Clipping – 03/07 a 08/07/2009

PASTORAL CARCERÁRIA NACIONAL/CNBB

Pastoral Carcerária NacionalAlter Comunicare

 

Clipping produzido pela Assessoria de Comunicação da Pastoral Carcerária Nacional/CNBB, em parceria com a Alter Comunicare, pretende oferecer aos associados uma visão panorâmica do que diz a imprensa sobre temas relacionados à questão prisional em todo o Brasil e em outros países. As matérias reproduzidas neste clipping não refletem, necessariamente, a posição da Pastoral Carcerária, mas têm o objetivo de informar e incentivar o debate público. O clipping está sujeito a omissões involuntárias de notícias e conta com a colaboração de todos para o envio de outras notícias com a citação da fonte e data de publicação para o endereço imprensa@carcerária.org.br

 

 

SUMÁRIO

 

Binho sanciona lei que repassa 100% das taxas judiciais ao TJ. 3

Mulheres promovem conferência sobre segurança pública em Salvador 4

Internos do presídio militar de MS apresentam propostas para a 1ª Conseg. 5

Familares de presos de Águas Lindas recebem cobertores. 6

Defensores são barrados no Presídio de Areia Branca. 6

Presídio Cyridião Durval recebe Justiça Itinerante. 8

Presas ficam 27 dias detidas com homens em cela sem banheiro no Mato Grosso. 9

Operação Pesca-Bagre: Presos recebem visitas fora do horário. 11

Detentos têm boa aprovação em supletivo. 12

Mutirão de Saúde e atividades esportivas são realizados na Mata Grande. 13

Conferência trata da segurança pública com a população negra em Alagoas. 14

Presos de cinco Estados vão fotografar vida na cadeia. 15

Processos criminais e de execução penal serão virtuais. 16

Presos de Jussara cultivam o próprio alimento. 17

Hortaliças produzidas por presos de Acreúna são doadas para senhoras carentes. 18

Seleção de pessoal Tecendo a Liberdade. 18

Espírito Santo mobiliza mais de 700 cidadãos para debater segurança pública. 19

Cidades - Detento é assassinado a facadas no presídio. 20

Ausência de vaga: Cumprimento da reprimenda em prisão domiciliar 21

Ação dará a presos formação em pesca profissional 21

Após 20 horas, acaba rebelião em presídio de Santarém (PA) 22

Justiça realiza mutirão no Cyridião Durval 22

Conferência de Segurança Pública vai propor mudanças na legislação penal 23

Preso atribui reincidência ao desemprego. 24

Polícia Civil realiza conferência livre. 25

TRE-SP contraria CF-88 e não respeita direito de voto do preso provisório. 26

Presidiários vão documentar vida carcerária com fotos para exposição. 26

Desembargador ironiza Rio Grande do Sul em sessão sobre voto de preso. 28

Presidiários vão documentar vida carcerária com fotos para exposição em Brasília. 29

Defensores públicos convocam sociedade para debater Segurança Pública. 30

Função do Direito Penal é limitar o poder punitivo. 31

Conferência discutirá revisões no Direito Penal 38

Para secretário, rodízio de presos pode ser solução. 39

Gilmar Mendes quer detentos em escolas e bibliotecas. 40

Aspectos controvertidos sobre o valor mínimo fixado na sentença penal 42

Miséria e revolta nas prisões. 50

Ouvidorias da Segurança pouco acionadas. 51

Presídio de Mossoró (RN) será inaugurado nesta sexta-feira. 53

Empresa abandonou a obra, diz secretário. 53

Novo presídio será inaugurado hoje. 55

CNJ faz mutirão e radiografia do sistema carcerário do Ceará. 56

Ministro Gilmar Mendes encerra mutirão carcerário em Manaus. 57

Presidiários com bom comportamento poderão participar de trabalhos externos. 58

Mossoró recebe quarta penitenciária federal do país. 59

 


08/07/2009

Página 20 – AC

http://www.pagina20.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=7478

Binho sanciona lei que repassa 100% das taxas judiciais ao TJ

Edmilson Ferreira

Projeção é de que medida traga importante impacto social

O governador Binho Marques sancionou nesta terça-feira, 7, a lei 2.129, de 1º de julho de 2009, alterando a lei 1.422, de 18 de dezembro de 2001, e repassando ao Tribunal de Justiça do Acre 100% da receita proveniente de custas judiciais, ao mesmo tempo que amplia a gratuidade na emissão de certidões judiciais.

O Estado deixa de arrecadar cerca de R$ 1 milhão com projeção de relevante impacto social a partir da modernização do acesso público aos serviços judiciais. A cerimônia de assinatura reuniu no gabinete de Binho Marques o presidente do TJ, Pedro Ranzi, os desembargadores Samoel Evangelista e Eva Evangelista, o chefe do Gabinete Civil do Estado, Edson Manchini, e os secretários de Estado Mâncio Lima, da Fazenda, e Laura Okamura, de Ações Sociais, técnicos e assessores do TJ.

O artigo 17 da lei 1.422 dizia que a arrecadação de taxas e emolumentos do TJ seriam destinados ao Tesouro do Estado, que devolveria mensalmente ao Poder Judiciário 80% do valor. Com a alteração, relatada pelo deputado Edvaldo Magalhães e aprovada pela Assembleia Legislativa do Acre, o TJ passa a cobrar e receber integralmente essas custas.

É um ato importante, que a gente faz com alegria porque contribui para se viver em um Estado mais justo”, disse o governador, apresentando uma série de investimentos que tratam da modernização e humanização dos serviços públicos, como, por exemplo, o presídio de segurança máxima de Senador Guiomard, onde estão sendo aplicados R$ 11 milhões, e o centro de atendimento integrado que está sendo implantado em Rio Branco, onde a população terá acesso rápido e fácil a documentos pessoais e serviços de Estado. “Vejo que os investimentos têm diálogo franco, sincero e aberto”, afirmou Pedro Ranzi.

O sistema de reeducação social do Acre abriga um contingente de pessoas que fazem o Estado oscilar entre a segunda e a terceira colocação no ranking de população carcerária do país. Com os atuais investimentos, o sistema acreano não terá superlotação e o cumprimento da pena se dá em ambientes humanizados.

O TJ do Acre mantém importantes projetos de modernização em parceria com o governo do Estado. Em breve, depoimentos de reeducandos serão tomados por teleconferência, o que traz substancial economia, praticidade e segurança ao sistema. A secretária de Ação Social, Laura Okamura, apresentou o convênio que está sendo firmado com o Ministério da Justiça para consolidação da política de penas alternativas.

 

O desembargador Samoel Evangelista lembrou o período em que atuava como promotor do Ministério Público e realizou uma viagem de vários dias, no Vale do Juruá, até as comunidades da Foz do Breu. Havia, segundo ele, um distanciamento entre a população e o agente público, situação que foi sendo gradativamente transformada.

Como exemplo dessa mudança, Samoel citou que o Acre hoje ocupa a quinta colocação entre os Estados em número de juízes proporcionalmente a sua população. Enquanto a média nacional é de 7,6 juízes por 100 mil habitantes, no Acre o número é de 8,3.

“Foi graças a um trabalho conjunto que alcançamos isso”, agradeceu o desembargador.

Ele lembrou ainda o encontro de corregedores de Justiça, em que a novidade apresentada era a emissão de registro de nascimento na própria maternidade, prática adotada há vários anos pelo Acre.

Eva Evangelista referiu-se à parceria que está sendo formalizada com o Estado para atendimento da Justiça Comunitária nas Zonas de Atendimento Prioritário (ZAPs). “Vivemos um momento especial de integração dos poderes”, disse a desembargadora.

 

 

08/07/2009

Conseg

http://www.conseg.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1337:mulheres-promovem-conferencia-sobre-seguranca-publica-em-salvador&catid=49:noticias-gerais&Itemid=226

Mulheres promovem conferência sobre segurança pública em Salvador

 

A ampliação das Defensorias Públicas e construção de mais centros de referência de atendimento às mulheres vítimas de violência. Estas foram as principais propostas retiradas da conferência livre "Segurança pública: Uma política de transversalidade para as mulheres" realizada pela União Brasileira de Mulheres (UBM) nesta terça-feira (7/7), em Salvador. Todas as proposições apresentadas durante o encontro serão apresentadas na Conferência Estadual de Segurança Pública, marcada para os 9 e 10 de julho, em Salvador.

No auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na Bahia, representantes de vários segmentos do movimento social se reuniram para debater formas de contribuir para que as políticas de segurança pública reflitam as necessidades das mulheres. "A Constituição garante que todas as pessoas são iguais diante da Lei, mas no dia-a-dia percebemos que há diferença de gêneros, havendo desigualdade entre homens e mulheres diante das leis", afirmou Cely Carlos, delegada titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam).

Para a delegada, a Deam não pode atuar apenas na repressão do agressor. "É preciso investir em ações que previnam a violência e não apenas na punição dos culpados. A Lei Maria da Penha é um grande avanço para o combate à violência doméstica, mas precisamos lutar para que ela seja implantada em sua plenitude. É preciso encarar  o atendimento às mulheres vítimas de violência como uma questão de segurança pública", ressaltou Cely Carlos.

A necessidade de investimentos na prevenção e combate á violência de gênero também foi enfatizada por Maria Eunice Kalil, do Fórum Comunitário de Combate à Violência (FCCV). Ela defende a atuação de um Conselho de Segurança Pública, que acompanhe as ações polícia não apenas nas questões de violência contra a mulher, mas em todas as esferas. "Eleger a repressão policial como única forma de garantir segurança não é a melhor solução para o problema. A questão da segurança pública não pode começar e acabar na polícia. A sociedade precisa intervir na formulação de políticas nesta área e participar do Conselho de Segurança é uma forma de se fazer ouvir", declarou.

Maria Eunice Kalil ressaltou também a importância da participação na Conferência  Estadual de Segurança Pública. "Este é um espaço privilegiado, onde sociedade civil e governo se unem para debater as melhores políticas para cada setor. A Conferência de Segurança Pública é uma oportunidade que as mulheres não podem deixar passar para colocar o combate à violência doméstica como uma ação de segurança pública", lembrou Bice Kalil.

Foi com objetivo de fortalecer o movimento pela inclusão de ações para assegurar os direitos das mulheres que a UBM convocou a Conferência Livre. Para Daniele Costa, da coordenação nacional da UBM, "a Conferência é um momento importante para cobrar a implementação da Lei Maria da Penha, com adoção de medidas protetivas, ampliação da rede de atendimento às vítimas e a implantação de uma rede de informação sobre a violência contra a mulher.

As mulheres precisam mostrar que querem ser protagonistas na formulação de políticas de segurança e não apenas vítimas da violência. A UBM vai sistematizar as propostas do nosso encontro e pretende apresentá-las durante a Conferência Estadual de Segurança Pública. Esta é mais uma colaboração da entidade para esta discussão", concluiu Daniele.

Fonte: União Brasileira de Mulheres

 

 

08/07/2009

Conseg

http://www.conseg.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1336:internos-do-presidio-militar-de-ms-apresentam-propostas-para-a-1o-conseg&catid=49:noticias-gerais&Itemid=226

Internos do presídio militar de MS apresentam propostas para a 1ª Conseg

 

A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (MS), através da Companhia de Guarda e Escolta (CIPMGdaE), realiza nesta quarta-feira (8), a partir das 7h30, Conferência Livre no Presídio Militar Estadual. O evento faz parte da etapa participativa e preparatória para a 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), marcada para agosto em Brasília (DF).

A expectativa do evento é reunir cerca de 80 pessoas dentre elas, policiais militares que cumprem pena no Presídio Militar Estadual (PME) e que fazem parte dos regimes aberto, semi-aberto e fechado. Além de servidores e diretores das unidades prisionais do complexo penitenciário de Campo Grande: Estabelecimento Penal "Jair Ferreira de Carvalho", Centro de triagem "Anízio Lima", Instituto Penal de Campo Grande (IPCG) e Presídio de Trânsito.

Na ocasião, serão debatidos o eixo temático três, que aborda a valorização profissional e otimização das condições de trabalho, e também o eixo temático seis, que aponta diretrizes para sistema penitenciário. Os eixos temáticos fazem parte do texto-base da Conseg, documento de orientação elaborado pelo Ministério da Justiça (MJ).

Um dos objetivos das conferências é dar oportunidade para que a população brasileira possa contribuir para a elaboração de propostas e alternativas para a Segurança Pública, que serão apresentadas em agosto, durante a 1ª Conseg. Qualquer pessoa pode participar ou realizar uma conferência livre, no Estado, já foram realizadas mais de 30 conferências. Quem ainda deseja organizar uma conferência livre, tem até o dia 31 de julho.

A mobilização acontece a partir das 7h30, no Presídio Militar Estadual, que fica na Rua Indianápolis, s/n - Jardim Noroeste.

 

Mais informações sobre a mobilização para a 1ª Conseg em MS poderão ser obtidas através do hotsite www.sejusp.ms.gov.br/conseg.

Fonte: Sejusp/MS

 

 

08/07/2009

SUSEPE

http://www.agenciaprisional.go.gov.br/noticias/noticia_pub.php?publicacao=54637

Familares de presos de Águas Lindas recebem cobertores

 

Uma parceria entre a Unidade Prisional de Águas Lindas de Goiás e a prefeitura municipal distribuiu, na última sexta-feira (03/07), 80 cobertores para os presos e seus familiares (foto). A entrega foi realizada durante o horário de visita.

De acordo com o diretor do presídio, Paulo Gomes de Paula, a ação trará conforto e tranquilidade para todos. “A detenção de um indivíduo sempre atinge sua família. Estendemos a entrega de cobertores a elas porque é muito comum que a família abra mão de várias coisas para minimizar o desconforto de quem está preso”, explica o diretor.

