Clipping – 09/07 a 16/07/2009

PASTORAL CARCERÁRIA NACIONAL/CNBB

Pastoral Carcerária NacionalAlter Comunicare

 

 

Clipping produzido pela Assessoria de Comunicação da Pastoral Carcerária Nacional/CNBB, em parceria com a Alter Comunicare, pretende oferecer aos associados uma visão panorâmica do que diz a imprensa sobre temas relacionados à questão prisional em todo o Brasil e em outros países. As matérias reproduzidas neste clipping não refletem, necessariamente, a posição da Pastoral Carcerária, mas têm o objetivo de informar e incentivar o debate público. O clipping está sujeito a omissões involuntárias de notícias e conta com a colaboração de todos para o envio de outras notícias com a citação da fonte e data de publicação para o endereço imprensa@carcerária.org.br

 

 

SUMÁRIO

 

Mutirão carcerário  3

O nó dos presídios  3

Senado obriga ensino na cadeia e criminaliza celular em prisões da Agência Senado  4

Olinda realiza 1ª Conferência Livre de Segurança Pública  5

Alagoas debate novo modelo de segurança pública para o país  6

Sejusp realiza debate sobre metodologia de assistência a reeducandos  6

318 presos deixam a prisão  7

Senado obriga ensino na cadeia e criminaliza celular em prisões  8

Sejusp realiza debate sobre metodologia de assistência a reeducandos  9

Vara de Execuções Penais reavalia situação de detentos  10

TJ-MT: Atuação de magistrados em comarcas é elogiada por juiz do CNJ  11

TJ define ações do mutirão carcerário em MS  12

Conseg debate propostas para a segurança pública  14

Senado obriga ensino na cadeia e criminaliza celular em prisões  15

Campanha contra DST/AIDS entenderá mais de 3 mil presos  16

CNJ libertou 3.663 pessoas presas irregularmente  16

Depen abre concurso de remoção de agentes penitenciários  17

CNJ fará mutirão carcerário em MS a partir de agosto  18

População e autoridades discutem novo modelo de segurança  19

Semu e DPE articulam ações em benefício do sistema prisional feminino  20

Atuação de magistrados em comarcas é elogiado por juiz do CNJ  21

Mutirão carcerário começa em agosto em MS  22

Alagoas realiza etapa estadual da Conferência Nacional de Segurança Pública  23

Presos de Acreúna fazem artesanato com biscuit 24

Apartheid humano invisível 25

Relatório do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária aponta principais problemas do Sistema Carcerário da Região Metropolitana de Goiânia  26

Trabalho do Preso  27

MS realiza conferência de segurança pública  37

Juiz comanda inspeção no sistema carcerário  38

Juiz auxiliar da CGJ comanda inspeção no sistema carcerário  38

Mutirão da Defensoria presta contas a detentas do Recife  39

Governador participa da abertura da Conferência Estadual de Segurança Pública  40

Cursos técnicos permitirão reinserção social dos detentos  41

Assistência jurídica da população carcerária ainda é deficiente  42

OAB-MT participa amanhã de reunião sobre mutirão carcerário no Estado  43

Medidas contra ócio na prisão  44

Estados investem em presídios com parceria privada; modelo desperta polêmica  46

Presídios com parcerias público-privadas são ilegais, dizem críticos  48

Ala exclusiva para travestis em presídio mineiro gera controvérsia  49

Falta transparência à administração penitenciária paulista, diz pesquisadora  51

Conferência de segurança pública em Vitória (ES) 52

Presos de Niquelândia recebem material para artesanato  53

Alternativa para humanização do sistema prisional 53

Encontro no TJMS discute questão carcerária  57

Estados investem em presídios com parceria privada; modelo desperta polêmica  59

Segurança: inovação, ousadia e parceria  61

Maioridade penal aos 18 deve continuar 62

Presídios com parcerias público-privadas são ilegais, dizem críticos  64

Ala exclusiva para travestis em presídio mineiro gera controvérsia  66

OAB entra com ação contra escuta de advogado no presídio  67

Relatos do cotidiano de reeducandos são transformados em livro  69

Mutirão carcerário do Ceará começa nesta segunda-feira  69

Delegado explica por que presos precisam de dignidade  70

Documentário retrata princípio da bagatela e prisões  72

Uniformes darão tratamento mais humanizado às reeducandas  73

Presas de Caldas Novas fazem curso de manicure  74

Seminário discute defensoria pública e acesso à Justiça  75

Paraíba discute propostas para Conferência Nacional de Segurança Pública  76

Novos servidores de penitenciárias federais participam de capacitação  78

Entrevista com coordenador da PCr, em Fortaleza  79

TJPE vai realizar mutirão carcerário a partir de agosto  81

Ministro Gilmar Mendes encerra Programa Integrar no MA e pede engajamento de tribunais  83

Assessor do CNJ se reúne com desembagadores no TJ Ricardo Mota  84

Melhorias da estrutura física de Fórum beneficiará sociedade  85

 

16/07/2009

Diário do Nordeste

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=654814

 

Mutirão carcerário

 

Imprimir Enviar Aumentar Diminuir O Mutirão Carcerário é uma ótima iniciativa, que procura traçar um gráfico da aplicação da Lei de Execução Penal em todo o País, porém o acompanhamento da pena deve ser muito mais abrangente que apenas saber o tempo que realmente o condenado deve ficar preso, se já cumpriu, ou não sua pena restritiva de liberdade. O Estado deve pôr em prática uma política voltada para a ressocialização dos detentos, buscando dar efetivo cumprimento ao que determina a Lei de Execução Penal. O escopo principal de uma condenação é reabilitar, evitando que o censurado volte a delinqüir, seja pela punição imposta, ou ensinando-lhe uma profissão. Certo é que o Estado deve tentar de todas as maneiras romper o círculo vicioso em que está entregue a população carcerária. E a única maneira de enfrentar o problema é através da educação, intelectual e/ou profissionalizante, pois só assim o egresso terá condição de buscar uma colocação no mercado de trabalho. Infelizmente, essa educação tem de vir acompanhada de um projeto estatal, que de alguma maneira incentive os empregadores a absorver essa mão de obra advinda do cárcere, como, por exemplo, o Projeto de Lei 7530/06, que tramita na Câmara e propõe a criação do Programa Nacional de Incentivo ao Emprego de Egressos do Sistema Penitenciário (Proesp). As nossas instituições carcerárias não estão, nem de longe, cumprindo o ônus que lhes é destinado, as penitenciárias são como jaulas, que mantêm as “feras” longe da sociedade, ao mesmo tempo em que aguçam o lado violento do preso, impondo-lhes a marginalidade como única forma de vida, impossibilitando assim qualquer tipo de reintegração ao mercado de trabalho e à sociedade.

 

Outro ponto importante a ser discutido é a triagem e o isolamento dos presos. Dentro das cadeias ficam todos juntos, transformando essas instituições em verdadeiras faculdades do crime, ao passo que deve haver uma separação por periculosidade, tempo de pena, e até por grau de instrução, pois dessa forma se tornaria mais fácil aplicar a cada grupo um tipo de educação e reabilitação diferenciado.

 

RODRIGO CHAVES FERREIRA GOMES

Advogado

 

 

 

 

16/07/2009

MPF/Procuradoria Geral da República

http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/clipping/julho-2009/o-no-dos-presidios

O nó dos presídios

 

O rechaço, em diferentes frentes, à anunciada intenção do Ministério Público Federal (MPF) de uma intervenção em presídios gaúchos é compreensível, pois implicaria uma interferência da União num assunto que o próprio Estado deveria se encarregar de resolver. O problema, porém, é que parece faltar vontade política para desatar o nó nesta área, a ponto de as tentativas de enfrentamento dos desafios se restringirem a intenções que não se concretizam na prática, como se o esforço fosse o de empurrar continuamente a tentativa de solução mais para a frente.

