esperando presídio que só sai em 2010 ou 2011. O Ministério da Justiça tem condições de realocar recursos, mas, para isso, o governo do Espírito Santo precisa tomar atitudes com o objetivo de solucionar os problemas”, disse Schecaira. 

Debate adiado

O Senado também está procurando saídas para a situação irregular de presos no Espirito Santo. A pedido dos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Magno Malta (PR-ES), o presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Cristovam Buarque (PDT-DF), transferiu para a próxima semana o debate sobre denúncias de violações dos direitos humanos nos presídios do ES. Inicialmente, a reunião sobre o assunto seria realizada nesta quarta-feira (20/5).

Cristovam Buarque afirmou que “a comissão não está omissa” quanto ao fato. Ele determinou que a assessoria da comissão envie a todos os senadores que integram o colegiado cópias das matérias publicadas pela Agência Brasil sobre o assunto para que tomem conhecimento da situação. “Trata-se de um dossiê grande e, se for o caso, será discutido na próxima semana”, disse o parlamentar.

Segundo Cristovam Buarque, nas conversas que teve com o governador Paulo Hartung, com o secretário de Justiça, Ângelo Roncalli, além dos dois senadores capixabas e o prefeito do município de Serra, Antonio Sergio Alves Vidigal (PDT), todos afirmaram que a realidade dos presídios do Espírito Santo não é a mesma relatada por fontes à Agência Brasil. O presidente da CDH disse que Hartung e Roncalli colocaram-se a disposição para discutir, na comissão, a situação das penitenciárias no estado.

O senador disse ainda que as autoridades do estado lhe informaram que têm investido na modernização dos presídios. Além disso, afirmaram que está em construção no Espírito Santo uma das maiores unidades prisionais do país.

 

 

 

 

20/05/2009

Jornal do estado de Minas

http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_7/2009/05/20/em_noticia_interna,id_sessao=7&id_noticia=111217/em_noticia_interna.shtml

 

Presos provisórios no Espírito Santo chegam a 70% da população carcerária

 

 Cerca de 70% do contingente carcerário do Espírito Santo é de presos provisórios, segundo dados da Associação de Defensores Públicos do estado (Adepes). Para a associação, isso é consequência da falta de defensores públicos.


Além de reforçar as denúncias que motivaram um pedido de intervenção ao Ministério Público Federal nas prisões capixabas, o presidente da Adepes, Bruno Pereira Nascimento, revela que aguardam julgamento 3.980 presos do total de 5.808 detidos. Dos detentos provisórios, 90% não têm condições de pagar um advogado e dependem dos três defensores que atuam na área de execução penal em todo o estado.

“O normal de outros estados é ter um terço dos presos nessas condições. Mesmo com esforço de defensores de outras áreas, nem 15% desses 90% são atendidos”, afirmou. Segundo Nascimento o déficit de advogados públicos no estado em todas as varas é “o grande problema” do Judiciário no Espírito Santo e pode ajudar a esconder outras violações de direitos humanos. Nascimento lembra que, devido ao contato próximo entre defensores e detentos, a situação de muitos presídios denunciados ao MPF já era conhecida. Antes da solicitação de intervenção, a defensoria tinha pedido a interdição de cinco unidades no interior e na grande Vitória. O órgão também preparava documentos para tentar fechar mais cinco. Entre elas, uma unidade feminina e uma casa de detenção para adolescentes.

“Pedimos a interdição daqueles que são verdadeiras ratoeiras, pocilgas, nos quais não há condições mínimas de dignidade humana”, revelou. Estimativas da associação revelam que, com a interdição das dez unidades, cerca de 80% do contingente carcerário deveria ser realocado.

Segundo o defensor, além dos presídios denunciados várias outras prisões estaduais estão em condições calamitosas, mas para evitar um prejuízo orçamentário não calculado ao governo, a instituição decidiu priorizar dez. “Estamos pedindo apenas [o fechamento] das ratoeiras. Nesses, a situação [precária] é pública e notória”.

 

 

 

 

20/05/2009

Estadão

http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid374178,0.htm

Juiz encontra menores presos de contêineres no Espírito Santo

Contêineres são celas metálicas que não têm cobertura e nem banheiro e água encanada e servem como prisão

Mariângela Gallucci, de O Estado de S. Paulo com Central de Notícias

BRASÍLIA - Juízes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) descobriram nesta quarta-feira, 20, que menores acusados de cometer infrações estão alojados em contêineres em duas unidades de internação localizadas na região da Grande Vitória, no Espírito Santo. Os contêineres são celas metálicas que não têm cobertura e nem banheiro e água encanada. "Uma tragédia do ponto de vista dos direitos humanos", resumiu o juiz auxiliar da presidência do CNJ Erivaldo Ribeiro dos Santos, que participa da inspeção realizada pelo conselho em estabelecimentos prisionais capixabas.

 

Diante da gravidade da situação, nos próximos dias o presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, deverá ir a Vitória para iniciar um mutirão carcerário que avaliará a situação dos presos no Estado. "Tudo isso é muito sério e precisa ser tratado nos mutirões para resolver essas pendências e acabar com as irregularidades", disse Santos. Nas unidades prisionais capixabas existem cerca de 10 mil presos. A expectativa é de que o mutirão beneficie pelo menos 30% dos presos com soltura, mudança de regime de cumprimento de pena, entre outras garantias.

 

Santos relatou que as condições de higiene e saúde nas celas metálicas dos jovens também são muito ruins. Como as celas estão alojadas "no relento", os presos estão sujeitos a tomar chuva e sol escaldante. "Nos dias de sol, teremos temperatura imprópria para a convivência e habitação humana", dis se o juiz. Como não há banheiro, "os dejetos são feitos no chão". Pela manhã, o chão é lavado e os dejetos são escorridos ao lado dos contêineres, contou Santos.

Outra descoberta feita pelos juízes é que nas celas não há separação por faixa etária. "Tem celas sem separação por idade, com rapazes de 18 anos junto com meninos de 12", disse Santos. "Também encontramos muitos menores com prazos de permanência no abrigo extrapolados em 90 ou 120 dias e sem a menor condição de habitabilidade", afirmou.

Em uma inspeção feita no início da semana na Casa de Custódia de Viana, que abriga adultos, os integrantes do CNJ descobriram que os presos circulam livremente pelos pavilhões porque as divisórias das celas foram quebradas. Também foi verificado que não existe separação entre presos provisórios e condenados.

 A fiscalização no sistema prisional do Estado foi iniciada na segunda, 18. Santos também já esteve na Casa de Custódia de Viana, onde verificou que os presos circulam livremente porque as celas foram quebradas. O resultado das visitas serão reunidos num relatório, cujo destino será a Corregedoria Nacional da Justiça.

 

 

 

20/05/2009

Folha On-Line

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u569129.shtml

Conselho de Justiça encontra adolescentes presos em contêineres em Cariacica (ES)

 

DIMITRI DO VALLE        
da Agência Folha

Inspeção do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) constatou que dez adolescentes estavam detidos em quatro contêineres adaptados como celas na Unis (Unidade de Internação Socioeducativa) de Cariacica, na região metropolitana de Vitória (ES).

Por meio da assessoria, o CNJ informou que estudará a interdição desse tipo de cela metálica na unidade.

Segundo o juiz auxiliar da presidência do CNJ Erivaldo Ribeiro dos Santos, os adolescentes estavam expostos a "elevadas temperaturas e à chuva, além de péssimas condições de insalubridade".

O secretário da Justiça do Estado, Angelo Roncalli, disse que os adolescentes tiveram de ser transferidos para que se preservasse a vida deles. "Eles estavam tendo dificuldades de convivência."

O secretário determinou a desativação dos contêineres como abrigo para menores.

 

 

 

20/05/2009

Folha On-Line

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u568713.shtml

Situação de presídios no ES pode levar a sanções internacionais, diz ministro

da Agência Brasil

Diante das denúncias de violações de direitos humanos nos presídios capixabas, o ministro da SEDH (Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República), Paulo Vannuchi, afirma que o problema não é novo, mas que a intervenção federal --como quer o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP)-- não é a melhor opção.

Para Vannuchi, a vistoria de uma comissão do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), associada aos esforços de outros órgãos como o CDDPH (Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), pode ser suficiente para resolver o caso. O ministro, contudo, alerta: se o governo estadual não fizer algo rápido para reverter o problema, o Brasil pode sofrer sanções de organismos internacionais como a OEA (Organização dos Estados Americanos).

Agência Brasil: Como o senhor vê o pedido de intervenção federal no Espírito Santo em função das denúncias de violações de direitos humanos no sistema prisional do estado?
Paulo Vannuchi: Em 2006, eu presidi uma reunião do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana lá em Vitória para examinar esse tema e fizemos intervenções. Não fomos compreendidos pela autoridade estadual, que preferiu fazer polêmicas e um pouco de desqualificação da minha intervenção para a imprensa, no lugar de entender como alerta que uma autoridade pública faz para outra autoridade pública. Não faz com o dedo em riste, mas faz chamando a atenção de que as lei internacionais não permitem manter presos em contêineres. O Brasil é signatário desses tratados internacionais, da Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos Cruéis, Desumanos e Degradantes. Há exigência de número de metros nas celas, de banhos de sol. [À época] Argumentou-se que era uma situação de emergência. Três anos depois, o tema volta e volta com um colapso no presídio de Vila Velha, que era um dos centros das fotografias asquerosas que nós discutimos e mostramos há três anos. Agora, o presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, Sérgio Shecaira, compareceu à reunião do CDDPH, há 15 dias, e apresentou fotos horripilantes das peças resultantes de esquartejamento, as fotos do presídio. Em certo momento, eu cheguei a pedir a finalização das projeções. E nós criamos uma comissão especial, como várias outras que durante um período de tempo investiga, ouve todas as partes e termina com recomendações às esferas de poder. Então, já estamos com essa comissão instalada, que começará o seu trabalho agora. Mas, lendo os jornais, vejo que o Conselho Nacional de Justiça, a quem o doutor Sérgio Shecaira também levou a denúncia, já fez uma visita. Então, eu estou satisfeito, percebendo que várias instituições dos poderes públicos estão atuando, interagindo simultaneamente.

ABr: Uma possível intervenção no Espírito Santo poderia abrir precedentes para outras ações do tipo em estados que sofram do mesmo problema?

Vannuchi: O incidente da intervenção é extremamente grave na vida federativa, tem de ser reservado para casos onde todas as instâncias anteriores foram tentadas e fracassaram. No caso do Espírito Santo, em especial, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, um ministro da Justiça se demitiu porque tinha acordado com o presidente da República o encaminhamento de uma intervenção federal no estado, por conta da extensão do crime organizado. Quando ocorreu um desentendimento dentro do governo, o ministro Miguel Reale [Junior] decidiu se demitir e publicamente explicou que era por se sentir desautorizado no seu pedido de intervenção. Eu tenho a impressão de que uma intervenção do CDDPH, do CNJ, com o Conselho de Política Criminal e Penitenciária --que é o Ministério da Justiça-- junto à autoridade estadual tem grande chance de sensibilizá-la para promover um ajuste imediato. Para não fazer como eles estão argumentando de que já construíram seis presídios, num total de 11, e que estão investindo para inaugurar mais e resolver o problema no final de 2010, ano eleitoral considerando um ano e meio como se fosse prazo suficiente para a população carcerária permanecer nessa situação intolerável de violação sistemática de direitos humanos. Então, a aposta agora não é em intervenção, a aposta é levar o governador do estado, o secretário de estado responsável pela área a tomar as providências imediatas cabíveis para resolver essa situação ignominiosa, fazer os procedimentos adequados. E também levar adiante o projeto de construção de novos presídios que, sim, serão uma solução mais estruturante, melhor, de longo prazo. Mas isso não pode ser usado como justificativa para omissão. E que no caso não é só omissão, é também ação.

ABr: Essa situação pode prejudicar a imagem do Brasil para a comunidade internacional?

Vannuchi: Se isso continuasse, sujeitaria o Brasil a pressões do Comitê da ONU de Combate à Tortura e a Outros Tratamentos Cruéis, Desumanos e Degradantes, e leva sobretudo a petições do sistema OEA [Organização dos Estados Americanos]. Uma entidade de direitos humanos já anunciou nos jornais que está apresentando o caso diretamente à Corte. Isso sempre desgasta o Brasil, nós já temos o caso do presídio Urso Branco, de Rondônia, que se desenrola há 10 anos praticamente. Mas nós temos outras experiências de presídios. Conseguimos um avanço no presídio de Araraquara, em que a autoridade estadual agiu e a Corte então encerrou o caso. É uma boa referência para o governo do Espírito Santo se inspirar. Mas, se não fizer e apostar na ideia, se deixar para resolver o problema só daqui a um ano e meio, os poderes republicanos no Judiciário, no Legislativo, no Executivo vão agir para tornar essa pressão crescente até o momento em que a autoridade estadual cumpra a sua obrigação.

ABr: Então, se eles insistirem em manter esse plano para 2010, correm o risco de prejudicar o Brasil como um todo?

Vannuchi: Correm o risco de enfrentar sanções judiciais mais pesadas. Eu acho que terão bom senso e irão tomar providências. E eu quero que tomem providências logo, urgente. É óbvio que o CNJ é uma instância elevada. Ele dialoga com o governo como eu dialogo, mas ele tem autoridade sobre os juízes. Tem autoridade funcional, hierárquica sobre os juízes da chamada execução penal. Uma decisão do CNJ vai gerar decisão de juiz para superar com urgência essa situação de violação.