 

 

07/07/2009

Jornal da Cidade - SE

http://www.jornaldacidade.net/2008/noticia.php?id=36701

 

Defensores são barrados no Presídio de Areia Branca

Texto: Edjane Oliveira

Defensores públicos integrantes do Núcleo de Execução Penal foram impedidos, na manhã de ontem, de entrarem no Presídio de Areia Branca, para fazer o atendimento individual dos internos daquela unidade prisional. A informação que receberam da direção da penitenciária, ao chegarem, é que havia uma determinação do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe) impedindo a entrada deles. Desde o mês de maio, todas as segundas-feiras, os defensores realizam atendimento aos presos de Areia Branca, graças a um convênio firmado entre a Defensoria Pública de Sergipe e o Ministério da Justiça, inclusive com metas estipuladas.

 

Ontem seriam atendidos os presos com nomes iniciados pelas letras F, G, H, I e J. “Mas para nossa surpresa fomos impedidos e até o momento não temos nenhuma explicação plausível para isso”, disse o defensor Daniel Nunes Menezes, no meio da manhã, em frente ao presídio, enquanto aguardava uma resposta. Em menos de três meses, já foram analisados processos de mais 120 internos, apenas do Presídio de Areia Branca.

 

De acordo com o diretor do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe), da Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (Sejuc), Manuel Lúcio Neto, os defensores públicos não foram impedidos de adentrar ao Presídio de Areia Branca na manhã de ontem. “Apenas foi exigido que eles apresentassem a portaria de lotação dos mesmos no Núcleo da Vara de Execuções Penais”, disse. A informação passada pelo diretor, no final da manhã de ontem, é que a situação já havia sido resolvida e os defensores liberados para exercer suas atividades na unidade prisional.

 

Há uma semana, um grupo de defensores do Núcleo de Execução Penal ingressou com uma ação civil pública pedindo a interdição do Presídio de Areia Branca, face às condições degradantes encontradas no local. Superlotação, falta de água potável e rede de esgoto, banheiros sem vasos sanitários e até uma favela dentro do presídio foram alguns dos problemas encontrados pelos defensores públicos sergipanos durante uma inspeção feita à unidade prisional.

 

Medidas cabíveis

 

Ainda pela manhã, os de fensores foram até o fórum do município estudar que providências judiciais poderiam ser tomadas nessa situação, para que os presos não fiquem sem a devida assistência jurídica, conforme lhes é garantido pela lei. “Vamos discutir com os demais colegas do Núcleo de Execução Penal para estudar qual a melhor medida a ser solicitada nessa situação”, afirmou o defensor público Robson Millet, ressaltando que a própria constituição estadual, em seu artigo 3º, é clara ao garantir, entre outros direitos, assistência jurídica, “além de acesso a dados relativos ao andamento dos processos e à execução das respectivas penas”.

 

Segundo o defensor público Anderson Amorim Minas, existe uma infinidade de leis que asseguram ao defensor público adentrar nos estabelecimentos prisionais e unidades policiais, para assistir os presos que necessitam de todas as informações do andamento do seu processo. “E nós tentamos hoje entrar para mais uma vez realizar esse atendimento e fomos impedidos. E essa atitude governamental feriu, inclusive, a constituição estadual, no seu artigo 3°, que diz que serão responsabilizados criminalmente os agentes públicos que impedirem o acesso a essas unidades penitenciárias, sob qualquer pretexto”, afirmou, ressaltando que todos estavam pasmos com a determinação.

 

Os defensores integrantes do Núcleo de Execuções Penais que foram barrados disseram que todas as medidas judiciais necessárias seriam tomadas para que pudessem voltar a ter todo o acesso ao presídio. “Independentemente de qualquer coisa, existe uma legislação que garante, primeiro, direito de informação ao preso. Qualquer representante dele, advogado ou defensor, que venha prestar essa informação tem que ter livre acesso. Não há porque ter essa restrição de acesso ao presídio, não só aqui como em qualquer outro”, ressaltou o defensor Murilo de Souza Santos.

 

Questionados sobre se a determinação seria uma represália por conta da ação civil pública movida na semana passada, por conta da situação em que se encontra o presídio de Areia Branca, o defensor disse que a denúncia tinha que ser feita, sob pena de serem responsabilizados criminalmente por omissão diante das condições degradantes em que vivem os internos da unidade. Murilo de Souza informou que no primeiro bimestre do convênio com o MJ foi passado relatório do trabalho realizado e diante da situação encontrada o Ministério exibe que ações judiciais sejam implementadas. “E foi isso que fizemos”, completou.

 

No que se refere à ação civil pública e à repercussão que foi gerada por ter sido movida pela Defensoria Pública e se esta teria atribuição ou não para tal, o defensor Robson Millet afirmou que eles estão apenas cumprindo o papel institucional que lhes foi conferido. “Em relação à opinião pessoal do secretário não nos cabe rebater, mas sim ao chefe da instituição ou da associação”, disse. Ele acrescentou que durante os últimos três meses o trabalho dos defensores vinha sendo feito sem nenhum obstáculo e agora, coincidentemente ou não, depois da denúncia houve esse impedimento. “É lamentável um comportamento dessa natureza. Nós tínhamos a obrigação funcional de ingressar com a ação e estamos aguardando um posicionamento do governo do Estado”, disse Millet.

 

 

 

07/07/2009

Primeira Edição – AL

http://www.primeiraedicao.com.br//?pag=maceio&cod=6369

Presídio Cyridião Durval recebe Justiça Itinerante

 

Nesta terça-feira (07), das 09 às 17 horas, acontece mais uma etapa da Justiça Itinerante - mutirão prisional no Presídio Cyridião Durval.

 

O mutirão é um projeto que leva atendimento aos reeducandos do sistema prisional do Estado de Alagoas, sendo realizado em parceria com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Alagoas – SRTE/AL.

 

A ideia é dar celeridade às ações do poder judiciário e proporcionar aos reeducandos a obtenção de atendimento dos demais órgãos do poder público, como a emissão de carteira de trabalho informatizada, identidade, CPF e título de eleitor.

 

“O TJ/AL tem sido um grande parceiro nas ações de cidadania em Alagoas. O papel da SRTE/AL é estar presente em todos os locais onde existam trabalhadores ou futuros trabalhadores. Levaremos aos reeducandos o símbolo do trabalho no país - a CTPS – o símbolo de um futuro com dignidade, quem sabe, o começo da transformação na vida desses homens”, afirma o superintendente Heth César.

 

 

 

07/07/2009

O Globo

http://moglobo.globo.com/integra.asp?txtUrl=/cidades/mat/2009/07/07/presas-ficam-27-dias-detidas-com-homens-em-cela-sem-banheiro-no-mato-grosso-756687469.asp

Presas ficam 27 dias detidas com homens em cela sem banheiro no Mato Grosso


CUIABÁ - Duas presas - uma boliviana detida por tráfico de drogas, e outra brasileira, por furto - dividiram durante 27 dias uma cela de pouco mais de 2 metros quadrados e sem banheiro com homens, em Cáceres, a 224 km de Cuiabá, no Mato Grosso. O absurdo aconteceu por conta da reforma da Cadeia Feminina da cidade, que foi interditada pela Justiça por falta de estrutura e já passa de dois meses.

 

Ambas deram entrada no Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) no dia 5 de junho para registro das ocorrências e só saíram de lá no último dia 2, ou 27 dias depois dos crimes cometidos, quando acabaram transferidas para a Cadeia Pública de Araputanga, a 345 km de Cuiabá.

 

No Cisc, elas compartilharam o mesmo ambiente com outros presos do sexo masculino, o que contraria a Lei de Execuções Penais, que estipula que presos de sexos diferentes devem ficar em locais separados. Há dois anos, uma jovem de 15 anos ficou presa com homens no Pará e foi estuprada.

 

Segundo informações da própria polícia, o Cisc não está preparado para abrigar detentos de forma permanente e funciona apenas para que o preso permaneça detido enquanto a ocorrência é lavrada para, posteriormente, ser encaminhado para uma unidade prisional.

Procurado pela reportagem do site da TV Centro América, o delegado regional da Polícia Civil do município, Percival Eleotério de Paula, ressaltou que a situação pode se repetir.

 

- Se houver um flagrante e prisão de mulheres e o juiz não aceitar a transferência dessas detentas, a situação pode acontecer novamente - afirmou o delegado.

 

Para Percival, foi desafiador manter as detentas no local por tanto tempo.

- Foi um inferno para todos nós. Aqui não tem banheiro - disse o delegado.

Segundo ele, toda vez que elas queriam ir ao banheiro, por exemplo, os policiais tinham que algemá-las e levá-las ao banheiro dos funcionários do Cisc.

 

Percival ainda informou ao site da TV Centro América que por diversas vezes encaminhou ofícios ao Sistema Prisional de Mato Grosso solicitando providências e a mesma resposta era encaminhada a Cáceres: faltavam vagas. Uma denúncia foi feita na Secretaria Especial de Defesa dos Direitos Humanos, em Brasília, relatando a infração de um direito que todo ser humano tem: o da dignidade.

 

Nesse sentido, a promotora Januária Dorileo Bulhões, da 3ª Promotoria Criminal de Cáceres, solicitou à polícia local um relatório descrevendo as situações pelas quais as presas vivenciaram e as soluções tomadas pela polícia para solucionar o fato.

 

- O coodenador do Cisc me apresentou os vários ofícios que ele mandou para a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) expondo as medidas de urgência que deveriam ser tomadas para a transferência das detentas - disse a promotora.

 

De imediato, segundo Januária, a primeira providência tomada pela Polícia Civil de Cáceres foi pela transferência das mulheres para Araputanga, que dispõe de uma Cadeia Pública. Só que o Juiz da Vara de Execuções Penais de Araputanga não concordou pela transferência, uma vez que a cadeia no momento do pedido estava superlotada. A Promotoria de Justiça ainda aguarda a confirmação da transferência, que já foi efetivada pela polícia.

 

Para as autoridades de segurança pública, Cáceres vive em um 'estado de excepcionalidade'. Isso significa que pela falta de vagas qualquer transferência de presos do município pode ser realizada para outras unidades da região sem comunicado à Justiça. O superintendente de Gestão de Cadeias, Sílvio Ferreira, informou que essa falta de entendimento manteve as detentas presas em local inadequado. "No dia em que o delegado me informou eu procurei por vagas e encontrei as vagas na Cadeia de Araputanga. O problema é que ele foi atrás da anuência do juiz para autorizar a transferência", ressaltou.

 

À reportagem, o delegado regional disse que seguiu procedimento padrão e que, além de enviar ofícios à Sejusp, relatando as condições pelas quais as detentas passavam, aguardou decisão judicial, já que uma transferência só pode ser efetivada pela justiça.

 

Falta de presídios

 

Mato Grosso possui apenas quatro unidades prisionais habilitadas a receber mulheres presas. Elas estão localizadas nos municípios de Cuiabá, Cáceres, Araputanga e Água Boa. Boa parte das cadeias, com exceção do presídio Ana Maria do Couto, de Cuiabá, que é exclusivo para mulheres, possui apenas um ala anexa para abrigar mulheres envolvidas em ações criminosas.

Para o gestor de cadeias, enquanto a Cadeia Feminina de Cáceres não ficar pronta, as mulheres presas daqui pra frente serão encaminhadas para Araputanga.

 

- Será lavrado o flagrante e encaminhado para Araputanga. Já existe essa decisão. Se assim não ocorrer, veremos em qual unidade a presa será encaminhada - resume.

 

Ele ainda ressalta que o problema da falta de vagas não é local, e sim 'do Brasil'.

 

O site da TV Centro América ainda entrou em contato com a Cadeia Pública de Araputanga. O diretor da unidade prisional, Arildo Fonseca Meira, informou que a Cadeia é exclusiva para homens, mas após uma reforma feita ano passado, uma ala foi construída para as mulheres. Atualmente, a cadeia conta com capacidade para abrigar 18 detentas e já possui 17. Mas o número sempre é instável.

 

Em fase de acabamento, a Cadeia Feminina de Cáceres, deve ficar pronta nos próximos meses. A Promotoria de Justiça agora vai apurar quem será responsabilizado pelo ocorrido.

 

 

 

 

07/07/2009

Alagoas 24Horas

http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/?vEditoria=Pol%EDcia&vCod=68624

Operação Pesca-Bagre: Presos recebem visitas fora do horário

Acusada de participar da organização criminosa que teria desviado mais de R$ 2,6 milhões da Câmara de Vereadores de Pilar, a ex-presidente da casa, Patrícia Henrique Rocha, teve direito a tratamento privilegiado dentro do Presídio Feminino Santa Luzia, onde se encontra presa.

A vereadora, que teve uma crise hipertensiva após ser presa, foi levada para atendimento médico fora da unidade, e posteriormente recebeu a visita do seu médico, o deputado federal Carlos Alberto Canuto (que foi derrotado nas últimas eleições, quando concorreu à Prefeitura de Pilar). O pai da vereadora e seu irmão, identificados como coronel PM Nilton Rocha e o Capitão Rochinha, tentaram entrar na unidade prisional, no último dia 4, mas foram impedidos devido ao término do horário.

A reportagem do Alagoas24horas apurou que tanto o pai quanto o irmão da vereadora teriam tentado entrar no presídio após as 18h e teriam, segundo informações de agentes, intimidado as pessoas que impediram o acesso de ambos.

No último domingo, dia 5, mais uma confusão envolvendo a presa, que se encontra na triagem. O procedimento – de caráter administrativo – prevê que a reeducanda fique numa cela especial por cerca de sete dias, sem receber visitas. Neste dia, estiveram na unidade o prefeito de Pilar, Oziel Barros, o médico/deputado federal Carlos Alberto Canuto, e o pai de Patrícia Rocha, coronel Nilton Rocha, este último usando a prerrogativa de advogado da presa e entrou na unidade depois das 16h.