 

Um exemplo claro das dificuldades de enfrentamento do caos do sistema penitenciário é a decisão do Ministério Público Estadual, diante da ameaça de ingerência federal, de criar um grupo para estudar saídas. A intenção seria oportuna se o Estado não estivesse enfrentando hoje um desafio urgente, que põe em risco tanto a situação dos presos quanto da sociedade. Além disso, também o presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado, Arminio da Rosa, propõe a criação de uma comissão tripartite composta por Executivo, Judiciário e Ministério Público para definir uma providência imediata para a questão. E, desde o ano passado, uma força-tarefa se dispõe a apontar saídas, mas não as encontra.

 

A questão central é que as alternativas, em relação às quais há mais pontos de consenso entre todas as áreas envolvidas, costumam esbarrar em interesses contrários de toda ordem. De maneira geral, as comunidades rejeitam a possibilidade de serem escolhidas para abrigar uma penitenciária, e uma possibilidade como a de parcerias público-privadas, aventada agora, custa a vencer as resistências iniciais.

 

O Estado precisa recorrer a ações efetivas e imediatas nessa área, deixando de lado as sucessivas postergações. O pressuposto para isso é a existência de vontade suficiente para fazer com que os condenados por diferentes crimes tenham um lugar para cumprir suas penas e em condições dignas.

 

 

 

 

16/07/2009 - 00h48

Folha On Line

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u595695.shtml

Senado obriga ensino na cadeia e criminaliza celular em prisões da Agência Senado

 

O Senado aprovou nesta quarta-feira dois projetos que atingem o sistema prisional. O primeiro deles torna crime a entrada de aparelhos celulares em penitenciárias. O outro projeto torna obrigatória a oferta de cursos profissionalizantes e destinados à formação no ensino fundamental e no ensino médio a presos.

 

O relator do projeto, Romeu Tuma (PTB-SP), afirma que o projeto atingirá principalmente as visitas e os agentes penitenciários. Para o senador, a criminalização do envio de celulares a detentos complementa o projeto anterior, que inclui entre as faltas disciplinares dos presos a posse, a utilização ou o fornecimento de aparelho telefônico nas prisões.

 

A proposta prevê pena de detenção de três meses a um ano a quem "ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de aparelho telefônico de comunicação móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em estabelecimento prisional".

 

Na área de educação, os presídios serão obrigados a exigir cursos nas modalidades de educação de jovens e adultos ou de educação à distância, a fim de conceder formação de educação básica ou profissionalizante para os presos.

 

O projeto, de autoria do deputado Paulo Rocha (PT-PA) e sob relatoria de Tuma, determina que esses cursos e programas deverão ser integrados ao sistema federal ou estadual de ensino, com objetivo de conduzir à qualificação para o trabalho ou a alguma habilitação técnica, em consonância com as normas da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

 

Em seu relatório, Tuma afirma que o projeto contribuirá para o aperfeiçoamento da Lei de Execuções Penal, por definir de forma inequívoca a obrigação do Estado e os direitos e deveres dos presos, relacionados à assistência educacional a ser prestada nos estabelecimentos penais.

 

 

 

 

16/07/2009

Ministério da justiça

http://www.conseg.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1383:olinda-realiza-1o-conferencia-livre-de-seguranca-publica&catid=49:noticias-gerais&Itemid=226

 

Olinda realiza 1ª Conferência Livre de Segurança Pública

 

Nos dias 16, 17 e 18 de julho a Prefeitura de Olinda, por intermédio da Secretaria de Desenvolvimento Social, Cidadania e Direitos Humanos, realizará a 1ª Conferência Livre de Segurança Pública do município, no auditório da Academia Santa Gertrudes, preparatória à 1ª conferência nacional do setor, que acontece em Brasília/DF em agosto próximo.

 

Com essa iniciativa, o governo de Olinda pretende estimular a discussão de ações de segurança pública no município, bem como contribuir para a elaboração, definição e implementação de políticas de segurança no âmbito local em interface com os governos estadual e federal.

 

Durante três dias, cerca de 150 participantes entre representantes da sociedade civil, gestores públicos e profissionais da área de segurança apresentarão suas sugestões para melhorar a segurança pública do município, que deverão integrar a proposta a ser construída durante a conferência nacional, em Brasília.

 

Os trabalhos em grupo serão desenvolvidos em torno de quatro eixos temáticos: gestão democrática, valorização profissional, melhor condição de trabalho, prevenção social do crime e das violências, visando à construção de uma cultura da paz.

 

A Conferência Livre de Segurança Pública de Olinda tem como parceiros o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). As conferências livres são instrumentos considerados preparatórios à conferência nacional, os quais estimulam a construção de espaços de discussão e debate onde diversos setores da sociedade brasileira podem expressar tratar e aprofundar as propostas contribuindo para a formulação das diretrizes de uma nova Política Nacional de Segurança Pública.

 

 

 

 

16/07/2009

Ministério da Justiça

http://www.conseg.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1382:alagoas-debate-novo-modelo-de-seguranca-publica-para-o-pais&catid=49:noticias-gerais&Itemid=226

 

Alagoas debate novo modelo de segurança pública para o país

 

Com o sentimento de que é preciso mudar os rumos da segurança pública no Brasil, começou nesta quarta-feira (15) a etapa alagoana da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), que reúne cerca de 400 gestores e agentes de segurança pública e representantes da sociedade civil no Centro de Convenções de Maceió (AL).

 

Durante a abertura do evento, o vice-governador de Alagoas, José Wanderley Neto, afirmou que é preciso unir esforços de toda sociedade para enfrentar os problemas de violência no país. Wanderley lembrou que atualmente "estamos tentando resolver problemas atuais com técnicas de décadas atrás" e que é preciso ter coragem para fazer as mudanças necessárias.

 

Para o assessor da Secretaria Nacional de Segurança Pública, coronel Edson Costa Araújo, a Conseg não vai discutir questões policiais, mas sim questões sociais. Araújo ressaltou a participação de todos os meios nos debates do encontro que, pela primeira vez, não é realizado de forma unilateral, mas sim com a participação de toda a sociedade.

 

O advogado Everaldo Bezerra, representante da sociedade civil, avaliou que é preciso encontrar um caminho novo para a segurança pública que tenha como objetivo construir uma política de Estado. "O desafio de construir esse caminho nos impõe, primeiro, a humildade de reconhecer que esse modelo já deu o que tinha que dar", disse.

 

Os debates sobre segurança pública se estendem até esta sexta-feira (17) em Maceió, quando serão eleitos 30 representantes da sociedade civil e 37 dos trabalhadores da área para representar o estado na Conferência Nacional, em Brasília.

 

 

 

 

16/07/2009

O Documento / MT

http://www.odocumento.com.br/noticia.php?id=303418

 

Sejusp realiza debate sobre metodologia de assistência a reeducandos

 

Novos rumos na abordagem e a metodologia assistencial aos condenados das unidades prisionais de Mato Grosso é um dos temas debatidos durante do 2º Seminário sobre a Metodologia da Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (APAC) nesta quinta-feira (16.07), no auditório da Procuradoria Geral de Justiça, em Cuiabá.

 

Realizado pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública, em parceria com a APAC/MT, Ministério Público, Assembleia Legislativa e CGJ, o evento reúne autoridades, diretores de penitenciárias e agentes prisionais para conhecer e implementar a metodologia de atendimento da associação aos reeducandos do estado.