ABr: O maior problema de direitos humanos, no Brasil, está no sistema prisional?

Vannuchi: No Brasil é difícil fazer um ranking de direitos humanos, são inúmeros problemas. O sistema penitenciário é um sistema que esteve falido. A CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito do Sistema Carcerário] mostrou isso claramente a partir de episódios de Minas Gerais, em que locais de detenção, delegacias viraram micro-ondas, porque houve incêndios com os presos recolhidos. São Paulo teve Araraquara, em 2006, com os ataques do PCC [Primeiro Comando da Capital]. Há situações correspondentes em qualquer estado brasileiro. Há também o Pronasci, que é o Programa de Segurança Pública com Cidadania, que prevê presídios de juventude que serão praticamente um presídio-escola, para os jovens que tenham entre 18 e 29 anos. E existem os projetos de cinco presídios federais de segurança máxima, três já inaugurados que, no caso do Urso Branco, ajudou a descomprimir. Lá houve quase 90 mortes dentro do presídio ao longo dos últimos anos. E a abertura de vagas no presídio federal de segurança máxima permitiu que algumas dezenas de chefes de quadrilhas da mais alta periculosidade, homicidas, assassinos de presos, fossem transferidos, propiciando neste momento uma fase promissora do presídio Urso Branco, uma fase de boas notícias, de que está melhorando. Talvez possamos levar agora à OEA [a informação] de que está em bom estado, reverter uma tendência que até um ano atrás era inevitável de a gente sofrer uma condenação. Então, o Brasil está enfrentando [os problemas de direitos humanos no sistema carcerário]. Mas ainda demora alguns anos para a gente deixar de ter o sistema prisional brasileiro como um sistema em colapso.

 

 

 

20/05/2009

Portal Segurança com Cidadania

http://www.segurancacidada.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=974&Itemid=247

Seminário discute papel da mídia na segurança pública

O Ministério da Justiça, o Viva Rio e o Instituto São Paulo Contra a Violência realizam, no dia 27 de maio, no Salão Negro do MJ, o Seminário Temático Mídia e Segurança Pública. O evento é uma etapa preparatória da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg) e tem o objetivo de reunir jornalistas, pesquisadores, estudantes e representantes de organizações civis e governamentais para debater o papel dos meios de comunicação na área.

O seminário será aberto às 9h30 pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. Pela manhã, o painel discutirá o tema “Mídia e segurança pública: diagnósticos e desafios dos meios de comunicação”. Participam a presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Tereza Cruvinel, a pesquisadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, Silvia Ramos, e o representante da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Ricardo Stefanelli. O debate será mediado pelo jornalista Fernando Molica, do jornal O Dia.

À tarde, a discussão será sobre “Propostas e diretrizes para a atuação da mídia num novo paradigma de Segurança Pública”. Mediado pelo jornalista Aziz Filho, da TV Brasil, o debate terá participação da presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Angelina Nunes, e dos pesquisadores Paulo Vaz (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Suzana Varjão (Fórum Comunitário de Combate à Violência).

O resultado do evento será sistematizado em uma publicação – Caderno Temático Mídia e Segurança Pública – e seu conteúdo servirá de subsídio para as discussões que ocorrerão na etapa nacional da 1ª Conseg, marcada para 27 a 30 de agosto, em Brasília.

Convocada em dezembro de 2008 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Conferência vai definir diretrizes e princípios de uma política nacional de segurança pública. É a primeira vez que sociedade civil, poder público e trabalhadores da área discutem, juntos, soluções para o enfrentamento à criminalidade.

Mais informações no site: www.conseg.gov.br

Inscrições

Os interessados em participar do seminário devem encaminhar ficha de inscrição para o  e-mail: midiaeseguranca@conseg.gov.br Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo

A inscrição é gratuita.

Fonte: Ministério da Justiça

 

 

 

 

20/05/2009

SAP

http://www.sap.sp.gov.br/common/noticias/0400-0499/not442.html

Saúde é o que interessa

Unidades do Complexo Campinas-Hortolândia, de São José do Rio Preto e de Pacaembu incentivam reeducandos e funcionários a ter uma vida mais saudável

 

A prática de exercícios físicos, o monitoramento da pressão arterial, da glicemia e realização de exames periódicos são algumas das ações desenvolvidas nas unidades da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) para garantir a saúde de funcionários e reeducandos. Para incentivar as boas práticas, as unidades prisionais promovem durante todo o ano uma série de eventos.

As Comissões Internas de Prevenção a Acidentes (CIPAs) das unidades de Campinas e Hortolândia aproveitaram as comemorações do Dia Mundial da Atividade Física, para promover uma caminhada pelas ruas do Complexo Penitenciário, no dia 06/04. Participaram da atividade 180 funcionários e, ao final, o Centro de Progressão Penitenciária (CPP) Professor Ataliba Nogueira ofereceu um coffee break.

Palestra em SJRP

No Centro de Ressocialização Feminino (CRF) de São José do Rio Preto foram ministradas palestras de incentivo à atividade física e de esclarecimento sobre alcoolismo. Com o título “A Importância da Atividade Física na Vida das pessoas”, o palestrante professor de Educação Física, João Claudino Mansera Júnior discorreu sobre a importância dos exercícios físicos e da reeducação alimentar para a manutenção da saúde. Ele destacou que esses cuidados devem ser observados por todos. “Mesmo quem aparentemente está no peso ideal pode ter problemas futuros, por conta do alto percentual de gordura corporal”, alertou.

Durante outra palestra, realizada em fevereiro, o tema alcoolismo já havia sido abordado por Odair José Baldin, da “Vox Dei Casa de Apoio de São José do Rio Preto”. Na oportunidade ele falou sobre a gravidade do alcoolismo, doença que, segundo ele, afeta 10% da população mundial e que é “progressiva, incurável e fatal". Baldin ressalvou que, embora tenha um componente genético, o hábito de beber é gatilho que abre brechas para o surgimento da doença. "Uma pessoa que adquire o hábito de beber vai desencadear aquela série de etapas que envolvem a dependência física e psicológica do álcool. A freqüência do ‘beber' produz aumento da tolerância ao álcool, ou seja, a pessoa passa a consumir volumes crescentes da bebida para ter os mesmos efeitos", explica. “O organismo passa a necessitar de doses alcoólicas para realizar as funções cotidianas, e a pessoa passa a não se sentir bem sem o álcool", completa.

Atenção aos reeducandos

Os reeducandos também recebem atenção especial nas unidades. O CPP de Pacaembu realizou pela primeira vez no dia 17/04 uma Feira, aproveitando a comemoração do Dia Mundial da Saúde, celebrada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde 1948.

A Feira de Saúde foi realizada em parceria com a Prefeitura Municipal de Pacaembu, Faculdades Adamantinenses Integradas da cidade Adamantina e União das Faculdades da cidade de Dracena. A Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN) expôs várias maquetes, tendo como enfoque principal a dengue e leishmaniose e alertou para a importância da participação da população no controle dessas doenças.

Os profissionais do CPP se dividiram para dar atendimento intensivo aos internos. A área de serviço social, por exemplo, abordou temas relacionados aos benefícios do INSS, orientação quanto à aquisição de documentos pessoais, registro de filhos e de casamento. Profissionais de psicologia fizeram palestras sobre as características e tratamento da depressão, como lidar com o estresse e fobias. Os presos foram orientados quanto aos benefícios da atividade física e dos perigos do excesso de exercícios sem orientação profissional pelos técnicos de Educação Física. A Enfermagem proferiu palestras educativas sobre Dst/Aids, Hanseníase, Tuberculose.

Participaram da Feira de Saúde 170 presos, que tiveram sua pressão arterial aferida, além de peso e índice glicêmicos verificados. Foi constatado que 12% deles apresentavam, naquele momento, pressão arterial alterada. Eles serão acompanhados diariamente pelo setor de Saúde da unidade. Não foi detectada alteração na glicemia de nenhum reeducando.

A direção do CPP de Pacaembu avalia que a 1ª Feira de Saúde foi um sucesso. “Uma vez que houve grande interesse dos reeducandos e a interação entre os profissionais sucedeu de forma positiva”, avaliou a diretora de Saúde, Susette Aparecida Valente dos Santos.

 

 

 

19/05/2009

SEDH – Secretaria Especial de Direitos Humanos

http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sedh/noticias/ultimas_noticias/MySQLNoticia.2009-05-19.2318

Acre é sede nesta semana de oficina internacional de monitoramento contra a tortura

 

A Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR), por meio da Coordenação Nacional de Combate à Tortura, em parceria com a Associação para a Prevenção da Tortura (APT), organização internacional não-governamental de direitos humanos, a 4ª Oficina Internacional de Monitoramento em Locais de Privação de Liberdade no Brasil. O encontro começou ontem (18) e termina na próxima quinta-feira (21), em Rio Branco.

“O objetivo principal é aprimorar e fortalecer as técnicas e metodologias de monitoramento de locais de privação de liberdade no Brasil por meio da distribuição de um manual prático, da reflexão sobre desafios chaves e da troca de experiências”, afirma Pedro Montenegro, coordenador-geral da área na SEDH. Segundo ele, são realizados anualmente no Brasil oficinas de capacitação com o objetivo de prevenir a tortura e maus-tratos.

Participam do evento a consultora do Programa para as Américas da APT, Sylvia Dias, membro do Conselho Consultivo da APT, Walter Suntinger, a psicanalista e terapeuta do Projeto Clínico do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, Tânia Kolker, e a coordenadora do Programa de Visitas de Monitoramento da Associação para a Prevenção da Tortura (APT), Barbara Bernath.  
O manual prático “Monitoramento de Locais de Detenção: Um Guia Prático”, publicado pela ATP e reimpresso pela SEDH, será distribuído aos participantes.

4ª Oficina Internacional de Monitoramento em Locais de Privação de Liberdade no Brasil
Data: 18 a 21 de maio de 2009   
Horário: 9h às 17h30      
Local: Hotel Imperador - Rua Inês, 401, Rio Branco, Acre

 

 

 

19/05/2009

JT

Detentas e filhos passam frio em CDP

Após transferência para Franco da Rocha, 60 presas e seus bebês vivem drama em presídio

Josmar Jozino, josmar.jozino@grupoestado.com.br

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) transferiu sexta-feira 60 mães e seus bebês do Centro de Atendimento Hospitalar à Mulher Presa (CAHMP), no Butantã, zona oeste, para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Franco da Rocha, Grande São Paulo. Segundo funcionários, a unidade não tem condições para abrigar as crianças. Muitas delas - inclusive uma com 10 dias de vida - estão dormindo em colchonetes colocados no chão frio porque não há berços nem camas.

A SAP informou que a transferência foi necessária porque a Penitenciária Feminina do Butantã, onde fica o CAHMP, apresentou problemas em sua estrutura, colocando em risco a integridade física da população carcerária. A nota diz ainda que o CDP passou por mudanças em sua infraestrutura para adequação ao perfil feminino e dispõe de ambulatório para atendimento às mães presas e aos bebês. Funcionários, no entanto, desmentem a SAP. Segundo agentes penitenciários, as presas estão em celas úmidas, sem berços nem camas. As presas dormem em colchonetes , no chão com as crianças, porque é arriscado deixar os filhos nos treliches de pedra. Alguns são altos e se o bebê cair à noite pode sofrer traumatismo craniano e morrer.

Agentes disseram ainda que no CDP não há ambulatório nem médicos e pediatras. Só há um chuveiro com água quente e mesmo assim no pátio. Se um bebê precisar de inalação, a mãe terá de andar com o filho no colo, ao relento, 60 metros. As janelas das celas não têm vidros e à noite faz muito frio. Duas crianças foram hospitalizadas. Ainda segundo agentes, há muitos ratos e baratas no CDP : “Isso também coloca em risco a saúde de mães e filhos. Além desses problemas, nós agentes fomos transferidos sem que houvesse publicação no Diário Oficial do Estado”, reclamou uma funcionária.

 

 

 

19/05/2009

Folha de São Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u568031.shtml

Gays ganham ala especial em presídio de Minas

PAULO PEIXOTO           
da Agência Folha, em Belo Horizonte

Os presos homossexuais da região metropolitana de Belo Horizonte (MG) ganharam uma ala especial em um presídio recém-inaugurado em São Joaquim de Bicas.

A ala especial dos homossexuais, aberta há um mês, permite que os travestis e transexuais mantenham, por exemplo, os cabelos compridos, o que não podem fazer em presídios masculinos.

Funcionando ainda em caráter experimental, a ala tem hoje 37 presos nas dez celas (cada uma para até quatro presos).

Além da valorização da autoestima, a medida tem como objetivo combater a violência a presos homossexuais e também preservar a saúde deles.

A criação da ala foi feita a pedido do Centro de Referência de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros, da Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado, que é dirigido pela transexual Walkiria La Roche.

Segundo a Secretaria da Defesa Social, a criação da ala não significa que haja privilégio aos presos homossexuais. A ideia, segundo a pasta, é retirá-los da situação de risco e de violência.

"A violência existe, sim, mas a saúde vem em primeiro lugar. E não é a saúde só deles [dos homossexuais]. É de todos os presos que estão ali", diz La Roche. Segundo ela, é a primeira experiência do gênero no país.

La Roche afirma que os presos comuns com direito a visita íntima recebem preservativo para o ato sexual, mas, quando cometem violência sexual na cadeia, não se preocupam com isso. Por serem discriminados, os homossexuais são as principais vítimas dos presos.