Momentos após, com a chegada do promotor Magno Alexandre e, em seguida, dos juízes Rodolfo Hermann, Diógenes Tenório – que segundo relatos da direção-geral – alegaram que a triagem seria ‘inconstitucional’ - autorizaram a entrada de todas as visitas, tanto de Patrícia Rocha, como da outra presa identificada como Camila Gomes Alves - que estaria também na triagem. Juízes afirmaram que a triagem não é prevista na Lei de Execuções Penais (LEP). Os juízes ainda conversaram com a advogada Mary Anny e a ex-prefeita de Estrela de Alagoas, Ângela Garrote.

O horário de visita, no entanto, que consta na LEP, também foi desobedecido pelos visitantes de Patrícia Rocha. De acordo com a direção do presídio, o horário de visita se encerra às 16h, mas apenas às 17h20 o pai da vereadora deixou a unidade prisional. O relato da fiscal plantonista ainda alega que a mesma teria sido ameaçada de receber voz de prisão.

Todo o episódio, inclusive com os horários, nomes dos agentes públicos envolvidos constam de um relatório que foi entregue na manhã desta terça-feira, dia 7, ao promotor de Execuções Penais, Cyro Blatter, juiz de Execuções Penais, Ricardo Lima, Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminais (Gecoc), Secretaria de Defesa Social, além de Conselho Estadual de Segurança pela Intendência Geral do Sistema Penitenciário.

O Alagoas24horas entrou em contato com o juiz da Vara de Execuções Penais, Ricardo Lima, que afirmou que ainda não recebeu nenhum documento, mas que teria ‘ouvido falar’ do episódio, no entanto apenas se pronunciaria sobre o caso após ter acesso ao documento oficial.

Mais irregularidade

O atual prefeito de Pilar, Oziel Barros, foi flagrado por agentes penitenciários na manhã desta terça-feira, dia 7, na muralha do Presídio Baldomero Cavalcanti, onde se encontram presos todos os acusados de envolvimento no desvio de mais de R$ 2 milhões da Câmara de Pilar. Entre os presos estão o filho de Oziel, Benedito Barros Cavalcante Neto, que se entregou ontem ao Departamento de Unidades Prisionais.

Oziel Barros teve acesso à muralha pelo Batalhão de Policiamento de Guarda (BPGd) e foi retirado da muralha por agentes penitenciários.

 

 

07/07/2009

Jornal da Cidade – SE

http://www.jornaldacidade.net/2008/noticia.php?id=36690

Detentos têm boa aprovação em supletivo

 

Na última sexta-feira, a coordenadora pedagógica da Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania (Sejuc), Elane Marques, reuniu-se no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (Hctp) com a equipe de professores do Sistema Prisional Sergipano para traçar novas metas de trabalho educacional dos presos. Durante a reunião, a coordenadora também elogiou a equipe pelo empenho aos alunos apenados, refletido inclusive no alto índice de aprovação na primeira etapa do supletivo para o Ensino Médio e Ensino Fundamental do ano de 2009. “Estamos muito satisfeitos pela alta aprovação nos supletivos desta primeira etapa. Ainda estou em estado de graça, porque esse é o fruto do excelente trabalho que vem sendo desenvolvido pela equipe e refletido no interesse dos presos em melhorar o grau de instrução deles”, comemorou Elane Marques.

Neste ano de 2009, a Secretaria obteve recorde de inscrição e de aprovação nos supletivos. Ao todo foram 305 inscritos e 219 aprovados, gerando um índice de aproximadamente 75% de aprovação. “É um grande avanço do Governo do Estado no que se refere à ressocialização dos detentos. Isso é inclusão através do maior bem que o homem pode adquirir, que é a educação”, disse o Secretário de Estado da Justiça e Cidadania, Benedito Figueiredo.

O destaque desta etapa do exame supletivo foi o Presídio de Areia Branca que teve 62 aprovados, sendo 35 do ensino fundamental e 27 do ensino médio. A primeira etapa realizada no mês de abril, contou com a participação dos presídios Feminino (Prefem), São Cristóvão (Copemcan), Areia Branca (regimes fechado e semi-aberto) e no Hospital de Custódia (Hctp). Ao todo, 109 inscritos foram aprovados no Ensino Fundamental e 110 no Ensino Médio. “Percebemos um crescimento contínuo no interesse dos internos pela educação. Agora já estamos nos preparando para a segunda etapa de 2009, que acontecerá no segundo semestre”, informou a coordenadora pedagógica da Sejuc.

Durante a reunião, os professores receberam uma lista constando o nome e média por matéria dos alunos aprovados para levarem às unidades. A discussão sobre a metodologia a ser aplicada e as experiências vividas por cada professor durantes as aulas nos presídios também serviu de tema para os debates. “Trocamos informações para nos adequar cada vez mais na realidade dos internos, porque nossa metodologia de ensino é baseada nas experiências de vida dos alunos, para aproximarmos cada vez mais o estudo ao dia-a-dia deles. Assim conseguimos um maior incentivo aos estudos”, explicou Marques.

 

 

07/07/2009

O Documento – MT

http://www.odocumento.com.br/noticia.php?id=302491

Mutirão de Saúde e atividades esportivas são realizados na Mata Grande

 

Para melhorar o convívio entre reeducandos e ofertar qualidade de vida, a direção da Penitenciária "Major Eldo Sá Correa" - Mata Grande, em Rondonópolis (212 km ao Sul de Cuiabá) em parceria com a Secretaria Municipal e Estadual de Saúde realiza até sexta-feira (10.07) o Mutirão da Saúde. Durante a ação são realizadas consultas médicas e exames como de HIV, sangue, hemograma e glicose nos 673 reeducandos que cumprem pena na unidade prisional.

"A semana visa amparar e contribuir com os profissionais de saúde da Mata Grande, dando maior sustentabilidade e garantia de uma vida digna com saúde aos reeducandos da unidade", explicou o diretor do presídio, Raymundo Macedo Dias.

ESPORTE - Durante três meses, 180 reeducandos formaram oito times para disputar o primeiro lugar no 4º Torneio de Futebol de Salão Interaios encerrado no último sábado (04.07).

Além dos jogos de futebol, durante o evento aconteceram apresentações de canto, grupo de dança de hip hop, hip hop, grupo de louvor. Funcionários, familiares e reeducandos acompanharam a grande final do torneio, que consagrou a equipe do Raio 3 (superior esquerdo) os grandes vencedores da disputa. A equipe dos raios 1 e 3 (inferior direito) ficaram no segundo e terceiro lugar, respectivamente.

As equipes vencedoras receberam troféus e medalhas e também foram premiados o goleiro menos vazado, o artilheiro e os reeducandos com melhor comportamento.

A direção e reeducandos da unidade prisional homenagearam no evento a presidente da Fundação Nova Chance, Neide Aparecida Mendonça, que recebeu uma talha da Santa Ceia confeccionada pelos reeducandos na oficina de marcenaria.

Raymundo Macedo Dias ressalta que a prática esportiva e recreativa é um fator preponderante e definitivo para o projeto de ressocialização e humanizados no sistema prisional. "Através do esporte e da interação podemos observar efetivamente a proposta de cada reeducando no seu objetivo efetivo de mudança de seu caráter para o retorno familiar e social de forma mais humanizada, digna e consciente do seu papel ciddadão dentro do contexto social", disse o diretor da penitenciária.

A unidade oferece ainda aos reeducandos educação, da alfabetização ao Ensino Fundamental, oficinas de marcenaria, costura, pintura e retalhamento em madeira.

 

 

07/07/2009

Agência Alagoas

http://www.agenciaalagoas.al.gov.br/noticia.kmf?cod=8648668

Conferência trata da segurança pública com a população negra em Alagoas

O evento contou com aproximadamente 50 representantes de várias entidades do movimento negro, pra discutir sobre as questões da segurança pública entre a sociedade negra em Alagoas

Lucas Lisboa (estagiário)

No segundo dia do Encontro de Etnicidades Nordeste: Promoção da Igualdade Racial em Alagoas, que comemora o Dia Nacional contra a desigualdade racial, ocorreu mais uma conferência livre de segurança pública, em Maceió.

A reunião aconteceu no auditório da Casa da Indústria durante toda a manhã e início da tarde desta terça-feira (7). O evento contou com aproximadamente 50 representantes de várias entidades do movimento negro, pra discutir sobre as questões da segurança pública entre a sociedade negra em Alagoas.

O tenente-coronel PM, Mário da Hora, conduziu a leitura do texto-base, explanando para os participantes da reunião, os principais objetivos das conferências livres que servem para o debate de ideias e formulação de propostas que deverão ser encaminhadas para a 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg) evento que acontecerá de 27 à 30 de agosto em Brasília.

Todos os representantes destacaram os trabalhos do tenente-coronel Mário da Hora, que sempre esteve representando o movimento negro, lutando pelos direitos da classe e participando de projetos sociais, dentro da Polícia Militar do Estado. José Sandro Santos, representante do Movimento Quilombola, falou das dificuldades sofridas dentro dos quilombos, detectando as comunidades mais vulneráveis que sofrem com a violência alertando para a falta de segurança em determinadas áreas.

A coordenadora do Projeto Raízes de Áfricas, Arísia Barros, destacou a iniciativa da ONG Mariaariá em promover a conferência. “O movimento negro necessita muito deste debate. É extremamente necessário enxergar as necessidades da comunidade negra em Alagoas. Os problemas se intensificam cada vez mais. Criar uma política séria de segurança pública, é o primeiro passo para a resolução dos nossos maiores problemas”, disse Arísia.

A conferência livre discutiu também a participação das comunidades quilombolas na etapa estadual da conferência nacional, que será realizada de 15 a 17 deste mês no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, em Jaraguá.

Mapeamento das dificuldades dos povos quilombolas

Antes do início da conferência livre, um momento foi reservado para uma troca de ideias e experiências entre os representantes dos movimentos sociais presentes, que apresentaram a forma de trabalho realizada, as principais metas e resultados alcançados, apontando também as dificuldades mais eminentes.

O projeto foca o mapeamento na região Nordeste, principal área de concentração dos povos quilombolas no Brasil. A próxima etapa do projeto de mapeamento será realizada nesta quinta-feira (9), em Aracaju (SE).

Conseg — Será realizada em Brasília, entre os dias 27 e 30 de agosto, sendo antecedida pela Conferência Estadual de Segurança Pública, que acontece de 15 a 17 deste mês em Maceió.

A 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública pretende definir princípios e diretrizes orientadoras da política nacional de segurança pública, com participação da sociedade civil, de trabalhadores da área e do poder público como instrumentos de gestão, visando efetivar a segurança como direito fundamental. A discussão se dará em âmbitos municipal, estadual e nacional.

A Conseg terá sete Eixos Temáticos: I - Gestão Democrática: Controle Social e Externo, Integração e Federalismo; II – Financiamento e Gestão da Política Pública de Segurança; III - Valorização Profissional e Otimização das Condições de Trabalho; IV - Repressão Qualificada da Criminalidade; V - Prevenção Social do Crime e das Violências e Construção da Paz; VI - Diretrizes para o Sistema Penitenciário e VII – Diretrizes para o Sistema de Prevenção, Atendimentos Emergenciais e Acidentes.

A Conferência Nacional inicia um processo de participação social em âmbito nacional no campo da segurança pública, envolvendo atores direta e indiretamente envolvidos na área.

 

 

07/07/2009

Ultima Instancia

http://ultimainstancia.uol.com.br/new_site/novonoticias/PRESOS+DE+CINCO+ESTADOS+VAO+FOTOGRAFAR+VIDA+NA+CADEIA_64647.shtml

 

Presos de cinco Estados vão fotografar vida na cadeia

Presidiários de cinco estados estão participando de um projeto do Depen (Departamento Penitenciário), do Ministério da Justiça, cujo objetivo é mostrar a visão deles sobre o sistema prisional por meio de fotografia. Para isso, em cada presídio selecionado, dez presos escolhidos pelos próprios colegas receberam uma máquina fotográfica descartável e um filme de 28 poses para documentar a vida carcerária.

As prisões escolhidas foram o Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte; o Presídio Central, em Porto Alegre; o Presídio Aníbal Bruno, em Recife; a penitenciária federal de Catanduvas, no Paraná; e a Fábrica Esperança, em Belém. Esta unidade emprega presos em regime aberto ou prisão domiciliar e egressos do sistema prisional paraense para treinamento e qualificação.

As fotos passarão por uma seleção no Depen para serem apresentadas na Feira de Conhecimento da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (1ª Conseg), de 27 a 30 de agosto, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

De acordo com a coordenadora-geral do Programa de Fomento às Penas e Medidas Alternativas do Ministério da Justiça, Márcia Alencar Araújo Matos, os presos terão total liberdade para fotografar o que quiserem. O projeto foi inspirado em iniciativa idêntica realizada há alguns anos em presídios de Goiás pelo governo do estado e intitulada O Olhar do Preso. “Até mesmo episódios de violência que ocorrerem com eles [podem ser fotografados]”, garante.

“A seleção será feita levando em conta a qualidade da foto e o conceito com que ela trabalha”, explica Márcia. “O que o Depen quer apresentar com essas fotos são os contrastes da realidade carcerária brasileira sob o olhar do preso e não apenas boas fotos. Por isso, escolhemos unidades que apresentam esses contrastes”. Segundo ela, isso poderá contribuir para a construção de novas diretrizes para o sistema penitenciário durante a Conferência Nacional de Segurança Pública.

Por essa razão, assinala Márcia, os presos foram escolhidos pelos próprios detentos e não pela direção dos presídios. Ela diz que as lideranças carcerárias tiveram papel fundamental na seleção e vão garantir a realização do trabalho pelos presos que receberam as máquinas fotográficas.

Além das fotografias, a conferência exibirá os vídeos que estão sendo gravados dentro de alguns presídios, nos quais, segundo Márcia, os presos falam e apresentam sugestões para alterar a realidade do sistema carcerário brasileiro. Uma empresa especializada está produzindo esses vídeos nos Acre, Pará, Ceará, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.

Em cada estado, será apresentado o vídeo gravado em um presídio masculino e um feminino. As gravações serão feitas até o final deste mês, durante as Conferências Livres que o Depen promoverá nessas unidades, quando serão escolhidas as propostas dos presos que serão transformadas em documentários.

