Clipping – 12/06 a 18/06/2009

PASTORAL CARCERÁRIA NACIONAL/CNBB

Pastoral Carcerária Nacional - Assessoria de Comunicação PCrN - Alter Comunicare

 

 

Clipping, produzido pela Assessoria de Comunicação da Pastoral Carcerária Nacional/CNBB, em parceria com a Alter Comunicare, pretende oferecer aos associados uma visão panorâmica do que diz a imprensa sobre temas relacionados à questão prisional em todo o Brasil e em outros países. As matérias reproduzidas neste clipping não refletem, necessariamente, a posição da Pastoral Carcerária, mas têm o objetivo de informar e incentivar o debate público. O clipping está sujeito a omissões involuntárias de notícias e conta com a colaboração de todos para o envio de outras notícias com a citação da fonte e data de publicação para o endereço imprensa@carcerária.org.br.

 

 

SUMARIO

 

Defensoria presta quase 22 mil atendimentos no MT. 2

Paim manifesta preocupação com o pedido de intervenção federal no RS. 2

Iniciativa pioneira de inclusão social 2

Programa estabelece regras para o trabalho remunerado nos presídios. 3

Presos são informados sobre execução de pena em MA. 4

CCJ rejeita imputabilidade penal a menores de 18 anos. 4

1º presídio em parceria com iniciativa privada. 4

CARTA ÀS AUTORIDADES. 5

Solicitamos melhoria na ALIMENTAÇÃO.. 6

Paulo Teles cobra reforma processual 7

Cadeia tem “condições inumanas” em GO.. 8

TRE-SP nega direito de voto a presos provisórios. 8

TRE-SP contraria CF-88 e não respeita direito de voto do preso provisório. 9

Pedida intervenção no RS. 9

Mutirão do CNJ vai ao Novo Gama e encontra superlotação e presos além do tempo da pena. 10

"Rasgaram a Constituição" 10

Susepe consegue no HUGO enfermarias específicas para pacientes do sistema prisional goiano. 12

Mais liberdade. 12

Jovens dominam penitenciárias no Pará. 13

OAB denuncia insalubridade e superlotação no presídio goiano de Águas Lindas. 13

Funap inaugura Oficina de Laminado de Espuma Antichamas. 14

Acesso e permanência de crianças em complexo penitenciário serão definidos por gestores públicos de Goiânia e Aparecida. 15

Estado conta com fugas para abrir vagas, diz juiz. 15

CNJ inicia mutirão carcerário em cidades de Goiás. 16

Mutirão pretende identificar presos em situação irregular em Goiás. 17

Presidente do STF diz que está no meio de um tiroteio ideológico por contrariar interesses. 17

 


 

18/06/2009

CONJUR

http://www.conjur.com.br/2009-jun-18/defensoria-mt-faz-22-mil-atendimentos-prisoes-ano

Defensoria presta quase 22 mil atendimentos no MT

Em um ano, o Núcleo Estadual de Execução Penal da Defensoria Pública de Mato Grosso atendeu 21.893 pedidos de atividades judiciais e administrativas. De acordo com o defensor Marcos Rondon Silva, coordenador do núcleo, esses números são possíveis pela presença contínua, no mínimo uma vez por semana, da Defensoria nas unidades prisionais.

O relatório estatístico apresentado pelo defensor abrange as unidades, Penitenciária Central de Cuiabá (antigo Pascoal Ramos), Centro de Ressocialização de Cuiabá (Carumbé) e Penitenciária Ana Maria do Couto May. Dentre os quase 22 mil atendimentos, o coordenador destacou alguns números. Foram 619 solicitações de atestado de trabalho e 188 de estudos, que geram oportunidade de redução de pena para o detento, 174 Habeas Corpus e 346 progressões de regime, em que o preso tem a oportunidade de cumprir a pena em regime semiaberto ou até mesmo aberto.

Além de dar andamento às atividades judiciais e administrativas, uma parceria entre a Secretaria de Educação (Seduc) e a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) levam cursos aos presos, como marcenaria, reciclagem de papel e artesanato em geral. As atividades acontecem durante toda a semana e são ministradas por voluntários. Com informações da Assessoria de Imprensa da Defensoria Pública de Mato Grosso.

 

 

18/06/2009

Agência Senado

Hoje Notícias

http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=92352&codAplicativo=2

Paim manifesta preocupação com o pedido de intervenção federal no RS

 

O senador Paulo Paim (PT-RS) manifestou nesta quarta-feira (17) preocupação com a iniciativa da 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, de encaminhar ao procurador-geral da República um pedido de representação para intervenção federal no estado.

Paim disse que o motivo da representação foram as reiteradas violações de direitos humanos verificadas na superlotação do sistema prisional. Segundo o senador, o procurador disse que existe no sistema carcerário do estado um déficit de 10 mil vagas e só se consegue uma nova quando algum preso foge.

- Existem casos em que 40 presos ficam em celas para oito detentos - ressaltou.

O senador apresentou também dados divulgados pelo UNICEF, por meio do relatório "Situação da Infância e da Adolescência Brasileira". De acordo com o estudo, 31 mil crianças gaúchas, entre sete e 14 anos, estão fora da escola. Em todo o Brasil, esse número chega a 686 mil.

- Vigésimo na lista dos estados e com o maior percentual de sem-escola, o Rio Grande do Sul aparece mal em termos absolutos, é o 10º com mais crianças fora do sistema educacional – lamentou.

 

 

17/06/2009

SAP

http://www.sap.sp.gov.br/common/noticias/0400-0499/not450.html

Iniciativa pioneira de inclusão social

CDP de Sorocaba vai sediar projeto inédito, com apoio da Coordenadoria de Reintegração Social e Funap

 

No próximo dia 19 de junho a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) dará início a mais um projeto de grande importância para o retorno do homem preso à sociedade: o Projeto Carpe Diem.

A iniciativa pioneira é de Márcio Coutinho, diretor do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Sorocaba e terá o apoio da Coordenadoria de Reintegração Social e Cidadania (CRSC) e da Fundação Professor Dr. Manoel Pedro Pimentel de Amparo ao Preso (Funap), além do suporte da Prefeitura Municipal. A inauguração está prevista para a próxima sexta-feira, às 10h, na própria unidade prisional.

 

Custódia alternativa

A denominação do Projeto Carpe Diem é baseada na famosa ode de Horácio, poeta e filósofo nascido em Roma no ano 65 a.C, cuja tradução é “colha/aproveite o dia” e, na prática, tem por objetivo central proporcionar uma custódia diferenciada a presos que tenham cometido crimes de baixo potencial ofensivo.

Ou seja, ao invés de dividir o mesmo espaço que criminosos reincidentes e de alta periculosidade, presos primários, por crimes de baixo potencial lesivo passarão por uma custódia detentiva alternativa.

No Projeto Carpe Diem, os presos vão ficar em alojamentos próprios, separados do restante da unidade prisional, construídos especialmente para essa finalidade. No local, diariamente serão submetidos a consultas e terapias psicossociais, além de terem aproveitamento direto para atividades laborterápicas, através das oficinas de trabalho da Funap.

Sempre importante lembrar que a proposta é totalmente ligada à unidade prisional, com a devida supervisão dos agentes de segurança penitenciária do CDP, sem riscos para a sociedade. Pelo contrário, haverá apenas benefícios, pois os índices de recuperação e reinserção social do homem preso serão consideravelmente maiores.

 

Serviço

Inauguração do Projeto Carpe Diem

Sexta-feira – 19/6/2009 – Às 10h

Local: CDP de Sorocaba

Av. Dr. Antonio de Souza Neto, 300

Bairro Ouro Branco - Aparecidinha

Sorocaba – SP

 

 

 

17/06/2009

O Liberal

http://www.orm.com.br/oliberal/interna/default.asp?modulo=251&codigo=420221

Programa estabelece regras para o trabalho remunerado nos presídios

Com pouco mais de 9 mil pessoas privadas de liberdade na capital e no interior do Pará, o Estado gasta em média R$ 11.700.000 por mês para manter os detentos nos presídios. Cada um deles custa R$ 1.300 por mês ao contribuinte. 'Eles (detentos) não produzem nada enquanto estão lá dentro. Ao contrário, custam caro e deixam todos em permanente estado de tensão', declarou o deputado estadual Martinho Carmona, autor da lei que, entre outras coisas, significará economia para o Estado.

A Lei nº 7.266, de 24 de abril de 2009, cria o Programa de Trabalho Remunerado para os detentos do Estado. O projeto contribuirá para diminuir a superlotação carcerária, a violência e os gastos com os presos. 'O objetivo é ressocializar os detentos, mas toda a sociedade será beneficiada com a lei', assegura o deputado. Além de passar a contar com uma renda mensal, os detentos têm a oportunidade de reduzir suas penas de acordo com os dias trabalhados. O tempo descontado será de responsabilidade do Judiciário.

'Além de diminuir a superpopulação carcerária, o Programa de Trabalho Remunerado estimulará o bom comportamento, que deverá ser um dos requisitos para a participação dos presos no programa. O programa também será importante para reduzir a ociosidade dentro dos presídios. Quando estão lá dentro, aquelas pessoas passam o dia inteiro pensando em uma maneira de escapar. Do jeito em que está, os presídios são verdadeiras universidades da perversidade', afirma o deputado estadual.

 


REGALIAS

'Não quero dar uma vida de privilégios e regalias aos detentos, mas beneficiar também a sociedade que paga caro por cada homem lá dentro', diz o deputado. O benefício, segundo o deputado, poderá ser percebido através do trabalho que os presos realizarão. 'A ideia é que os detentos sejam capacitados para realizar trabalhos como reforma de carteiras escolares e recuperação de placas de sinalização pública. Esse serviço também proporcionaria economia aos cofres públicos', explica Carmona.

Outra forma de benefício que o programa apresenta diz respeito à remuneração que será recebida pelos participantes do programa. Uma parcela do salário recebido pelo detento deverá ser usada para ressarcir parte das despesas assumidas pelo Estado com sua manutenção no presídio, conforme dispõe o artigo 29, da Lei Federal 7.210/84. Esse ressarcimento dará condições ao Estado para investir na implantação de outras políticas públicas. 'É claro que o preso não conseguirá repor ao Estado a quantia gasta com ele. Um detento custa R$ 1.300 mensais aos confres públicos enquanto que o salário que ele receberá no programa será o mínimo. Mas a contribuição dele será bem vinda. Tenho certeza', garante Carmona.

De acordo com a Lei 7.266, o salário mensal recebido será dividido em três partes. Cada uma delas tem destino definido. Parte dele será destinado à indenização judicial pelos danos causados pelo crime do detento, outra parte servirá para dar assistência aos familiares do detento e o restante será depositado em caderneta de poupança para que o detento o use para reorganizar sua vida. A lei já foi sancionada pela governadora do Estado.

Caberá à Superintendência do Sistema Penal do Estado do Pará (Susipe) a implantação do programa, o que deve ser feito até o final do próximo mês. Esta semana a Susipe criou uma comissão que trabalhará especificamente com o programa. Formada por cinco servidores e presidida por Maria Emília Capiberibe Rijo Bastos, a comissão definirá as normas do Programa de Trabalho Remunerado. Os detalhes sobre o programa e a seleção dos detentos que serão beneficiados não foram fornecidos pela Susipe.