Segundo ela, ainda será decidido se os presos homossexuais terão direito a visitas íntimas.
Por três meses, La Roche fez reuniões com presos homossexuais e ouviu deles os principais problemas nos presídios.

A adesão à ala é espontânea. Caberá ao preso homossexual procurar o governo e dizer que deseja ir para lá. Mas, como se trata de um projeto experimental, não há definição sobre a ampliação de vagas.

Vice-presidente do Cellos-MG (Centro de Luta pela Livre Orientação Social) e coordenador de um espaço público destinado a um movimento de lésbicas, gays e travestis de BH, Luís Schalcher elogia o projeto.

"É positivo, inclusive quando falamos de travestis e transexuais, que têm os direitos humanos mais vilipendiados."

Minc

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, criticou ontem, no Rio, posições da Igreja Católica em relação à homossexualidade. Militante do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), ele criticou a oposição ao projeto de lei que criminaliza a homofobia e à distribuição de camisinhas. A CNBB não respondeu às declarações. Minc participou do ato de instalação do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT.

 

 

 

 

19/05/2009

IBCCRIM

http://www.ibccrim.org.br/site/noticias/conteudo.php?not_id=13285

Calamidade prisional no ES denunciada pelo CNPCP continua

Como noticiou o PORTAL IBCCRIM em 19/05/2009, recentemente, o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária – CNPCP –, por meio de seu presidente, Sérgio Salomão Shecaira, solicitou ao procurador geral da República pedido de intervenção federal no Espírito Santo, por conta de gravíssimas violações aos direitos humanos no sistema prisional capixaba.

Além disso, foram requeridas providências em face de membros do Executivo, Ministério Público e Judiciário do Estado, por conta de omissão em caso de tortura.

Conforme informou o site www.gazetaonline.globo.com, Shecaira disse à Rádio CBN Vitória:

"Eu estive na Casa de Custódia de Viana e nos presídios em contêineres em Novo Horizonte, na Serra. Nesses dois locais eu constatei uma situação caótica e levei essa situação ao secretário de Justiça Ângelo Roncalli. Em função de ele não ter tomado nenhuma providência e particularmente pelo fato dele ter dito que não faria nada para minimizar os problemas desses dois locais, eu propus a intervenção do Espírito Santo";

"Aprovamos uma moção, com um conjunto de medidas. Inclusive medidas para processar o secretário e subsecretário de Justiça por crimes de tortura e omissão. Fiz uma representação ao Conselho Nacional do Ministério Público e da Justiça, pedindo a punição do juiz de Execuções Penais e promotores, porque sabendo do que ocorre, não tomaram qualquer providência sobre essa 'barbárie' que está acontecendo no Espírito Santo".

"Pessoas vêm sendo esquartejadas ao longo de vários anos. Quanto solicitei intervenção do secretário Ângelo Roncalli, ele afirmou que em 2010 ou 2011 o problema seria resolvido com a conclusão de novos presídios que sequer começaram a ser construídos. Enquanto isso os presos ficam a mercê de quadrilhas dentro dos presídios. Os presos estão se matando".

Após as revelações do CNPCP, a Ordem dos Advogados do Brasil, por meio de seu presidente nacional, manifestou apoio às conclusões do órgão.

Por conta do episódio, juízes do Conselho Nacional de Justiça – CNJ – foram especialmente enviados ao Espírito Santo, mas não conseguiram entrar na Casa de Custódia de Viana ontem para inspecionar o local.

O juiz Erivaldo Ribeiro asseverou que foi orientado pela polícia a não adentrar no presídio, pois havia um princípio de rebelião por causa assassinato de um detento, momentos antes de sua chegada. Segundo ele: "A situação é grave e, felizmente, o Estado reconhece essa gravidade. Em nosso relatório recomendaremos providências, pois o que vimos é uma situação de afronta à Constituição Federal. Temos regras mínimas de encarceramento no Brasil".

O CNJ anunciou um mutirão carcerário emergencial, para rever os processos de presos no ES. Há previsão de que no sábado (23/05/2009) o presidente do CNJ, ministro Gilmar Mendes, vá ao ES dar início à medida.

 

 

 

19/05/2009

Susepe

http://www.agenciaprisional.go.gov.br/noticias/noticia_pub.php?publicacao=53491

Presos da CPP de Rio Verde têm atendimento médico dentro da própria unidade

 Os presos da Casa de Prisão Provisória de Rio Verde receberam, nesta terça-feira (19/05), pela manhã, atendimento médico dentro da própria unidade prisional. Ainda pela manhã, uma parceria entre a unidade e a Secretaria Municipal de Saúde foi firmada para que o atendimento no local seja realizado semanalmente.

De acordo com o diretor da unidade, Edimar Emídio de Lima, o atendimento dentro da unidade facilitará o acompanhamento médico dos presos e trará mais tranquilidade ao presídio. “Com atendimento médico em nossa unidade, desafogará aquela unidade hospitalar trazendo também segurança para nossa escolta. Creio que foi um avanço muito significativo para a CPP”, completa o diretor.

A equipe de saúde, formada por um médico e um técnico em enfermagem, atenderá, dentro do presídio, casos mais simples, de fácil atendimento. Os atendimentos de emergência, urgência e casos mais complexos continuarão sendo encaminhados à rede pública de saúde.

 

 

 

19/05/2009

Susepe

http://www.agenciaprisional.go.gov.br/noticias/noticia_pub.php?publicacao=53487

Artesanato dos presos de Rio Verde é exposto em feira

 

O artesanato produzido por presos do Centro de Inserção Social (CIS) de Rio Verde estará exposto, de 20 a 23/05, na Feira Expo Mulher 2009, no Shopping Rio Verde. Cerca de 50 peças produzidas a partir de madeira; como baús, cofres, porta objetos, bandeijas, carros e artigos de decoração; produzidas por nove detentos, estão à venda por preços que variam de R$15 a R$120. A renda obtida será revertida para a compra de materiais para a manutenção da atividade e para as famílias dos presos envolvidos no trabalho.

De acordo com o diretor da unidade, Leandro Souza da Cunha, a divulgação do trabalho estimula a atividade dentro do CIS. “O artesanato é muito presente no mercado aqui da região. Por isso, incentivar essa atividade é promover a profissionalização, a geração de renda e a reinserção social desses indivíduos”, explica Leandro.

Os presos que trabalham com artesanato também recebem remissão da pena (um dia a menos na pena para cada três dias trabalhados).

 

 

18/05/2009

Estadão

http://www.estadao.com.br/geral/not_ger372913,0.htm

Detento é morto horas antes de inspeção do CNJ no ES

MARIÂNGELA GALLUCCI - Agencia Estado

Autoridades do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que inspecionaram hoje a Casa de Custódia de Viana, no Espírito Santo, relataram que as condições de encarceramento no presídio são "medievais". De acordo com os inspetores, os pavilhões estão destruídos, não há mínimas condições de higiene e existem denúncias da ocorrência de tortura e até de esquartejamentos no local. Horas antes da chegada dos juízes, um homicídio foi registrado na prisão. Uma apuração será realizada para descobrir se o morto foi vítima de tortura, uma das práticas em investigação pelo CNJ.      

De acordo com uma das autoridades que participou da visita ao estabelecimento prisional, uma das hipóteses em cogitação é a interdição e até mesmo "implosão" do prédio. Integrantes do CNJ deverão passar a semana no Espírito Santo inspecionando presídios. O presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, deverá chegar a Vitória no sábado para participar do anúncio das medidas que serão tomadas para tentar resolver o problema.



Na Casa de Custódia de Viana há 1.200 presos. O local foi projetado para abrigar menos de 400 detentos. As divisões entre as celas foram destruídas durante uma rebelião. Com isso, cada pavilhão está com cerca de 400 detentos, que cumprem pena em regimes diferentes, e, por causa da falta de divisórias, frequentam as celas uns dos outros.

 

 

 

18/05/2009

PNUD

http://www.pnud.org.br/seguranca/reportagens/index.php?id01=3211&lay=jse

 

Feira mostrará ações de segurança pública 

Iniciativas serão expostas durante a 1ª conferência nacional sobre o tema; representantes vão participar de oficina e trocar experiências

MARIANA DESIDÉRIO   
da PrimaPagina

Iniciativas voltadas para a segurança pública podem se inscrever até 12 de junho para a Feira de Conhecimento em Segurança com Cidadania da 1ª Conseg (Conferência Nacional de Segurança Pública). No total, são 45 vagas. As ações selecionadas serão expostas durante toda a conferência (que acontece de 27 a 30 agosto em Brasília) e receberão um certificado do PNUD e do Ministério da Justiça.

A principal proposta da feira é que as iniciativas façam contato umas com as outras. “Vamos promover rodadas de negócio, onde as experiências vão firmar cartas de intenção para o futuro. O objetivo é promover a troca de conhecimento”, define a oficial de programa do PNUD, Érica Massmo Machado. “Nós estaremos lá para estimular, e para ajudá-los a definir como as cartas de intenção serão concretizadas. Porque a feira tem um pré, a própria feira e um pós. Se não cuidamos também do pós-feira acaba ficando só na exposição”, defende.

Além da interação com as demais iniciativas expostas, quem tiver um espaço na feira será apresentado a projetos internacionais de referência em segurança pública. Os expositores das ações participarão ainda de uma oficina do PNUD sobre como sistematizar e disseminar suas experiências, uma grande dificuldade de iniciativas do tipo, segundo Érica. Outra atividade prevista é um painel com agências da ONU e órgãos financiadores, que pretende fazer com que os projetos conheçam melhor as possibilidades de financiamento existentes para seu tipo de ação. “A idéia é que tenha uma programação específica, e não apenas a exposição das iniciativas”, afirma a oficial do PNUD.

Para participar da feira, os projetos devem ter no mínimo um ano de experiência e se encaixar em um dos temas a serem discutidos na Conseg. São eles: “Gestão democrática, controle social e externo, integração e federalismo”, “Financiamento e gestão da política pública de segurança”, ”Valorização profissional e otimização das condições de trabalho”, “Repressão qualificada da criminalidade”, “Prevenção social do crime e das violências e construção da paz”, “Diretrizes para o Sistema Penitenciário” e “Diretrizes para o sistema de prevenção, atendimentos emergenciais e acidentes”. As iniciativas podem ser desenvolvidas tanto por órgãos do setor público quanto por entidades não-governamentais.

Depois de uma primeira seleção de acordo com esses critérios, as iniciativas passarão ainda pela comissão de avaliação da feira e, as que passarem por esta segunda fase, serão chamadas para esclarecer detalhes sobre o trabalho que realizam. Para se inscrever, é preciso preencher a ficha de inscrição que está anexa ao edital da feira. As inscrições devem ser envidas para o e-mail feira@conseg.gov.br até 12 de junho.

 

 

 

18/05/2009

Susepe

http://www.agenciaprisional.go.gov.br/noticias/noticia_pub.php?publicacao=53461

Presos de Corumbá de Goiás prestam serviços em prédios públicos da cidade

 

A direção da unidade prisional de Corumbá de Goiás, por meio de parceria com a prefeitura da cidade, emprega quatro presos do regime fechado em trabalhos de serviços gerais prestados em prédios públicos do município. Nesta segunda-feira, 18/05, os detentos passarão o dia na roçagem e limpeza do posto de saúde de Corumbá. A rotina é pautada por uma agenda mensal elaborada pela prefeitura, de acordo com as necessidades da administração municipal. No total, já foram prestados serviços em 10 colégios municipais, um posto de saúde, um sindicato rural e o parque infantil da Praça Major João Mendes.
Na última sexta-feira, os presos participaram do Programa Justiça Ativa, realizado pelo Judiciário local no atendimento à comunidade com serviços de atenção ao cidadão, como confecção de documentos e abertura de processos judiciais. Os detentos realizaram a limpeza do Colégio Estadual André Gaudi, onde ocorreu o Justiça Ativa, e trabalharam na instalação de computadores para a realização do evento. “O juiz da Comarca local, Levine Raja Artiaga Gagaglia, no discurso que fez durante o evetno, elogiou a participação dos presos no Justiça Ativa e ressaltou a importância da oportunidade de trabalho para o preso e seus reflexos para a sociedade em geral”, informou o diretor do presídio de Corumbá, Rubens José Moreira.
Nos dias de trabalho, os presos são acompanhados por escolta formada por agentes de segurança prisional que estão de folga. Pela escolta, a prefeitura oferece uma ajuda de custo aos agentes. Já os presos são beneficiados com uma cesta básica por mês e contam tempo para a remição ( para cada três dias trabalhados, um a menos no cumprimento da pena).

 

 

 

 

18/05/2009

Conjur

http://www.conjur.com.br/2009-mai-18/cnj-confirma-precariedade-sistema-carcerario-es-promete-mutirao

 

CNJ confirma condições precárias de presídio do ES

Os juízes Erivaldo Ribeiro e Paulo Tamburini, auxiliares da presidência do Conselho Nacional de Justiça, farão relatório sobre a Casa de Custódia de Viana, na região metropolitana de Vitória (ES). Segundo eles, o local está "em precárias condições, com superlotação e com grave afronta à Lei de Execução Penal". As informações são da Agência Brasil.

Erivaldo Ribeiro confirmou que será feito um mutirão carcerário (como os que já foram feitos em Porto Alegre e Porto Velho em 2008) para verificar a situação de cumprimento de pena das pessoas que permanecem detidas, superlotando os presídios.