“Nunca o preso fez Conferência Livre no Brasil, e queremos documentar esse momento por meio de vídeo”, diz Márcia. De acordo com ela, as autoridades não estão participando dos debates e da elaboração das propostas que serão encaminhadas pelos detentos à 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública. Depois, as sugestões serão sistematizadas, juntamente com as de outros setores do sistema penitenciário, para pautar o debate sobre o sistema penitenciário também durante o 12º Congresso Mundial, em abril de 2010, em Salvador.

Nesse congresso, será feita a revisão das resoluções da ONU sobre a questão penitenciária mundial, dividida em quatro eixos de discussão: Tratamento a Prisioneiros; Tortura; Alternativas à Prisão e Justiça Restaurativa; e Violência contra a Mulher. Todos estarão relacionado ao tema central: Justiça Criminal e Prevenção ao Crime.

Essa será a primeira vez que congresso vai ser realizado no Brasil. O evento será organizado pela Secretaria Nacional de Justiça.

 

 

07/07/2009

Tribunal de justiça – BA

http://www.tjba.jus.br/site/noticias.wsp?tmp.id=1867

 

Processos criminais e de execução penal serão virtuais

O presidente da Comissão de Informática do Tribunal de Justiça da Bahia, desembargador José Olegário Monção Caldas, afirmou, durante a abertura da apresentação do II Seminário do Sistema Eletrônico de Varas de Execuções Penais (VEP), no auditório do TJ , com a presença da corregedora- geral da Justiça, desembargadora Telma Britto, que esse é mais um passo importante na informatização efetiva do Poder Judiciário estadual, já em ritmo avançado com a implantação de programas como o Diário de Justiça Eletrônico e o sistema Themis.

O VEP permite que as decisões e despachos sejam digitalizados e que os processos não tramitem mais em papel entre os órgãos e comarcas.

 

Durante o seminário, coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e direcionado a juízes e servidores das Varas Criminais e de Execuções Penais, serão apresentadas as funcionalidades do sistema e as possibilidades de adaptação para a utilização no TJ-BA.

 O VEP já está em fase de teste na Supervisão de Sistemas de Informação (Suinf) do Ipraj.

As questões técnicas do VEP estão a cargo da gestora do Sistema de Processo Eletrônico do Tribunal de Justiça da Paraíba, Emanuele Gouveia Rolim Ferreira, cuja instituição é a responsável pela criação do programa.

O juiz auxiliar do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Erivaldo Ribeiro dos Santos, que também compôs a mesa de abertura, destacou a importância de os usuários manifestarem suas dúvidas e as demandas particulares de cada setor para que o sistema seja utilizado de maneira otimizada. “O VEP é prioritário para o CNJ para conseguirmos minimizar a carga de trabalho excessiva nas Varas Criminais e de Execuções Penais que, sabemos, é muito grande”.

A partir das 14 horas, o seminário será aberto ao público externo e terá a participação de representantes das secretarias de Estado de Segurança Pública e Justiça e Direitos Humanos, do Ministério Público e da OAB-BA. 

Compuseram a mesa de abertura o diretor do Departamento de Informática do CNJ, Declieux Dias Dantas, o juiz substituto da 1ª Vara do Rio Grande do Sul (vinculada ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região), Rafael Wolff, o diretor do Foro da Seção Judiciária do Paraná, Danilo Pereira Júnior, e o diretor do Núcleo de Tecnologia da Informação da Seção Judiciária do Rio Grande do Sul, Luigi Frusciante Filho.

 

 

07/07/2009

SUSEPE

http://www.agenciaprisional.go.gov.br/noticias/noticia_pub.php?publicacao=54613

Presos de Jussara cultivam o próprio alimento

  A horta (foto), mantida pelos presos da Unidade Prisional de Jussara, ganhou, nesta segunda-feira (06/07), um reforço com o início do cultivo de alface. Outras verduras e legumes, como couve, pepino e beterraba já fazem parte da produção, que complementa mais de 260 refeições servidas semanalmente na unidade.

De acordo com o diretor da unidade, Danilo de Carvalho Silva, em um mês, produção de alface, beterraba e cenoura (os dois últimos plantados na última semana) será suficiente para abastecer a cadeia e o excedente será doado para escolas e instituições carentes. “Essa horta, mantida por presos, ajudará na redução dos custos com alimentação, hoje mantida pelo município, e é uma boa oportunidade de trabalho para os presos e de contrapartida para a sociedade”, completa Danilo.

A horta é mantida por dois detentos que, pelo trabalho, são remunerados e recebem a remissão da pena (um dia a menos na pena para cada três dias trabalhados).

 

 

07/072009

SUSEPE

http://www.agenciaprisional.go.gov.br/noticias/noticia_pub.php?publicacao=54623

Hortaliças produzidas por presos de Acreúna são doadas para senhoras carentes

O Centro de Inserção Social (CIS) de Acreúna e a 1ª dama da cidade, Helena Maria de Souza Borges, entregaram, na tarde desta terça-feira (07/07), 45 cestas de hortaliças para senhoras carentes da cidade. As verduras e legumes foram cultivados por sete presos da unidade em duas hortas, uma no CIS e outra comunitária. A escolha das beneficiadas foi realizada pela Assistência Social de Ação Comunitária e Promoção Humana, da prefeitura municipal.

De acordo com o diretor do CIS, Vildebal Alves dos Reis Júnior, a doação também faz parte do processo de reinserção social do preso, desenvolvido pela Superintendência do Sistema de Execução Penal (Susepe). “É importante que o preso se sinta útil, até para melhorar sua autoestima. Saber que ele poder colaborar de alguma forma ajuda a criar perspectivas de mudança para uma vida melhor”, completa o diretor.

As cestas foram montadas com vários tipos de hortaliças cultivados nas hortas, como alface, brócolis, beterraba, cenoura, mandioca e outros. As senhoras que receberam as doações são assistidas pela Associação Brasileira de Amigos Carentes (ABA).

 

 

07/07/2009

SUSEPE

http://www.agenciaprisional.go.gov.br/noticias/noticia_pub.php?publicacao=54625

Seleção de pessoal Tecendo a Liberdade

 

A Secretaria da Segurança Pública do Estado de Goiás (SSP-GO), por meio da Superintendência do Sistema de Execução Penal (SUSEPE), torna público, nesta segunda-feira (06/07), o edital nº 007/2009 do Processo Seletivo Simplificado para a Contratação de Pessoal, e cadastro reserva, para Realização do Projeto Tecendo a Liberdade para o Cooperativismo. A seleção será realizada mediante avaliação de títulos e entrevistas. O contrato é pelo período de um ano.

O processo selecionará um coordenador geral de oficina de tecelagem e um professor do curso de tecelagem, ambos com nível superior. As inscrições serão realizadas mediante preenchimento de formulários próprios de inscrição e currículo, no período de 07 de julho a 06 de agosto de 2009, e entrega destes na Gerencia de Reintegração Social, situada no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, situado na Br 153, Km 1292, Área Industrial de Aparecida de Goiânia – Goiás.

 

 

07/07/2009

Conseg

http://www.conseg.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1335:espirito-santo-mobiliza-mais-de-700-cidadaos-para-debater-seguranca-publica&catid=49:noticias-gerais&Itemid=226

Espírito Santo mobiliza mais de 700 cidadãos para debater segurança pública

 

Disposto a contribuir na formulação de princípios e diretrizes de uma política nacional de enfrentamento à violência, o Espírito Santo reuniu mais 700 pessoas, em Vitória (ES), na abertura da etapa estadual da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), realizada nesta terça-feira (7), no Centro de Convenções da capital capixaba.

Servidores das instituições de segurança pública, representantes de igrejas, organismos internacionais e de movimentos sociais estão dialogando e irão sugerir, de forma integrada, diferentes ações de prevenção e repressão qualificada à criminalidade.

Esta é a oitava etapa estadual da 1ª Conseg, que já passou pelo Rio Grande do Sul, Tocantins, Goiás, Pará, Ceará, Amazonas e Amapá. Além de apresentar propostas, o ES vai eleger 30 representantes que terão direito a voz e voto na etapa nacional da 1ª Conseg, marcada para 27 a 30 de agosto, em Brasília.

Para a coordenadora geral da 1ª Conseg, Regina Miki, o governo federal inova ao ampliar o debate sobre a segurança pública, unindo sociedade civil, trabalhadores da área e poder público. "Somos responsáveis pela mudança de paradigma na área. Com debates promovidos em todo o país, conseguiremos buscar soluções para o combate e a prevenção da criminalidade nos estados", declarou.

Desde abril, foram realizadas 40 conferências livres e municipais no Espírito Santo. De acordo com o secretário de Segurança Pública e Defesa Social do estado, Rodney Rocha Miranda, a conferência estadual consolida um momento único - a união e participação do governo federal, estados, municípios e sociedade civil organizada.

"Precisamos deixar claro que a segurança pública não é sinônimo de polícia e que temos problemas estruturais que precisam ser combatidos, como o alto índice de jovens envolvidos com drogas. Com o aporte do governo federal, o nosso estado levará propostas consistentes para a luta contra a insegurança no país", disse.

Já o secretário municipal de Segurança Urbana, João José Barbosa Sana, afirmou que a etapa do Espírito Santo é uma vitória do povo capixaba, que vem se mobilizando ao longo de 2009 para debater o tema. "Sem a articulação dos nossos mobilizadores, não teríamos o sucesso que estamos tendo aqui hoje. Auditório lotado, cidadãos capacitados, engajados na busca de soluções para uma segurança pública mais cidadã", frisou.

Pronasci - O Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), do Ministério da Justiça, foi comemorado pelo governo do estado. Por meio do Território de Paz, implantado em março na periferia de Vitória, o estado afirma ter reduzido em 80% os índices de criminalidade.

Outro dado divulgado pelas autoridades locais foi o investimento do Pronasci no sistema prisional. Só em 2008, o Espírito Santo recebeu R$ 14,850 milhões para a construção do presídio de jovens e adultos.

O prefeito municipal de Cariacica, Elder Salomão, foi enfático ao dizer que o Espírito Santo clama pela construção de uma cultura de paz. Para ele, com a 1ª Conseg, o país está se mobilizando e constituindo novas formas para implantá-la. "Hoje é preciso envolvimento, participação, dedicação. Não há como fechar os olhos", alertou.

Exercício de cidadania - Dois exemplos de cidadania marcaram a etapa estadual do Espírito Santo. Um deles é Maria Geni, que com seus 87 anos representa cinco conselhos municipais do bairro Vila Velha. Ela conta que não há um hospital no Espírito Santo que não tenha visitado e que ainda encontra forças para batalhar no combate à violência doméstica contra a mulher e em prol do planejamento familiar na região.

Outra voz de destaque da sociedade civil capixaba é a de Marcelo Gomes Siqueira, coordenador-geral da Central Única de Favelas (Cufa). Ele desenvolve programas sociais com jovens da periferia de Vitória para tirá-los da criminalidade e do narcotráfico. "Nós damos voz aos invisíveis, oferecemos ferramentas de trabalho, ensinamos noções de cidadania e, sobretudo, que há uma enorme chance fora da marginalidade", resumiu.

 

 

07/07/209

MP-GO

http://www.mp.go.gov.br/portalweb/conteudo.jsp?page=1&pageLink=1&conteudo=noticia/dee30b4396ba557753f77ad216de3ca5.html

Cidades - Detento é assassinado a facadas no presídio

 Patricia Santana

Por volta das 19 horas da última quinta-feira, o detento Gonçalo Araújo da Silva, 32 anos, foi morto a facadas durante banho de sol no Núcleo de Custódia da Penitenciária Odenir Guimarães (POG). De acordo com a Polícia Militar (PM), o crime aconteceu no – “setor de triagem” –, local destinado aos presos com problemas de relacionamento social. O reeducando Weber Gomes do Nascimento, 22 anos, é, segundo a PM, o autor do crime. Ele foi encaminhado ao 2º DP de Aparecida de Goiânia, onde prestou depoimento e foi autuado em flagrante por homicídio doloso (quando há intenção de matar). Weber confessou ter matado Gonçalo porque, segundo ele, a vítima teria abusado sexualmente de um sobrinho dele.

 

 

07/07/2009

Ibccrim

http://www.ibccrim.org.br/

Ausência de vaga: Cumprimento da reprimenda em prisão domiciliar

 

Em caso de falta de vaga em estabelecimento adequado para o cumprimento da pena no regime determinado em sentença, o condenado pode cumprir a pena em prisão domiciliar. No entanto, ao surgirem vagas no local indicado para a execução da reprimenda, o condenado deverá passar a cumprir a pena no regime fixado pela sentença.

Este é o entendimento da 5.ª Turma do STJ quando negou habeas corpus a dois réus condenados ao regime inicial semiaberto e que se encontravam em cumprimento de pena em prisão domiciliar.

Após o surgimento das vagas na Colônia Penal Agrícola do Paraná e na Penitenciária Feminina, o Juízo de Execução Penal expediu os mandados de prisão para a efetivação das transferências dos condenados.

O relator do processo, ministro Arnaldo Esteves Lima, destacou o entendimento do STJ no sentido de que, “na falta de vagas em estabelecimento adequado para o cumprimento do regime prisional imposto na sentença condenatória, não se justifica a colocação do condenado em condições prisionais mais severas, devendo ser autorizado, em caráter excepcional, o regime prisional mais benéfico”. Salientou, que ainda “que aos pacientes (réus) tenha sido permitido cumprir a pena em prisão domiciliar, em razão da falta de vagas em estabelecimento adequado, uma vez superado tal empecilho, a pena deve ser cumprida no regime fixado na sentença, inexistindo direito à permanência na prisão domiciliar”.

Aplausos merecidos, primeiramente, pelo zelo às garantias dos condenados durante a execução da pena – pelo cumprimento provisório da reprimenda em regime menos severo (regime domiciliar) e também pela disponibilidade de vagas nos adequados estabelecimentos penais, que ultimamente encontram-se superlotados em todos os Estados do País –, visando ao atendimento dos direitos assegurados pela Lei de Execução Penal.