 

 

 

17/06/2009

CONJUR

http://www.conjur.com.br/2009-jun-17/presos-sao-informados-semanalmente-execucao-pena-maranhao

Presos são informados sobre execução de pena em MA

Uma juíza mudou a realidade dos presos da Central de Custódia de Justiça, na cidade de Imperatriz (MA). Ao contrário do que ocorre na maioria das prisões brasileiras, lá os detentos são informados, semanalmente, sobre a o andamento da execução de sua pena.

O trabalho nasceu do projeto Cidadania e Justiça também se aprendem na prisão, desenvolvido pela juíza Samira Barros Heluy, da 5ª Vara Criminal de Imperatriz (MA), desde 27 de maio. Segundo a juíza, os 325 detentos se sentiam abandonados. “Nas visitas que fazia ao Centro de Custódia, os presos não se queixavam das condições do presídio, sempre me paravam e pediam informações sobre o cálculo da sua pena”, explica Samira.

Com o projeto, Samira Heluy reserva as quartas-feiras para levar informação aos detentos sobre sua situação prisional. Segundo ela, a maioria dos presos não têm condições de arcar com os custos de um advogado. Diante disso, ela sorteia um grupo de presos para participarem do encontro. “Faço uma seleção prévia dos processos daquela turma. No dia da aula, mostro ao preso o atestado de pena a cumprir, o cálculo do benefício e o relatório processual”, explica.

De acordo com Samira Heluy, em cada encontro, ela procura atender cerca de 15 internos. Os encontros acontecem das 8h30 às 13h30 e têm o apoio da Secretária Processual Raquel Goudard e da advogada Helena Amorim, voluntária no projeto, e procura reforçar a autoestima dos presos. A juíza afirma que a recepção ao projeto tem sido muito positiva. “Muitos dizem que estou perdendo uma manhã, mas na verdade estou dando um pouco de atenção a eles”, diz.

O projeto tem a colaboração do Centro de Defesa de Direitos Humanos e de Promoção da Cidadania Padre Josimo, 3º Batalhão da Polícia Militar de Imperatriz, Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Associação dos Magistrados do Maranhão (Amma), 5ª Promotoria Criminal da Comarca de Imperatriz e Sindicato dos Bancários do Maranhão. Com informações da Assessoria de Imprensa do Conselho Nacional de Justiça.

 

 

 

 

17/06/2009

Estadão

http://www.estadao.com.br/geral/not_ger388980,0.htm

CCJ rejeita imputabilidade penal a menores de 18 anos

 A diminuição da maioridade penal deu mais um passo no Congresso. Hoje, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado rejeitou a emenda do senador Magno Malta (PR-ES) que estabelecia imputabilidade penal a todos menores de 18 anos que praticarem crime hediondo. Segundo informações da Agência Senado, o relator da proposta, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), explicou que as propostas de emenda à Constituição (PECs) sobre o tema já foram votadas em primeiro turno no plenário, restando vitoriosa a PEC 20, do então senador José Roberto Arruda, que diz que são inimputáveis apenas os menores de 16 anos.

Demóstenes informou que a CCJ votou hoje apenas as emendas apresentadas em plenário ao texto aprovado: uma do senador Magno Malta e outra do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Tasso retirou sua emenda, mas Magno manteve a dele, que, na prática, daria fim a uma idade mínima para imputabilidade penal, bastando para isso que, tendo cometido um crime hediondo, o menor fosse considerado capaz por peritos criminais. De qualquer forma, o relator deu voto contrário à emenda de Magno, mantendo o entendimento da PEC 20, que volta agora ao exame do plenário do Senado.

 

 

17/06/2009

Blog Jornal Recomeço

http://jornalrecomeco.blogspot.com/

1º presídio em parceria com iniciativa privada

Para análise do leitor, transcrevo a notícia completa, publicada hoje no jornal Estado de Minas

 

Simulação digital das unidades que devem começar a operar em Ribeirão das Neves dentro de 30 meses: aposta em processo inédito no Brasil

 

Parceria contra o caos

Estado assina contrato para construção do primeiro presídio do país em conjunto com a iniciativa privada. Consórcio garantirá infraestrutura e poder público pagará por detentos

(Paulo Henrique Lobato)

Minas Gerais terá o primeiro presídio brasileiro construído pelo sistema de parceria público-privada (PPP). O complexo, formado por três unidades destinadas ao regime fechado e duas ao semiaberto, custará R$ 190 milhões e será inaugurado em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A previsão é de que a obra esteja concluída em 30 meses, com capacidade para receber 3.040 sentenciados. Atualmente, a população carcerária do estado soma cerca de 32,5 mil detentos condenados e provisórios.

O contrato para a construção da penitenciária foi assinado ontem, no Palácio da Liberdade, pelo governador Aécio Neves (PSDB) e por diretores do consórcio que venceu a licitação, batizado de Gestores Prisionais Associados (GPA) e formado pelas empresas CCI Construções, Construtora Augusto Velloso, Tejofran – Empresa de Saneamento e Serviços, NF Motta Construções e Instituto Nacional de Administração Prisional Ltda. A inédita PPP no setor prisional, que abrirá 608 vagas em cada unidade, será na modalidade concessão administrativa: o grupo privado desembolsa todo o valor referente ao investimento e o governo repassa ao consórcio uma “diária” de R$ 74,63 por detento, que será paga depois que as vagas estiverem disponíveis.

Atualmente, o custo médio de um preso é de R$ 2 mil mensais, mas a cifra não envolve o gasto com a construção e manutenção de unidades. O pagamento ao consórcio, no entanto, não afastará a responsabilidade do poder público pela tutela, custódia, encaminhamento e execução da pena dos condenados.

Em outras palavras, não haverá transferência da gestão da segurança para a iniciativa privada. Até o diretor de cada unidade será indicado pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). Quem ocupar o cargo – possivelmente um servidor concursado – será o fiscal do poder público no complexo, pois caberá a ele relatar qualquer irregularidade ou desvio cometidos pelos administradores. Caso ocorra uma fuga ou rebelião, por exemplo, a diária paga pelo estado ao consórcio será reduzida. Além disso, o poder público fará, na hipótese de motim, imediata intervenção na unidade rebelada.

A marcação será cerrada no parceiro, que, entre outras funções, terá que assegurar assistências médica e jurídica aos sentenciados. O leque de obrigações do consórcio durante os 27 anos que deve durar a parceria também inclui itens como atendimento psicológico e fornecimento de refeições.

No fim do prazo do contrato, o governo terá três opções: renovar a concessão, fazer nova licitação ou assumir integralmente o complexo. Durante as quase três décadas, a obra e a operacionalização das unidades vão gerar cerca de 1,5 mil postos de trabalho diretos e indiretos.

“Estamos fazendo mais uma vez história em Minas. Falo sem a menor preocupação com a retórica. O que estamos contratando não são apenas vagas no sistema prisional o que, eventualmente, poderia levar à impressão de que haveria privatização do setor. Ao contrário, estamos contratando resultados. Foram estabelecidos parâmetros muito objetivos que a empresa terá que cumprir, seja do ponto de vista da garantia da segurança, por exemplo, com inibição de fugas, seja no caminho da ressocialização dos presos, com oportunidade de trabalho e de educação”, enfatizou o governador Aécio Neves, que ressaltou ainda a ampliação da capacidade do sistema prisional durante sua gestão, período em que o número de vagas subiu de 5,3 mil para 22,5 mil.

Novo complexo Investimento: R$ 190 milhões, a cargo do consórcio privado Unidades: cinco, sendo três para o regime fechado e duas para o semiaberto

Vagas: 3.040

Custo por preso/dia: R$ 74,63

Prazo de conclusão: 30 meses

Período de concessão: 27 anos

 

 

 

Junho 2009

Jornal Recomeço

http://www.jornalrecomeco.com/materias_anteriores/154_1.html

CARTA ÀS AUTORIDADES

 

Ao Exmo Sr. Deputado Estadual João Leite

Do mutirão Carcerário da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais.

 

Valemos do jornal Recomeço, um espaço democrático dos presos, para, em nome da dignidade e vida e dos direitos humanos, solicitar o Mutirão Carcerário a conhecer de perto a funesta realidade da Cadeia Pública de Leopoldina.

A situação em nosso xadrez não é tão diferente da apocalíptica situação da maioria das prisões brasileiras, celas para comportar (não digo, conviver) seis presos estão 14, 17, 22, 26 prisioneiros sob condições desumanas e degradantes.

De tão cheio é absurdo. O artigo 5º da Constituição da República em seus incisos III, XLV; XLVIII:XLVI letra “e”; LVII estão todos presos conosco.

Isso mesmo: várias normas constitucionais estão aqui presas, definitivamente.

Também se assemelha à verdade carcerária nacional a questão de vários desses detentos poderem estar respondendo por seus crimes em liberdade, como já acontece com os acusados e réus ricos e apadrinhados (Paulo Maluf, Celso Pitta, Daniel Dantas, Guilherme Karam, Pimenta Neves, Nicolau, Bida, Alberto Bejani, muitos policiais, etc.) outros condenados com estágio de cumprimento para estarem livres. Devido à morosidade do judiciário, pessoas se transformam em pessoas piores aqui.

Um dia ouvi de um notável professor de direito que se a tendência do direito de nossa época pudesse ser resumida em uma só palavra, seria resumido em SOLIDADRIEDADE. Direito e solidariedade! Qual professor? O senhor ensinou assim na faculdade. Qual segurança pública? Qual fruto colher dessa gritante INJUSTIÇA? Ricos tratados de uma maneira e nós pobres sob essas condições?

Chega de respondermos por nossos atos debaixo de circunstâncias bestializantes.

O crime que o estado, na figura do Juiz, perpetua ao nos deixar sob essas condições é muito mais grave que o ilícito do qual nos acusam ou condenam.

Somos excessivamente castigados. Quem pagará pelos danos morais, físicos e psicológicos infligidos a nós? Seguidos eternos e irreparáveis.

O presidente da República do Brasil, comentando o caso dos assassinatos praticados por integrantes do MST em Pernambuco, disse: “Todos nós pagamos o preço quando cometemos alguma ilegalidade” (Revista Veja – edição 2103, nº 10, de 11 de Março de 2009).

O presidente do CNJ, Ministro Gilmar Mendes, também presidente do STF, disse sobre o sistema prisional: “realidade delicada e que muitas vezes nos causa constrangimento”.

O ministro pediu basta ao discurso “escapista” de que a responsabilidade dos problemas carcerários é da administração do sistema.

Quantas vezes ouvimos de Juizes e Promotores sobre nossas condições a seguinte frase: “Isso ai é problema do governo”.

Porém, o ministro Gilmar Mendes disse: “Somos nós juizes que decidimos se o preso fica preso ou não”. Gilmar Mendes assume a responsabilidade.

E aí, Ministro Gilmar? E aí, Presidente da República? Quem pagará a conta dessa fatura?

E ai, deputado mineiros? São palavras ao vento?

Nosso sistema carcerário é um excremento!

Digníssimos Senhores Deputados, todas excelências de boa vontade e do bem, venham ver-nos viver na pocilga.