 

Para a presidente da Apac em Mato Grosso, Sandra Carolino Severo, a tônica do evento é a promoção e conscientização das atividades realizadas pela associação de apoio ao condenado, investindo em projetos de ressocialização já desenvolvidos nas unidades mato-grossenses. "Estamos mostrando aos agentes sociais que trabalham direta ou indiretamente nestes espaços um pouco do que já é realizado dentro das unidades e são exemplos em estados como Minas Gerais, além do apontamento de novas diretrizes para a reinserção social do reeducando".

 

Como convidados para compartilhar experiências, o seminário contou com a presença do juiz de Direito e coordenador do projeto Novos Rumos, Paulo Antonio de Carvalho e o presidente da APAC em Itaúna/MG e diretor executivo da Federação Brasileira de Assistência ao Condenado (Febrac), Valdecir Antonio Ferreira. Segundo Valdecir, a participação de todos os agentes sociais é importante. "Dada sua magnitude, Mato Grosso não pode ficar de fora da tomada de consciência para a reinserção. Deve-se ter sensibilidade para construirmos uma realidade melhor para o sistema carcerário nacional", comentou.

 

O secretário de Justiça e Segurança Pública, Diógenes Curado Filho, reafirmou na mesa de abertura do evento o compromisso do Estado com a melhoria no sistema prisional. O Governo não mede esforços para a adequação e ampliação de vagas em Mato Grosso. Mas não podemos deixar de lado a importância das atividades de reinserção do reeducando, que é o objeto primordial para o retorno com dignidade ao condenado", concluiu.

 

 

 

 

 

16/07/2009

MPF/ Procuradoria Geral da República

http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/clipping/julho-2009/318-presos-deixam-a-prisao/

 

318 presos deixam a prisão

 

O Tribunal de Justiça concedeu alvará de soltura para 318 presos de 13 unidades prisionais de Mato Grosso, por considerar que eles tinham condições de serem beneficiados com relaxamento de prisão, progressão de regime e livramento condicional. Os números fazem parte do relatório entregue ontem ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a partir da realização de mutirões por uma equipe de juízes, que tinham como objetivo reduzir a superlotação nos presídios e agilizar o andamento processual. Grande parte dos presos foi beneficiada com prisão domiciliar, uma vez que não há unidade prisional adequada para o cumprimento do restante da pena em regime semiaberto e a Casa do Albergado funciona como aberto, já que eles saem do local para trabalhar durante o dia.

 

Em Cuiabá, conquistaram alvará de soltura 145 pessoas, sendo 100 da Penitenciária Central do Estado (antigo Pascoal Ramos), 10 de Centro de Ressocialização de Cuiabá (antigo Carumbé) e 35 da Penitenciária Ana Maria do Couto May. No total, nestas unidades, nos meses de abril e julho a equipe ouviu 2851 detentos, sendo que alguns processos ainda estão sendo analisados. O número ficou abaixo das estimativas. No CRC, por exemplo, a previsão era de que 20% da população carcerária deixasse a prisão. Conforme a Corregedoria do TJ, ainda há processos sendo analisados.

 

Em Rondonópolis, deixaram a Cadeia Pública e a Penitenciária Major Eldo Sá Corrêa (Mata Grande) 114 pessoas, de 167 processos analisados. Em Água Boa foram expedidos 26 alvarás para presos da cadeia pública e da Penitenciária Major PM Zuzi Alves da Silva.

 

Em Sinop, foram para a casa 27 presos da cadeia pública e da Penitenciária Dr. Osvaldo Leite (Ferrugem) e, em Santo Antônio do Leverger deixaram o Presídio Militar 6 presos.

 

Já em Várzea Grande, onde as condições da cadeia pública do Capão Grande foram duramente criticadas pelos juízes, até hoje ninguém foi solto, mas os processos ainda estão sob análises. Lá, a equipe encontrou ratos mortos, entre outras irregularidades. Da Colônia Agrícola das Palmeiras, também em Santo Antônio, ninguém saiu.

 

Nas visitas, os juízes garantem que foram analisados tanto o cálculo da pena quanto o bom comportamento dos presos e avaliam que a saída não representa risco à sociedade.

 

Recursos - O Núcleo de Execuções Penais do Ministério Público, na Capital, questionou os critérios para a soltura de 40 presos, apontando que as decisões foram expedidas sem manifestação dos promotores e não seguia os critérios estabelecidos pela Lei de Execuções Penais.

 

 

 

 

16/07/2009

Folha de São Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u595695.shtml

 

Senado obriga ensino na cadeia e criminaliza celular em prisões

da Agência Senado

O Senado aprovou nesta quarta-feira dois projetos que atingem o sistema prisional. O primeiro deles torna crime a entrada de aparelhos celulares em penitenciárias. O outro projeto torna obrigatória a oferta de cursos profissionalizantes e destinados à formação no ensino fundamental e no ensino médio a presos.

O relator do projeto, Romeu Tuma (PTB-SP), afirma que o projeto atingirá principalmente as visitas e os agentes penitenciários. Para o senador, a criminalização do envio de celulares a detentos complementa o projeto anterior, que inclui entre as faltas disciplinares dos presos a posse, a utilização ou o fornecimento de aparelho telefônico nas prisões.

A proposta prevê pena de detenção de três meses a um ano a quem "ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de aparelho telefônico de comunicação móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em estabelecimento prisional".

Na área de educação, os presídios serão obrigados a exigir cursos nas modalidades de educação de jovens e adultos ou de educação à distância, a fim de conceder formação de educação básica ou profissionalizante para os presos.

O projeto, de autoria do deputado Paulo Rocha (PT-PA) e sob relatoria de Tuma, determina que esses cursos e programas deverão ser integrados ao sistema federal ou estadual de ensino, com objetivo de conduzir à qualificação para o trabalho ou a alguma habilitação técnica, em consonância com as normas da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

Em seu relatório, Tuma afirma que o projeto contribuirá para o aperfeiçoamento da Lei de Execuções Penal, por definir de forma inequívoca a obrigação do Estado e os direitos e deveres dos presos, relacionados à assistência educacional a ser prestada nos estabelecimentos penais.

 

 

 

 

16/07/2009

SEJUSP

http://www.odocumento.com.br/noticia.php?id=303418

Sejusp realiza debate sobre metodologia de assistência a reeducandos

Novos rumos na abordagem e a metodologia assistencial aos condenados das unidades prisionais de Mato Grosso é um dos temas debatidos durante do 2º Seminário sobre a Metodologia da Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (APAC) nesta quinta-feira (16.07), no auditório da Procuradoria Geral de Justiça, em Cuiabá.

Realizado pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública, em parceria com a APAC/MT, Ministério Público, Assembleia Legislativa e CGJ, o evento reúne autoridades, diretores de penitenciárias e agentes prisionais para conhecer e implementar a metodologia de atendimento da associação aos reeducandos do estado.

Para a presidente da Apac em Mato Grosso, Sandra Carolino Severo, a tônica do evento é a promoção e conscientização das atividades realizadas pela associação de apoio ao condenado, investindo em projetos de ressocialização já desenvolvidos nas unidades mato-grossenses. "Estamos mostrando aos agentes sociais que trabalham direta ou indiretamente nestes espaços um pouco do que já é realizado dentro das unidades e são exemplos em estados como Minas Gerais, além do apontamento de novas diretrizes para a reinserção social do reeducando".