 

 

07/07/2009

Conjur

http://www.conjur.com.br/2009-jul-07/projeto-formara-presos-pesca-primeiros-passos-sc

Ação dará a presos formação em pesca profissional

Uma palestra informativa para 30 reeducandos será realizada nesta terça-feira, às 15h, na sede do Sindicato das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região. A atividade faz parte do convênio firmado pela entidade, juntamente com o Conselho Nacional de Justiça, a Secretaria de Segurança Pública, a Secretaria da Justiça e o Tribunal de Justiça de Santa Catarina, que permitirá que presos de Itajaí façam curso de formação para pescador profissional.

Na última semana, o juiz Carlos Roberto da Silva, titular da 3ª Vara Criminal e corregedor de presídios da Comarca de Itajaí, promoveu uma reunião com as partes envolvidas para discutir os primeiros passos com vista à implantação do projeto de pesca. Essa ação consiste não somente na educação profissional do detento, mas também na expedição de licença, pela Marinha, que permita seu embarque na frota pesqueira da região.

Além da palestra desta terça-feira, outras atividades foram agendadas pelo Poder Público local. No dia 14 de julho, por exemplo, ocorrerá uma avaliação para identificar a aptidão e a necessidade dos presos fazrem treinamento de natação – obrigatório para pescadores profissionais. O início do curso profissionalizante está previsto para o dia 21 de julho.

Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-SC.

 

 

06/07/2009

Folha online

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u591318.shtml

Após 20 horas, acaba rebelião em presídio de Santarém (PA)

Terminou por volta das 15h desta segunda-feira uma rebelião no centro de recuperação Silvio Hall de Moura, em Santarém (PA). Os presos estavam rebelados desde as 17h de domingo (5). Ninguém ficou ferido.

Os detentos fizeram quatro agentes penitenciários reféns. Eles haviam liberado um deles por volta das 10h de hoje; os demais foram soltos por volta das 15h.

A Susipe (Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado) informou que os agentes foram feitos reféns na saída da visita dos familiares, momentos antes da tranca.

Policias militares cercaram o local e teve início a negociação. O grupo formulou uma lista de exigências e ela foi entregue na presença de um desembargador, integrante da OAB-PA (Ordem dos Advogados do Brasil do Pará), juízes e de promotores, segundo a Susipe.

A Susipe não soube detalhar quais foram as exigências, as causas do motim e o número de presos envolvidos.

 

 

06/07/2009

Alagoas 24horas

http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/?vCod=68593

Justiça realiza mutirão no Cyridião Durval

Na próxima terça-feira (07), das 09 às 17 horas, acontecerá mais uma etapa da Justiça Itinerante - mutirão prisional no Presídio Cyridião Durval.

 

O mutirão é um projeto que leva atendimento aos reeducandos do sistema prisional do Estado de Alagoas, sendo realizado em parceria com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Alagoas – SRTE/AL.

 

A ideia é dar celeridade às ações do poder judiciário e proporcionar aos reeducandos a obtenção de atendimento dos demais órgãos do poder público, como a emissão de carteira de trabalho informatizada, identidade, CPF e título de eleitor.

 

“O TJ/AL tem sido um grande parceiro nas ações de cidadania em Alagoas. O papel da SRTE/AL é estar presente em todos os locais onde existam trabalhadores ou futuros trabalhadores. Levaremos aos reeducandos o símbolo do trabalho no país - a CTPS – o símbolo de um futuro com dignidade, quem sabe, o começo da transformação na vida desses homens”, afirma o superintendente Heth César.

 

 

06/07/2009

Jornal Pequeno

http://www.jornalpequeno.com.br/2009/7/6/Pagina114345.htm

Conferência de Segurança Pública vai propor mudanças na legislação penal

Brasília - A 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (1ª Conseg), marcada para agosto, em Brasília, será dividida em sete eixos temáticos. Um deles - o sexto - tratará das Diretrizes para o Sistema Penitenciário. O texto-base da conferência afirma que a reforma da rede prisional, "que hoje sintetiza várias das mazelas brasileiras", implica mudança de cultura e mentalidade em relação à dimensão da punição na legislação brasileira e na maneira como ela é aplicada pela polícia, Poder Judiciário e Ministério Público.

"Mais do que cumprir a lei, é preciso interromper ciclos de violência e reconstruir as relações afetadas pelo crime", diz o documento. "O sistema penitenciário precisa aumentar sua capacidade de articulação institucional com os órgãos do sistema de segurança pública e a Justiça criminal, além de promover as mudanças necessárias para alinhar-se ao novo paradigma anunciado pelo Programa Nacional de Segurança Pública em Cidadania (Pronasci)", consta no texto.

"Superar a crise atual significa transpor o paradoxo entre a finalidade da pena e a realidade atual, que acaba por reduzir o potencial da política criminal e penitenciária. Essa deveria, por sua vez, garantir a reabilitação da população criminalizada, seja ela encarcerada ou sob o regime de restrição de direitos", afirma o texto-base da 1ª Conseg.

Segundo o documento, a promoção da integração social e da cidadania são garantias de que a política nacional penitenciária incluirá escolarização, profissionalização, atendimento médico, geração de emprego e renda para a população apenada.

Outro tópico analisa os problemas administrativo-financeiros do sistema penitenciário. A falta de estruturas administrativas especializadas em muitos estados e a ausência de ferramentas de planejamento estratégico que orientem a política são apontados como fatores que comprometem a autonomia do sistema nessa área. A sugestão é que os modelos de financiamento e gestão da política criminal e penitenciária devem ser construídos com foco na participação, na prevenção à criminalidade e na promoção de segurança.     Outras sugestões para melhoria do sistema penitenciário, contidas no texto-base da 1ª Conseg, são: criação de mecanismos de controle formal, como corregedorias, ouvidorias e inspetorias; atuação de defensorias públicas criminais e penitenciárias, para garantir o devido processo legal e o cumprimento da lei; e a qualificação dos trabalhadores e gestores da administração penitenciária.

O texto assinala ainda que hoje as políticas penitenciárias não incorporam a dimensão de gênero nas suas práticas. "É preciso que o atendimento e a infraestrutura reconheçam as especificidades da população carcerária feminina, respeitando seus direitos e identidade". Isso porque, embora o total de mulheres presidiárias seja muito menor do que o de homens, o número de apenadas cresceu 12% contra 4% de aumento masculino.

 

 

06/07/2009

O Liberal – PA

http://www.orm.com.br/oliberal/interna/default.asp?codigo=423204&modulo=251

Preso atribui reincidência ao desemprego

 

O que leva um homem a, depois de enfrentar o inferno de um xadrez superlotado e subumano voltar para a cadeia pouco tempo depois? Falta de oportunidade de trabalho, dizem quase todos os acusados de crimes como roubo, tráfico de drogas e homicídio. Outros citam as más companhias, e, ainda, os problemas decorrentes de uma família desestruturada. Na edição de ontem, O LIBERAL divulgou dados oficiais que apontam alto índice de reincidência penitenciária no Pará. De cada 10 ex-detentos, seis retornam para trás das grades - a maioria do sexo masculino e em idade produtiva, entre 25 e 45 anos.

Como se sabe, porém, trata-se de uma questão muito complexa, que envolve um conjunto de fatores que contribuem para a reincidência criminal. E, nesta reportagem, o jornal tentará evidenciar este debate. 'Isso não é para nós. Cadeia é lugar para bicho'. À primeira vista, a frase parece ser de alguém que, por conhecer bem o cárcere, nunca mais quis voltar a olhar o 'sol nascer quadrado'. Engano. Benedito Fonseca de Souza, o 'Macumbeiro', 30 anos, que faz tal afirmação, passou aproximadamente 10 anos de sua vida em prisões.

Ele afirma que, depois que começou a cometer roubos, não ficou sequer um ano em liberdade. A mais recente detenção ocorreu no último dia 24. Acusação: roubo, o mesmo crime que reiteradamente o tem privado da liberdade. Naquele dia, foi autuado, em flagrante, na Delegacia do Jurunas. Em 2000, também no bairro do Jurunas, foi preso pela primeira vez. O acusado contou que esse roubo lhe rendeu R$ 3 mil. Ficou dois anos e dois meses preso no Centro de Recuperação Americano 1 (CRA 1), no Complexo de Americano, no município de Santa Isabel.

Por esse delito, 'Macumbeiro' disse ter sido condenado a cinco anos e quatro meses, segundo ele a serem cumpridos em regime semiaberto. Um mês depois, em agosto daquele ano, nova prisão. Desta vez, disse ter roubado uma bolsa. Ficou encarcerado inicialmente no xadrez da Seccional da Cremação. O acusado contou ter sido condenado a oito anos de prisão, mas que passou quase nove anos no CRA 1 - ou seja, um ano a mais da pena que lhe foi imposta pela Justiça. Daquela casa penal, ganhou progressão de regime e foi encaminhado à Colônia Agrícola Heleno Fragoso, também localizada no Complexo de Americano, na qual passou seis meses.

 

 

06/07/2009

Agência Alagoas

http://www.agenciaalagoas.al.gov.br/noticia.kmf?cod=8643735

Polícia Civil realiza conferência livre

Encontro preparatório para a etapa estadual da Conferência Nacional de Segurança Pública discute valorização profissional na área

Mosael Henrique

A Polícia Civil realiza nesta terça-feira (7), a partir das 9 horas, no auditório da Associação dos Policiais Civis de Alagoas (Apocal), no Pontal da Barra, a conferência livre preparatória para a etapa estadual da Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), que será realizada de 15 a 17 deste mês, no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso.

O objetivo do evento é estimular o debate sobre a segurança pública com cidadania e ampliar a participação popular em todo o país. O encontro vai discutir propostas de valorização profissional e de melhoria das condições de trabalho na área de segurança pública.

As inscrições para a 1ª Conseg começaram na última segunda-feira, no site www.conseg.al.gov.br. Para a etapa estadual, a comissão organizadora pretende reunir cerca de 400 pessoas, sendo 40% da sociedade civil, 30% do poder público e 30% dos profissionais de segurança.

Nas conferências livres, a própria comunidade discute a questão da segurança pública dentro da realidade local e apresenta as sugestões e propostas a serem incluídas em documento que será debatido na conferência nacional, que acontece de 27 a 30 de agosto, em Brasília.

Em reunião ocorrida nesta segunda-feira (6), na Secretaria de Estado de Defesa Social, a comissão discutiu propostas para uma maior divulgação do evento junto à sociedade, que pela primeira vez na história tem a oportunidade de ser ouvida na formulação de políticas de segurança pública a serem adotadas no Brasil.

 

 

06/07/2009

Ibeccrim

http://www.ibccrim.org.br/

TRE-SP contraria CF-88 e não respeita direito de voto do preso provisório

Em face de lamentável decisão do TRE-SP, a Procuradoria Regional eleitoral paulista divulgou a seguinte nota:

UM DIA DE LUTO PARA OS DIREITOS FUNDAMENTAIS

A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo comunica e lamenta que, na data de hoje, 16 de junho de 2009, em sessão plenária administrativa, o E. Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo negou o direito de voto aos presos provisórios no Estado de São Paulo, por maioria de seis a um.

Requerimento nesse sentido havia sido formulado pela Procuradoria Regional Eleitoral de S. Paulo com base no artigo 15, III, da Constituição, que suspende os direitos políticos apenas dos presos condenados definitivamente, enquanto durarem os efeitos da condenação. O pedido era de que houvesse um “projeto piloto” para as eleições de 2010, que permitisse verificar e solucionar as dificuldades para a extensão do direito a todos os presos provisórios.

Para o Procurador Regional Eleitoral, Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, a decisão é grave, pois implica no direto indeferimento de um direito dos cidadãos e nega a força normativa da Constituição. A decisão reconhece que direitos constitucionais podem ser considerados “inexeqüíveis”, o que contraria toda a doutrina e prática nacionais e internacionais sobre a eficácia dos direitos das pessoas.

O único voto dissidente foi do Exmo. juiz Walter de Almeida Guilherme, que alertou para o fato de que a Constituição Brasileira já conta com mais de vinte anos, sem que se tenha promovido, de alguma forma, a realização desse direito em São Paulo.

Os demais juízes do TRE votaram contra: Marcos César, Paulo Alcides, Flávio Yarshell, Galdino Toledo, Clarissa Bernardo e Baptista Pereira.

Em cerca de oito Estados da Federação os presos provisórios (aqueles que ainda não têm condenação definitiva), já votam, ainda que parcialmente.

O Tribunal Superior Eleitoral havia determinado que os presos provisórios tivessem voto nos Estados “sempre que fosse possível”, deixando a decisão final aos TREs (Resolução nº 22.712).

Por essa razão, a PRE-SP estuda recorrer da decisão, inclusive para a Corte Interamericana de Direitos Humanos de São José da Costa Rica, por entender que a decisão implica no descumprimento de compromissos internacionais de proteção de direitos humanos firmados pelo Brasil.

 

 

06/07/2009

Conseg

http://www.conseg.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1321:presidiarios-vao-documentar-vida-carceraria-com-fotos-para-exposicao&catid=49:noticias-gerais&Itemid=226

Presidiários vão documentar vida carcerária com fotos para exposição 

Presidiários de cinco estados estão participando de um projeto do Departamento Penitenciário (Depen), do Ministério da Justiça, cujo objetivo é mostrar a visão deles sobre o sistema prisional por meio de fotografia. Para isso, em cada presídio selecionado, dez presos escolhidos pelos próprios colegas receberam uma máquina fotográfica descartável e um filme de 28 poses para documentar a vida carcerária.

As prisões escolhidas foram o Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte; o Presídio Central, em Porto Alegre; o Presídio Aníbal Bruno, em Recife; a penitenciária federal de Catanduvas, no Paraná; e a Fábrica Esperança, em Belém. Esta unidade emprega presos em regime aberto ou prisão domiciliar e egressos do sistema prisional paraense para treinamento e qualificação.