Intimamos os senhores, evitem a tragédia de Ponte Nova.

DETENTOS DA CADEIA PÚBLICA DE  LEOPOLDINA

 

 

 

Junho de 2009

Jornal Recomeço

http://www.jornalrecomeco.com/materias_anteriores/154_2.html

Solicitamos melhoria na ALIMENTAÇÃO

“O arroz estava azedo que não se podia comer. Foi tudo jogado fora e dormimos com fome a espera do café do dia seguinte.” 

Venho através desse jornal reclamar uma situação que tem ocorrido há tempos na Cadeia Pública de Cataguases.

Primeiro, nós, detentos, perdemos o direito de ir e vir, mas não perdemos o direito de sermos tratados como seres humanos e a dignidade de nos alimentarmos como se deve, com higiene.

Temos ciência do crime que cometemos e sabemos que temos que pagar por ele. Mas o pior dos crimes é tratar um ser humano como bicho selvagem, sendo que somos iguais a todos.

O que tem acontecido é uma grande falta de respeito para conosco, que dependemos do alimento que recebemos aqui, a famosa “Dalva”. Quando a marmita chega até nossas mãos está fedendo a barata, quando abrimos é totalmente reprovável, geralmente contém três peixinhos de dois centímetros que até parecem ser de aquário, cenoura ralada crua, arroz duro, feijão seco e duro, e, às vezes, vem acompanhada de uma vitamina especial “um cabelo”. Sem contar os outros tipos de cardápios como salada de pimentão puro e cru.

Às vezes, acontece como no dia 17|04|09, todos estavam com fome e ansiosos esperando a comida, mas, na hora que ela chegou e abrimos para comer, o arroz estava azedo que não se podia comer. Foi tudo jogado fora e dormimos com fome a espera do café do dia seguinte.

Estamos presos e dependemos desse alimento para sobreviver. Perdemos a liberdade; não a dignidade. Aqui dentro não está uma criação de porcos que come comida azeda, bife de fígado cru e peixes de aquário.

Aqui estão seres humanos que cometeram erros, mas que apesar desses erros continuam sendo iguais a todos. Todo mundo erra e nem por isso tem que ser tratado como porco, humilhado e sem moral. Jesus mesmo disse: “Aquele que não tem pecado, que atire a primeira pedra”.

Não é com brutalidade e humilhação que se faz uma pessoa se regenerar. Portanto, por favor, senhores autoridades de Cataguases, este é um pedido de um ser humano como os senhores, que tem fome, sede, sente dor, medo, saudade, ou seja, um ser humano que sente tudo o que outro ser humano sente.

Por favor, vamos tentar melhorar a questão da alimentação dos detentos da cadeia pública de Cataguases. Somos pessoas e não animais, precisamos nos alimentar normal. Não queremos luxo, mas uma comida digna de um ser humano comer. Isso é pedir muito?

Muito obrigado pelo espaço no Jornal Recomeço e pela atenção dos leitores Da cadeia pública de Cataguases

 

 

 

16/06/2009

http://www.dm.com.br/materias/show/t/paulo_teles_cobra_reforma_processual

Paulo Teles cobra reforma processual

Presidente do Tribunal de Justiça pede a deputados e senadores ações para que sejam aprovadas mudanças em Códigos de Processo Civil e Penal

Da Redação

A Justiça depende dos parlamentares para fazer valer dois de seus princípios: a rapidez dos julgamentos e a rigidez na aplicação das penas. Sem a lei, elaborada pelos políticos no Congresso Nacional, em Brasília, o Poder Judiciário fica de mãos atadas para executar a justiça. A partir desta premissa, o presidente do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), Paulo Teles, se reuniu ontem com parte da bancada federal goiana. Em evento no restaurante Lancaster Grill, o desembargador pediu ação integrada dos parlamentares para que algumas brechas da lei sejam fechadas. É o caso do Processo Civil, que ainda tem recursos que podem ser usados para atrasar julgamentos. No encontro, que reuniu nove dos 17 parlamentares e um dos três senadores goianos, Teles sugeriu discussões e possibilidades de atuação dos deputados. Eles serão fundamentais para diminuir o número de processos nas comarcas do Estado.

Nos últimos meses, o desembargador tem realizado uma série de ações voltadas para a popularização do serviço jurisdicional. Com isso, ele pretende chegar mais perto da população e, ao mesmo tempo, abrir as portas do poder. As comparações do pacote de atuações do presidente do TJ com as políticas públicas denominadas Mutirão, executadas pelo ex-governador Iris Rezende na década de 1980, não cessam. Os próprios políticos presentes no almoço chamaram as novas ações do poder de “mutirões da Justiça”. “Se não acordarmos para este problema, vamos viver de inanição”, diz Teles, ao responder questionamento a respeito da nova orientação do Poder Judiciário em Goiás. Teles delimita um novo caminho para o Judiciário: mais dinâmico, menos elitista e compreensível. “O Tribunal de Justiça tem que viver seu tempo”, fala durante coletiva.

No encontro, Teles reafirmou a necessidade de mudanças processuais. Ele não entrou em detalhes quanto aos dispositivos que podem ser modificados, mas ressalta que alguns prazos podem ser revistos. “Suponhamos que existe prazo de 15 dias. Então, podemos reduzir para 10”, sugere.

Códigos

Na concepção do magistrado, é preciso modificar questões referentes ao Código Penal, Processual Penal e Processual Civil. Os três livros legislativos, ao lado da Constituição Federal e Código Civil, integram o núcleo duro da norma brasileira. Eles referem-se aos temas mais importantes da vida jurídica do País. Destes códigos, ele apenas preserva o Código Civil, que teve reedição recente em 2002 a partir de trabalho do jurista Miguel Reale. Nos outros, acredita Teles, é possível usar a criatividade, técnica jurídica e conhecimento da realidade para realizar significativas modificações. “É evidente que os dispositivos que não se aplicam mais e aqueles inadequados devem ser excluídos da legislação”, afirma, com referências ao Código Penal – que teve sua última grande reforma realizada na década de 1980. Teles não apresentou nenhum documento formal delineando pontualmente os tipos e artigos que podem ser sanados nos códigos, mas reiterou a necessidade de mudanças

No encontro, o presidente do TJ salientou o congestionamento do Poder Judiciário, a destinação de recursos federais para o sistema carcerário estadual e as estratégias referentes à Justiça Ativa, bancas de conciliação, informatização de execuções penais e cronogramas de obras tocadas pelo Poder Judiciário.

O tema que mais interessou aos deputados é a situação de congestionamento dos processos em Goiás. O TJ reafirma a tese de que a quantidade de processos que tramitam no Estado é menor do que os 1,6 milhão de autos divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça. Teles informa que existem problemas de operacionalização da baixa dos documentos que acabam duplicando o número de conflitos, mas reconhece que existe quantidade significativa – daí o interesse em agilizar os julgamentos e a execução das penas e sanções.

Teles também informou que existem 1.050 presos de Goiás nos presídios e cadeias do Entorno de Brasília. Ele destacou dez magistrados para analisarem a vida e situação jurídica dos detentos tendo em vista a possibilidade de que muitos deles possam estar cumprindo prisão de forma ilegal. Em janeiro, o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou a hipótese de que 1/3 dos presos brasileiros estejam detidos ilegalmente – ou por falta de condenação transitada em julgado ou por erro da própria Justiça. “Acredito que, com estes 1.050 presos, será possível atestarmos se existe, de fato, esta realidade apontada pelo ministro”, diz Teles.

O deputado federal Jovair Arantes (PTB) elogiou a disposição do desembargador em prestar conta e tentar se aproximar dos parlamentares. “Ele está abrindo as portas de um poder importante para a sociedade”, disse no evento. “É uma iniciativa que aproxima a Justiça do parlamentar, que faz normas. E ele tem uma pauta de questões que podem e devem ser trabalhadas em conjunto”, ressaltou Carlos Alberto Leréia (PSDB).

CNJ anula suspensão de juiz Danilo Meireles

O Conselho Nacional de Justiça, em decisão unânime, acompanhou o voto do relator, conselheiro Técio Lins e Silva, e julgou procedente procedimento de controle administrativo instaurado pelo juiz Danilo Luiz Meireles dos Santos com o objetivo de desconstituir a Portaria do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO). O ato questionado afastou o magistrado das atividades eleitorais e designou o juiz Silvânio Alvarenga para responder pela 12ª Zona Eleitoral.

Em seu voto, o conselheiro do CNJ entendeu que o ato do TRE-GO atenta contra razoabilidade e proporcionalidade, além de ofender princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. “O afastamento liminar determinado pelo tribunal consubstanciou-se em velada aplicação da sanção disciplinar, uma vez que o Código de Processo Civil e o Regimento do TRE convergem para o afastamento do magistrado do feito que originou a suspeição e não de suas atividades eleitorais”, enfatizou.

Outro aspecto destacado pelo conselheiro foi o fato de que a decisão do TRE foi tomada no prazo de 48 horas sem que o Ministério Público fosse ouvido nem o magistrado cuja suspeição foi levantada, o que está “em dissonância com o que determina a norma”.

OAB recomenda fechamento de presídio em GO

No primeiro dia do mutirão carcerário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em Goiás, a OAB recomendou o fechamento do presídio de Águas Lindas. Na foto, o corregedor-geral da Justiça de Goiás, Felipe Baptista Cordeiro, visita o presídio.

 

 

 

16/06/2009

Folha de Pernambuco

Cadeia tem “condições inumanas” em GO

“Esse prédio sequer foi concebido para servir de presídio. Daí essas improvisações que causam toda sorte de mal ao condenado e àqueles que estão esperando julgamento, que são os presos provisórios’’

Folhapress

Com capacidade para 50 presos, mas abrigando cerca de 150, o presídio de Águas Lindas, cidade goiana situada no entorno do Distrito Federal, é um retrato aproximado da situação carcerária brasileira que motivou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a realizar um mutirão para identificar casos de prisões irregulares, visando a amenizar o problema da superlotação que aflige o sistema penitenciário em todo o País.

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás, Paulo Gonçalves, “as condições do presídio de Águas Lindas são inumanas’’, tanto pela superlotação quanto pela insalubridade. “Esse prédio sequer foi concebido para servir de presídio. Daí essas improvisações que causam toda sorte de mal ao condenado e àqueles que estão esperando julgamento, que são os presos provisórios’’, disse Gonçalves, após visitar o interior do presídio.

“De fato há, aqui, superlotação. Temos capacidade para abrigar 50 detentos e cuidamos de cerca de 150’’, admite o coordenador prisional do Entorno, major Dakson Lima de Almeida. “Há mais presos do que espaço’’, confirma o juiz corregedor do Tribunal de Justiça de Goiás, Carlos Magno. “Em celas que deveriam abrigar apenas oito presos, vivem mais de vinte’’, completa.

 

 

 

16/06/2009

CONJUR

http://www.conjur.com.br/2009-jun-16/presos-provisorios-nao-votar-sao-paulo-decisao-tre

TRE-SP nega direito de voto a presos provisórios

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo negou o direito de voto aos presos provisórios, na sessão plenária administrativa desta terça-feira (16/6). A decisão foi por maioria. Apenas o juiz Walter de Almeida Guilherme votou a favor dos presos. Ele alertou para o fato de que a Constituição Brasileira já tem mais de 20 anos, sem que se tenha promovido, de alguma forma, a realização desse direito em São Paulo.