Segundo o juiz, a falta de controle dificultou o próprio trabalho de inspeção. "Os pavilhões estão sob controle dos presos e não tem como os agentes penitenciários entrarem para verificar qualquer irregularidade que esteja acontecendo. Nós não pudemos ter acesso aos presos, dada a absoluta falta de segurança. Os próprios policiais, que faziam a escolta, não tinham segurança”, admitiu o juiz.

Erivaldo Ribeiro avaliou que “a cadeia está fora de controle do Estado. Os presos circulam livremente entre os pavilhões, não tem mais celas”. Conforme o juiz, não houve condições para aprofundar relatos de tortura. Apesar disso, a inspeção verificou um relato de homicídio dentro do presídio. Segundo o jornal A Gazeta, de Vitória, policiais informaram que José Carlos Antônio dos Santos, de 43 anos, teria sido espancado até a morte por outros detentos ainda durante a madrugada.

Nessa terça-feira (19/5), a missão deverá seguir para o presídio de Novo Horizonte, em Serra (no entorno de Vitória), onde também há denúncias de pessoas detidas em contêineres, como na Casa de Custódia.

 

 

 

 

18/05/2009

Adital

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&lang=PT&cod=38743

 

Brasil - Penas Alternativas: solução ou mais punição?

 

 

 


Pastoral Carcerária *


Por José de Jesus Filho

Assessor Jurídico e membro da Coordenação Nacional da Pastoral Carcerária


O Ministério da Justiça divulgou recentemente a notícia de que os/as condenados/as a penas alternativas superaram o número de pessoas sob privação da liberdade. No primeiro semestre de 2008, quase 500 mil presos estavam cumprindo pena alternativa.

No entanto, o que o Governo apresenta como positivo, ao menos implicitamente, pode na verdade significar a expansão do controle penal a pessoas que antes não eram atingidas.

A lei que ampliou o rol das penas alternativas e elevou para quatro anos o tempo máximo da pena para que haja substituição da pena privativa de liberdade para alternativa data de 1998. A idéia básica para criação das penas alternativas seria justamente reduzir o número de pessoas levadas à prisão por sentença condenatória e assim baixar o número de presos com vistas a uma execução penal coercitiva e mais humana.

O Ministério da Justiça não fornece o número da população prisional de 1998, mas a do final de 1997 era de 170.207 e a taxa por 100 mil habitantes era de 108,6. Dez anos depois da publicação da lei, as penas alternativas alcançaram e superaram o número de presos. Em junho de 2008 a população prisional era de 440 mil com uma taxa de 227 por 100 mil habitantes, ou seja, o crescimento da população prisional em relação à população geral dobrou.

O Brasil é o 4º País no mundo em número de presos. É também o segundo país na América Latina em número de presos por 100 mil habitantes, perdendo somente para o Chile.

Em janeiro deste ano, a SAP anunciou a construção de 44 novas unidades prisionais. Se somarmos os privados de liberdade com aqueles cumprindo pena alternativa nos aproximaremos de 1 milhão de apenados. Isso sem contar aqueles que estão em livramento condicional e regime aberto, o que eleva esta cifra a bem mais de um milhão de pessoas.

Esses números parecem contradizer a idéia de que a expansão das penas alternativas reduz o número de presos. Eles nos levam a crer que elas tendem a aumentar o controle penal, atingindo agora pessoas que antes não eram.

Uma das razões que parecem explicar esse fenômeno é o fato de que as penas restritivas de direito ou alternativas estarem sendo aplicadas cumulativamente com as privativas de liberdade. Com efeito, há casos em que somente se alcança a substituição da pena no Tribunal, ou seja, em segunda instância, quando a pessoa já permaneceu por meses ou por anos aguardando em prisão sentença definitiva.

Outro elemento importante a ser considerado é fato de que as prisões, mesmo antes do advento da lei das penas alternativas, são ocupadas principalmente por pessoas que praticaram roubo e tráfico de entorpecentes. Esses dois crimes juntos em 1997 superavam a cifra de 50% da população prisional. Em outras palavras, crimes que não contam com a substituição da pena. Enquanto isso, os crimes que merecem hoje pena alternativa são crimes de baixa lesividade e possivelmente não eram atingidos pelo poder punitivo do estado antes de 1998.

Esses dois aspectos, resistência dos juízes em aplicar as penas alternativas logo da sentença e o baixo alcance das penas restritivas de direito levaram à Pastoral Carcerária propor duas recomendações para uma melhor efetividade das penas alternativas:

1 - Ampliação do alcance das penas alternativas para penas superiores a 5 anos e não restrição dessa substituição a crimes não violentos e não hediondos.

2 - Que deixem de ser alternativas para serem autônomas para certos crimes como o furto e passar o papel de alternativo para as penas privativas de liberdade. Assim, diante da condenação por furto, a pena principal seria a restritiva de direito e a pena alternativa a prisão.

Há uma série de reformas necessárias em relação às penas restritivas de direito, mas estamos certos de qualquer mudança terá de tomar em conta as duas necessidades apontadas acima.

 

 

18/05/2009

Conjur

http://www.conjur.com.br/2009-mai-21/presenca-intencao-matar-nao-autoriza-desclassificacao-crime

 

Intenção de matar não desclassifica crime

A 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve decisão de primeira instância e não desclassificou a acusação para lesão corporal de acusado de tentativa de homicídio. O autor da ação foi acusado de ter dado três tiros na vítima e, ao perceber que ela ainda estava viva, disparou mais um tiro e a golpeou com um machado.

O autor da ação recorreu da sentença da Comarca de Nortelândia (MT), que o pronunciou por homicídio qualificado por motivo futil (delito tipificado no artigo 121, parágrafo 2º, inciso II, do Código Penal, na forma tentada (artigo 14, inciso II, do mesmo Código), determinando seu julgamento pelo Júri Popular.

Segundo os autos, em 13 de novembro de 1992 o denunciado deu três tiros na vítima e após ouvi-la gemer, teria dado outro disparo e um golpe com um machado. O homicídio só não foi concluído por circunstâncias alheias à vontade do agressor. A defesa sustentou que “não foi provado que ele teria praticado o crime de homicídio tentado e também a falta do animus necandi (vontade de matar), o que valeria o pedido de desclassificação para lesão corporal, consoante artigo 410 do Código de Processo Penal”.

O relator do caso, desembargador José Luiz de Carvalho, asseverou ser clara a presença da intenção de matar. O relator destacou o fato de o acusado ainda ter dado uma ‘machadada’ na vítima depois dos disparos. Seguindo o disposto no artigo 408 do Código de Processo Penal, que cita o convencimento do juiz sobre a materialidade e autoria do crime, cabendo a denúncia, o relator não acolheu o recurso, já que para ele as provas técnicas e as circunstâncias não deixaram dúvida da real vontade do acusado.

O voto do relator foi acompanhado pelos desembargadores Luiz Ferreira da Silva, atuante como primeiro vogal, e José Jurandir de Lima, como segundo vogal. Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-MT.

 

 

17/05/2009

Folha On-Line

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u567238.shtml

Secretário de Direitos Humanos critica situação carcerária no Espírito Santo

da Agência Brasil

O secretário adjunto da SEDH (Secretaria Especial de Direitos Humanos), Rogério Sotilli, criticou neste domingo as condições em que se encontram as unidades prisionais no Espírito Santo. "Nada justifica colocar presos em contêineres", disse o secretário, ao comentar a situação dos mais de 300 internos do presídio de Novo Horizonte, no município de Serra (ES).

 

Na última reunião do Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, a situação caótica dos presídios do Espírito Santo foi colocada, e o conselho decidiu formar uma comissão para investigar o assunto. Essa comissão, segundo o assessor especial da SEDH José Guerra, deverá ser oficializada no início desta semana com sua publicação no "Diário Oficial".

Em um das penitenciárias, o conselho identificou pessoas presas em contêineres, cercados de lixo e esgoto a céu aberto e grande quantidade de insetos.

O objetivo é fazer um levantamento dos principais problemas e, ao final do trabalho, elaborar recomendações que deverão ser adotadas pelo sistema penitenciário local. "Ela funcionará nos moldes da comissão que investigou o presídio Urso Branco, em Rondônia", destacou Sotilli.

O trabalho da comissão deverá incluir visitas aos presídios, conversas com os detentos, com as autoridades locais e ainda uma documentação por meio de fotografias.

"As fotos têm um peso muito importante nesse caso. As que vimos no relatório apresentado pelo Conselho de Política Penitenciária são degradantes", acrescentou Sotilli.

As denúncias de violação de direitos humanos nos presídios capixabas foram levadas ao conselho por representantes de movimentos sociais e pelo presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, Sérgio Salomão Shecaira.

Ele visitou duas unidades prisionais do Estado em abril deste ano e seu relatório foi enviado ao procurador geral da República Antônio Fernando Souza, juntamente com um pedido de intervenção federal no Espírito Santo.

 

 

 

 

16/05/2009

MP-GO

Secretário nacional de Justiça reconhece penas alternativas como parte integrante da política de segurança pública no encerramento do V Conepa

 

Uma importante ferramenta de combate à impunidade. Esta é, na visão do secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, uma das finalidades mais relevantes das penas e medidas alternativas. Suas considerações sobre o sistema de execução penal alternativa foram apresentadas ontem (15/5), na conferência de encerramento do V Congresso Nacional de Execução de Penas e Medidas Alternativas (V Conepa), realizado no Centro de Convenções de Goiânia.

Abordando o tema “Penas e Medidas Alternativas: Promovendo Segurança com Cidadania”, que foi a temática central do Conepa, Tuma Júnior salientou que a execução penal – incluindo o sistema de penas alternativas – não pode ser tratada somente como assunto de política penitenciária, mas, sim, dee integrar o contexto das ações de prevenção à criminalidade. “Não há como conceber uma política de segurança pública sem levar em consideração o sistema punitivo”, ponderou.       

O secretário sustentou ainda a importância de as penas alternativas não serem utilizadas apenas como contraponto às mazelas da pena de prisão, pois seu principal fundamento é a perspectiva de enfrentamento mais eficiente à impunidade. Neste sentido, Tuma Júnior advertiu sobre o risco de uma “banalização” e até descrédito do sistema de punição alternativa se não houver equilíbrio e sensatez na sua aplicação e monitoramento. Para isso, defendeu a necessidade de envolver comunidade, infrator e vítima no processo de cumprimento da pena.
Na argumentação do secretário, a consolidação do sistema de penas alternativas, aliada à humanização dos presídios, pode ser o caminho para garantir aos presos do País um tratamento condizente com o que determina a Declaração de Direitos Humanos. Mas ele também alertou que o principal aspecto a ser analisado em relação a qualquer política pública nesta área é o seu resultado, ou seja, se ela foi efetiva em reduzir a reincidência criminal e se possibilitou a reintegração social do detento.

Balanço positivo
Um saldo altamente positivo, com o fortalecimento da estratégia para consolidação das penas alternativas no País. Essa foi a avaliação dos organizadores sobre o V Conepa. Ao fazerem as considerações finais no encerramento do evento, a coordenadora-geral do Programa de Fomento às Penas e Medidas Alternativas do Ministério da Justiça, Márcia de Alencar, e o presidente da Comissão Nacional de Apoio às Penas e Medidas Alternativas (Conapa), Geder Luiz Rocha Gomes, destacaram a relevância e a profundidade dos debates ocorridos nos três dias de congresso, bem como suas conclusões. E ressaltaram como fator decisivo para o sucesso do Conepa o empenho e a dedicação do coordenador científico, Fernando Braga Viggiano.
Visivelmente emocionado com as menções, Viggiano aproveitou o momento para agradecer a todos que contribuíram para a realização do congresso em Goiás, sobretudo à equipe do Ministério Público de Goiás, citada nome por nome. Ele destacou ainda o apoio da família, em especial a mulher, Grasiela, e a mãe, Marylene.           
Uma homenagem também marcou a solenidade. Como reconhecimento pela realização do congresso, os organizadores do Conepa entregaram um buquê de flores a Márcia de Alencar. A programação foi concluída de forma descontraída, com o show dos músicos Tom Chris e Luiz Chaffin, no teclado e no violão.

VI Conepa na Bahia        
A Bahia será a sede da sexta edição do Congresso Nacional de Execução de Penas e Medidas Alternativas. É o que foi decidido no último dia do V Conepa. A data do evento também ficou definida: será em abril, na semana que antecede o Congresso Mundial da ONU sobre Justiça Criminal e Execução Penal, que será realizado em 2010 na capital baiana. O encontro internacional deve reunir representantes de 120 países. A ideia da organização do Conepa é levar as conclusões do congresso para o evento da ONU.

Defensoria
Acolhendo proposta da Conapa, os participantes do V Congresso Nacional de Execução de Penas e Medidas Alternativas aprovaram moção em favor da imediata instalação da defensoria pública em Goiás. (Ana Cristina Arruda/Assessoria de Comunicação Social – Fotos: João Sérgio)

 

 

 

16/05/2009

Diário Catarinense

http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&newsID=a2517985.htm

Presos trabalharão em empresas em Joaçaba

Os secretários Justiniano Pedroso (Justiça e Cidadania) e Jair Antônio Lorenzetti (SDR Joaçaba) assinaram nesta sexta-feira (15) três convênios com a iniciativa privada para a contratação da mão-de-obra de presos do Presídio Regional de Joaçaba. Dezesseis detentos trabalharão na área industrial, o que garantirá salário mínimo e redução de pena de um dia para cada três de trabalho.