As fotos passarão por uma seleção no Depen para serem apresentadas na Feira de Conhecimento da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (1ª Conseg), de 27 a 30 de agosto, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

De acordo com a coordenadora-geral do Programa de Fomento às Penas e Medidas Alternativas do Ministério da Justiça, Márcia Alencar Araújo Matos, os presos terão total liberdade para fotografar o que quiserem. O projeto foi inspirado em iniciativa idêntica realizada há alguns anos em presídios de Goiás pelo governo do estado e intitulada O Olhar do Preso. "Até mesmo episódios de violência que ocorrerem com eles [podem ser fotografados]", garante.

"A seleção será feita levando em conta a qualidade da foto e o conceito com que ela trabalha", explica Márcia. "O que o Depen quer apresentar com essas fotos são os contrastes da realidade carcerária brasileira sob o olhar do preso e não apenas boas fotos. Por isso, escolhemos unidades que apresentam esses contrastes". Segundo ela, isso poderá contribuir para a construção de novas diretrizes para o sistema penitenciário durante a Conferência Nacional de Segurança Pública.

Por essa razão, assinala Márcia, os presos foram escolhidos pelos próprios detentos e não pela direção dos presídios. Ela diz que as lideranças carcerárias tiveram papel fundamental na seleção e vão garantir a realização do trabalho pelos presos que receberam as máquinas fotográficas.

Além das fotografias, a conferência exibirá os vídeos que estão sendo gravados dentro de alguns presídios, nos quais, segundo Márcia, os presos falam e apresentam sugestões para alterar a realidade do sistema carcerário brasileiro. Uma empresa especializada está produzindo esses vídeos nos Acre, Pará, Ceará, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.

Em cada estado, será apresentado o vídeo gravado em um presídio masculino e um feminino. As gravações serão feitas até o final deste mês, durante as Conferências Livres que o Depen promoverá nessas unidades, quando serão escolhidas as propostas dos presos que serão transformadas em documentários.

"Nunca o preso fez Conferência Livre no Brasil, e queremos documentar esse momento por meio de vídeo", diz Márcia. De acordo com ela, as autoridades não estão participando dos debates e da elaboração das propostas que serão encaminhadas pelos detentos à 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública.

Depois, as sugestões serão sistematizadas, juntamente com as de outros setores do sistema penitenciário, para pautar o debate sobre o sistema penitenciário também durante o 12º Congresso Mundial, em abril de 2010, em Salvador.

Nesse congresso, será feita a revisão das resoluções da ONU sobre a questão penitenciária mundial, dividida em quatro eixos de discussão: Tratamento a Prisioneiros; Tortura; Alternativas à Prisão e Justiça Restaurativa; e Violência contra a Mulher. Todos estarão relacionado ao tema central: Justiça Criminal e Prevenção ao Crime.

Essa será a primeira vez que congresso vai ser realizado no Brasil. O evento será organizado pela Secretaria Nacional de Justiça.

Fonte: Agência Brasil

 

 

05/07/2009

O Estado do São Paulo

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090705/not_imp397990,0.php

Desembargador ironiza Rio Grande do Sul em sessão sobre voto de preso

Em meio ao calor de um julgamento no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, o desembargador Paulo Octávio Baptista Pereira se destacou entre seus pares ao lançar mão de argumentos polêmicos para defender sua tese. Estava em discussão a legalidade ou não do voto de presos provisórios, estimados em 40 mil no Estado. O desembargador, que deliberou contra, falou inicialmente do voto de protesto - citou Biro Biro, Cacareco e Enéas ("Como é que esse sujeito teve um milhão e meio de votos?"). E depois apontou para o Rio Grande do Sul, que já conferiu à população carcerária o direito de ir às urnas.

"Eu sei, o Rio Grande do Sul é uma maravilha, não é?", observou Pereira. "No Rio Grande do Sul todos os problemas do País estariam resolvidos. Agora pouco um colega nosso lá... teve uma quadrilha presa praticamente em flagrante delito por roubo de cargas e morte de pessoas, o sujeito botou todo mundo na rua dizendo que não tinha vaga no presídio. Houve uma comoção generalizada, ô, ô, ô. Aí foram prender de novo."

O magistrado foi além, e buscou na Guerra dos Farrapos (1835/1845), orgulho do povo gaúcho, reforço para seu voto: "Então, o Rio Grande do Sul é uma beleza, a tese lá do Direito alternativo, entendeu? Eles fazem a lei do jeito que eles acham, essa lei não serve, não é justa, então não se aplica. É uma beleza. Quem sabe, se não fosse a Revolução Farroupilha, ou se nós não fizéssemos nenhuma oposição a ela, quem sabe nós teríamos nos livrado do Rio Grande do Sul, estaria ele do lado do Uruguai, quem sabe."

Era a sessão de 16 de junho. A corte reunida para deliberar acerca de representação do procurador regional eleitoral, Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, defensor do voto para presos que ainda não foram condenados definitivamente. Gonçalves escorou seu pedido no artigo 15 da Constituição, que tira apenas do preso condenado com sentença transitada em julgado os direitos políticos - e mantém suspensos tais direitos enquanto durarem os efeitos da condenação. "Logo, a interpretação que se faz é que, enquanto não transitada a sentença, o preso tem direitos políticos assegurados", sustenta o procurador. "Temos visto no Brasil gente presa ser votada. Queremos que o preso provisório vote também. O Rio Grande do Sul já adotou a experiência. Reconhecemos dificuldades, mas é uma questão de implementação de direitos fundamentais."

Por 6 votos a um, o pleito do procurador foi rechaçado pelo TRE. Quando tomou a palavra, Pereira foi logo avisando: "Acho que vou ser um pouquinho mais radical na interpretação que se está dando ao texto constitucional".

Desembargador do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF 3), com larga experiência na rotina da toga, Pereira acumulava até o mês passado as funções de magistrado eleitoral. Aquela sessão foi a penúltima da qual participou no TRE. Ao fustigar o voto de preso, ele assinalou: "O que nós estamos querendo, na verdade, é dar direito aos piores da sociedade, aos que estão presos. E, quando o juiz manda um sujeito desses para a cadeia, ou é crime de muita gravidade ou é reincidência já, ainda que seja provisoriamente".

Pereira ilustrou seu pronunciamento com cena de violência: "Enquanto não condenado eu tenho direito de voto. Não é verdadeira a premissa. Porque. se eu for preso em flagrante às 5 horas da manhã, dou um tiro na minha mulher, na minha casa, e a polícia vai lá, nem começou a sessão eleitoral, estou preso em flagrante, vou ficar preso. Ninguém me garante o voto".

Inconformado com o resultado, o procurador Gonçalves divulgou a íntegra do julgamento. O arquivo com a reprodução sonora dos votos está disponível no site da procuradoria (www.presp.mpf.gov.br), iniciativa inédita. "Roga-se à comunidade jurídica a leitura e reflexão sobre esse importante julgado."

 

 

05/07/2009

Agência Brasil

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/07/03/materia.2009-07-03.9449754775/view

Presidiários vão documentar vida carcerária com fotos para exposição em Brasília

Jorge Wamburg

 Brasília - Presidiários de cinco estados estão participando de um projeto do Departamento Penitenciário (Depen), do Ministério da Justiça, cujo objetivo é mostrar a visão deles sobre o sistema prisional por meio de fotografia. Para isso, em cada presídio selecionado, dez presos escolhidos pelos próprios colegas receberam uma máquina fotográfica descartável e um filme de 28 poses para documentar a vida carcerária.

As prisões escolhidas foram o Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte; o Presídio Central, em Porto Alegre; o Presídio Aníbal Bruno, em Recife; a penitenciária federal de Catanduvas, no Paraná; e a Fábrica Esperança, em Belém. Esta unidade emprega presos em regime aberto ou prisão domiciliar e egressos do sistema prisional paraense para treinamento e qualificação.

As fotos passarão por uma seleção no Depen para serem apresentadas na Feira de Conhecimento da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (1ª Conseg), de 27 a 30 de agosto, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

De acordo com a coordenadora-geral do Programa de Fomento às Penas e Medidas Alternativas do Ministério da Justiça, Márcia Alencar Araújo Matos, os presos terão total liberdade para fotografar o que quiserem. O projeto foi inspirado em iniciativa idêntica realizada há alguns anos em presídios de Goiás pelo governo do estado e intitulada O Olhar do Preso. “Até mesmo episódios de violência que ocorrerem com eles [podem ser fotografados]”, garante.

“A seleção será feita levando em conta a qualidade da foto e o conceito com que ela trabalha”, explica Márcia. “O que o Depen quer apresentar com essas fotos são os contrastes da realidade carcerária brasileira sob o olhar do preso e não apenas boas fotos. Por isso, escolhemos unidades que apresentam esses contrastes”. Segundo ela, isso poderá contribuir para a construção de novas diretrizes para o sistema penitenciário durante a Conferência Nacional de Segurança Pública.

Por essa razão, assinala Márcia, os presos foram escolhidos pelos próprios detentos e não pela direção dos presídios. Ela diz que as lideranças carcerárias tiveram papel fundamental na seleção e vão garantir a realização do trabalho pelos presos que receberam as máquinas fotográficas.

Além das fotografias, a conferência exibirá os vídeos que estão sendo gravados dentro de alguns presídios, nos quais, segundo Márcia, os presos falam e apresentam sugestões para alterar a realidade do sistema carcerário brasileiro. Uma empresa especializada está produzindo esses vídeos nos Acre, Pará, Ceará, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.

Em cada estado, será apresentado o vídeo gravado em um presídio masculino e um feminino. As gravações serão feitas até o final deste mês, durante as Conferências Livres que o Depen promoverá nessas unidades, quando serão escolhidas as propostas dos presos que serão transformadas em documentários.

“Nunca o preso fez Conferência Livre no Brasil, e queremos documentar esse momento por meio de vídeo”, diz Márcia. De acordo com ela, as autoridades não estão participando dos debates e da elaboração das propostas que serão encaminhadas pelos detentos à 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública. Depois, as sugestões serão sistematizadas, juntamente com as de outros setores do sistema penitenciário, para pautar o debate sobre o sistema penitenciário também durante o 12º Congresso Mundial, em abril de 2010, em Salvador.

Nesse congresso, será feita a revisão das resoluções da ONU sobre a questão penitenciária mundial, dividida em quatro eixos de discussão: Tratamento a Prisioneiros; Tortura; Alternativas à Prisão e Justiça Restaurativa; e Violência contra a Mulher. Todos estarão relacionado ao tema central: Justiça Criminal e Prevenção ao Crime.

Essa será a primeira vez que congresso vai ser realizado no Brasil. O evento será organizado pela Secretaria Nacional de Justiça.

 

 

05/07/2009

JusBrasil Notícias

http://www.jusbrasil.com.br/noticias/1485631/defensores-publicos-convocam-sociedade-para-debater-seguranca-publica

Defensores públicos convocam sociedade para debater Segurança Pública

Segurança Pública e acesso à Justiça por aqueles que não possuem recursos para custear sua defesa. Este é o debate que os defensores públicos de todo o país estarão travando em Salvador nos próximos dias 13 e 14 de julho (segunda e terça-feira), a partir das 8h. O debate será no Seminário Defensorias, Segurança Pública e Acesso à Justiça, que o Conselho Nacional de Defensores Gerais (CONDEGE) e a Associação Nacional dos Defensores (ANADEP) realizam no Hotel Tropical da Bahia (Campo Grande). No primeiro dia, (segunda), está confirmada a presença da Ministra do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Eliana Calmon e do Secretário estadual, Nelson Pellegrino (SJCDH), dentre outras autoridades.

Além dos defensores, o Seminário contará com a participação também de trabalhadores e gestores da área de segurança pública na Bahia, bem como representações da sociedade civil, para que sejam propostas diretrizes para a segurança em todo país, em especial, para a situação carcerária de superlotação nas unidades prisionais no Brasil. "Acabamos de aprovar na Câmara Federal um Projeto de Lei (PLP 28/07) que reorganiza as Defensorias Públicas em todo o país, fortalecendo a instituição e sua atuação junto à sociedade, portanto é um momento propício para que travemos este debate, reunindo todos os defensores públicos aqui em Salvador, cidade com crescentes índices de violência", pontuou a presidente recém eleita do CONDEGE e também defensora geral da Bahia, Tereza Cristina Ferreira.

SERVIÇO:

O que: Seminário Temático: Defensorias, Segurança Pública e Acesso à Justiça

Quando: 13 e 14 de julho de 2009 - Abertura, às 8h

Onde: Hotel Tropical da Bahia (Campo Grande)

Inscrições gratuitas - http://www.adepbahia.com.br/.

Informações sobre inscrição: (71) 3321-4185

 

 

05_07_2009

CONJUR

http://www.conjur.com.br/2009-jul-05/entrevista-eugenio-raul-zaffaroni-ministro-argentino

Função do Direito Penal é limitar o poder punitivo

Por Marina Ito

O argentino Eugenio Raúl Zaffaroni é considerado uma das maiores autoridades mundiais em Direito Penal na atualidade. Referência obrigatória na América Latina, é um dos responsáveis por fazer uma releitura crítica do Direito Penal. Juiz da  Corte Suprema da Argentina, magistrado de careira, exerceu a advocacia, passou rapidamente pela política em seu país e produziu uma vasta e conceituada obra sobre sua especialidade.

De passagem pelo Rio de Janeiro para participar de seminário prmovido pelo Instituto Carioca de Criminologia, Zaffaroni concedeu entrevista à Consultor Jurídico na qual resumiu o papel do Direito Penal. "A função do Direito Penal, hoje e sempre, é conter o poder punitivo." Para ele, cabe também ao Judiciário limitar o poder punitivo. "No curso da história, muitas vezes, o Judiciário traiu sua função." Quando isso acontece, explica, os juízes deixam de ser juízes e se tornam policiais "fantasiados" de juízes.