Como convidados para compartilhar experiências, o seminário contou com a presença do juiz de Direito e coordenador do projeto Novos Rumos, Paulo Antonio de Carvalho e o presidente da APAC em Itaúna/MG e diretor executivo da Federação Brasileira de Assistência ao Condenado (Febrac), Valdecir Antonio Ferreira. Segundo Valdecir, a participação de todos os agentes sociais é importante. "Dada sua magnitude, Mato Grosso não pode ficar de fora da tomada de consciência para a reinserção. Deve-se ter sensibilidade para construirmos uma realidade melhor para o sistema carcerário nacional", comentou.

O secretário de Justiça e Segurança Pública, Diógenes Curado Filho, reafirmou na mesa de abertura do evento o compromisso do Estado com a melhoria no sistema prisional. O Governo não mede esforços para a adequação e ampliação de vagas em Mato Grosso. Mas não podemos deixar de lado a importância das atividades de reinserção do reeducando, que é o objeto primordial para o retorno com dignidade ao condenado", concluiu.

 

 

 

 

16/07/2009

Primeira Edição / AL

http://www.primeiraedicao.com.br/?pag=alagoas&cod=9435

 

Vara de Execuções Penais reavalia situação de detentos

 

A equipe da 16ª Vara Criminal da Capital – Execuções Penais, sob a coordenação do juiz Ricardo Jorge Cavalcante Lima, realizam desde o início desta semana a revisão de todos os processos de detentos condenados pela Justiça de Alagoas. A iniciativa possibilitará a progressão de regime para dezenas de reeducandos. “Nossa previsão é de que até o fim de semana, cerca de 70 pessoas tenham conquistado o direito a progressão de pena em consequência da revisão processual”, estimou o magistrado.

De acordo com o juiz da Vara de Execuções Penais, antes de conquistar o direito a progressão de regime, os detentos são submetidos a um exame criminológico, análise feita por uma equipe multiprofissional, formada por psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais. “Esta avaliação leva em consideração a vida carcerária de cada detento”, explicou o juiz. A partir da conclusão do exame, a equipe emite um parecer conjunto atestando se o reeducando está apto a retomar o convívio em sociedade. Os detentos também assinam um termo de compromisso com a Justiça, concordando em cumprir regras de conduta previstas na LEP – Lei de Execuções Penais.

A revisão processual é uma iniciativa do próprio juiz da Vara de Execuções Penais. Participam dos trabalhos 10 servidores. Segundo o magistrado, até agora a análise já foi aplicada em mais de 200 processos, beneficiando 40 pessoas. A meta até o fim da revisão é atingir os 465 processos sob a competência da 16ª Vara Criminal da Capital.

 

“Essa iniciativa possibilitará a revisão de decisões e a correção de distorções, pois temos casos de presos cumprindo pena no regime fechado que já deveriam ter progredido para o semi-aberto”, exemplificou o juiz das Execuções Penais.

A negação ao direito de progressão de regime poderá ocorrer nos casos em que a equipe de revisão detectar o envolvimento de detentos com faltas graves, como fugas e outras situações que sinalizem o descumprimento das regras de boa conduta carcerária. Ainda segundo o magistrado, todos os detentos que conquistarem o direito a progredir de regime serão monitorados por uma equipe de fiscais integrada por servidores da 16ª e 11ª Varas Criminais da Capital.

 

 

 

 

16/06/2009

JusBrasil

http://www.jusbrasil.com.br/noticias/1540867/tj-mt-atuacao-de-magistrados-em-comarcas-e-elogiada-por-juiz-do-cnj

 

TJ-MT: Atuação de magistrados em comarcas é elogiada por juiz do CNJ

 

O trabalho desenvolvido pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Grupo Itinerante de Apoio aos juízes das Varas de Execução Penal, formado pela Corregedoria-Geral da Justiça, para verificação da situação carcerária de cada reeducando e a melhoria do sistema prisional, foi elogiado pelo juiz auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça, Erivaldo Ribeiro dos Santos, e deverá ser incluído como um exemplo de iniciativa de boas práticas aos demais Estados. O magistrado destacou que Mato Grosso está seguindo as determinações do CNJ, com resultados positivos para a melhoria do sistema prisional. O resultado parcial conquistado com o mutirão já realizado foi apresentado ao juiz auxiliar da presidência do CNJ pela direção do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, presidente desembargador Mariano Alonso Ribeiro Travassos, vice-presidente desembargador Paulo da Cunha e corregedor-geral da Justiça Manoel Ornellas de Almeida, nesta manhã (15/7). A reunião também contou com a participação do secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Diógenes Curado; representantes do Ministério Público, Defensoria Pública e da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso; juízes auxiliares da presidência; e juízes responsáveis pelas varas de execução penal. Dentre as iniciativas já colocadas em prática no Estado, o juiz auxiliar do CNJ destacou o fato de três magistrados, pertencentes ao grupo itinerante, terem ido pessoalmente entrevistar reeducandos in loco, na busca por conhecer a situação processual, revendo todas as prisões, sejam provisórias ou definitivas. Além disso, acrescentou que o trabalho também possibilita o contato com a realidade das unidades prisionais. Outro ponto positivo elencado foi com relação à preocupação da Justiça Mato-grossense de que todas as instituições públicas e entidades de classes façam parte do processo. De acordo com o magistrado, Mato Grosso cumpre uma das prioridades determinada pela gestão do CNJ que é fazer uma radiografia de todo o sistema carcerário. "O trabalho realizado aqui é perfeitamente identificado ao trabalho do CNJ, de olharmos e verificarmos o que estamos fazendo e como estamos agindo no sistema carcerário e juntos pensarmos soluções", concluiu Erivaldo dos Santos. Para o secretário Diógenes Curado a ação desenvolvida pelo Judiciário e as falhas encontradas no sistema, com a ação da Corregedoria, "contribuirão para a melhoria do sistema prisional do Estado". Para ele o importante é a manutenção do diálogo entre as instituições, como está ocorrendo nesse momento. Já para o ouvidor-geral da Defensoria Pública, defensor Cid de Campos Borges Filho, que representou o defensor-geral Djalma Sabo Mendes, "a ação conjunta entre os poderes propiciará uma melhor assistência aos reeducandos". Resultados - Após a apresentação dos problemas detectados nas visitas as unidades prisionais de seis municípios do Estado, os participantes da reunião sugeriram algumas soluções a serem adotadas que foram endossadas pelo representante do CNJ. Entre elas estão: a remoção de presos de outros Estados para o seu local de origem; criação de um grupo de monitoramento permanente do sistema prisional; e eliminação das transferências de presos entre unidades prisionais sem o consentimento de magistrados.

 

 

 

 

16/07/2009

JusBrasil

http://www.jusbrasil.com.br/noticias/1540390/tj-define-acoes-do-mutirao-carcerario-em-ms

 

TJ define ações do mutirão carcerário em MS

 

Está previsto para o dia 3 de agosto o início dos trabalhos em regime de mutirão em Mato Grosso do Sul para proporcionar melhorias no sistema carcerário estadual. Os trabalhos devem durar cerca de três meses. O Tribunal de Justiça recebeu no dia 13 de julho a visita do juiz auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Dr. Erivaldo Ribeiro dos Santos, o qual coordena o Grupo de Monitoramento, Acompanhamento e Aperfeiçoamento do Sistema Carcerário do CNJ.

O membro do CNJ se reuniu com magistrados do judiciário sul-mato-grossense e representantes da Defensoria Pública, Ministério Público, Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, OAB, dentre outros. Na ocasião, foi explana a questão do sistema carcerário no país e quais as medidas podem ser adotadas no Estado para melhorar a problemática, sobretudo, quanto à superlotação dos presídios.