_A experiência que temos com estes convênios é muito satisfatória. Após o cumprimento de pena, três ex-presos foram contratados por uma empresa de fabricação de turbinas para geração de energia”, afirmou Pedroso.

O convênio, entre a Hidráulica Industrial SA/WEG e o Departamento de Administração Prisional (Deap), existe há cerca de quatro anos, no qual 12 presos, oito do regime fechado e quatro do semi-aberto, trabalham no polimento das pás de turbinas.

Os convênios assinados nesta sexta-feira são com as empresas COPERIO, Ermetal Artefatos Metálicos e Prestadora de Mão de Obra Forte, nas quais os presos realizarão trabalhos de serviços gerais, fabricação de esquadrias e de carrocerias, respectivamente. Do valor que recebem como pagamento, R$ 415, 25% é da unidade prisional para custear despesas e o
restante fica com o trabalhador.

_Temos um compromisso com a sociedade de ressocialização dos presos. E para eles, oferecemos emprego e oportunidade de futuro_ disse Pedroso.

 

 

 

16/05/2209

Jornal recomeço

http://www.jornalrecomeco.blogspot.com/

 

Prisão - Espírito Santo

INACREDITÁVEL

Prisão no Brasil é uma infâmia que deveria envergonhar os brasileiros e a intervenção deveria ser internacional

O uso de contêineres como celas levou o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária a pedir à Procuradoria-Geral da República que apresentasse pedido de intervenção federal no ES

Leia trecho da notícia:

Shecaira também relatou o "rio de esgoto" que corre entre as fileiras de dez contêineres empilhados e cobertos com uma estrutura metálica. Na sexta-feira (15), quando a "Agência Brasil" esteve no presídio, observou que o esgoto corria na pequena área destinada ao banho de sol dos internos. "Na água preta e fétida encontravam-se insetos, larvas, roedores, garrafas de refrigerantes, restos de marmitas, restos de comida, sujeiras de todos os tipos. A profundidade daquele rio de fezes e dejetos chegava a 40 centímetros, aproximadamente", diz o documento. "Poucas vezes na história, seres humanos foram submetidos a tanto desrespeito.

Vencendo a repugnância do odor, aproximamo-nos dos presos. Novas denúncias de comida podre e de violências. Encontramos um preso com um tiro no olho e outro com marcas de bala na barriga. Marcas de balas na parte externa dos contêineres são comuns. A promiscuidade impera", destaca o relatório.

Leia notícia completa no Portal UOL

 

 

 

 

 

16/05/2009

Direitos Humanos

http://www.direitos.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=5175&Itemid=1

Conselho Penitenciário constata indícios de tortura e esquartejamento em presídio capixaba

 

Vitória - Além de denunciar as precárias condições do presídio de contêineres localizado no Espírito Santo (ES), o pedido de intervenção federal no estado, apresentado pelo Conselho Nacional de Políticas Criminal e Penitenciária (CNPCP), também destacou indícios de práticas de tortura e de esquartejamentos nos presídios capixabas. O documento de 12 páginas, enviado ao procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza, relata ainda a visita feita pelo conselho à Casa de Custódia de Viana (Cascuvi), na região metropolitana de Vitória.

Luciana Lima Agência Brasil

“A segurança inexiste para presos ou visitantes. Nos últimos anos, há denúncias de vários corpos de presos esquartejados. Quando os corpos são achados - ou ao menos partes deles - a administração reconhece as mortes. Quando não são encontrados, a administração afirma supor ter havido fuga. Visitamos os pavilhões cercados por guardas armados. Tentaram nos impedir a visita, alegando problemas de segurança. No contato com os presos, soubemos dos casos de tortura”, destaca o documento assinado pelo presidente do CNPCP, Sérgio Salomão Schecaira.

O pedido foi entregue ao procurador há uma semana. Caso ele considere a necessidade da intervenção, poderá pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) que determine a medida. No relato de Shecaira sobre a Cascuvi, ele ressaltou ainda a falta de higiene do local e complementou as informações com fotos tiradas pela equipe que o acompanhou.

“Já na entrada do presídio, o subsecretário [para Assuntos do Sistema Penal, coronel José Otávio Gonçalves] tentou impedir que nós utilizássemos máquinas fotográficas para registrar a visita. Alegou questão de segurança. Quando afirmamos que não haveria qualquer visita sem registro fotográfico, a questão de segurança foi imediatamente superada”, destacou Shecaira.
“O estado de deterioração dos edifícios é digno de nota. Como não há qualquer controle sobre os presos, partes dos pavilhões, em sucessivos períodos, foram sendo destruídas. Não há luz elétrica. Não há chuveiros. A água é fornecida

 

 

somente ao final do dia. Durante a noite, os pavilhões são iluminados com holofotes, direcionados das muralhas. O estado de higiene é de causar nojo. Colônias de moscas, mosquitos, insetos e ratos são visíveis para quaisquer visitantes. Restos de alimentos são encontrados em meio ao pátio. Larvas foram fotografadas em várias áreas do presídio. Não qualquer atividade laboral”, diz o documento.

No dia da visita, de acordo com o relatório, o presídio, que tem capacidade para abrigar 370 presos, tinha 1.177 detentos, distribuídos em três pavilhões. O presidente do CNPCP destacou a falta de controle das autoridades estaduais sobre o presídio. “Em nenhum dos pavilhões há grades nas celas. Os presos de cada pavilhão ficam misturados, sem qualquer agente penitenciário ou policial militar entre eles, seja dia ou noite. O presídio tem 25 agentes penitenciários, que não entram nos pavilhões. A Polícia Militar permanece na muralha. Entre a muralha e os pavilhões há cercas farpadas e cercas elétricas”, destaca o documento.

 

 

 

 

15/05/2009

Folha de São Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1505200905.htm

Força de facção é um mito, diz secretário

Antonio Ferreira Pinto (Segurança) diz que a polícia exagera sobre o poder do PCC para não ser questionada sobre crimes          

Para o secretário, hoje não existe a menor possibilidade de a onda de ataques criminosos de 2006 se repetir em São Paulo      


DA REPORTAGEM LOCAL

Ex-secretário da Administração Penitenciária entre junho de 2006 e março deste ano, Antonio Ferreira Pinto (Segurança) ganhou fama pela capacidade de conter as explosões do PCC (Primeiro Comando da Capital) nos presídios.          
Usou como ferramenta de controle o monitoramento das conversas telefônicas, com autorização judicial, dos principais líderes da facção.       
É com esse currículo que ele diz ser um mito o poder do PCC: "A polícia exagera o poder dessa facção. Há interesses subalternos em torno dessa apreciação exagerada. É uma forma de a polícia não ser cobrada por outras atividades delituosas, como desvio de carga, adulteração de combustível e tráfico".  
Hoje, segundo Ferreira Pinto, o que se chama de PCC "são 20, 30 presos perigosos, traficantes, que têm no celular uma grande arma, mas não têm condição nenhuma de colocar em xeque as instituições, como ocorreu em 2006" -quando São Paulo ficou paralisada por uma série de ataques. 
Para o secretário, esse cenário apocalíptico não tem a menor chance de acontecer novamente: "O Estado está aparelhado para dizer que os ataques de três anos atrás não vão se repetir. Qualquer facção criminosa que possa existir no sistema prisional está sob controle".
Ele diz que o exagero sobre o PCC não significa que não existam outros grupos envolvidos no crime organizado.      
Segundo o secretário, a lavagem de dinheiro deve ser objeto de uma nova delegacia e de cursos para os policiais.
Uma das ideias é transformar o Denarc em delegacia de combate ao crime organizado, focada na lavagem de dinheiro.      
Até 2000, apesar de inúmeras ações atribuídas ao PCC, o governo paulista nem sequer admitia sua existência. Depois, quadros do governo passaram a minimizar a influência do grupo. Tal discurso se enfraqueceu em 2001, após uma megarrebelião ordenada pelos líderes da facção. (MARIO CESAR CARVALHO)

 

 

 

15/05/2009

SEDH – Secretaria Especial de Direitos Humanos

Conanda faz Assembléia em Vitória e visita unidades de internação: diante das violações de direitos constadas, membros pedem providências

 

Vitória recebeu a 174ª Assembléia Ordinária do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), entre os dias 12 e 14 de maio. Anualmente, duas assembléias descentralizadas, realizadas extraordinariamente fora de Brasília, como forma de estreitar relações com os conselhos estaduais dos direitos da criança e do adolescente e contribuir para o enfrentamento das violências mais corriqueiras nos estados.

Participaram, além do conselheiros do próprio Conanda, conselheiros estaduais e municipais e outros órgãos do sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente. Para debater políticas públicas de enfrentamento da violência sexual no Espírito Santo, o Conselho realizou uma Audiência Pública na Assembléia Legislativa do Estado, presidida pelo deputado estadual Cláudio Vereza. Depois, uma comissão formada por membros do Conanda visitou três unidades de internação, entre elas, o Centro Integrado de Atendimento Socioeducativo (Ciase), onde se constatou uma série de violações aos direitos da criança e do adolescente.

Os abusos presenciados motivaram os membros da comissão a redigirem a “Carta de Vitória”, endereçada aos governos estadual, federal e municipal, ao Tribunal de Justiça do Estado, entre outros, solicitando algumas providências. Segundo Benedito Rodrigues dos Santos, secretário-executivo do Conanda, a Secretaria de Justiça do governo estadual já assumiu o compromisso de atender às solicitações contidas na carta.

“O Ciase talvez seja a pior unidade de internação que já visitei. Era como se tivéssemos voltado à Idade Média, ao tempo das masmorras. É um lugar onde o estado de direito não chegou ainda”, relata Benedito. Leia a íntegra da Carta:


 

CARTA DE VITÓRIA

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), reunido na 174ª. Assembléia Ordinária, realizada de forma descentralizada em Vitória, Espírito Santo, nos dias 12 a 14 de maio, realizou uma audiência pública na Assembléia Legislativa com vistas ao debate das políticas públicas de enfrentamento da violência sexual no Estado.

Devido a denúncias relativas às mortes de dois internos na Unidade de Internação Socioeducativa (Unis) nos últimos 30 dias, bem como um novo  espancamento envolvendo outro adolescente no dia de ontem, o Conanda também realizou visitas às principais unidades e programas do sistema socioeducativo, ouvindo os servidores, operadores do sistema de segurança e justiça, bem como os próprios adolescentes.  

Destacam-se, inicialmente, alguns avanços na implementação do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), tais como: a inauguração nesta semana da primeira unidade de internação, construída com recursos  do Fundo Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, em consonância com os novos parâmetros arquitetônicos preconizados; a implantação do primeiro programa de semi-liberdade; a recente municipalização das medidas em meio aberto na região metropolitana; e, por fim, o compromisso do governo estadual na destinação de recursos que possibilitarão a construção de novas unidades de internação com vistas à desativação dos atuais equipamentos, hoje incompatíveis com as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, e as condições mínimas de dignidade humana.

Embora tenham sido observadas estas iniciativas, o Conanda identificou graves violações dos direitos dos adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas, desde a apreensão do adolescente, aplicação e execução da medida, tanto em meio aberto quanto em meio fechado, envolvendo distintas instâncias do Sistema de Garantia dos Direitos.

Das violações postas, ressaltamos a extrema precariedade das instalações prediais das unidades de internação, que operam com superlotação, insalubridade, sem iluminação e ventilação, rede elétrica danificada, condições sanitárias sub-humanas, alimentação imprópria para o consumo e para a faixa etária,  e que afrontam o princípio da dignidade humana e colocam em risco a saúde e a própria vida dos adolescentes.

Dentre as violações dos direitos dos internos estabelecidos no artigo 124 do ECA, identificamos a falta de acesso ao atendimento de saúde, à educação, à profissionalização, a atividades de lazer e meios de comunicação, à visita e contatos com familiares, aos objetos necessários à higiene e asseio pessoal, impactando negativamente no crescimento e desenvolvimento dos adolescentes.

A maioria dos adolescentes aponta a existência de lesões corporais decorrentes da ação policial no ato de apreensão, bem como dos procedimentos de revista semanal realizados nas unidades de internação pelo grupo de agentes socioeducativos denominado pelos internos de “choquinho”, com práticas de desnudamento e agressões físicas com cacetetes e projéteis de borracha. Também apontam a exigência de revistas íntimas de suas mães, mediante desnudamento e agachamento, bem como proibição de entrada de alimentos.

Com relação aos procedimentos para a aplicação e cumprimento da medida socioeducativa, destaca-se ainda que a grande maioria dos internos não tem garantido o direito à defesa técnica, tampouco a informações relativas ao processo judicial.

Quanto ao sistema de justiça, foram observados os prazos expirados na internação provisória, a suspensão das audiências, o descumprimento de decisões  judiciais de instâncias superiores quando impetrados habeas corpus em favor dos adolescentes, o desrespeito aos princípios da brevidade e excepcionalidade na internação. Verifica-se ainda a equivocada duplicidade de medidas  em meio aberto (prestação de serviços à comunidade + liberdade assistida), aplicada ao mesmo adolescente e com relação ao mesmo ato infracional. Outro fator que causa estranheza é o modelo do Centro Integrado de Atendimento Socioeducativo (CIASE), notadamente pela ausência do representante legal da Vara da Infância e Juventude, instalado em outro espaço físico, o que certamente agrava e contribui para as violações ora descritas.