Crítico da mídia, que entende não só como sendo a imprensa e a TV, mas também a indústria do entretenimento, Zaffaroni acredita que é preciso ver a realidade sem se deixar levar por discursos de vingança. "A única coisa que chama a atenção são as pessoas mortas por roubo. Mortos por roubo, pelo menos no meu país, temos pouco. Temos um universo de homicídios em que a grande maioria é entre pessoas que se conhecem", diz.

Autor dos livros Em busca das penas perdidas e Teoria do delito, o criminalista já escreveu mais de 20 obras. Algumas, junto com grandes nomes do Direito Penal, como o brasileiro Nilo Batista, com quem escreveu Direito Penal Brasileiro.

Frequentador habitual de eventos no Brasil, não é raro ver o juiz da mais alta Corte de Justiça da Argentina assistindo palestras discretamente no fundo do salão. Ás vezes, até mesmo em traje esporte, sem assessores por perto e sem as formalidades tão caras ao meio juridico e acadêmico. “Não me imagino diferente”, diz a respeito de seu jeito informal.

Não por acaso Zaffaroni diz que levaria um dia para descrever seu currículo. Seu perfil biográfico exposto na página da  internet da Corte Suprema de Justicia da Argentina gasta 160 páginas para listar cursos, títulos acadêmicos, cargos judiciais e executivos, livros, artigos e seminários dos quais já participou.

 

Zaffaroni nasceu em Buenos Aires, onde se formou em 1962. Foi juiz de alçada na capital argentina. Nos anos 90, dirigiu o Instituto Latino-Americano de Prevenção do Crime, das Nações Unidas, onde ficou por dois anos. Foi deputado constituinte em Buenos Aires e interventor no Instituto Nacional de Luta contra Discriminação. Exerceu a advocacia também por mais de dois anos até ser nomeado, em 2003, ministro da Corte Suprema da Argentina.

Questionado sobre sua passagem pela política, Zaffaroni a classificou como interessante. “Fiz parte de um partido que começou minoritário e, em um certo momento, se tornou a segunda força política do país. Depois sumiu. Bobagem dos líderes. Resultado da política espetáculo. A partir daí, deixei a política.”

Leia a entrevista

ConJur — Para que serve o Direito Penal?

Eugenio Raúl Zaffaroni — A função do Direito Penal, hoje e sempre, é conter o poder punitivo. O poder punitivo não é seletivo do poder jurídico, e sim um fato político, exercido pelas agências do poder punitivo, especialmente a polícia. Não estou falando da Polícia Federal ou da que está na rua e sim de todas as agências policiais, campanhas de inteligência, arquivos secretos, polícia financeira, enfim, agências executivas. Essas agências têm uma contenção jurídica que é o Direito Penal.

ConJur — Cabe ao Judiciário limitar o poder punitivo?

Zaffaroni — O Judiciário é indispensável para isso. A contenção é feita pelos juízes. Sem limites, saímos do Estado de Direito e caímos em um Estado Policial. Fora de controle, as forças do poder punitivo praticam um massacre, um genocídio. O Direito Penal é indispensável à persistência do Estado de Direito, que não é feito uma vez e está pronto para sempre. Há uma luta permanente com o poder. O Estado de Polícia se confronta com o Estado de Direito no interior do próprio Estado de Direito. Estar perto do modelo ideal de Estado de Direito depende da força de contenção do Estado Policial.

ConJur — Os juízes têm exercido a contento a função de limitar o poder punitivo?

Zaffaroni — Esse é o dever do Judiciário. No curso da história, muitas vezes, o Judiciário traiu sua função. Na medida em que os juízes traem sua função, tornam-se menos juízes, levando a um  estado policial em que não há juízes, mas policiais fantasiados de juízes. Foi o que aconteceu na Alemanha nazista.

ConJur — Há uma tendência de o Judiciário aplicar o chamado Direito Penal do inimigo?

Zaffaroni — Estamos vivendo um momento muito especial. Hoje, não é fácil pegar um grupo qualquer para estigmatizá-lo, mas há um grupo que sempre pode virar o bode expiatório. É o grupo dos delinqüentes comuns.  É um candidato a inimigo residual que surge quando não há outro inimigo melhor. Houve uma época em que bruxas podiam ser acusadas de tudo, das perdas das colheitas à impotência dos maridos. O que se pode imputar aos delinqüentes comuns é limitado, por isso é um candidato a bode expiatório residual. Nos últimos decênios, com a política republicana dos Estados Unidos, os delinqüentes comuns se tornaram o mais recente bode expiatório.

ConJur — Qual o resultado dessa escolha do inimigo?

Zaffaroni — Cria-se uma paranoia social, e estimula-se uma vingança que não tem proporção com o que acontece na realidade da sociedade. Através da história, tivemos muitos inimigos: hereges, pessoas com sífilis, prostitutas, alcoólatras, dependentes químicos, indígenas, negros, judeus, religiosos, ateus. Agora, são os delinqüentes comuns, porque não temos outro grupo que seja um bom candidato. Esse fenômeno decorre do fato de os políticos estarem presos à mídia. Seja por oportunismo ou por medo, eles adotam o discurso único da mídia que é o da vingança, sem perceber que isso enfraquece o próprio poder.

ConJur — De que maneira?

Zaffaroni — Ao adotar esse discurso, fomentam a autonomia das forças policiais, do poder que elas têm. Isso acontece porque a política ficou midiática. Não temos política de base, dirigentes falando com o povo; tudo é através da televisão. Eles estão presos aos meios de comunicação. Quando um juiz põe limites ao poder punitivo, a mídia critica e o político, montado sobre a propaganda da mídia, ameaça os juízes. A grande maioria de juízes está ciente disso e confronta a situação. Mas uma minoria tem medo. Com medo da mídia, da construção social da realidade, juízes acabam se tornando policiais.

ConJur — Nesse mundo paranoico, citado pelo senhor, qual o pior inimigo da sociedade?

Zaffaroni — Aquele que nega a existência da emergência. O pior herege era aquele que negava o poder das feiticeiras. E a mídia tem razão de quem são os piores inimigos dela, porque negando isso estão negando o poder da mídia. O problema é confrontar a mídia. Mas é o único jeito. Se ninguém obstaculiza o avanço desse mundo paranoico, inevitavelmente, vai acabar em genocídio.

ConJur — O juiz tem que lidar com as leis e as provas do processo. Mas em processos de grande repercussão, os juízes também têm de lidar com a imprensa. Como se dá essa relação?

Zaffaroni — O juiz ideal não existe. Como todo grupo, algumas pessoas são medrosas, outras são acomodadas e há as que assumem sua função. Cada um tem a sua consciência e sabe o que está fazendo. Na vida, nada é gratuito. Quem hoje está acomodado, amanhã pode ser vítima também do discurso de vingança. Os inimigos mudam muito rápido. O político ou o juiz que aceita ou aprova os excessos e as agências policiais fora de controle, está cavando o próprio túmulo. Porque amanhã, o inimigo muda e o político ou juiz corre o risco de virar ele próprio o bode expiatório.

ConJur — No Brasil, quando ocorre um crime mais chocante, os políticos tratam de apresentar leis penais mais severas.

Zaffaroni — Isso está acontecendo em todo o mundo. Essa prática destruiu os Códigos Penais. Nesta política de espetáculo, o político precisa se projetar na televisão. A ideia é: “se sair na televisão, não tem problema, pode matar mais”. Vai conseguir cinco minutos na televisão, porque quanto mais absurdo é um projeto ou uma lei penal, mais espaço na mídia ele tem. No dia seguinte, o espetáculo acabou. Mas a lei fica. O Código Penal é um instrumento para fazer sentenças. O político pode achar que o Código Penal é um instrumento para enviar mensagens e propaganda política, mas quando isso acontece fazemos sentenças com um monte de telegramas velhos, usados e motivados por fatos que estão totalmente esquecidos, originários deste mundo midiático. Ao mesmo tempo, a construção da realidade paranóica não é ingênua, inocente ou inofensiva. É uma construção que sempre oculta outra realidade.

ConJur — Como assim?

 Zaffaroni — A mídia não fala da destruição do meio ambiente, das doenças tradicionais, das carências em outros sentidos. A única coisa que chama a atenção são as pessoas mortas por roubo. Mortos por roubo, pelo menos no meu país, temos poucos. A grande maioria dos homicídios é de pessoas que se conhecem. A primeira causa de morte violenta, na Argentina, é o trânsito. A segunda é o suicídio; a terceira, homicídio entre pessoas que se conhecem; em quarto, muito longe, vem homicídio por roubo. Mas nas manchetes dos jornais o que sai é homicídio por roubo. Ou seja, a primeira ameaça é atravessar a rua. A segunda é o medo, a depressão, psicose, melancolia; o terceiro é a família, os amigos, e no final, os ladrões. Essa é a realidade das mortes violentas na Argentina. E nem estamos falando de mortos por doenças que poderiam ser curadas se as pessoas fossem atendidas adequadamente.

ConJur — Mas as pessoas não matam por causa da mídia.

Zaffaroni — Ninguém vai sair na rua para matar por causa de uma série de TV. Mas a propaganda contínua de violência na mídia, através das notícias ou do entretenimento, projeta a impressão de que a violência é uma escolha possível. Posso me tornar advogado, médico, trabalhador braçal, ou também posso roubar. É a banalidade da violência. Essa propaganda está caindo em uma sociedade que é plural, onde há pessoas frágeis ou que têm patologias. O efeito reprodutor disso é inevitável. E a propaganda contínua de que há impunidade é uma mensagem de incitação. Algo como: faça qualquer coisa que não vai acontecer nada.

ConJur — Uma parcela da sociedade defende que a polícia deve prender logo e que não precisa ter um processo judicial lento.

Zaffaroni — Sem dúvida. O discurso retroalimenta-se. Essa retroalimentação do discurso sai para a rua em uma mensagem de incitação. Pessoas estão recebendo uma mensagem de instigação ao crime permanentemente, o que produz um efeito. Não há um fator preventivo. Esse discurso também tem outra função. Temos uma categoria de pessoas que são os excluídos. Excluído é aquele que é de plástico, descartável. O explorador precisa do explorado. O incluído não precisa do excluído. O excluído está fora do sistema produtivo. A técnica é introduzir cada vez mais contradições dentro da própria faixa de exclusão social.

ConJur — A criminalização é seletiva?

Eugenio Raúl Zaffaroni — Sem dúvida. Em uma cadeia, encontra-se a faixa dos excluídos que são criminalizados. Mas, na outra ponta, percebemos que as vítimas pertencem basicamente à mesma faixa social, porque são aqueles que estão em uma situação mais vulnerável, não têm condições de pagar uma segurança privada, por exemplo. que sofreu grandeEles ficam nas mãos do serviço de segurança pública  deterioração e cada dia se deteriora mais. E o policial, em geral, é escolhido na parte carente da sociedade. Enquanto os pobres se matem entre si, “tudo bem”. Eles não têm condições de falar entre eles, de ter consciência da situação, de coligar-se para nada, de ter nenhum protagonismo político. Assim estão perfeitamente controlados. A tecnologia moderna de controle dos excluídos já não consiste em pegar os cossacos do czar para controlar a cidade. Não. A técnica é mais perversa: colocar as contradições no interior da mesma faixa social e fazerem com que se matem uns aos outros.

ConJur — Mas, hoje, também percebemos que há um discurso de que é necessário não prender apenas os pobres. Prender ricos passa a ser uma amostra de que quem tem dinheiro também vai para a cadeia.

Eugenio Raúl Zaffaroni — Sim. O rico, às vezes, vai para a cadeia também. Isso acontece quando ele se confronta com outro rico, e perde a briga. Tiram a cobertura dele. É uma briga entre piratas. Nesse caso, o sistema usa o rico que perdeu. E, excepcionalmente, o derrotado acaba na cadeia. Mas ter um VIP na prisão é usado pela mídia para comprovar que o sistema penal é igualitário. É a contracara do self-made man. Ou seja, tem aquele que vende jornal na porta do banco, e que foi trabalhando, tornou-se funcionário do banco, depois gerente e agora tem a maioria do pacote acionário da instituição. Como essa sociedade tem mobilidade vertical, este chegou a ser presidente ou dono do banco. E veja como esta sociedade é igualitária. Ele caiu e, hoje, está na cadeia. Mas o rico que está preso é sempre um VIP que perdeu para outro mais forte do que ele.

ConJur — O senhor disse que a tendência das cadeias é de desaparecerem. Como será isso?

Eugenio Raúl Zaffaroni — Não é uma tendência atual, mas vai acontecer nos próximos anos. Vamos ter uma luta econômica entre a indústria da cadeia e de segurança com a indústria eletrônica. No momento, a indústria da cadeia é forte, pelo menos nos países centrais, como Estados Unidos. Mas, no final, a indústria eletrônica vai ganhar.

ConJur — Então é a cadeia física que vai desaparecer?

Eugenio Raúl Zaffaroni — Sim. Vamos ter uma cadeia eletrônica e a tradicional vai sumir. É uma luta econômica. Com uma nova geração de chips, tecnologicamente, não vai ter necessidade de ter muros nas prisões. Com microchips embaixo da pele, vamos ter um controle de movimento do sujeito. Se o sujeito sair do itinerário prefixado, o chip faz disparar um mecanismo que causa uma dor paralisante por exemplo. Vamos ter a casa inteligente, mas isso também é uma cadeia. A gente acorda de manhã, põe o pé no chão e a casa já sabe se a gente vai para o banheiro, quer o café com leite, já prepara a comida. Tudo muito bonito, mas é uma cadeia também.

ConJur — Na medida em que isso acontece, não há risco de pessoas, que não cometeram crime e que não foram condenadas, passarem a ser monitoradas também?