 

Após o encontro, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul estabeleceu as ações que serão desenvolvidas em regime de mutirão nas Comarcas de Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Corumbá, Ponta Porã, Naviraí e Paranaíba, onde, segundo o juiz auxiliar da Corregedoria-Geral de Justiça, Dr. Fábio Possik Salamene, está concentrada cerca de 80% da população carcerária.

 

Embora o foco dos trabalhos esteja nestas cidades, a intenção da Corregedoria é solicitar às demais comarcas do interior que desenvolvam ações no mesmo sentido, até mesmo porque o TJMS verificará todos os processos que tramitam nas varas de execução penal de Mato Grosso do Sul, a fim de checar a situação em que se encontram, no intuito de identificar quem já poderia estar em liberdade e desta maneira contribuir para o desafogamento dos presídios.

 

Segundo Dr. Salamene, em torno de cinco a oito juízes do Estado serão destinados a operar o mutirão, os quais terão total liberdade para decidir e rever todos os processos das varas de execuções penais, além de realizar a constatação física daquelas pessoas que estão detidas em presídios e delegacias. Outro ponto a ser atentado é o das prisões provisórias, sobre as quais também será feita uma análise.

 

Conforme Dr. Erivaldo dos Santos, desde agosto do ano passado, o Conselho Nacional de Justiça está promovendo diversos mutirões carcerários pelos estados, e, de modo geral, os presídios estão superlotados em todo país, com raríssimas exceções nas quais a lotação está compatível com a capacidade. Conforme esclarece o juiz Fábio Salamene, o trabalho desenvolvido pelo CNJ é de sugerir a implantação da medida aos tribunais e cabe a cada tribunal a execução das ações em prol da diminuição dos problemas envolvendo o sistema penitenciário.

 

Conforme o Secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Francisco Brasil Jacini, em Mato Grosso do Sul são mais de 10 mil presos distribuídos em 42 penitenciárias sob a administração da AGEPEN, além de cerca de 2 mil presos em delegacias. Para o Secretário, a visita do CNJ ao Estado é de grande importância para diagnosticar o quadro em MS e propor junto à União melhorias para o sistema penitenciário, por meio do reexame de cada uma das prisões para verificar o que pode ser feito em relação aos benefícios pela lei de execução penal.

 

O juiz auxiliar da Corregedoria-Geral de Justiça explicou que os magistrados tem sido rotineiramente orientados a preocuparem-se com possíveis excessos impingidos aos condenados e muitos deles já vinham espontaneamente empenhando-se no sentido de preservar os direitos e garantias dos presos. "Com isso nossa quantidade de presos provisórios é inferior a de outros Estados, segundo dados estatísticos fornecidos pelo Dr. Erivaldo".

 

Dr. Salamene esclareceu ainda que: "fizemos questão de revelar as peculiaridades da situação prisional em nosso Estado. Destacamos que em Mato Grosso do Sul há expressivo número de condenados oriundos de outras unidades da Federação e a necessidade do recambiá-los, que a gravidade dos delitos dificulta a concessão de benefícios e que não é solução adequada a indiscriminada construção de presídios em MS para receber presos de outras unidades da federação em face da repercussão social negativa e do prejuízo para ressocialização daquele que se vê privado da convivência social e familiar".

 

Conforme Wantuir Jacini, existem em Mato Grosso do Sul 370 presos de outros estados prontos para o recambiamento, ou seja, para que sejam transferidos à unidade da federação em que a ordem de prisão foi expedida. Na opinião do juiz auxiliar do CNJ, Dr. Erivaldo, o Estado destinatário deveria tomar as providências para que seja feita a transferência, até mesmo porque é um direito do preso ser recambiado.

 

O mutirão carcerário em Mato Grosso do Sul será coordenado pelos juízes auxiliares da Presidência e da Corregedoria do TJMS e contará com a participação de outros órgãos, como a Secretaria de Justiça e Segurança Pública, a Defensoria Pública, o Ministério Público e a OAB/MS. Segundo o CNJ, desde o inícios dos mutirões em diferentes estados do país, foram libertados mais de 3.000 presos. Os Estados que já foram ou estão sendo atendidos pelo projeto são: Espírito Santo, Rio de Janeiro, Maranhão, Piauí, Pará, Amazonas, Alagoas, Tocantins, Bahia e Paraíba. No próximo mês, o mutirão será levado a Pernambuco.

 

Autor: Departamento de Jornalismo / TJMS

 

 

 

 

 

16/07/2009

Agência Alagoas

http://www.agenciaalagoas.al.gov.br/noticia.kmf?cod=8685352

 

Conseg debate propostas para a segurança pública

 

Segundo dia da etapa estadual da conferência discute propostas de desmilitarização das PMs e implantação de piso nacional para policiais

 

Mosael Henrique

A desmilitarização das polícias militares e a implantação de um piso nacional para os agentes de segurança de todo o País foram as principais propostas discutidas no segundo dia da etapa estadual da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), realizada em Maceió no Centro Cultural e de Exposições. O evento reúne cerca de 400 participantes, entre gestores, profissionais de segurança e representantes da sociedade civil.

 

Para o secretário da Defesa Social, Paulo Rubim — que participou nesta quinta-feira de uma das reuniões temáticas —, a desmilitarização da PM seria uma forma de melhorar a estrutura e o trabalho da corporação. O secretário defendeu que os militares também passassem a fazer inquéritos, a fim de agilizar a investigação policial.

 

Na ocasião, Rubim voltou a defender o Projeto de Polícia Comunitária, que será implantado inicialmente na capital nos bairros do Benedito Bentes, Jacintinho, Vergel e Clima Bom. Segundo o secretário, a iniciativa visa aproximar a polícia da comunidade, a partir de um novo modelo de policiamento preventivo.

 

“Temos que adotar uma nova visão de polícia, porque no modelo atual os policiais não têm nenhuma interação com a população, porque eles ficam todo o plantão dentro da viatura, só saindo do carro para reagir à violência”, disse. O secretário garantiu que o Polícia Comunitária irá funcionar em conjunto com os projetos do Território de Paz.

 

Para o advogado Everaldo Patriota, representante do Fórum Permanente contra a Violência, a desmilitarização implicaria que as polícias militares deixariam de ser uma força auxiliar das Forças Armadas para ser uma força pública, mantendo a hierarquia. Na opinião do oficial PM da reserva, Paulo Nunes, com a desmilitarização, “a corporação se transformaria numa polícia mais cidadã, deixando de ser apenas uma polícia de governo”, disse.

 

Propostas - Além da implantação do piso nacional para os profissionais de segurança pública e de um plano de carreira unificado para todas as categorias, gestores, agentes de segurança pública e representantes da sociedade civil discutiram e aprovaram diversas propostas para serem levadas à conferência nacional.

 

A participação popular no planejamento, execução e fiscalização de políticas públicas de segurança foi defendida pelo servidor público e líder comunitário do bairro do Clima Bom, Jenival Primo. “O projeto de Polícia Comunitária deve ser adotado como novo modelo de segurança para reduzir os índices de criminalidade e como política voltada à cidadania”, comentou.

 

Para o prefeito comunitário do Benedito Bentes, Silvanio Barbosa, é preciso criar programas educativos, profissionalizantes e de assistência social permanentes destinados aos adolescentes das periferias, visando resgatá-los do mundo do crime. Segundo ele, pesquisa feita pela “prefeitura” apontou que 80% dos crimes registrados na região, como roubos e assaltos, são praticados por adolescentes.

 

A etapa estadual da 1ª Conseg será encerrada nesta sexta-feira (17), com a realização da plenária final e eleição dos representantes de Alagoas na conferência nacional, que será realizada de 27 a 30 de agosto em Brasília.