Os demais juízes do TRE-SP votaram contra o direito de voto: Marcos César, Paulo Alcides, Flávio Yarshell, Galdino Toledo, Clarissa Bernardo e Baptista Pereira.

O pedido de um projeto piloto para as eleições de 2010, que permitisse verificar e solucionar as dificuldades para a extensão do direito a todos os presos provisórios, foi feito pela Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo, com base no artigo 15, III, da Constituição Federal. O dispositivo suspende os direitos políticos daqueles presos condenados definitivamente e enquanto durarem os efeitos da condenação.

A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo estuda recorrer da decisão, inclusive para a Corte Interamericana de Direitos Humanos de São José da Costa Rica, por entender que a decisão implica no descumprimento de compromissos internacionais de proteção de direitos humanos firmados pelo Brasil.

O procurador regional Eleitoral, Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, entende que a decisão é grave, pois implica em negar o direito reservados a estes cidadãos e enfraquece as disposições da Constituição Federal. Em oito estados os presos provisórios votam, ainda que parcialmente, segundo o procurador.

“Durante o julgamento, ouvi um discurso ideológico totalmente contra os presos e de baixa qualidade. Um observador independente ia achar que não há Constituição nesse país”, diz o procurador. Ele afirma que vai pedir ao tribunal a transcrição da sessão administrativa.

Segundo o procurador, o voto do presidente do TRE-SP, Marco César Müller Valente, foi o único jurídico, em que nega o direito de voto dos presos por conta das dificuldades técnicas. “Eu posso discordar da Constituição Federal, mas tenho que cumpri-la. Fiquei quase escandalizado com este julgamento”, afirmou.

O Tribunal Superior Eleitoral determinou que os presos provisórios tivessem voto nos estados “sempre que fosse possível”, deixando a decisão final aos TREs (Resolução 22.712). Com informações da Assessoria de Imprensa da Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo.

 

 

 

16/06/2009

IBCCRIM

http://www.ibccrim.org.br/site/noticias/conteudo.php?not_id=13308

TRE-SP contraria CF-88 e não respeita direito de voto do preso provisório

Em face de lamentável decisão do TRE-SP, a Procuradoria Regional eleitoral paulista divulgou a seguinte nota:

UM DIA DE LUTO PARA OS DIREITOS FUNDAMENTAIS

A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo comunica e lamenta que, na data de hoje, 16 de junho de 2009, em sessão plenária administrativa, o E. Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo negou o direito de voto aos presos provisórios no Estado de São Paulo, por maioria de seis a um.

Requerimento nesse sentido havia sido formulado pela Procuradoria Regional Eleitoral de S. Paulo com base no artigo 15, III, da Constituição, que suspende os direitos políticos apenas dos presos condenados definitivamente, enquanto durarem os efeitos da condenação. O pedido era de que houvesse um “projeto piloto” para as eleições de 2010, que permitisse verificar e solucionar as dificuldades para a extensão do direito a todos os presos provisórios.

Para o Procurador Regional Eleitoral, Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, a decisão é grave, pois implica no direto indeferimento de um direito dos cidadãos e nega a força normativa da Constituição. A decisão reconhece que direitos constitucionais podem ser considerados “inexeqüíveis”, o que contraria toda a doutrina e prática nacionais e internacionais sobre a eficácia dos direitos das pessoas.

O único voto dissidente foi do Exmo. juiz Walter de Almeida Guilherme, que alertou para o fato de que a Constituição Brasileira já conta com mais de vinte anos, sem que se tenha promovido, de alguma forma, a realização desse direito em São Paulo.

Os demais juízes do TRE votaram contra: Marcos César, Paulo Alcides, Flávio Yarshell, Galdino Toledo, Clarissa Bernardo e Baptista Pereira.

Em cerca de oito Estados da Federação os presos provisórios (aqueles que ainda não têm condenação definitiva), já votam, ainda que parcialmente.

O Tribunal Superior Eleitoral havia determinado que os presos provisórios tivessem voto nos Estados “sempre que fosse possível”, deixando a decisão final aos TREs (Resolução nº 22.712).

Por essa razão, a PRE-SP estuda recorrer da decisão, inclusive para a Corte Interamericana de Direitos Humanos de São José da Costa Rica, por entender que a decisão implica no descumprimento de compromissos internacionais de proteção de direitos humanos firmados pelo Brasil.

 

 

16/06/2009

O Globo / MPF

http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/clipping/junho-2009/pedida-intervencao-no-rs/

Pedida intervenção no RS

PORTO ALEGRE. O procurador de Justiça Lenio Luiz Streck pediu ontem intervenção federal no Rio Grande do Sul por causa da situação carcerária do estado. Para que isso ocorra, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, tem de acolher o pedido e apresentar representação ao Supremo Tribunal Federal (STF), de quem depende a decisão.

Streck, da 5aCâmara Criminal do Tribunal de Justiça, alega que a crise prisional "chegou a uma situação limite". O déficit de vagas é de 10.479. Segundo o procurador, os direitos humanos dos presos "estão sendo violados", bem como os da população de receber segurança não são respeitados.

 

Ele citou o caso do presidente do Tribunal de Contas, João Luiz Vargas, que foi esfaqueado por presos que cumpriam regime semiaberto e invadiram sua casa sábado.

"Não há qualquer prognóstico de melhora ou solução", diz Streck. "Criamos um paradoxo: quanto mais o sistema for eficiente no sentido jurídico de prender criminosos, mais fracassamos, na medida em que não há vagas no sistema. Chega-se ao surrealismo de que, para prender alguém, é preciso soltar alguém, ou torcer para que fuja".

Nos últimos dez anos, houve 50 mil fugas só na Grande Porto Alegre.

 

 

 

16/06/2009

Agência Brasil

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/06/16/materia.2009-06-16.2885662746/view

Mutirão do CNJ vai ao Novo Gama e encontra superlotação e presos além do tempo da pena

 

Mariana Jungmann

Repórter da Agência Brasil

Brasília - A cidade de Novo Gama, em Goiás, foi a terceira cidade goiana a receber o mutirão carcerário, hoje (16), promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o Tribunal de Justiça do estado. O juiz titular da Vara Criminal do município, Cristian Battaglia de Medeiros, visitou a cadeia local com o juiz corregedor do tribunal, Carlos Magno da Rocha, e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), inclusive o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB de Goiás, Paulo Gonçalves.

A situação foi um pouco melhor que a encontrada nas duas cidades visitadas anteriormente – Águas Lindas e Santo Antônio do Descoberto –, na opinião do juiz-corregedor. “A cozinha aqui é muito limpa e o fato de eles mesmos cozinharem, sob coordenação da direção do presídio, ajuda a garantir a higiene no preparo dos alimentos. Em Águas Lindas a produção da comida era terceirizada e era feita sem nenhuma condição de higiene”, avaliou o corregedor Magno da Rocha.

Apesar disso, a superlotação observada nas outras cidades também foi constatada no Novo Gama. A cadeia, construída para abrigar 16 presos tem, atualmente, 97. Em celas que cabem dois detentos, chega a ter 15. Os presos reclamam da presença de ratos e da reutilização de vasilhas plásticas para servir a comida. “Eles servem a comida hoje nesta ala. Aí, lavam a vasilha e servem de novo amanhã em outra ala. Assim, se um preso estiver tuberculoso pode passar para outro”, reclamou Cláudio Clécio de Almeida.

A falta de espaço também incomoda. “Não tem espaço, a gente não consegue andar. As carnes da gente é tudo morta”, disse. A única atividade praticada pelos presos é o artesanato, com material levado pelas famílias. Além disso, os oito que têm melhor comportamento podem sair das alas para trabalhar na cozinha.

Também foi constatada a presença de pessoas que estão presas provisoriamente há mais tempo que o permitido, como o caso de Jovenildo Pierre de Araújo. “Eu estou preso desde setembro, e ainda não fui ouvido pelo juiz”, contou.

De acordo com Paulo Gonçalves, da OAB goiana, o certo seria que eles ficassem presos provisoriamente por até 90 dias. “Em Águas Lindas nós constatamos pessoas presas por até 360 dias. Isso mostra que existe um congestionamento na Justiça brasileira. Os juízes não conseguem julgar dentro dos prazos. Falta tudo”, avaliou.

Assim como Araújo, Rosimar Aparecida Ribeiro, também está presa há mais tempo do que deveria, sem ser ouvida. Segundo ela, há cinco meses o namorado entrou na sua casa fugindo da polícia, armado e portando drogas. Ao ser presa junto com ele, a jovem, que trabalha na cozinha do presídio e à noite dorme na ala feminina, se declarou inocente, mas até o momento não conseguiu ser interrogada por nenhum juiz. “O promotor já foi favorável à minha liberdade, o menino que foi preso também já disse que eu não tenho nada a ver com a história. Mas o juiz, nada ainda”, disse.

O mutirão pretende analisar todos os processos criminais da comarca do Novo Gama para libertar principalmente os que estão presos além do tempo. O Fórum local reúne todas as varas – criminal, cível, de família etc. – e tem cerca de 11 mil processos que estão sob os cuidados de dois juízes. Dos 97 presos em regime fechado, 65 são provisórios.

 

 

 

16/06/2009

Blog Jornal Recomeço

"Rasgaram a Constituição"

 

Juiz Livingsthon Machado, conhecido nacionalmente depois de mandar soltar presos por falta de espaço em carceragem de Contagem, em 2005, anuncia que vai deixar o Judiciário.

 

 

ENTREVISTA

O juiz Livingsthon José Machado, ex-titular da Vara de Execuções Criminais de Contagem, decidiu abandonar a magistratura. Em 2005, ele foi afastado do cargo após interditar o 1º Distrito Policial da cidade e determinar a soltura de 59 presos, alegando que cumpriam pena ilegalmente, pois ficavam amontoados em condições subumanas.

A decisão dele estaria amparada pela Constituição, mas desagradou outros Poderes. Livingsthon diz que não teve direito à defesa.

Agora, ele pretende recorrer a tribunais internacionais de direitos humanos e prepara o lançamento de um livro, onde conta o que está por trás de decisões judiciais que, aparentemente ingênuas, segundo ele, sofrem variadas interferências e podem atender a interesses escusos.

Em entrevista, o ex-juiz relembra o caso que explicitou as deficiências do sistema carcerário e faz críticas ao Poder Judiciário brasileiro.

Qual era a situação das carceragens de Contagem quando o senhor assumiu a Vara de Execuções Criminais, em abril de 2005?

Encontrei seis delegacias, todas com carceragens superlotadas. No 1º Distrito Policial, no bairro Ressaca, uma das celas era improvisada no corredor. Ficavam 32 presos sem instalação sanitária e lugar para beberem água. Os presos puxavam uma mangueira, e duas, três vezes por dia, os agentes abriam a torneira, e eles (presos) usavam aquela água para tomar banho e beber. E faziam suas necessidades fisiológicas dentro de garrafas pets. Cumprindo minha função, determinei a interdição daquela carceragem e a transferência dos presos.