Zaffaroni — Felizmente isso vai acontecer quando eu já não estiver neste mundo. Se isto acontecer quando eu estiver neste mundo, vou virar um terrorista e destruir toda essa aparelhagem eletrônica. Acho que não vou ter tempo, estarei muito velho para isso. Mas se não é esse o grande perigo, ainda há um. Se continuarmos nessa direção, em certo momento, as próprias pessoas, com medo de serem seqüestradas ou roubadas, vão optar por serem monitoradas. No final, o Estado ou as agências executivas vão ter um controle terrível. E essas pessoas vão necessitar de nós, os terroristas, para destruir esse controle. Se pensarmos sobre os controles que temos, hoje, sobre cada um de nós e os que tinham os nossos avós, vamos perceber que estamos muito mais controlados, presos. Se os criminosos não existissem, o poder teria de inventá-los para poder controlá-los.

ConJur — Ainda existe a ideia da cadeia como forma de ressocializar o preso ou essa discussão já foi superada?

Zaffaroni —A ideia de de ressocialização é própria do estado previdente, do welfare state. O liberalismo econômico destruiu o welfare state e passou a existir a ideia de cadeia reprodutiva, que são gaiolas. A cadeia se tornou uma forma de vingança.

ConJur — O Judiciário no Brasil está fazendo mutirões carcerários para garantir benefícios aos presos. Como o senhor vê essa iniciativa?

Eugenio Raúl Zaffaroni — A única solução é ter na cadeia o número de pessoas para as quais podemos oferecer condições mínimas de dignidade. De outro jeito, vamos ter sempre cadeias superlotadas. A única solução é ter um sistema de cotas. Se temos 2 mil vagas, só podemos ter 2 mil presos. Não podemos ter mais.

ConJur — Mas caberia ao juiz decidir quem vai para a cadeia ou não em uma situação dessa.

Eugenio Raúl Zaffaroni — Pode ser do legislador ou do juiz. Pode tirar aquele que só tem dois meses de pena para cumprir. O número de presos é uma decisão política de cada estado. Em todo mundo, há previsão para que a pena seja cumprida dentro da prisão no caso de matar ou estuprar alguém. Já no caso de crime muito leve, não há previsão para que o contraventor seja encaminhado à prisão. Mas, no meio, tem uma faixa inesgotável de criminalidade média, em que a pessoa pode ou não ir para a cadeia. Essa é uma decisão política, não é uma circunstância. Isso explica situações totalmente absurdas. Os Estados Unidos têm o mais alto índice de pessoas presas do mundo. O Canadá, que está do lado, tem um dos mais baixos. Mas não é porque no Canadá os homicidas estejam na rua. Essa escolha é política.

ConJur — E como funcionam as interceptações telefônicas na Argentina. Há abuso nesse tipo de medida?

Eugenio Raúl Zaffaroni — São dispostas pelo juiz. Não tenho dados sobre quantas há no país. Existindo motivos suficientes, o juiz autoriza a interceptação telefônica, que é registrada através de uma central. Sempre com autorização.

ConJur — E tem prazo máximo para que a interceptação seja feita?

Eugenio Raúl Zaffaroni — Não. Não é indefinidamente, deve ser feita durante a investigação. Como temos juiz instrutor, toda investigação é controlada por ele. Cada passo da investigação requer uma autorização do juiz. Depois, podemos analisar se a decisão foi razoável. No caso de não ser, a prova é considerada nula. Não temos grandes problemas nesse sentido.

ConJur — No Brasil, talvez pelo modo como a Constituição foi elaborada, quase tudo fica a cargo do Supremo dar a palavra final. Isso também acontece na Argentina?

Eugenio Raúl Zaffaroni — Sim, inevitavelmente. Isso não significa que tudo seja resolvido pelo Supremo. Nós rejeitamos muitas coisas. Mas todo mundo procura chegar à Corte. Temos, por ano, 15 mil processos para sete ministros. Desses, rejeitamos quase 14 mil.

ConJur — Habeas corpus também vai para o Supremo?

Eugenio Raúl Zaffaroni — Habeas corpus não. Amparo, que é um recurso, sim. Se alguém está preso cautelarmente e quer a liberdade, pode recorrer à Corte através de recurso ordinário. Porque achamos que a privação da liberdade equivale a sentença definitiva.

ConJur — E demora até esse recurso chegar à Corte Suprema?

Eugenio Raúl Zaffaroni — Sim. Temos o mesmo poder que a Corte dos Estados Unidos de escolher. Então, na maioria dos casos, rejeitamos.

ConJur — O senhor disse que a privação da liberdade equivale a uma sentença. No caso de alguém que já foi condenado em primeira instância, vai preso ou pode responder todo o processo em liberdade?

Eugenio Raúl Zaffaroni — Pode continuar o processo em liberdade. Se estava em liberdade, a sentença não está firme. Mas é excepcional. É a prisão cautelar que pode chegar até a Corte. Prisões não fundamentadas ocorrem em poucos casos. A maioria sabe que chegando à Corte, não é viável. Tem que ser uma situação muito excepcional, um processo muito arbitrário. Não é o normal.

ConJur — O ministro Antonin Scalia, da Suprema Corte dos Estados Unidos, disse que o papel do Judiciário é aplicar leis feitas pela vontade do povo através de seus representantes no Congresso. Assim, não cabe ao juiz decidir além do que está expresso na lei. O senhor concorda com essa visão?

Eugenio Raúl Zaffaroni — Na medida em que o legislador não tenha usurpado a função do constituinte, sim. Se o legislador criou uma lei que não está em consonância com o sentido constituinte, é função do juiz aplicar a Constituição e não a lei do legislador.

ConJur — Mas e o que não é previsto em lei?

Eugenio Raúl Zaffaroni — O que não está previsto na lei, do ponto de vista penal, não é nada. E do ponto de vista civil, tem que ser resolvido de igual forma. De outro jeito, ficaria aberta uma guerra civil.

ConJur — Em sua opinião, o Judiciário serve para fazer justiça?

Eugenio Raúl Zaffaroni — Não acredito muito na Justiça como valor absoluto. A função do Judiciário é resolver conflitos. Nesse sentido, o Judiciário é um serviço. E um serviço público. Se funciona bem ou mal, isso acontece como em qualquer serviço público.

ConJur —Recentemente, a Argentina reviu a lei de anistia. Como foi esse processo?

Eugenio Raúl Zaffaroni — Não, não houve uma revisão. A lei foi anulada. O Congresso declarou a nulidade de uma lei. Eu acho que o Congresso não pode declarar nula uma lei por razões que não sejam formais. Por razões de fundo é muito complicado. Mas de qualquer maneira nós declaramos que a lei era totalmente inconstitucional, seguindo a jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos. A Argentina condenou só os comandantes. Depois declararam a anistia, mas o governo Menem indultou os condenados. Nós declaramos a nulidade da anistia e dos indultos. Declaramos a nulidade de tudo.

ConJur — Qual foi o argumento?

Eugenio Raúl Zaffaroni — Estava contra o que nós tínhamos ratificado no tratado interamericano de Direito Humanos. O Tratado Interamericano proíbe essas leis.

 

 

05/07/2009

Conjur

http://www.conjur.com.br/2009-jul-05/conferencia-seguranca-publica-discutira-revisoes-direito-penal

Conferência discutirá revisões no Direito Penal

A 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, marcada para agosto, em Brasília, será dividida em sete eixos temáticos. Um deles tratará das Diretrizes para o Sistema Penitenciário. O texto-base da conferência afirma que a reforma da rede prisional, “que hoje sintetiza várias das mazelas brasileiras”, implica mudança de cultura e mentalidade em relação à dimensão da punição na legislação brasileira e na maneira como ela é aplicada pela polícia, Poder Judiciário e Ministério Público. As informações são da Agência Brasil.

“Mais do que cumprir a lei, é preciso interromper ciclos de violência e reconstruir as relações afetadas pelo crime”, diz o documento. “O sistema penitenciário precisa aumentar sua capacidade de articulação institucional com os órgãos do sistema de segurança pública e a Justiça criminal, além de promover as mudanças necessárias para alinhar-se ao novo paradigma anunciado pelo Programa Nacional de Segurança Pública em Cidadania (Pronasci)”, consta no texto.

“Superar a crise atual significa transpor o paradoxo entre a finalidade da pena e a realidade atual, que acaba por reduzir o potencial da política criminal e penitenciária. Essa deveria, por sua vez, garantir a reabilitação da população criminalizada, seja ela encarcerada ou sob o regime de restrição de direitos”, afirma o texto-base da 1ª Conseg.

Segundo o documento, a promoção da integração social e da cidadania são garantias de que a política nacional penitenciária incluirá escolarização, profissionalização, atendimento médico, geração de emprego e renda para a população apenada.

Outro tópico analisa os problemas administrativo-financeiros do sistema penitenciário. A falta de estruturas administrativas especializadas em muitos estados e a ausência de ferramentas de planejamento estratégico que orientem a política são apontados como fatores que comprometem a autonomia do sistema nessa área. A sugestão é que os modelos de financiamento e gestão da política criminal e penitenciária devem ser construídos com foco na participação, na prevenção à criminalidade e na promoção de segurança.

Outras sugestões para melhoria do sistema penitenciário, contidas no texto-base da 1ª Conseg, são: criação de mecanismos de controle formal, como corregedorias, ouvidorias e inspetorias; atuação de defensorias públicas criminais e penitenciárias, para garantir o devido processo legal e o cumprimento da lei; e a qualificação dos trabalhadores e gestores da administração penitenciária.

O texto assinala ainda que hoje as políticas penitenciárias não incorporam a dimensão de gênero nas suas práticas. “É preciso que o atendimento e a infraestrutura reconheçam as especificidades da população carcerária feminina, respeitando seus direitos e identidade”. Isso porque, embora o total de mulheres presidiárias seja muito menor do que o de homens, o número de apenadas cresceu 12% contra 4% de aumento masculino.

Os eixos temáticos da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública vão abordar as seguintes questões: Eixo 1 – Gestão democrática: controle social e externo, integração e federalismo; Eixo 2 – Financiamento e gestão da política de segurança pública; Eixo 3 – Valorização profissional e otimização das condições de trabalho; Eixo 4 – Repressão qualificada da criminalidade; Eixo 5 – Prevenção Social do crime e das violências e construção da cultura de paz; Eixo 6 – Diretrizes para o Sistema Penitenciário; Eixo 7 – Diretrizes para o Sistema de Prevenção, Atendimentos Emergenciais e Acidentes.

A 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública será realizada de 27 a 30 de agosto, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

 

 

04/07/2009

O Povo

http://www.opovo.com.br/opovo/brasil/890841.html

Para secretário, rodízio de presos pode ser solução

Ângelo Roncalli é titular da pasta da Justiça no Espírito Santo e diz que a alternativa exige cuidados para ser adotada. No estado, o governo corre contra o tempo para transferir os presos que são mantidos em contêineres devido à falta de vaga nas cadeias

Responsável por 10.800 presos mantidos em 23 penitenciárias com capacidade para 5.523 vagas, o secretário de Justiça do Espírito Santo, Ângelo Roncalli, defendeu a criação de um “mecanismo legal” para liberar da prisão acusados de crimes que tenham sido cometidos sem violência. O secretário apoia recente decisão da Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre (RS) para a criação de um sistema de rodízio no cumprimento de penas em regime aberto e semiaberto, na residência do preso e na penitenciária, em noites alternadas, sob algumas condições.

O objetivo do rodízio era reduzir a superlotação das cadeias, mas a decisão foi suspensa por uma liminar no dia em que entraria em vigor (1º de junho) - o mérito ainda não foi julgado pela Justiça do Rio Grande do Sul. “Lamentavelmente, não tenho um mecanismo legal para não aceitar superlotação. Se o juiz manda prender, não tem jeito. Acabamos criando um problema para nós mesmos”, disse Roncalli.

Acabou na terça-feira passada o prazo de 40 dias estabelecido pelo secretário para que os todos os presos mantidos em contêineres no Estado fossem transferidos - atualmente, há 270 nessa condição, segundo a secretaria. “Com a construção do novo Centro de Detenção Provisória (CDP), os contêineres saem de cena daqui a 30 ou 40 dias”, afirmara Roncalli, durante visita à Agência Brasil, em Brasília, no dia 21 de maio.

A declaração foi feita após inspeção realizada pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), que divulgou uma série de denúncias de violação dos direitos humanos em unidades capixabas.

Na última sexta-feira, Roncalli disse que, naquela entrevista, quando citou o prazo de 40 dias, estava referindo-se ao termo de compromisso que seria assinado em 10 de junho entre o governo e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para, entre outras ações, acabar com as celas metálicas. “Só falta colocar colchão e móveis. Vamos fazer a transferência até 20 de julho e cumprir o prazo fixado no termo de compromisso”, afirmou o secretário

Investimentos

Roncalli disse que o estado tinha 13 unidades prisionais em 2003, quando assumiu o atual governador, Paulo Hartung (PMDB). Segundo ele, foram construídas 10 prisões desde então, criando 2.562 novas vagas, e serão inauguradas mais 5 cadeias públicas até o fim do ano. “Tirando São Paulo, não tem nenhum estado investindo tanto no setor”, afirmou. Segundo ele, serão investidos R$ 236 milhões de 2007 a 2010. O termo de compromisso firmado com o CNJ prevê a criação de 2.872 novas vagas até dezembro e mais 2.715 até agosto de 2010.

A extinção do uso de cadeias metálicas, também chamadas pelo governo de modulares, é uma das medidas previstas. Os presos que atualmente estão sob custódia no Presídio Modular de Novo Horizonte serão transferidos para o novo Centro de Detenção Provisória da Serra. (das agências).

 

 

04/07/2009

CONJUR

http://www.conjur.com.br/2009-jul-04/presidios-nao-podem-deposito-pessoas-indesejaveis-ministro

Gilmar Mendes quer detentos em escolas e bibliotecas


“As penitenciárias não podem ser um depósito de pessoas indesejáveis, mas um mecanismo de ressocialização.” A frase foi dita pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça, ministro Gilmar Mendes, em visita na sexta-feira (3/7) ao Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus. O complexo abriga 550 internos presos em regime fechado.