 

 

 

 

 

16/07/2009 

Folha On Line

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u595695.shtml

 

Senado obriga ensino na cadeia e criminaliza celular em prisões

 

da Agência Senado

O Senado aprovou nesta quarta-feira dois projetos que atingem o sistema prisional. O primeiro deles torna crime a entrada de aparelhos celulares em penitenciárias. O outro projeto torna obrigatória a oferta de cursos profissionalizantes e destinados à formação no ensino fundamental e no ensino médio a presos.

O relator do projeto, Romeu Tuma (PTB-SP), afirma que o projeto atingirá principalmente as visitas e os agentes penitenciários. Para o senador, a criminalização do envio de celulares a detentos complementa o projeto anterior, que inclui entre as faltas disciplinares dos presos a posse, a utilização ou o fornecimento de aparelho telefônico nas prisões.

A proposta prevê pena de detenção de três meses a um ano a quem "ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de aparelho telefônico de comunicação móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em estabelecimento prisional".

Na área de educação, os presídios serão obrigados a exigir cursos nas modalidades de educação de jovens e adultos ou de educação à distância, a fim de conceder formação de educação básica ou profissionalizante para os presos.

O projeto, de autoria do deputado Paulo Rocha (PT-PA) e sob relatoria de Tuma, determina que esses cursos e programas deverão ser integrados ao sistema federal ou estadual de ensino, com objetivo de conduzir à qualificação para o trabalho ou a alguma habilitação técnica, em consonância com as normas da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

Em seu relatório, Tuma afirma que o projeto contribuirá para o aperfeiçoamento da Lei de Execuções Penal, por definir de forma inequívoca a obrigação do Estado e os direitos e deveres dos presos, relacionados à assistência educacional a ser prestada nos estabelecimentos penais.

 

 

 

 

 

15/07/2009

Susepe

http://www.agenciaprisional.go.gov.br/noticias/noticia_pub.php?publicacao=54797

 

Campanha contra DST/AIDS entenderá mais de 3 mil presos

 

A Gerência de Saúde e Recuperação de Dependentes Químicos da Superintendência do Sistema de Execução Penal (Susepe) iniciou, nesta quarta-feira (15/07), às 09h, uma campanha de combate à disseminação e tratamento das doenças sexualmente transmissíveis e AIDS entre a população carcerária do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. O objetivo é conscientizar os presos sobre a importância da prevenção, do uso de preservativos e facilitar o tratamento dos possíveis pacientes. A campanha, que faz parte de um programa do Ministério da Saúde, é realizada em parceria com a Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Aparecida de Goiânia.

 

A primeira unidade a ser atendida é o Presídio Feminino Consuelo Nasser. Para a realização dos trabalhos, grupos de 10 presos serão atendidos por uma equipe de dois psicólogos e três assistentes sociais da Susepe, por meio de palestras informativas, exibição de vídeo, distribuição de material informativo e de preservativos, grupos de discussão, entrevistas individuais e aplicação de questionários. A coleta de sangue para a realização de exames também fazem parte da programação. Caso seja diagnosticada alguma enfermidade, eles serão tratados e acompanhados pela equipe de saúde.

 

De acordo com a assistente social da Susepe e coordenadora do programa, Érica Cristina Rufino Ferreira, a campanha também servirá de ferramenta para a elaboração de procedimentos de prevenção e controle específicos para o sistema prisional. “Já neste primeiro dia de trabalho tivemos uma adesão muito boa das presas. O interesse pela informação e pela prevenção que elas estão demonstrando reforça nossa expectativa de atingir 100% da população do complexo”, completa Érica.

 

A equipe envolvida na campanha foi treinada pelo Centro de Aconselhamento e Teste do Cais Nova Era, de Aparecida de Goiânia, referência no atendimento de DST/AIDS. A unidade também será responsável pela realização dos exames laboratoriais. A campanha deverá atender, até o fim do ano, todas as unidades do Complexo de Aparecida: Presídio Feminino, Casa de Prisão Provisória (CPP), Presídio Odenir Guimarães (POG), Semiaberto e Núcleo de Custódia.

 

 

 

 

15/07/2009

Conjur

http://www.conjur.com.br/2009-jul-15/cnj-analisou-situacao-carceraria-20-mil-presos-11-meses-soltou-18

 

CNJ libertou 3.663 pessoas presas irregularmente

 

O mutirão carcerário do Conselho Nacional de Justiça já analisou, desde agosto de 2008, a situação de 20.198 presos em 11 estados do país. Até esta terça-feira (14/7), data do balanço mais recente, 3.663 pessoas tiveram a liberdade garantida – após a contestação da prisão irregular. No total, 5.531 presos receberam benefícios a que tinham direito, mas eram ignorados pela Justiça local. Em média, de cada 100 presos analisados, 27 tinham direito a algum tipo de benefício, como redução de pena ou liberdade. Estima-se que haja 180 mil presos provisoriamente nas cadeias e presídios de todo o país.

 

No longo prazo, a tendência é a redução do número de presos. Segundo números do Sistema Integrado de Informações Penitenciárias (Infopen), apenas Piauí e Paraíba aumentaram a quantidade de presos. Somados, os estados tinham 11.174 presidiários em dezembro de 2008 e agora têm 11.460. No total, a população carcerária dos onze estados caiu nesse período de 82.819 para 72.644 – uma queda de 13% em seis meses.

 

Até o fim do ano, o número de presos beneficiados pelo mutirão do CNJ ainda deve crescer. Atualmente, estão em andamentos mutirões em seis estados: Goiás, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Alagoas, Paraíba e Bahia. Estão agendadas novas etapas do programa em Pernambuco e Mato Grosso do Sul, com início em agosto. Mato Grosso também receberá o mutirão, mas ainda não há data definida.

 

O mutirão é uma força-tarefa do CNJ com juízes e funcionários dos estados, além de defensores públicos e promotores. O objetivo é revisar a execução penal dos presos, a fim de garantir o cumprimento da Lei de Execuções Penais, assim como a dignidade dessas pessoas. Na Paraíba e Espírito Santo, o CNJ também analisou a situação de 959 adolescentes presos. Destes, 206 foram libertados. A média dos alvarás de soltura dos menores é semelhante à dos presos adultos: 21% (adolescentes) e 18% (adultos).

 

O estado com mais presos em situação irregular foi o Rio de Janeiro, com 1.275 benefícios concedidos. Proporcionalmente, o Piauí é o estado com mais pessoas presas irregularmente. Pouco mais de 20% dos 2.453 presos foram libertados pelo CNJ. Não por coincidência, Piauí e Rio de Janeiro foram os estados que mais receberam mutirões do CNJ. Com informações da Assessoria de Imprensa do Conselho Nacional de Justiça

 

 

 

 

15/07/2009

MJ

http://www.mj.gov.br/depen/data/Pages/MJFB3ADAA8ITEMIDF9E847EF59514D64BC7A56C74CA53DFBPTBRIE.htm

Depen abre concurso de remoção de agentes penitenciários

 

Brasília, 15/07/09 (MJ) – Pela primeira vez em três anos, desde a inauguração da primeira penitenciária federal, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, disponibiliza a seus servidores 300 vagas para o concurso de remoção entre as quatro unidades em funcionamento. É uma oportunidade para os agentes penitenciários voltarem aos estados de origem.

 

Serão disponibilizadas 75 vagas para Catanduvas (PR), 35 para Campo Grande (MS), 93 para Porto Velho (RO) e 67 para Mossoró (CE), além de 30 para a sede do Depen, em Brasília.