Em qual argumento se amparou a determinação da soltura?

Ultrapassado o prazo fixado e sem que a determinação fosse cumprida, eu expedi 16 alvarás de soltura, amparado na lei, com o argumento de ilegalidade na execução da prisão de cada um deles. Diz a Constituição que a prisão ilegal deve ser imediatamente relaxada pela autoridade judiciária competente.

O senhor já esperava sofrer sanções por essa decisão?

Esperava que o Executivo pudesse tentar reverter a situação, como fizeram, impetrando um mandado de segurança para que a carceragem não fosse interditada. Mas não esperava que o Tribunal de Justiça fosse tão covarde.

Quando o órgão determinou o meu afastamento, sem quórum qualificado para isso, rasgou a Constituição e disse que, aqui em Minas, ela não é aplicada.

Eu não tive direito à defesa e só recebi um ofício para me pronunciar sobre o assunto meses depois do meu afastamento.

Por que o senhor decidiu abandonar a magistratura?

Em 2007, o Tribunal de Justiça determinou minha remoção para uma vara cível, alegando que há uma incompatibilidade minha para exercer função em uma vara criminal, sendo que essa incompatibilidade não está prevista em nenhuma lei e em nenhum ponto da Constituição.

Recorri ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) devido à ilegalidade de todo o processo, mas o conselho entendeu que não poderia julgar a questão por haver um pedido meu de liminar no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Mas esse pedido era apenas contra a forma com que o TJ me afastou, ou seja, são duas coisas diferentes. Então, eu não aceitei minha remoção, prevista para agora neste ano. Porque, se aceitasse, estaria abrindo mão dos recursos, e porque não acredito mais no cumprimento da lei pelas instituições que deveriam garantir a sua aplicação.

O senhor pretende agora levar o seu caso a cortes internacionais?

Sim. Pretendo recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos. Essa busca não é para reverter a minha situação, mas para que o país possa ser condenado por suas instituições terem violado direitos humanos, uma vez que foram esgotados os recursos em vias internas.

Fica constatado que o Judiciário não é independente como deveria ser?

Sim. O Poder Judiciário sofre interferência de interesses segmentários, dos Poderes Executivo e Legislativo, do econômico, da imprensa. Hoje, o juiz de primeiro grau, principalmente em início de carreira, tem pânico de tomar uma decisão que desobedeça esses interesses. E o indivíduo que recorre à Justiça é o mais prejudicado.

O que conta o livro que o senhor lançará no segundo semestre deste ano?

É uma coleção de artigos escritos sobre meu caso e de outros, nos quais fica clara a violação dos direitos. Mostro como algumas decisões judiciais são construídas. Atos aparentemente inocentes, que de inocentes não têm nada, são maliciosos para atender a interesses que interferem na Justiça.

Como foi a atuação do Ministério Público no processo de seu afastamento?

A atuação do Ministério Público foi, no mínimo, curiosa. Quando assumi a Vara de Execuções Criminais de Contagem, havia uma ação civil do MP para solucionar a situação degradante em que os presos se encontravam. No entanto, depois que fui afastado por ter cumprido o que o MP pedia, aquele órgão criou uma comissão com um número excessivo de promotores (dez). O dobro do número de componentes da comissão que investigou a morte dos fiscais do trabalho em Unaí, por exemplo.

O senhor ainda acredita que as pessoas que conduziram seu processo de afastamento serão punidas?

Alguns deles já se aposentaram, outros atualmente mudaram suas funções, mas poderiam ser punidos por improbidade administrativa. Contudo, não acredito em punição.

Na época da soltura dos presos, a repercussão trouxe problemas para sua vida pessoal?

Sim. Não podia sair para almoçar com a minha família, que sofria retaliações. Tive muitos transtornos, mas não me arrependo em momento algum. Cumpri meu papel.

O senhor ainda acredita na moralização do Judiciário?

Ainda tenho esperança. Hoje há um câncer que está tomando quase todo o corpo do Judiciário, mas ainda existem poucos que são honestos e que cumprem de forma honrosa sua função.

 

 

 

16/06/2009

SUSEPE

http://www.agenciaprisional.go.gov.br/noticias/noticia_pub.php?publicacao=54205

Susepe consegue no HUGO enfermarias específicas para pacientes do sistema prisional goiano

O Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) disponibilizou quatro leitos em duas enfermarias para internação de detentos do sistema prisional goiano. As enfermarias específicas, no início, para os presos do complexo prisional de Aparecida de Goiânia e, posteriormente, para reeducandos de todo o Estado, ficarão no 5º andar do Hugo. A novidade começa a funcionar nos próximos dias.

A iniciativa partiu da Gerência de Saúde da Superitendência do Sistema de Execução Penal (Susepe), e foi bem recebida pela direção do Hugo, tendo em vista a segurança que a medida vai proporcionar aos funcionários e pacientes do hospital, além de favorecer o trabalho de escolta dos presos. A iniciativa levou em conta também o fato de que são levados para o Hugo todos os casos de reeducandos com ferimentos e doenças, o que resultava em insegurança entre usuários do hospital.

As obras de adaptação para carceragem já começaram e consistem, segundo informou o major Célio Pereira Bueno, gerente de Segurança da Susepe, na implantação das grades de isolamento, que já estão sendo soldadas nas oficinas do complexo prisional de Aparecida de Goiânia. Depois de prontas, serão chumbadas, possivelmente na semana que vem, nas enfermarias do Hugo.

De acordo com a parceria firmada, o Hugo será responsável pelo fornecimento do espaço físico, dos medicamentos e médicos. A Susepe entra com os enfermeiros e agentes prisionais que cuidarão da escolta dos presos internados.

 

 

 

15/06/2009

O Globo

Inverso.Org

http://www.inverso.org.br/index.php/content/view/16304.html

 

 

 

 

Mais liberdade

O Globo (RJ) - Opinião

 

SÉRGIO CÔRTES

É louvável e oportuna a iniciativa da autora Glória Perez de inserir a questão do tratamento de pacientes com doenças mentais na novela "Caminho das Índias".

Louvável por tratar-se de tema ainda obscuro e cercado de preconceitos por todos os lados.

Oportuno por levar o assunto ao debate no momento em que se discutem políticas de desinstitucionalização do modelo de tratamento.

A política estadual de saúde mental segue as diretrizes da política nacional para o setor, tendo como bússola o movimento conhecido como Reforma Psiquiátrica. Trata-se de uma proposta de reorientação do modelo assistencial para os portadores de transtorno mental, instituída em abril de 2001 através da lei federal no10.216.

Foram criadas linhas de financiamento e de incentivo para a implantação dos dispositivos extra-hospitalares de assistência em saúde mental. Os recursos gastos estão agora distribuídos entre as várias ofertas de tratamento e não só mais na internação. Com as novas tecnologias, não há justificativa para o tratamento ser centrado na internação em hospitais especializados e ter o isolamento social e o familiar associados ao uso de medicamentos como eixo orientador.

Na década de 70 houve intensa contratação de leitos psiquiátricos privados em todo o país, especialmente no Estado do Rio. Ainda hoje, o maior parque manicomial proporcional do país, com 6.686 leitos, está aqui. O cenário contribuiu com a crença de que a internação permanente ainda é necessária. Ainda há pessoas que estão há mais de 10 anos internadas nessas instituições, cujo único delito é ser portador de doença mental.

O sistema carcerário do Manicômio Judiciário já propõe mudanças e possíveis correções em seu sistema de avaliação e altas. Portanto, é natural que os profissionais de saúde mental não mais apoiem o isolamento e a reclusão dos pacientes em crise. Existe a opção pelas residências terapêuticas. Experiências desenvolvidas em alguns municípios mostram que se trata de alternativa eficaz para a ressocialização da clientela de longa permanência, efetivo que ocupa metade dos leitos psiquiátricos do Rio.

Sinal de que há outros caminhos que não a hospitalização pura e simples.

O que se observa nestes quase 30 anos da Reforma Psiquiátrica é uma luta árdua dos profissionais de saúde, incluindo psiquiatras e gestores, para garantir os princípios que foram incorporados ao SUS: acesso amplo, geral e irrestrito ao tratamento, tanto para portadores de sofrimento psíquico, quanto para casos de intoxicações exógenas por substâncias psicoativas.

Entendemos que o caminho para a substituição do modelo seja a formação de uma rede de dispositivos de cuidado ao portador de transtorno mental e o estabelecimento de parcerias que possibilitem a criação de uma rede territorial que não se limite aos equipamentos sanitários.

Não se trata de negar ou diminuir a dificuldade e a gravidade que os transtornos mentais podem trazer a portadores e familiares, mas aprender a lidar com a doença e suas manifestações, trazendo o doente para a condição de convívio no mais curto período. Esse é o desafio que todos nós, envolvidos com a gestão e com o tratamento dos portadores da patologia, temos que enfrentar.

SÉRGIO CÔRTES é secretário de Saúde e Defesa Civil do Estado do Rio.

 

 

 

15/06/2009

O Liberal

Jovens dominam penitenciárias no Pará

Da Redação

Eles poderiam estar na escola, na universidade ou pensando na carreira dos sonhos. Mas, ao invés disso, fazem parte de uma estatística que envergonha o Estado. A população carcerária do Pará é dominada por jovens entre 18 e 29 anos. Dos mais de 9 mil detentos que ocupam as penitenciárias paraenses, cerca de 6 mil estão nesta faixa etária. Os dados não são uma particularidade paraense, mas em nenhum outro lugar do País essa situação é tão marcante. Enquanto a média brasileira de detentos nesta faixa de idade é de 60%, o Pará chega perto dos 70%. Para piorar, com a falta de políticas públicas eficazes, educação de qualidade e investimentos no sistema penitenciário, a tendência é que esse número cresça ainda mais.

Com apenas 21 anos, João da Silva (nome fictício para proteger a identidade do entrevistado) já foi preso duas vezes. Todas por assalto a mão armada. Ele parou de frequentar a escola aos 12 anos e só estudou até a quarta série, o que o fez entrar no crime. Se envolveu com drogas, chorou, sofreu, foi maltratado na prisão e, hoje, tenta reconstruir sua vida. Esse é um retrato comum no bairro onde João viveu durante a infância e parte da adolescência: a Terra Firme.

Sem escolas adequadas, tráfico de drogas na porta de casa e poucos amigos para aconselhá-lo, João se viu sem alternativas. Essa não era a vida que ele tinha sonhado, mas o meio em que vivia não lhe oferecia algo melhor. 'Ali não tem como fugir do crime. Saí de lá, porque aquele bairro é uma verdadeira perdição'.

João explica que não aguentaria sobreviver nas penitenciárias da cidade sem o apoio da família. Isso porque ele era tratado como um 'animal'. 'Não tem estrutura nenhuma. Assim fica difícil se ajeitar. A gente entra como bandido e sai ainda pior', conta. Mas foi somente na última vez em que foi preso que João decidiu deixar o crime, porque quase enlouqueceu. Afinal, não se tinha nada para fazer no local.

Como solução para o ócio que tomou conta da sua vida durante o período em que ficou preso, João diz que o ideal seria que o Governo do Estado criasse projetos dentro das penitenciárias, como cursos para mantê-los ocupados e com perspectiva de uma vida melhor. 'Nós também somos gente', ressaltou.