Na unidade de triagem, constatou-se que os adolescentes ali internos permanecem por um tempo superior ao legalmente previsto, bem como não são devidamente separados, uma vez que convivem nas mesmas “celas” com adolescentes em outras situações, observando-se que alguns estão em regime de internação provisória e  outros já com medidas de internação, como no caso da transferência de outras unidades por medida de segurança. Da mesma forma, na unidade feminina de internação observamos que as adolescentes em regime de internação provisória estão juntas àquelas que já cumprem medidas de privação de liberdade.

Além disto, verificamos a existência na estrutura física e administrativa do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo de uma unidade de atenção  a pessoas com deficiências não relacionadas ao cumprimento de medida socioeducativa e que, portanto, deveriam estar sob cuidados de outra instituição. Ressalte-se que tais usuários tem acesso ao sistema de saúde apenas em situações emergenciais e não inseridos no sistema de ensino, nas ações da assistência social e de convivência familiar e comunitária.
 Por último, cabe destacar que o Conanda acompanhou no CIASE no dia 13 de maio o atendimento de um adolescente vítima de espancamento na mesma unidade em que ocorreram as duas mortes do último mês. Chamou a atenção as semelhanças dos atos, seja na barbárie da agressão praticada, seja na falta de intervenção pelas equipes da unidade, com a adoção de medidas preventivas e até de imediato socorro em tal circunstância.
 

Diante de tal contexto, o Conanda recomenda e requer a adoção de medidas imediatas para a reversão das violações dos direitos identificadas:

- ao Governo Estadual:

a) que seja decretada Situação de Emergência para a adoção de medidas imediatas com relação à estrutura física e de pessoal necessárias ao cumprimento das normas previstas no ECA e no Sinase;

b) que seja entregue ao Conanda, no prazo de 30 (trinta) dias um Plano Emergencial, prevendo a adoção de medidas em todas as unidades de internação do Espírito Santo com vistas à resolução das questões mais prementes, como as aqui descritas, em destaque para garantia dos direitos à saúde e educação;

c) que este Plano inclua a possibilidade de ocupação imediata das vagas disponíveis da nova unidade de internação – CES, bem como ampliação de outras 30 vagas, com a construção de novos módulos;

d) que seja realizada a imediata apuração das mortes ocorridas e deste espancamento citado, através de uma comissão mista, com representação do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente e do Conselho Estadual dos Direitos Humanos;
e) que sejam ampliados o quadro de defensores públicos para fortalecer a defesa e garantia dos direitos dos adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas;
f) que a Unaed - Unidade de Atendimento aos Deficientes migre para a área de assistência social, objetivando o devido reordenamento com vistas à garantia dos direitos das pessoas com deficiências;

g) que realizem vistorias das condições prediais e sanitárias das unidades de internação, com auxílio dos órgãos municipais competentes.

- ao Governo Federal:

a) que a Comissão Intersetorial de Implementação do SINASE realize reunião extraordinária, no prazo de 30 (trinta) dias para análise do Plano Emergencial supra citado, com vistas a subsidiar as condições necessárias para a melhoria do sistema através de ações intergovernamentais.

- aos Governos Municipais:

 a) que sejam apresentados aos Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente, no prazo de 60 (dias) planos de implementação das medidas em meio aberto, em especial na região metropolitana e municípios com mais de 50 mil habitantes;

b) que realizem vistorias das condições prediais e sanitárias das unidades de internação, com auxílio dos órgãos estaduais competentes.

- aos Conselhos Estadual e Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente
a) que demandem, com prioridade, aos gestores respectivos em seu âmbito de atuação os Planos de Atendimento Socioeducativo e que estes sejam encaminhados à Comissão Intersetorial de Implementação do SINASE do governo federal;

b) que seja priorizada a ação de acompanhamento da implementação do SINASE em seus respectivos âmbitos, incluindo o monitoramento do orçamento na área.

- ao Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo:

a) que sejam garantidos os direitos dos adolescentes com relação ao devido processo legal, criando estruturas e procedimentos necessários a esta finalidade, destacando a criação de Varas especializadas para medidas protetivas separadamente das medidas socioeducativas, integração ao Ciase, celeridade e cumprimento dos prazos

b) que sejam aplicadas as medidas de meio aberto e de semi-liberdade, sempre que possível e observada a municipalização, ao invés de medidas de internamento.

- à Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Espírito Santo:

a) que sejam garantidos os direitos dos adolescentes com relação ao devido processo legal, criando estruturas e procedimentos necessários a esta finalidade, destacando a criação de promotorias especializadas para atuar em varas da infância e da juventude e instauração de procedimentos administrativos para apurar as irregularidades na execução das medidas socioeducativas.

- aos Conselhos de Classe, entidades de defesa dos direitos humanos e demais instituições:
a)  que sejam adotadas as medidas pertinentes às suas atribuições,  para garantir aos adolescentes os direitos assegurados pelo  Estatuto da Criança e do Adolescente.

  Por final, o Conanda destaca que a efetivação dos direitos da criança e do Adolescente no Estado do Espírito Santo somente será possível a partir do compromisso assumido por cada um dos órgãos responsáveis pela efetividade do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente. 


Vitória, 14 de maio de 2009

Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente

 

 

 

 

15/05/2009

Folha On-line

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u566380.shtml

Conselho Penitenciário pede intervenção federal no Espírito Santo

da Agência Brasil

O CNPCP (Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária), órgão ligado ao Ministério da Justiça, entregou ao procurador geral da República, Antônio Fernando de Souza, pedido de intervenção federal no Espírito Santo em função de denúncias de precariedade das unidades prisionais e da prática de tortura e esquartejamentos nos presídios do Estado. Em um das penitenciárias, o conselho identificou pessoas presas em contêineres, cercados de lixo e esgoto a céu aberto e grande quantidade de insetos.

De acordo com o presidente do CNPCP, Sérgio Salomão Shecaira, o pedido foi entregue ao procurador há uma semana. Ele relatou que visitou em abril as prisões capixabas e que cobrou providências das autoridades locais. No entanto, de acordo com Shecaira, o secretário estadual de Justiça informou que os problemas só poderiam ser resolvidos em 2010 ou 2011, com a construção de novas unidades.

"Em função da gravidade das denúncias que recebemos eu estive pessoalmente no Espírito Santo, no mês passado e visitei a Casa de Custódia de Viana e o presídio de contêiners no bairro Novo Horizonte. Ele me apresentou como solução a construção de novas unidades que nem sequer começaram a ser construídas. Diante dessa falta de providências do governo estadual decidi entregar pessoalmente o pedido às autoridades federais", disse o presidente do CNPCP.

Além da intervenção, Shecaira pediu ao Conselho Nacional do Ministério Público e do Conselho Nacional de Justiça que investigue a conduta dos promotores e juízes responsáveis pela fiscalização dos presídios e pela apuração das denúncias. Segundo ele, o Ministério Público Estadual e a Vara de Execuções Penais local têm sido omissos diante dos fatos.

O CNPC decidiu entrar com uma ação contra o secretário estadual de Justiça, Ângelo Roncalli, para apurar a possível omissão diante de denúncias de tortura já feitas pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos e pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos.

De acordo com Shecaira, na Casa de Custódia existem áreas onde os agente penitenciários não conseguem entrar. Esses pavilhões não possuem portas, luz elétrica e os presos só têm acesso a água durante uma hora por dia. Ele também enfatizou que como não há controle sobre os presos, a ação de quadrilhas e gangues nos presídios põe em risco a segurança dos presos. Cerca de dez pessoas já foram esquartejadas dentro dos presídios capixabas.

Shecaira deixou claro que não se trata de uma intervenção nos presídios, mas em todo o sistema de segurança pública do estado, que já experimentou, em 2000, uma situação de intervenção federal devido à ação do crime organizado infiltrado nas instituições do estado.

"Não é uma intervenção nas penitenciárias do Espírito Santo e sim no estado, porque as unidades federativas têm como obrigação assegurar valores de direitos humanos e isso não vem acontecendo no Espírito Santo", disse.

O secretário estadual de Justiça ainda não se manifestou e a assessoria do Palácio Anchieta, sede do governo local, disse que ainda hoje o governo irá responder às acusações.

O Ministério Público do Espírito Santo informou, por meio da assessoria de imprensa, que vai aguardar a comunicação oficial da denúncia de omissão antes de adotar qualquer posicionamento.

 

 

 

15/05/2009

IBCCRIM

http://www.ibccrim.org.br/site/noticias/conteudo.php?not_id=13283

Conselho de Política Criminal e Penitenciária pede intervenção no Espírito Santo

O pedido foi encaminhado por conta da situação dos presídios capixabas

Pela importância do tema referido, o PORTAL IBCCRIM traz duas notícias sobre a gravíssima violação aos direitos humanos noticiada pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária nos últimos dias:

Brasília, 15/05/2009 - O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária encaminhou oficialmente à Procuradoria Geral da República um pedido de intervenção federal no Espírito Santo. O conselho é  ligado ao Ministério da Justiça.

O presidente do Conselho, Sérgio Salomão Shecaira, em entrevista à Rádio CBN Vitória (93,5 FM), informou nesta sexta-feira que o pedido foi entregue pessoalmente ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza.

Além do pedido de intervenção, o Conselho também pede outras providências: abertura de processos por crime de tortura e omissão os responsáveis pelo sistema prisional capixaba nos poderes Executivo, Judiciário e Ministério Público do Espírito Santo.

"Eu estive na Casa de Custódia de Viana e nos presídios em contêineres em Novo Horizonte, na Serra. Nesses dois locais eu constatei uma situação caótica e levei essa situação ao secretário de Justiça Ângelo Roncalli. Em função de ele não ter tomado nenhuma providência e particularmente pelo fato dele ter dito que não faria nada para minimizar os problemas desses dois locais, eu propus a intervenção do Espírito Santo", afirmou, acrescentando que o secretário informou que somente poderia resolver a situação em 2010 e 2011 com a construção de novos presídios.

O conselho pede ainda que seja suspenso o repasse de verbas federais destinadas à política prisional para o Espírito Santo. Shecaira reforçou que não se trata de uma intervenção federal em presídios, mas sim, no Estado.  Juízes de execução e magistrados que atuam no sistema carcerário também são alvo do Conselho.

"Aprovamos uma moção, com um conjunto de medidas. Inclusive medidas para processar o secretário e subsecretário de Justiça por crimes de tortura e omissão. Fiz uma representação ao Conselho Nacional do Ministério Público e da Justiça, pedindo a punição do juiz de Execuções Penais e promotores, porque sabendo do que ocorre, não tomaram qualquer providência sobre essa 'barbárie' que está acontecendo no Espírito Santo", disse..

Segundo o presidente do conselho, os problemas de tortura são relatados há alguns anos. Sérgio Salomão disse que já cobrou melhorias ao secretário em outras oportunidades, mas recebeu a resposta de que o problema seria resolvido somente com a construção de novas unidades prisionais.

"Pessoas vêm sendo esquartejadas ao longo de vários anos. Quanto solicitei intervenção do secretário Ângelo Roncalli, ele afirmou que em 2010 ou 2011 o problema seria resolvido com a conclusão de novos presídios que sequer começaram a ser construídos. Enquanto isso os presos ficam a mercê de quadrilhas dentro dos presídios. Os presos estão se matando", revelou.

Problemas

Entre as situações constatadas pelo presidente na Cascuvi e em Novo Horizonte na Serra, estão celas sem grades, falta de cercas elétricas, de portas e o fato de agentes não terem acesso ao interior dos presídios. "Nós constatamos que os presos tem acesso a água uma vez por dia. Há denúncias de prisão de adolescentes que teriam sido torturados e ainda uma denúncia de ontem (quinta-feira) que 20 mulheres estavam misturadas a homens em celas masculinas", disse.

De posse do relatório do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, a Procuradoria Geral da República vai emitir parecer favorável ou não ao pedido de intervenção. Depois remeterá sua análise ao Supremo Tribunal Federal, que, de fato decidirá.

"Se houver a intervenção, será nomeado um interventor com a suspensão da atividade do Executivo. O Governo Federal terá que levar a Força Nacional de Segurança para tentar suprimir o problema que levou a intervenção. Essa intervenção é provisória e pode durar o tempo necessário para que seja resolvido o problema que a provocou. Esse interventou pode manter o secretariado da Saúde, da Cultura, mas não o secretariado da área que provocou a intervenção", relatou.

Sérgio Salomão Shecaira estará de volta ao Espírito Santo no próximo dia 25 deste mês. Ele virá ao Estado para explicar às entidades capixabas os motivos que o levaram a pedir a intervenção.  A audiência pública será na sede da Ordem dos Advogados do Brasil - seccional capixaba.

Comissão especial deve vir ao ES para acompanhar denúncias

A assessoria de imprensa da Secretaria Nacional de Direitos Humanos informou que já está pronta a minuta que cria a comissão especial para acompanhar as denúncias de violação dos direitos humanos no Espírito Santo. Ainda segundo a assessoria, falta apenas a assinatura do ministro Paulo Vannuchi, que deve ser obtida até a próxima segunda-feira. A partir da publicação no Diário Oficial, a comissão fica instituída e virá ao Estado. A criação da comissão especial foi aprovada também na última reunião do Conselho Nacional de Defesa da Pessoa Humana (CDDPH).