 

Para o servidor Nilson Roberto da Silva, lotado em Campo Grande, é a chance de voltar a morar próximo à família. “Estou aqui há três anos, vou me inscrever para uma vaga em Mossoró. Sou do Nordeste e quero voltar para perto de casa”. Natural de Arcoverde (PE), a 550 quilômetros de Mossoró, ele afirma que rever os amigos será uma forma de motivação. “Minhas raízes estão todas lá e aqui estou desmotivado para sair. Meu círculo de amizade é restrito”.

 

As inscrições serão aceitas até o dia 22 de julho, por meio de formulário eletrônico, com apresentação de currículo. Será analisado o tempo de exercício no cargo e, no caso de empate, será utilizada a classificação no concurso público. O resultado está previsto para até 60 dias após o fim das inscrições.

 

Novos agentes

 

Desde o dia 13, Brasília sedia o segundo curso de formação dos novos agentes penitenciários, aprovados no concurso público de fevereiro deste ano. Cerca de 350 servidores poderão assumir o cargo a partir de outubro, após o término das aulas da primeira turma, em meados de setembro. A segunda turma, com o mesmo número de alunos, concluirá o curso em dezembro.

 

Os profissionais recebem noções gerais de direitos humanos, direito penal e tratamento penitenciário. Além disso, são capacitados em técnicas operacionais como armamento, tiro, contenção de distúrbios e uso progressivo da força. O curso tem duração de sete a dez semanas e acontece na Academia Nacional de Polícia, em Brasília.

 

 

 

 

 

15/07/2009

JusBrasil

http://www.jusbrasil.com.br/noticias/1534320/cnj-fara-mutirao-carcerario-em-ms-a-partir-de-agosto

 

CNJ fará mutirão carcerário em MS a partir de agosto

 

Terá início no próximo dia 3 o mutirão carcerário no Estado do Mato Grosso do Sul (MS). Coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o mutirão vai analisar os processos de todos os presos provisórios e condenados, assim como a situação dos menores em conflito com a lei, que cumprem medidas socioeducativas ou de internação no Estado. Atualmente, a população carcerária do Mato Grosso do Sul é de aproximadamente 12.800 presos. Os trabalhos vão começar pela capital, Campo Grande, e depois seguir para o interior. O objetivo do mutirão é revisar a execução penal de todos os detentos, com vistas a garantir o cumprimento da Lei de Execuções Penais, assim como a dignidade dos presos.  

 

De acordo com coordenador nacional dos mutirões carcerários do CNJ, o juiz auxiliar da presidência Erivaldo Ribeiro, o mutirão carcerário no Mato Grosso do Sul vai até o dia 9 de novembro. O mutirão dará especial atenção aos processos de presos que estão pendentes de recambiamento, ou seja, à espera de serem tranferidos para outros Estados onde a ordem de prisão foi expedida. Segundo o juiz Erivaldo Ribeiro, existem mais de 1.000 presos que possuem execução penal em outros Estados, mas estão cumprindo pena em penitenciárias do Mato Grosso do Sul. No Estado, o juiz da Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), Wilson Dias, coordenará os trabalhos pelo CNJ.

 

A força tarefa será realizada em parceria com o Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJMS) e também contará com a participação de outros órgãos, como a Secretaria de Justiça e Segurança Pública, a Defensoria Pública, o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil, seção MS. Conforme o Secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Francisco Brasil Jacini, no MS existem atualmente mais de 10 mil presos distribuídos em 42 penitenciárias, além de cerca de 2 mil detentos em delegacias. Para o secretário, a visita do CNJ é de grande importância para diagnosticar o quadro da execução penal em MS e propor melhorias para o sistema penitenciário, que sofre com problemas de superlotação.

 

Desde agosto do ano passado, os mutirões carcerários realizados pelo CNJ em diferentes Estados do Brasil já libertaram mais de 3.000 presos. Os Estados que já foram ou estão sendo atendidos pelo projeto são: Espírito Santo, Rio de Janeiro, Maranhão, Piauí, Pará, Amazonas, Alagoas, Tocantins, Bahia e Paraíba. No próximo mês, o mutirão também será levado a Pernambuco.

 

 

 

 

15/07/2009

Agência Alagoas

http://www.agenciaalagoas.al.gov.br/noticia.kmf?cod=8680487

 

População e autoridades discutem novo modelo de segurança

 

Sociedade civil participa da construção de uma política de segurança pública voltada para a garantia dos direitos humanos e para a prevenção da violência

Mosael Henrique

A construção de uma nova política de segurança com a participação da sociedade começou a ser discutida nesta quarta-feira (15) na etapa estadual da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg). A solenidade de abertura, realizada no Centro de Cultural e de Exposições, contou com a presença do vice-governador José Wanderley Neto, do secretário de Estado da Defesa Social, Paulo Rubim, e do representante da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), coronel Edson Costa Araújo, dentre outras autoridades.

“Esse é um momento histórico para Alagoas, onde a população é chamada para compartilhar das soluções para o problema da violência; porque a violência não é só questão de polícia e de governo. Temos que buscar construir uma cultura de paz e a consolidação de um novo plano de segurança pública”, afirmou o vice-governador.

Em seu discurso, Wanderley afirmou que o governo alagoano vem dando prioridade à área de segurança pública, porque se preocupa com os altos índices de violência que assola o país e o Estado. “Estamos tentando reverter os índices não só investimentos no setor, mas também na área de infraestrutura e na geração de emprego e renda”, disse.

“Como profissional de segurança, é a primeira vez que sou chamado para discutir segurança pública; imagine o que isso representa para a sociedade civil”, disse o secretário de Defesa Social, Paulo Rubim, apresentando como proposta para ser discutida na conferência a desmilitarização da Polícia Militar.

Ao apresentar os dados estatísticos sobre homicídios referentes ao primeiro semestre deste ano, que apontam uma redução nos crimes dolosos contra a vida, em comparação com o mesmo período de 2008, Paulo Rubim ressaltou que deve ser formulada uma política de segurança pública que seja uma política de Estado, e não de governo.   

Para o coronel Edson Araújo, a política de segurança em vigor no país já está ultrapassada, devendo ser reformulada para atender ao novo momento social brasileiro. “O momento é importante para discutir a formatação de uma nova polícia, que venha acabar com a angústia do dia a dia do povo pobre que sofre com a violência”, afirmou.

“Tenho o sentimento de esperança para que possamos tirar propostas para resolver a problemática da segurança, porque nem o governo nem a polícia sozinhos conseguem acabar com a violência, que vem assolando o país e o nosso Estado”, disse o secretário executivo da Conseg, tenente-coronel Vinícius Gomes.

Representando o Fórum Permanente Contra a Violência, o advogado Everaldo Patriota pregou a união de esforços para que sejam dadas respostas concretas à sociedade. Afirmou que, além de medidas preventivas, é preciso que os governantes invistam também em ações sociais, a exemplo da geração de emprego para dar oportunidades aos excluídos e em infra-estrutura, como moradia e saneamento básico.

 

 

 

 

 

15/07/2009

JusBrasil

http://www.jusbrasil.com.br/politica/2755579/semu-e-dpe-articulam-acoes-em-beneficio-do-sistema-prisional-feminino

 

Semu e DPE articulam ações em benefício do sistema prisional feminino

 

Dando continuidade ao processo de levantamento do diagnóstico das condições atuais das mulheres apenadas no Maranhão, a secretária de Estado da Mulher, Catharina Bacelar, visitou, na terça-feira (14), o presídio feminino de Bacabeira, acompanhada da equipe técnica e do setor jurídico da Secretaria da Mulher (Semu) e do defensor público do Estado, Murilo Guazzelli.

 

A presença do defensor é fruto da articulação entre a Semu e a Defensoria Pública do Estado (DPE). Para Guazzelli, é importante esse tipo de atividade, pois por meio do atendimento individualizado é possível reconhecer as demandas e qualificar as ações jurídicas, além de restabelecer a dignidade humana.