Diácono permanente da Igreja Católica e coordenador da macrorregião Norte da Pastoral Carcerária, Ademir Silva diz que a prova desta situação é que crianças estão trabalhando nos sinais de trânsito, os subempregos aumentam a cada dia, jovens são abandonados nas ruas e, principalmente, não existem perspectivas de se arrumar emprego. Segundo ele, a população paraense ainda tem que se submeter a um ensino médio de má qualidade, o que diminui consideravelmente as chances de um adolescente ingressar na universidade. Como exemplo, ele cita a média nacional de alunos que concluíram o ensino, que é de 53%. No Pará, este número é de apenas 23%. Enquanto isso acontece, a indústria de consumo prospera. 'O shopping é aberto ao público e quem não tem dinheiro para usufruir do que é vendido lá, se refugia em drogas e bebidas. Esse é o passaporte para a criminalidade', afirma.

O aumento do número de jovens que se envolvem em crimes também se deve à distorção de valores tradicionais, apoio familiar, influência da programação televisiva, fome e miséria, segundo o coordenador da Pastoral Carcerária. Para que essa situação mude, é necessária, em primeiro lugar, preocupação com a base familiar desses jovens, para prevenir a entrada deles na vida delituosa. Em segundo, cuidar da ação da Polícia em todos os níveis. Pois, hoje, diz Ademir Silva, só se pensa na punição, não na prevenção e recuperação. 'Ou seja, o problema torna-se uma bola de neve que, se não for controlada a tempo, vai explodir. É o que chamamos de justiça retributiva, aquela que só pune e que leva jovens às penitenciárias, que mais parecem depósitos de gente', contou.

COMPORTAMENTO

A opinião da socióloga Kátia Mendonça sobre o assunto não é diferente. Mas ela lembra que, além das causas socioeconômicas, existem também as éticas. Pois vivemos em uma sociedade onde respeito e honestidade estão longe de ser aplicados. 'A família está em crise. A sociedade é marcada pelo consumo, que vai das roupas às drogas. Uma sociedade vazia de sentido para jovens, que acabam no mundo do crime, cuja porta de entrada é quase sempre o tráfico de entorpecentes', explicou.

 

 

15/06/2009

Agência Brasil

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/06/15/materia.2009-06-15.8965276811/view

OAB denuncia insalubridade e superlotação no presídio goiano de Águas Lindas

Com capacidade para 50 presos, mas abrigando cerca de 150, o presídio de Águas Lindas, cidade goiana situada no entorno...

Pedro Peduzzi

Com capacidade para 50 presos, mas abrigando cerca de 150, o presídio de Águas Lindas, cidade goiana situada no entorno do Distrito Federal, é um retrato aproximado da situação carcerária brasileira que motivou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a realizar um mutirão para identificar casos de prisões irregulares, visando a amenizar o problema da superlotação que aflige o sistema penitenciário em todo o país.

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás, Paulo Gonçalves, "as condições do presídio de Águas Lindas são inumanas", tanto pela superlotação quanto pela insalubridade. "Esse prédio sequer foi concebido para servir de presídio. Daí essas improvisações que causam toda sorte de mal ao condenado e àqueles que estão esperando julgamento, que são os presos provisórios", disse Gonçalves, após visitar o interior do presídio.

"De fato há, aqui, superlotação. Temos capacidade para abrigar 50 detentos e cuidamos de cerca de 150", admite o coordenador prisional do Entorno, major Dakson Lima de Almeida. "Há mais presos do que espaço", confirma o juiz corregedor do Tribunal de Justiça de Goiás, Carlos Magno. "Em celas que deveriam abrigar apenas oito presos, vivem mais de vinte", completa.

A insalubridade do presídio chamou a atenção do representante da OAB. Paulo Gonçalves criticou a água do local, os recipientes onde a comida é servida, e a própria estrutura da cozinha. "Esse recipiente plástico onde ficam acondicionados os alimentos dos presos é inadequado porque junta resíduos e, por melhor que sejam lavados, ficam propícios a assentar bactérias e fungos", argumentou.

O advogado disse os próprios presidiários lavam esses recipientes "com a água inapropriada de uma cisterna localizada nas proximidades da fossa". Segundo ele, há apenas duas torneiras com água potável no presídio. "A OAB vai reclamar dessa questão e solicitar que o presídio volte a adotar as marmitas de alumínio", garantiu.

Gonçalves informou que foi feita também uma inspeção na cozinha, onde foram detectados problemas. "Não há sequer uma pessoa encarregada de controlar o balanceamento das refeições", denunciou.

A poucos metros dali, o detento Leonardo Farias Veloso ? que cumpre pena por assalto ? reclamava justamente da comida. "Aqui só servem arroz, feijão e soja. Além disso, a ventilação é mínima", disse. Leonardo dividia uma cela de 6 metros quadrados com oito presos considerados de alta periculosidade. Segundo agentes penitenciários, ele foi colocado ali para ser protegido de presos rivais.

"Esse presídio é um caso típico de intervenção. Infelizmente essa não é uma particularidade do estado de Goiás. Em todo o país, o sistema penitenciário está em débito com o reeducando", afirma o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-GO, que vai encaminhar denúncias às autoridades, pleiteando a regularização dos problemas constatados.

"Se for o caso, a OAB pedirá ao Ministério Público que faça intervenção no presídio", completou o advogado.

 

 

 

15/06/2009

SAP

http://www.sap.sp.gov.br/common/noticias/0400-0499/not448.html

Funap inaugura Oficina de Laminado de Espuma Antichamas

 

Colchões produzidos por reeducandos serão comercializados com a SAP e apresentados à Fundação CASA, hospitais e Santas Casas de Misericórdia

 

A região Oeste ganhou, em 29/5, mais 20 postos para trabalhadores presos. Trata-se da nova Unidade de Produção da Fundação de Amparo ao Preso (Funap), a primeira desenvolvida para fabricação de laminado de espuma flexível antichamas. Localizada na Penitenciária de Assis, este tipo de produção já era um sonho antigo para o superintendente de produção da Fundação, Adriano Bersácula. “Por já ter trabalhado com produtos fabricados com poliuretano e ter ciência que o processo produtivo não é complexo, sempre achei que a Funap poderia fabricar todos os colchões utilizados pelo Sistema Penitenciário”, afirma.

A Oficina surge com o propósito claro de geração de renda para os 20 trabalhadores presos, além de todas as questões relacionadas à rotina do trabalho, como disciplina, comprometimento, respeito à hierarquia, metas de produção, etc. “Preparar os trabalhadores presos para o mercado de trabalho, não apenas para aprender a fazer colchões, mas por meio de palestras instrutivas sobre qualidade, segurança no trabalho, conhecimentos gerais sobre processos produtivos, planejamento de trabalho e outras instruções que se mostrarem necessárias”, destacou Bersácula.

A princípio serão produzidos 250 colchões por dia, sem interrupção, até dezembro deste ano. Todo o trabalho desenvolvido será acompanhado por um mestre de ofício e os colchões antichamas serão comercializados com a própria Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) e também serão apresentados para a Fundação CASA, Hospitais e Santas Casas de Misericórdia. 

A inauguração contou com a presença de diversas autoridades locais, entre elas o Coordenador da Região Oeste do Estado, Roberto Medina; o Juiz de Direito da 2ª Vara de Execução Criminal de Assis, Adugar Quirino do Nascimento Souza Júnior; o Promotor de Justiça, José Calderoni Júnior e o diretor da Penitenciária de Assis, Mauro Luiz Lima, que, com o apoio da gerência regional da Funap de Presidente Prudente, preparou um evento especial para aquela tarde.

 

Representando o Secretário da Administração Penitenciária, Lourival Gomes, a diretora executiva da Funap, Lúcia Casali, disse para todos os trabalhadores presos presentes na oficina que a festa era toda direcionada para eles. “Vocês têm potencial e criatividade enormes e são capazes de sair deste lugar como pessoas dignas e realizadas”. Os presentes tiveram a oportunidade de conhecer, passo a passo, o processo de produção dos colchões.

- Especificidades do produto:

Laminado de espuma para colchão auto-extinguível (anti-chama), velocidade de queima igual a zero, densidade 20, cor grafite, largura 0,78M, comprimento 1,88M e espessura 0,08M, com características físicas dentro das norma ABNT 9178/85 (Determinação das características de queima), 8537/03 (Determinação da Densidade) e 13579-1/06 (Requisitos e métodos de ensaio para espuma flexível).

 

 

 

 

15/06/2009

MP – GO

http://www.mp.go.gov.br/portalweb/conteudo.jsp?page=1&base=1&conteudo=noticia/af38ce2f56668e88603df8f511f3ad3b.html

Acesso e permanência de crianças em complexo penitenciário serão definidos por gestores públicos de Goiânia e Aparecida

 

Reunião realizada hoje (15/6) entre o Ministério Público de Goiás e órgãos estaduais e municipais discutiu a regulamentação do acesso e permanência de crianças e adolescentes em dias de visita no Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia. Foi definido que o MP-GO vai propor um compromisso para que os gestores estaduais e municipais (de Goiânia e Aparecida de Goiânia) se comprometam a fornecer estrutura física e de pessoal visando implementar um espaço de atividade socioeducativa para esse público.

O coordenador do Centro de Apoio Operacional (CAO) da Infância, Juventude e Educação, Everaldo Sebastião de Sousa, ressaltou que a permanência de crianças no ambiente de cárcere gera impactos psicológicos negativos, havendo a necessidade de medidas emergenciais para solucionar a questão. De acordo com dados da Superintendência dos Sistema de Execução Penal (Susepe), cerca de 200 crianças e adolescentes até 15 anos frequentam semanalmente a Penitenciária Odenir Guimarães.

A proposta, já discutida entre as entidades, tem como objetivo proporcionar uma estrutura física e psicopedagógica adequada para acompanhar os menores de 15 anos que visitam o complexo penitenciário. A metodologia de atendimento será elaborada por uma equipe multidisciplinar. Foram definidas metas para cumprimento em curto, médio e longo prazo.

Até o fim deste mês, o promotor vai se reunir para tratar da questão com representantes das Secretarias Estadual e Municipais de Educação de Goiânia e Aparecida de Goiânia, das Secretarias Estadual e Municipais de Saúde das duas cidades, da Secretaria Estadual de Cidadania, da Secretaria Municipal de Assistência Social de Goiânia, da Secretaria Estadual de Esporte e Lazer, da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) e da Susepe. (Texto: Cristina Rosa  - Foto: João Sérgio / Assessoria de Comunicação Social)

 

 

 

15/06/2009

CONJUR

http://www.conjur.com.br/2009-jun-15/estado-conta-fugas-abrir-vagas-presidios-juiz-rs

Estado conta com fugas para abrir vagas, diz juiz

Além do rodízio de presos, o Judiciário gaúcho tem contado com fugas para abrir espaço nas casas de detenção em regime semiaberto. É o que afirma o juiz Sidinei José Brzuska, da Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre. Responsável pela fiscalização dos presídios da região metropolitana da cidade, o juiz passou três horas explicando ao Conselho Nacional de Justiça a situação caótica que enfrenta o sistema penitenciário do estado. Devido à falta de vagas, os juízes das varas criminais decidiram não expedir mais mandados de prisão contra condenados que aguardavam em liberadade o trânsito em julgado dos processos.