O outro lado

O Governo do Estado foi acionado para analisar o pedido do conselho. Nesta manhã, o secretário de Justiça Ângelo Roncalli ministra uma palestra em Alagoas e foi informado sobre o assunto.  Mas, a assessoria de imprensa dele adiantou que não deverá ser o secretário quem falará sobre o pedido de intervenção federal no Estado. O Governo ainda não emitiu a sua resposta.

Fonte: www.gazetaonline.globo.com

Inspeção em presídios no ES: para OAB, prisão em contêineres é tortura

Brasília, 18/05/2009 - Os juízes Erivaldo Ribeiro e Paulo Tamburini, auxiliares da presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), estão no Espírito Santo para inspecionar a Casa de Custódia de Viana, município próximo à capital de Estado, Vitória. Há denúncias de dez casos de esquartejamento entre os detentos, que estão alojados em contêineres sem ventilação. "Cada dia que passa significa um crime continuado", afirmou o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto. Para ele, a prisão de pessoas em contêineres "aproxima-se do crime de tortura e retira a principal função da pena, que é a ressocialização".

Segundo as denúncias, existem no presídio pavilhões sem portas e  luz elétrica e com acesso a água apenas uma vez por dia. A distribuição das refeições é feita por fora dos pavilhões. Os agentes penitenciários não conseguem entrar em todos os pavilhões, onde agem quadrilhas e gangues. Com capacidade para 370 presos, a Casa de Custódia de Viana tem 1.177 pessoas cumprindo pena. Segundo o presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, Sérgio Salomão Shecaira, há dez dias foi entregue ao procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, pedido de intervenção federal no Espírito Santo.

Shecaira, que esteve no presídio no mês passado, afirma que "a situação tem semelhanças com o que acontecia nos campos de concentração na Alemanha na Segunda Guerra Mundial [1939-1945]". Após a denúncia, disse ele, "a responsabilidade do que acontece no presídio deixa de ser só do governo do Espírito Santo". Para ele, nesse caso, os presos não estão tendo proteção do Estado.

O presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária ressaltou ainda que tanto a atuação do Poder Judiciário quanto a do Ministério Público no Espírito Santo não têm sido adequadas. Segundo nota do Conselho Nacional de Justiça, há 9.788 presos no Espírito Santo, dos quais 5.808 estão presos provisoriamente e 3.980 receberam condenações definitivas. Os juízes auxiliares do CNJ que estão no estado irão se reunir o presidente do Tribunal de Justiça, juízes das varas de execução penal e representantes do Ministério Público e da Administração Penitenciária.

Fonte: www.oab.org.br

 

 

 

15/05/2009

SAP

http://www.sap.sp.gov.br/common/noticias/0400-0499/not441.html

Prevenção e tratamento de doenças infectocontagiosas em unidades SAP

CDP de São Bernardo do Campo, PII de Balbinos e CR de Atibaia promovem ações para proteger e tratar reeducando

O Centro de Detenção Provisória (CDP) de São Bernardo, a Penitenciária II de Balbinos e o Centro de Ressocialização (CR) de Atibaia são exemplos da política da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), na difusão, informações e tratamento da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) e outras doenças infectocontagiosas; Periodicamente são realizadas testagens e, caso necessário, oferecido tratamento aos doentes.

No CDP de São Bernardo do Campo, através de parceria com a Secretaria de Saúde do Município, desde julho de 2008 é realizado teste rápido Anti-HIV. Trata-se de um exame para a detecção de anticorpos, feito através de uma pequena amostra (gota de sangue) que produz resultado em até 30 minutos. O procedimento é recomendado pelo Ministério da Saúde e utilizado como metodologia de diagnóstico desde 2004. O teste vem sendo realizando em conjunto com o Programa de Tuberculose da unidade. A funcionária Rita de Cássia Maerwerk Perri recebeu capacitação especial para realizar a intervenção.

A Penitenciária II de Balbinos investe em campanhas de vacinação para proteger os presos portadores do vírus HIV, de infecções oportunistas. Assim, recentemente eles receberam doses contra pneumonia e gripe. A unidade estuda a aplicação de vacina contra Febre Amarela.

No momento da inclusão do reeducando em uma unidade prisional, o procedimento padrão é que, além de entrevistas, ele seja submetido a exames para detecção de doenças infectocontagiosas, encaminhando-o para tratamento conforme o caso.

No Centro de Ressocialização de Atibaia são realizados exames de sangue, (que revelam eventuais casos de sífilis HIV e hepatite), fezes e específicos para detecção de tuberculose. Os casos diagnosticados positivos são encaminhados à unidade básica de saúde para tratamento.

Duas vezes por ano é realizado um ciclo de palestras educativas sobre prevenção e tratamento de doenças infectocontagiosas, do qual participam funcionários, técnicos da área de saúde e todos os reeducandos da unidade. No dia 23/03, a palestra foi ministrada pela enfermeira do Posto de Saúde Central e funcionária do laboratório onde são realizados os exames coletados no CR, Celina Abraão.

Só no Brasil, desde a identificação do primeiro caso de Aids, em 1980, até junho de 2007, já foram identificados cerca de 474 mil casos (dados do Ministério da Saúde). O tema vem sendo objeto de constante debate, culminando em eventos como a realização da Primeira Consulta Nacional sobre HIV e Aids no Sistema Penitenciário, realizada de 31/03 a 02/02 em Brasília.

 

 

 

 

15/05/2009

Diário Catarinense

http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&newsID=a2512103.htm

Superlotação em presídios impede medida que transfere detentos de delegacias em SC

Portaria foi publicada em 4 de maio no Diário Oficial e entrou em vigor nesta semana

A portaria que determina a transferência de detentos de delegacias para unidades prisionais de Santa Catarina foi publicada em 4 de maio no Diário Oficial e entrou em vigor nesta semana, mas ainda não é totalmente obedecida devido à superlotação do sistema prisional.

A equipe de RBS TV flagrou na tarde desta sexta-feira um grupo de três presos que foram levados da delegacia de Canasvieiras, no Norte de Ilha de Santa Catarina, até a sede do Departamento de Administração Prisional (Deap), em Capoeiras, mas tiveram de voltar. O motivo foi a falta de vagas nas unidades prisionais da região.

De acordo com um levantamento do Deap, 700 detentos estão em delegacias do Estado.

— Precisamos de tempo para realizar o planejamento, e dentro dele temos que criar mais vagas com a construção de mais penitenciárias — diz o diretor do Deap, Hudson Queiroz.

A determinação

Na quinta-feira, 14 de maio, o delegado-chefe da Polícia Civil em Santa Catarina, Maurício Eskudlark, anunciou que em até 30 dias deverá ser concluída a transferência dos presos que ocupam celas em delegacias para vagas em unidades do Sistema Prisional do Estado.

De acordo com a medida, que reforça a legislação já existente, só podem ficar nas delegacias os presos em flagrante de delito, enquanto durar o procedimento policial.

 

 

 

 

15/05/2009

CONJUR

http://www.conjur.com.br/2009-mai-15/conselho-penitenciario-intervencao-federal-espirito-santo

Conselho pede intervenção de presídios no ES

O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), órgão ligado ao Ministério da Justiça, entregou ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, pedido de intervenção federal no Espírito Santo por causa de denúncias de precariedade das unidades prisionais e da prática de tortura e esquartejamentos nos presídios do estado. Em um das penitenciárias, o conselho identificou pessoas presas em conteiners, cercados de lixo e esgoto a céu aberto e grande quantidade de insetos. As informações são da Agência Brasil.

De acordo com o presidente do CNPCP, Sérgio Salomão Shecaira, o pedido foi entregue ao procurador há uma semana. Ele relatou que visitou em abril as prisões capixabas e que cobrou providências das autoridades locais. No entanto, de acordo com Shecaira, o secretário estadual de Justiça informou que os problemas só poderiam ser resolvidos em 2010 ou 2011, com a construção de novas unidades.

“Em função da gravidade das denúncias que recebemos, eu estive pessoalmente no Espírito Santo, no mês passado, e visitei a Casa de Custódia de Viana e o presídio de conteiners no bairro Novo Horizonte. Ele me apresentou como solução a construção de novas unidades que nem sequer começaram a ser construídas. Diante dessa falta de providências do governo estadual decidi entregar pessoalmente o pedido às autoridades federais”, disse o presidente do CNPCP.

A assessoria da Procuradoria-Geral da República confirmou o recebimento do pedido de intervenção e informou que ele será analisado pelo procurador-geral sem prazo definido. Além da intervenção, Shecaira pediu ao Conselho Nacional do Ministério Público e do Conselho Nacional de Justiça que investigue a conduta dos promotores e juízes responsáveis pela fiscalização dos presídios e pela apuração das denúncias. Segundo ele, o Ministério Público Estadual e a Vara de Execuções Penais local têm sido omissos diante dos fatos.

O CNPC decidiu entrar com uma ação contra o secretário estadual de Justiça, Ângelo Roncalli, para apurar a possível omissão diante de denúncias de tortura já feitas pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos e pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos.

De acordo com Shecaira, na Casa de Custódia existem áreas onde os agentes penitenciários não conseguem entrar. Esses pavilhões não possuem portas, luz elétrica e os presos só têm acesso a água durante uma hora por dia. Ele também enfatizou que como não há controle sobre os presos, a ação de quadrilhas e gangues nos presídios põe em risco a segurança dos presos. Cerca de dez pessoas já foram esquartejadas dentro dos presídios capixabas.

Shecaira deixou claro que não se trata de uma intervenção nos presídios, mas em todo o sistema de segurança pública do estado, que já experimentou, em 2000, uma situação de intervenção federal devido à ação do crime organizado infiltrado nas instituições do estado. “Não é uma intervenção nas penitenciárias do Espírito Santo e sim no estado porque as unidades federativas têm como obrigação assegurar valores de direitos humanos e isso não vem acontecendo no Espírito Santo."

Ainda nesta sexta-feira, o governo do estado do Espírito Santo classificou, em nota, como “completamente equivocadas” as críticas do presidente do CNPCP, Sérgio Salomão Shecaira, quanto à precariedade da situação dos presídios no Espírito Santo. O governo também condenou o pedido de intervenção federal no estado entregue ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza.

Segundo a nota, “o Espírito Santo é o estado que mais investe no sistema prisional, proporcionalmente a sua população” e aplicará R$ 186 milhões do tesouro estadual no biênio 2009/2010.

“Se o Espírito Santo é o que mais investe no sistema prisional e, se os demais estados têm problemas iguais ou maiores do que os verificados no Espírito Santo, por que o pedido de intervenção do senhor Sérgio Salomão restringe-se apenas ao Espírito Santo?”, questiona o governo capixaba. Com informações da Agência Brasil.

 

 

 

 

15/05/2009

Conjur

http://www.conjur.com.br/2009-mai-15/conselho-penitenciario-intervencao-federal-espirito-santo

Conselho pede intervenção de presídios no ES

O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), órgão ligado ao Ministério da Justiça, entregou ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, pedido de intervenção federal no Espírito Santo por causa de denúncias de precariedade das unidades prisionais e da prática de tortura e esquartejamentos nos presídios do estado. Em um das penitenciárias, o conselho identificou pessoas presas em conteiners, cercados de lixo e esgoto a céu aberto e grande quantidade de insetos. As informações são da Agência Brasil.

De acordo com o presidente do CNPCP, Sérgio Salomão Shecaira, o pedido foi entregue ao procurador há uma semana. Ele relatou que visitou em abril as prisões capixabas e que cobrou providências das autoridades locais. No entanto, de acordo com Shecaira, o secretário estadual de Justiça informou que os problemas só poderiam ser resolvidos em 2010 ou 2011, com a construção de novas unidades.

“Em função da gravidade das denúncias que recebemos, eu estive pessoalmente no Espírito Santo, no mês passado, e visitei a Casa de Custódia de Viana e o presídio de conteiners no bairro Novo Horizonte. Ele me apresentou como solução a construção de novas unidades que nem sequer começaram a ser construídas. Diante dessa falta de providências do governo estadual decidi entregar pessoalmente o pedido às autoridades federais”, disse o presidente do CNPCP.

A assessoria da Procuradoria-Geral da República confirmou o recebimento do pedido de intervenção e informou que ele será analisado pelo procurador-geral sem prazo definido. Além da intervenção, Shecaira pediu ao Conselho Nacional do Ministério Público e do Conselho Nacional de Justiça que investigue a conduta dos promotores e juízes responsáveis pela fiscalização dos presídios e pela apuração das denúncias. Segundo ele, o Ministério Público Estadual e a Vara de Execuções Penais local têm sido omissos diante dos fatos.

O CNPC decidiu entrar com uma ação contra o secretário estadual de Justiça, Ângelo Roncalli, para apurar a possível omissão diante de denúncias de tortura já feitas pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos e pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos.

De acordo com Shecaira, na Casa de Custódia existem áreas onde os agentes penitenciários não conseguem entrar. Esses pavilhões não possuem portas, luz elétrica e os presos só têm acesso a água durante uma hora por dia. Ele também enfatizou que como não há controle sobre os presos, a ação de quadrilhas e gangues nos presídios põe em risco a segurança dos presos. Cerca de dez pessoas já foram esquartejadas dentro dos presídios capixabas.

Shecaira deixou claro que não se trata de uma intervenção nos presídios, mas em todo o sistema de segurança pública do estado, que já experimentou, em 2000, uma situação de intervenção federal devido à ação do crime organizado infiltrado nas instituições do estado. “Não é uma intervenção nas penitenciárias do Espírito Santo e sim no estado porque as unidades federativas têm como obrigação assegurar valores de direitos humanos e isso não vem acontecendo no Espírito Santo."

Ainda nesta sexta-feira, o governo do estado do Espírito Santo classificou, em nota, como “completamente equivocadas” as críticas do presidente do CNPCP, Sérgio Salomão Shecaira, quanto à precariedade da situação dos presídios no Espírito Santo. O governo também condenou o pedido de intervenção federal no estado entregue ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza.

Segundo a nota, “o Espírito Santo é o estado que mais investe no sistema prisional, proporcionalmente a sua população” e aplicará R$ 186 milhões do tesouro estadual no biênio 2009/2010.

“Se o Espírito Santo é o que mais investe no sistema prisional e, se os demais estados têm problemas iguais ou maiores do que os verificados no Espírito Santo, por que o pedido de intervenção do senhor Sérgio Salomão restringe-se apenas ao Espírito Santo?”, questiona o governo capixaba. Com informações da Agência Brasil.

 

 

 

10/05/2009

Conjur

http://www.conjur.com.br/2009-mai-10/proposta-muda-cpp-promete-racionalizar-funcionamento-justica

Proposta para mudar o CPP começa a ser discutida

Por Filipe Coutinho

anteprojeto que pretende mudar o Código de Processo Penal, instituído por decreto em 1941 pelo então presidente Getúlio Vargas, deve começar a tramitar no Senado nesta semana. A presidência da casa vai instalar comissão especial para analisar o texto produzido por nove juristas em dez meses de trabalho. O novo Código de Processo Penal Penal pretende desburocratizar os inquéritos e racionalizar o funcionamento da Justiça criminal.

O novo texto tem seis livros e 133 páginas. A comissão de juristas foi presidida pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça Hamilton Carvalhido, que classifica o novo CPP como “uma convergência quase absoluta”. “Sobram razões históricas, teóricas e práticas. O Código de Processo Penal em vigor encontra-se definitivamente superado”, afirma Carvalhido na justificativa enviada ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Junto com Carvalhido, assina o texto o procurador da República Eugênio Pacelli de Oliveira, relator do anteprojeto. A proposta ainda deve sofrer alterações, ao sabor dos palpites e ideologias dos deputados e senadores. De todo modo, o objetivo é tornar o novo Código consoante com os princípios da Constituição de 1988 e tornar a Justiça mais eficaz. Para isso, o anteprojeto propõe novas figuras jurídicas, mecanismos alternativos e proporciona mais controle ao andamento processual.

Na cerimônia de entrega do anteprojeto à presidência do Senado, José Sarney (PMDB-AP) desconversou sobre a possibilidade de o projeto ser aprovado em breve. Assim respondeu Sarney quando perguntado se o projeto será aprovado ainda este ano: “Um código é sempre uma matéria muito difícil. Tanto que aqui, às vezes, temos códigos que têm levado mais de 10 anos. Mas vamos fazer tudo para que a gente possa aprovar o mais rapidamente possível”.

Vale lembrar que 2010 é ano de eleição, e projetos polêmicos como o novo Código de Processo Penal tendem a ter tramitação atípica, conforme o interesse e disponibilidade dos senadores. Ou seja, em ano eleitoral, há senadores que podem estacionar projetos simplesmente por estarem com a cabeça nas eleições. Assim como mudanças no Processo Penal podem servir de bandeira para políticos da área da segurança. A comissão de juristas foi criada após requerimento do senador Renato Casagrande (PSB-ES). Otimista, Casagrande espera que a comissão especial do Senado aprove o projeto em três meses.

Garantias
Uma das novidades é a criação do “juiz das garantias”. O novo operador do Direito será o responsável pelo exercício das funções jurisdicionais referentes à tutela imediata e direta das inviolabilidades pessoais. Ou seja, esse novo juiz deverá garantir a proteção da intimidade e privacidade dos investigados, além de toda a legalidade do inquérito. Ao juiz de Direito restará o princípio da inércia e o julgamento dos processos.

Caberá ao juiz das garantias decidir sobre os pedidos de interceptação telefônica, quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico, além de busca e apreensão domiciliar. Esse juiz cuidará também das prisões provisórias e outras medidas cautelares.

Ainda no âmbito da persecução penal na fase de investigação preliminar, o anteprojeto traz alteração em relação à tramitação do inquérito policial. “A regra do atual Código não guarda pertinência com um modelo de perfil acusatório, como se deduz dos direitos fundamentais previstos na Constituição. A investigação não serve e não se dirige ao Judiciário. Ao contrário, destina-se a fornecer elementos de convencimento ao órgão da acusação”, escreve Carvalhido.

Além disso, o anteprojeto retira o controle judicial do arquivamento do inquérito policial ou das peças de informação. O controle passa a ser feito no âmbito exclusivo do Ministério Público, atribuindo-se à vítima legitimidade para o questionamento acerca do arquivamento.

Agilidade
A proposta prevê a desburocratização por meio da aproximação entre Ministério Público e Polícia Judiciária. Pelo texto, passaria a ser direto o diálogo entre procuradores, promotores e a Polícia, o que hoje ocorre por meio do juiz. O anteprojeto prevê também apenas um recurso para cada instância do Judiciário.

O anteprojeto pretende desafogar as lotadas penitenciárias brasileiras. Para isso, o texto regulamenta as prisões preventivas e temporárias e aumenta o leque de medidas cautelares. Não são raros os casos de presos, ainda sem condenação, que passam anos na cadeia em razão da paralisia do Estado em manejar as prisões preventivas.  

A expectativa é que, entre prender e soltar, o juiz possa ter soluções intermediárias. “O anteprojeto difere radicalmente do texto em vigor, que se apoia, de modo quase exclusivo, no instituto da prisão preventiva”, argumenta o presidente da comissão de juristas, Hamilton Carvalhido. “Não se tem notícia ou comprovação de eventuais benefícios que o excessivo apego ao cárcere tenha trazido à sociedade brasileira.”

O anteprojeto determina cinco tópicos: a prisão em flagrante perde seus efeitos se não for convertida em prisão preventiva; o juiz, ao aplicar uma medida cautelar, deve seguir um roteiro de fundamentação; declara-se a ilegitimidade do uso da prisão provisória como forma de antecipação da pena; supera-se o dogma da execução provisória da sentença; exige-se, no caso de concurso de pessoas ou crimes plurissubjetivos, que a fundamentação seja específica e individualizada. “Esse conjunto de medidas não é desconhecido da jurisprudência nacional. Deu-lhe o anteprojeto apenas consistência sistemática”, afirma o ministro do STJ.

Entre as alterações propostas no anteprojeto, destaca-se a que eleva de sete para oito membros a composição do Tribunal do Júri. A mudança evita a condenação ou absolvição de um réu pela diferença de apenas um voto. Em caso de empate em quatro a quatro, o réu será absolvido.

Vácuo
O anteprojeto é uma resposta do Legislativo ao vácuo jurídico e a inércia dos parlamentares, situação que resulta em freqüentes choques com o Judiciário. O caso mais típico é o uso de algemas, questão que teve de ser regulamentada por Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal.

O texto de Carvalhido e do procurador da República Eugênio Pacelli de Oliveira classifica a algema como “medida excepcional, restrita a situações de resistência à prisão, fundado receio de fuga ou para preservar a integridade física do executor, do preso ou de terceiros”. Veda, ainda, o emprego de algemas como forma de castigo ou quando o acusado se apresentar, espontaneamente, à autoridade policial.

Além disso, o juiz criminal terá mais espaço para decidir por punições alternativas, como o uso do instituto do dano moral. “A sentença penal condenatória poderá arbitrar indenização pelo dano moral causado pela infração penal, sem prejuízo da ação civil, contra o acusado e o eventual responsável civil, pelos danos materiais existentes. A opção pelos danos morais se apresentou como a mais adequada, para o fim de se preservar a celeridade da instrução criminal, impedindo o emperramento do processo”, afirma o texto.

Composição
Além de Carvalhido de Eugênio Pacelli de Oliveira, participaram da comissão de juristas o juiz federal Antonio Corrêa, o professor da Universidade de São Paulo Antônio Magalhães Gomes Filho, o ex-secretário de Justiça do Amazonas Félix Valois Coelho Júnior, o professor da Universidade Federal do Paraná Jacinto Nelson de Miranda Coutinho, o presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal, Sandro Torres Avelar, o promotor de Justiça Tito de Souza Amaral e o consultor do Senado Fabiano Silveira.

 

 

 

 

15/05/2009

Conjur

http://www.conjur.com.br/2009-mai-15/conselho-penitenciario-intervencao-federal-espirito-santo

Conselho pede intervenção de presídios no ES

O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), órgão ligado ao Ministério da Justiça, entregou ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, pedido de intervenção federal no Espírito Santo por causa de denúncias de precariedade das unidades prisionais e da prática de tortura e esquartejamentos nos presídios do estado. Em um das penitenciárias, o conselho identificou pessoas presas em conteiners, cercados de lixo e esgoto a céu aberto e grande quantidade de insetos. As informações são da Agência Brasil.

De acordo com o presidente do CNPCP, Sérgio Salomão Shecaira, o pedido foi entregue ao procurador há uma semana. Ele relatou que visitou em abril as prisões capixabas e que cobrou providências das autoridades locais. No entanto, de acordo com Shecaira, o secretário estadual de Justiça informou que os problemas só poderiam ser resolvidos em 2010 ou 2011, com a construção de novas unidades.

“Em função da gravidade das denúncias que recebemos, eu estive pessoalmente no Espírito Santo, no mês passado, e visitei a Casa de Custódia de Viana e o presídio de conteiners no bairro Novo Horizonte. Ele me apresentou como solução a construção de novas unidades que nem sequer começaram a ser construídas. Diante dessa falta de providências do governo estadual decidi entregar pessoalmente o pedido às autoridades federais”, disse o presidente do CNPCP.

A assessoria da Procuradoria-Geral da República confirmou o recebimento do pedido de intervenção e informou que ele será analisado pelo procurador-geral sem prazo definido. Além da intervenção, Shecaira pediu ao Conselho Nacional do Ministério Público e do Conselho Nacional de Justiça que investigue a conduta dos promotores e juízes responsáveis pela fiscalização dos presídios e pela apuração das denúncias. Segundo ele, o Ministério Público Estadual e a Vara de Execuções Penais local têm sido omissos diante dos fatos.

O CNPC decidiu entrar com uma ação contra o secretário estadual de Justiça, Ângelo Roncalli, para apurar a possível omissão diante de denúncias de tortura já feitas pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos e pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos.

De acordo com Shecaira, na Casa de Custódia existem áreas onde os agentes penitenciários não conseguem entrar. Esses pavilhões não possuem portas, luz elétrica e os presos só têm acesso a água durante uma hora por dia. Ele também enfatizou que como não há controle sobre os presos, a ação de quadrilhas e gangues nos presídios põe em risco a segurança dos presos. Cerca de dez pessoas já foram esquartejadas dentro dos presídios capixabas.

Shecaira deixou claro que não se trata de uma intervenção nos presídios, mas em todo o sistema de segurança pública do estado, que já experimentou, em 2000, uma situação de intervenção federal devido à ação do crime organizado infiltrado nas instituições do estado. “Não é uma intervenção nas penitenciárias do Espírito Santo e sim no estado porque as unidades federativas têm como obrigação assegurar valores de direitos humanos e isso não vem acontecendo no Espírito Santo."

Ainda nesta sexta-feira, o governo do estado do Espírito Santo classificou, em nota, como “completamente equivocadas” as críticas do presidente do CNPCP, Sérgio Salomão Shecaira, quanto à precariedade da situação dos presídios no Espírito Santo. O governo também condenou o pedido de intervenção federal no estado entregue ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza.

Segundo a nota, “o Espírito Santo é o estado que mais investe no sistema prisional, proporcionalmente a sua população” e aplicará R$ 186 milhões do tesouro estadual no biênio 2009/2010.

“Se o Espírito Santo é o que mais investe no sistema prisional e, se os demais estados têm problemas iguais ou maiores do que os verificados no Espírito Santo, por que o pedido de intervenção do senhor Sérgio Salomão restringe-se apenas ao Espírito Santo?”, questiona o governo capixaba. Com informações da Agência Brasil.

 

 

 

15/05/2009

Estadão

http://www.estadao.com.br/geral/not_ger371620,0.htm

 

Em SP, 967 presos indultados no Dia das Mães estão foragidos

A saída está prevista na Lei de Execuções penais e é concedida pela Justiça aos detentos do regime semiaberto

Elvis Pereira, da Central de Notícias

SÃO PAULO - Novecentos e sessenta e sete presos autorizados a passar o Dia das Mães nas ruas não voltaram para o sistema prisional paulista. O saldo corresponde a 4,79% dos 20.228 beneficiados no Estado, em razão da comemoração, com a saída temporária, informou nesta sexta-feira, 15, a Secretaria de Administração Penitenciária. A saída está prevista na Lei de Execuções penais e é concedida pela Justiça aos detentos do regime semiaberto (o preso permanece livre durante o dia e retorna à prisão à noite) com bom comportamento.

Durante o ano, eles podem receber o indulto cinco vezes e sair nas seguintes datas: Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças ou Finados, Natal e ano-novo. Quem desrespeita a data de retorno é considerado foragido e, se for encontrado, ficará preso no regime fechado.