Desde que assumiu a função de fiscalizar os presídios da Região Metropolitana, Brzuska vem alertando a sociedade para o grave problema prisional do estado. Em entrevista publicada pelo site do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, o juiz afirma que, apesar de preocupante, a crise carcerária pode ser solucionada. 

Leia a entrevista.

Como foi a reunião com o Conselho Nacional de Justiça em Brasília? O CNJ pretende interferir nessa questão?

Na reunião, da qual também participou o promotor de Justiça Gilmar Bortolotto, foi feito um minucioso relatório sobre a situação prisional do Rio Grande Sul, ocasião em que foram apontados todos os problemas do sistema penitenciário gaúcho, inclusive os de ordem funcional, que em breve serão tornados públicos. O CNJ não adiantou se pretende ou não interferir nessa questão. A sensação que tive é de que seus integrantes, ao menos os que tive contato pessoal, estão solidários com as iniciativas adotadas pelo Poder Judiciário do Rio Grande do Sul.

Como está o andamento das obras prometidas pelo governo estadual para aumentar o número de vagas nos presídios? Elas já estão ocorrendo nas casas carcerárias da Região Metropolitana?

Na Região Metropolitana, não existe nenhuma vaga nova sendo construída no regime fechado. No regime semiaberto, existem dois albergues em fase inicial de construção, com capacidade para 78 presos, cada um. As demais obras em andamento referem-se à recuperação de prédios, cujas vagas foram perdidas por falta de manutenção. Nesse item está incluída uma edificação existente em Montenegro, que estava abandonada há anos e se deteriorou pelo não uso. Depois de reformada, o que está sendo feito depois de muita insistência da VEC, ela será aproveitada como presídio feminino, com capacidade para 76 vagas.

Medidas mais drásticas que o rodízio de presos e a não-expedição de mandados podem ser tomadas em breve caso a situação não melhore?
O rodízio de presos já vem sendo aplicado pelo estado, que conta com as fugas para abrir espaço nas casas de semiaberto, permitindo com isso o ingresso de novos presos que progridem do regime fechado. Foram quase 50 mil fugas nos últimos 10 anos no estado. Nos cinco primeiros meses de 2009, somente na Região Metropolitana, fugiram 1.374 presos. A não-expedição de mandados de prisão afetará, basicamente, réus primários e que não cometeram crimes graves. A medida atenuará levemente o problema da superlotação e evitará a contaminação de tais condenados por criminosos de facções e outros grupos organizados que possuem poder no sistema prisional do RS.

Conte um pouco como é a situação das casas carcerárias gaúchas.
O problema é tão grave e complexo que não comporta descrição em espaço pequeno como o presente. O relatório feito perante o CNJ durou três horas de explanação. Em suma, a ausência do Estado no fundo das casas prisionais abriu espaço para a barbárie, a qual está  voltando para a sociedade na forma de crimes reiterados, alguns de extrema gravidade.

O juiz Luciano Losekann disse em entrevista que na situação atual o crime não encontra limites. O senhor concorda? 

Dezenas de homicídios qualificados foram, recentemente, coordenados do interior de prisões gaúchas. A ordem para a maioria deles partiu da penitenciária mais segura do estado. Hoje, milhares de telefones celulares estão nas mãos de presos gaúchos por todo o estado. Vigora a lei do mais forte. Está certo, portanto, Luciano Losekann em sua assertiva.

Que ações poderiam, a curto prazo, aliviar a situação precária nos presídios?
A superlotação é a causa geradora da maioria dos problemas. Por isso ela deve ser atacada primeiro. O aumento do quadro de servidores, com melhoria na remuneração, também deve ser tido como prioritário.

A partir de sua experiência, que outros problemas a situação carcerária enfrenta, além da superlotação?

Nos presídios do Rio Grande do Sul falta tudo. É comum os presos reclamarem, dizendo que estão sendo tratados piores que bichos. A ausência dos bens mais elementares, como colchões, remédios, material de higiene e até mesmo comida, abre espaço para o fortalecimento das facções. Recentemente, em uma penitenciária aqui da Região Metropolitana, a comida estava sendo servida um dia do início para o fundo da galeria e, noutro, do fundo para o início. Isso estava sendo feito porque, se a alimentação fosse servida sempre no mesmo sentido, os presos do final da galeria ficariam sem comer, pois a quantidade servida era insuficiente. A ausência do Estado força a união dos presos. O resultado que decorre de tais uniões todos nós sabemos.

Sabe-se que há um grande número de fugas de apenados, em especial dos regimes aberto e semiaberto. O que pode ser feito para solucionar esse problema?
Na Região Metropolitana, existe uma casa de semiaberto/aberto — Patronato Lima Drumond — em que o número de fugas é praticamente zero. Raramente existem evasões. Quando há, os foragidos se apresentam espontaneamente. Nessa casa, é respeitada a capacidade de engenharia. Não há superlotação. Existem vários funcionários e todos os presos trabalham. O ócio dos presos foi banido. Como se trata de uma casa de albergado pequena, com apenas 80 detentos, os servidores conhecem todos os presos pelo nome. Os apenados recebem orientação e ajuda para resolverem seus problemas pessoais. A ressocialização deixa de ser uma utopia e passa a ser um fato. Acho que o caminho é por aí.

 

 

 

 

15/05/2009

CONJUR

http://www.conjur.com.br/2009-jun-15/cnj-inicia-mutirao-carcerario-cidades-goias-proximas-df

CNJ inicia mutirão carcerário em cidades de Goiás

 

O Conselho Nacional de Justiça iniciou, nesta segunda-feira (15/6), um mutirão carcerário em seis cidades do estado de Goiás, que circundam o Distrito Federal: Águas Lindas, Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Cidade Ocidental, Valparaíso de Goiás e Luziânia. O trabalho termina no dia 26 de junho. De acordo com o juiz auxiliar da presidência, Erivaldo Ribeiro, a expectativa é a de que mais de mil processos sejam revisados de presos condenados e provisórios.

Ao inaugurar o mutirão, o juiz Erivaldo Ribeiro pediu esforços das autoridades e da população local para o desenvolvimento de um projeto que garanta a reintegração de ex-detentos na sociedade e no mercado de trabalho. “Muitas das pessoas libertadas pelo mutirão não terão oportunidade de se inserir no mercado de trabalho, seja por falta de instrução ou formação profissional, e por isso muitas vezes acabam retornando à criminalidade”, constatou o juiz ao fazer o apelo aos participantes.

O corregedor-geral de Justiça de Goiás, desembargador Felipe Batista Cordeiro, afirmou que posteriormente os trabalhos serão estendidos à capital e demais municípios do estado. A conclusão da análise da execução penal de todos os presos provisórios e condenados deve acontecer até o final de outubro.

Na última sexta-feira (12/6), o CNJ inspecionou a cadeia pública de Águas Lindas e constatou que é necessário aumentar o número de juízes no município, construir um novo fórum e sugeriu o uso do prédio do Centro Integrado de Operações de Segurança para abrigar presos e amenizar o problema da superlotação. Cordeiro disse que o Tribunal de Justiça de Goiás está tomando providências para sanar alguns desses problemas.

Muitas das regiões do entorno de Brasília, segundo o juiz Erivaldo Ribeiro, carecem da presença de um Judiciário forte e por isso a escolha da região para iniciar o mutirão do estado de Goiás. No Fórum de Águas Lindas de Goiás, 40 mil processos estão em tramitação e precisam de uma resposta mais rápida, disse, principalmente, os que se referem às causas criminais e dos Juizados Especiais.

Convênio
Durante a abertura do mutirão, a Defensoria Pública do Distrito Federal assinou um convênio com o TJ-GO, por intermédio do CNJ, no intuito de colaborar com os trabalhos do mutirão carcerário no estado. Pelo acordo, 12 defensores públicos do Distrito Federal contribuirão durante 10 dias com os trabalhos de revisão dos processos dos municípios do entorno, já que o estado goiano não possui defensores próprios para isso. Com informações da Assessoria de Imprensa do CNJ.

[Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil]

 

 

 

15/06/2009

Agência Brasil

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/06/15/materia.2009-06-15.9069428357/view

Mutirão pretende identificar presos em situação irregular em Goiás

Pedro Peduzzi

Repórter da Agência Brasil     

Brasília - O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) iniciou hoje (15) um mutirão para identificar casos de presos em situação irregular em seis cidades goianas situadas em região próxima ao Distrito Federal.

Até amanhã (16), o mutirão estará nas cidades de Águas Lindas e de Santo Antônio do Descoberto.

Nos dias 17 e 18 o mutirão vai para o Novo Gama, e nos dias 22 e 23 estará na Cidade Ocidental e em Valparaíso de Goiás. Nos dias 24 e 25, a cidade beneficiada será Luziânia.

Segundo estimativas do coordenador nacional do mutirão, juiz Erivaldo Ribeiro dos Santos, o CNJ pretende analisar os processos relativos a toda a população carcerária brasileira. “Temos, no Brasil, cerca de 450 mil presos. Nossa expectativa é analisar todos os casos”, disse Santos, durante o lançamento do programa em Águas Lindas.

O mutirão teve início em agosto de 2008 e já foi realizado nos estados do Rio de Janeiro, do Maranhão, do Piauí e do Pará, resultando em mais de 3.700 benefícios e 2.300 solturas. Atualmente está funcionando no Amazonas, Tocantins, Alagoas e Espírito Santo – além de Goiás, que inicia hoje o processo.

“Nossa preocupação é identificar casos de réus com excesso de prazo prisional, o que constitui uma ilegalidade”, explica o corregedor-geral da Justiça do estado de Goiás, Felipe Batista Cordeiro. “Há presos que sequer têm conhecimento de que já cumpriram suas penas ou de que têm direito a progressão de pena. Queremos examinar as ilegalidades que porventura tenham ocorrido e corrigir todas as distorções existentes”, completou.

Após o lançamento do mutirão em Águas Lindas, juízes e autoridades estaduais se dirigiram ao presídio da cidade para dar início ao mutirão. Lá, fizeram chamada e perguntaram, a cada preso, o motivo da prisão e o tempo de pena cumprida.

“Depois de juntar essas informações, vamos compará-las às contidas no fórum da cidade. Se for comprovada a ilegalidade da detenção, determinaremos a imediata soltura do presidiário”, informou a juíza da Vara Criminal de Execuções Penais e Atos Infracionais de Águas Lindas, Verônica Torres.

Com capacidade para 50 detentos, o presídio de Águas Claras abriga cerca de 150 presidiários.

Edição: Nádia Franco

 

 

 

 

13/06/2009

IstoÉ

"Sou alvo de um movimento organizado"

Presidente do STF diz que está no meio de um tiroteio ideológico por contrariar interesses

Octávio Costa e Hugo Marques


Gilmar diz que a Justiça brasileira está mais célere, mas ainda é desigual

Depois do polêmico bate-boca com o ministro Joaquim Barbosa em abril, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, recebeu o apoio de boa parte de seus colegas.

Mas tem sido alvo de abaixo-assinados na internet e enfrenta protestos contra sua permanência à frente do STF, algo inédito na história do Judiciário. Na quarta-feira 3, ele foi vaiado por estudantes após audiência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Em entrevista à Istoé, Gilmar afirmou que ficou no meio de um tiroteio ideológico, desde o momento em que concedeu dois habeas-corpus ao banqueiro Daniel Dantas. "Evidente que é um movimento organizado. Muito provavelmente, até remunerado. Em geral, imprimem panfletos. Mas isso não me cabe questionar", diz. "No caso Daniel Dantas, como havia uma luta política e comercial, há interesses contrariados, obviamente." Para Gilmar, a maior exposição do STF torna as pessoas que o integram mais expostas, mais suscetíveis a eventuais ataques. Mas ressalta que a autoridade da mais alta corte do País "é inequívoca".

Quanto à sugestão de Barbosa para que Gilmar "ouça mais as ruas", o presidente do STF rebate: "Isso serve para encobrir déficits intelectuais."

Istoé - Existe um descompasso, hoje, entre a opinião pública e o Poder Judiciário? Seria o caso de ouvir as ruas?

Gilmar Mendes - O embate que surge nesse tipo de colocação é saber se no combate à impunidade nós deveríamos fazer concessões no que diz respeito à observância dos direitos e garantias individuais. Entendo que a questão não está à disposição do julgador. A Constituição não deixa esse espaço. Combate à impunidade? Sim. Combate ao crime organizado? Sim. Mas dentro dos paradigmas do Estado de Direito. Se formos consultar a chamada opinião pública, vamos ter que saber como se faz a consulta. É a minha opinião pública, é a sua opinião pública? É a opinião pública de que grupo? É a minha rua? É a sua rua? É a rua de quem? É o ibope do bar? Do Baixo Leblon?

Istoé - O País caminharia, então, para um outro tipo de Justiça?

Gilmar - Exatamente, Justiça plebiscitária. Tenho a impressão de que essa discussão escamoteia, na verdade, déficits argumentativos e serve de álibi para fundamentar tudo. A Justiça nazista era assim. Decidia em nome do interesse do Reich, ou de interesses "mais elevados". Isso não tem nenhum cabimento.

Istoé - Como o sr. vê as manifestações contra a sua presença no STF?

Gilmar - Evidente que é um movimento organizado. Muito provavelmente, até remunerado. Em geral, imprimem panfletos. Mas não me cabe questionar isso. Tenho inúmeras manifestações de apoio em todos os setores, nunca tive nenhuma dificuldade de andar pelas ruas.



Istoé - As pessoas parecem acreditar que podem influenciar o STF.

Gilmar - Isto é uma bobagem. O tribunal nunca seguiu esse tipo de toada. Quando, por exemplo, no início da ditadura, houve as violências mais marcantes contra governadores, foi o STF que deu liminar em habeas corpus. Nas fases por que passamos hoje, especialmente a partir de 2003, 2004, com a nova ênfase das ações policiais, foi aqui que as pessoas encontraram abrigo. Nas operações Anaconda, Navalha e outras, com ataques inclusive à magistratura, foi aqui que as pessoas encontraram salvaguarda. Mas no caso Daniel Dantas, como havia uma luta política e comercial, há interesses contrariados, obviamente.

Istoé - As pressões surgiram em função do caso Daniel Dantas?

Gilmar - Com certeza. É fundamentalmente em função desse caso, que teve duas decisões liminares concedidas por mim, referendadas pelo plenário, por nove votos a um.

Istoé - Os críticos dizem que o STF agiu como juiz de primeira instância.

Gilmar - Esta é outra lenda urbana. É uma mentira deslavada. O caso tinha passado por todas as instâncias, pelo juiz de primeiro grau, tinha passado pelo Tribunal Regional Federal, pelo STJ e estava aqui com o ministro Ayres Britto. Quanto ao segundo habeascorpus, o tribunal considerou que era descumprimento do primeiro.

Istoé - A Constituição determina que se fique em liberdade até que o processo transite em julgado. Mas alguns casos geram clamor público e deixam uma sensação de impunidade.

Gilmar - No Brasil temos hoje cerca de 480 mil presos, dos quais um número elevado, talvez de 50% a 60%, é de presos provisórios e outros já com sentenças definitivas. É um índice elevadíssimo, se considerados os índices mundiais de população carcerária em relação ao número de habitantes. Não mostra uma Justiça leniente quanto às prisões. O tribunal admite, mesmo depois de uma sentença de primeiro, de segundo grau, que se determine a prisão, mas com os fundamentos da prisão preventiva, quer dizer, o risco de fugir e a preservação da ordem pública. Mas há que exigir a fundamentação para a prisão. Não pode ser automática.

Istoé - Muita gente diz que o STF, em cento e tantos anos, nunca condenou um parlamentar.

Gilmar - Não é verdade. No passado, vamos encontrar pessoas que foram condenadas ou absolvidas. Mas, especialmente após a Constituição de 1988, os processos estavam parados. Esses processos só retomaram o seu curso normal a partir de 2002, 2003. Então, esse discurso é falso. Estamos cheios de lenda urbana, porque estamos no meio de uma luta política em que, mesmo pessoas sem formação jurídica, às vezes de formação jurídica não suficiente, transformaram-se em lutadores.

Istoé - Como assim?

Gilmar - São gladiadores da opinião pública. Repito: essa tese de a Justiça "ouvir as ruas" (defendida por seu desafeto, ministro Joaquim Barbosa) serve para encobrir déficits intelectuais. Eu posso assim justificar-me facilmente, não preciso saber a doutrina jurídica. Posso consultar o taxista.

Istoé - Quando o sr. fala em luta política, parece que há duas visões no STF.

Gilmar - Não vou falar sobre isso.

Istoé - Mas há, no STF, duas concepções diferentes do direito?

Gilmar - O resultado dos julgamentos do STF está espelhado nas suas decisões, nos acórdãos, isso é inequívoco. Agora, creio que o foro privilegiado, o foro por prerrogativas de função, como nós o chamamos, tem cumprido função importante, até mesmo no que concerne à governabilidade. Dentro do conceito de criminalização da atividade política, se não tivesse foro privilegiado, certamente o presidente Lula não passaria por uma cidade sem ter que depor ao Ministério Público ou à polícia. É isso que se quer?

Istoé - Por que a opinião pública tem a sensação de impunidade?

Gilmar - Quanto ao modelo especialmente de defesa, temos uma sociedade com muitas desigualdades, em que a defesa é paga. E pessoas que dispõem de advogados têm melhores condições. As outras dependem de defensorias públicas. Até há pouco tempo uma boa parte dos Estados nem sequer tinha essas defensorias.

Nós temos nos engajado inclusive no sentido de estimularmos as defensorias públicas, a advocacia voluntária. Porém, se olharmos numa outra perspectiva, certamente o serviço de saúde das pessoas aquinhoadas é melhor do que o serviço de saúde das pessoas sem recursos. O que vale também para o serviço escolar. Sem dúvida, a maior parte da população presa é analfabeta e pobre.

Istoé - O que o sr. sente quando visita os presídios e vê a maioria pobre e analfabeta?

 

"Dentro do conceito de criminalização da atividade política, se não tivesse foro privilegiado, o presidente Lula não passaria por uma cidade sem ter que depor"

Istoé - O sr. não se sente frustrado, sem condições de mudar essa realidade?

Gilmar - Esse não é um problema que me cabe resolver. Essa questão tem que ser resolvida pelas instâncias apropriadas. O que estamos fazendo, menos até como presidente do Supremo, mais como presidente do Conselho Nacional de Justiça, é a adequada revisão das penas impostas. É preciso saber se as pessoas estão cumprindo a pena devida. Nessa área, por exemplo, não tem ninguém para me dar lição. Sou eu que tenho liderado, via CNJ, o processo de mutirão carcerário em todo o País. Antes, ninguém tinha feito isto.

Istoé - Quais as medidas do CNJ?

Gilmar - Estamos incentivando a instalação das varas de execução criminal virtuais, para que haja controle e não haja esse quadro vergonhoso de encontrarmos pessoas que já cumpriram a pena duas vezes. Estamos discutindo a prisão provisória, exigindo que o juiz faça verificação do tempo de prisão, a cada três meses.

Istoé - Como presidente do CNJ, o sr. pediu a suspensão da construção da sede do TRF1. Estava muito cara?

Gilmar - Nós estamos arrostando todas estas questões, as obras, a contratação de servidores e o aumento de quadros. Abrimos uma caixa de Pandora. Estamos discutindo todos os temas com grande abertura e honestidade.

Istoé - Qual o problema mais grave da Justiça brasileira?

Gilmar - Talvez o maior problema hoje seja de fato a morosidade, mas decorrente em grande parte do excesso de demanda. Nós falamos de números de processos extremamente elevados, cerca de 70 milhões de processos no ano passado. Isso significa praticamente um processo para cada três habitantes.

Istoé - Mesmo assim, a Justiça está ficando mais célere?

Gilmar - Tenho a impressão que sim. É claro que nós temos muitos desafios. Na medida em que temos êxito no conhecimento, na expansão das nossas atividades, nós atraímos mais processos. Em alguns casos eu até usei a expressão: "a gente é tão exitoso em determinadas áreas que acaba produzindo fracasso".

É o que eu chamo de "fracasso do sucesso", como já aconteceu no Juizado Especial Federal, que começou com um número pequeno de causas e teve uma expansão brutal de causas exatamente porque as pessoas perceberam que ali se obtinha uma decisão mais rápida.

Istoé - Quando deve ser o julgamento do ex-ministro Antônio Palocci?

Gilmar - Talvez no final deste mês ou no início do mês de agosto.

Istoé - As polêmicas recentes que envolveram o STF não afetam a imagem da mais alta corte do País?

Gilmar - Tenho a impressão que não. É claro que a maior exposição do tribunal chama a atenção e torna o tribunal e também as pessoas que o integram mais expostas, mais suscetíveis a ataques. Então é natural que isso ocorra. Mas é notório que, se nós hoje olharmos a autoridade do tribunal, ela é inequívoca. E certamente o tribunal não tem uma classificação depreciativa, se tivermos em conta os demais poderes.

Istoé - A ideia de alguns ministros de limitar a transmissão das sessões do STF pela televisão pode prosperar?

Gilmar - Não acredito. Sempre que há algum incidente, e já tivemos alguns, vem essa colocação. Não acredito que essa ideia venha a frutificar ou que tenha maioria no âmbito do tribunal. Na realidade, a TV Justiça é hoje um símbolo da própria transparência do STF, que vem inclusive sendo imitada.

Istoé - O sr. acha que poderia haver um outro sistema para escolher os ministros do STF?

Gilmar - Sempre há possibilidade de aperfeiçoar modelos. Eu tenho a impressão de que esse modelo que praticamos parece ter consistência. Se for introduzido o mandato, por exemplo, nós teremos o problema da renovação contínua da corte. Se abrirmos para uma escolha pelas casas legislativas, haverá o risco da politização excessiva e até mesmo de partidarização. Se abrirmos para a participação de organizações corporativas, teremos o risco da sindicalização das escolhas. É preciso estar atento.