 

A parceria jurídica firmada entre a Semu e a DPE proporcionará o acompanhamento processual das presas de Justiça e viabilizará diligências com intuito de agilizar as ações, além de mantê-las informadas sobre o andamento de seus processos.

 

Durante a visita, Catharina Bacelar comentou que considerou o delegado David Feller, um profissional comprometido, o que facilitará as ações da Secretaria da Mulher, sobretudo no que diz respeito ao princípio da dignidade da pessoa, por meio da humanização do sistema carcerário feminino.

 

Autor: Semu

 

 

 

 

15/07/2009

O Documento / MT

http://www.odocumento.com.br/noticia.php?id=303359

 

Atuação de magistrados em comarcas é elogiado por juiz do CNJ

 

De acordo com o magistrado, Mato Grosso cumpre uma das prioridades determinada pela gestão do CNJ que é fazer uma radiografia de todo o sistema carcerário

 

Da Redação

 

O trabalho desenvolvido pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Grupo Itinerante de Apoio aos juízes das Varas de Execução Penal, formado pela Corregedoria-Geral da Justiça, para verificação da situação carcerária de cada reeducando e a melhoria do sistema prisional, foi elogiado pelo juiz auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça, Erivaldo Ribeiro dos Santos, e deverá ser incluído como um exemplo de iniciativa de boas práticas aos demais Estados. O magistrado destacou que Mato Grosso está seguindo as determinações do CNJ, com resultados positivos para a melhoria do sistema prisional.

 

O resultado parcial conquistado com o mutirão já realizado foi apresentado ao juiz auxiliar da presidência do CNJ pela direção do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, presidente desembargador Mariano Alonso Ribeiro Travassos, vice-presidente desembargador Paulo da Cunha e corregedor-geral da Justiça Manoel Ornellas de Almeida, nesta manhã (15/7). A reunião também contou com a participação do secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Diógenes Curado; representantes do Ministério Público, Defensoria Pública e da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso; juízes auxiliares da presidência; e juízes responsáveis pelas varas de execução penal.

 

Dentre as iniciativas já colocadas em prática no Estado, o juiz auxiliar do CNJ destacou o fato de três magistrados, pertencentes ao grupo itinerante, terem ido pessoalmente entrevistarem reeducandos in loco, na busca por conhecer a situação processual, revendo todas as prisões, sejam provisórias ou definitivas. Além disso, acrescentou que o trabalho também possibilita o contato com a realidade das unidades prisionais. Outro ponto positivo elencado foi com relação à preocupação da Justiça Mato-grossense de que todas as instituições públicas e entidades de classes façam parte do processo.

 

De acordo com o magistrado, Mato Grosso cumpre uma das prioridades determinada pela gestão do CNJ que é fazer uma radiografia de todo o sistema carcerário. “O trabalho realizado aqui é perfeitamente identificado ao trabalho do CNJ, de olharmos e verificarmos o que estamos fazendo e como estamos agindo no sistema carcerário e juntos pensarmos soluções”, concluiu Erivaldo dos Santos.

 

Para o secretário Diógenes Curado a ação desenvolvida pelo Judiciário e as falhas encontradas no sistema, com a ação da Corregedoria, “contribuirão para a melhoria do sistema prisional do Estado”. Para ele o importante é a manutenção do diálogo entre as instituições, como está ocorrendo nesse momento. Já para o ouvidor-geral da Defensoria Pública, defensor Cid de Campos Borges Filho, que representou o defensor-geral Djalma Sabo Mendes, “a ação conjunta entre os poderes propiciará uma melhor assistência aos reeducandos”.

 

Resultados Após a apresentação dos problemas detectados nas visitas as unidades prisionais de seis municípios do Estado, os participantes da reunião sugeriram algumas soluções a serem adotadas que foram endossadas pelo representante do CNJ. Entre elas estão: a remoção de presos de outros Estados para o seu local de origem; criação de um grupo de monitoramento permanente do sistema prisional; e eliminação das transferências de presos entre unidades prisionais sem o consentimento de magistrados.

 

 

 

 

15/07/2009

CONJUR

http://www.conjur.com.br/2009-jul-15/mutirao-carcerario-comeca-agosto-mato-grosso-sul

 

Mutirão carcerário começa em agosto em MS

 

O mutirão carcerário em Mato Grosso do Sul terá início no dia 3 de agosto. Coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça, o mutirão vai analisar processos de todos os presos provisórios e condenados, além da situação dos menores que cumprem medidas socioeducativas ou estão internados no estado. O mutirão, que vai até 9 de novembro, começa por Campo Grande.

 

Atualmente, a população carcerária do estado é de quase 13 mil presos. O objetivo do mutirão é revisar a execução penal de todos os detentos, a fim de garantir o cumprimento da Lei de Execuções Penais. O mutirão dará especial atenção a processos de presos à espera de serem tranferidos para outros estados onde a ordem de prisão foi expedida.

 

De acordo com coordenador nacional dos mutirões carcerários do CNJ, o juiz auxiliar da presidência Erivaldo Ribeiro, existem mais de mil presos que possuem execução penal em outros estados, mas estão cumprindo pena em penitenciárias de Mato Grosso do Sul.

 

A força tarefa será feita em parceria com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e também contará com a participação de outros órgãos, como a Secretaria de Justiça e Segurança Pública, a Defensoria Pública, o Ministério Público e a secional da OAB no estado.

 

O secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Francisco Brasil Jacini, acredita que a visita do CNJ é importante para diagnosticar o quadro da execução penal no estado e propor melhorias para o sistema penitenciário, que sofre com problemas de superlotação.

 

De acordo com o CNJ, desde 2008, os mutirões já libertaram mais de 3 mil presos. Os Estados que já foram ou estão sendo atendidos pelo projeto são: Espírito Santo, Rio de Janeiro, Maranhão, Piauí, Pará, Amazonas, Alagoas, Tocantins, Bahia e Paraíba. No próximo mês, o mutirão também será levado a Pernambuco. Com informações da Assessoria de Imprensa do CNJ.

 

 

 

 

15/07/2009

Agência Alagoas

http://www.agenciaalagoas.al.gov.br/noticia.kmf?cod=8677725

 

Alagoas realiza etapa estadual da Conferência Nacional de Segurança Pública

 

Abertura será às 15h no Centro de Convenções, com a presença do vice-governador José Wanderley Neto. Evento definirá diretrizes e propostas para a construção da política nacional de segurança

Mosael Henrique

Alagoas realiza a partir desta quarta-feira (15) a etapa estadual da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg). A cerimônia de abertura será às 15 horas, no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, com a presença do vice-governador José Wanderley Neto, do secretário da Defesa Social, Paulo Rubim, e da coordenadora-executiva do evento, Fernanda dos Anjos — representando o Ministério da Justiça —, entre outras autoridades civis e militares. A partir das 14h, uma equipe estará no local para o credenciamento dos participantes.

Durante os três dias da conferência — que vai até a sexta-feira (17) — serão discutidas e aprovadas, com a participação da sociedade civil, propostas para o enfrentamento da violência e da criminalidade no país. As sugestões serão encaminhadas para a etapa nacional da conferência, marcada para 27 a 30 de agosto, em Brasília.   

Em Alagoas, serão discutidos temas como prevenção social do crime, repressão qualificada e valorização dos profissionais da segurança pública. Também serão eleitos 30 representantes do estado que terão direito a voz e voto na etapa nacional da 1ª Conseg.

Convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro de 2008, a 1ª Conseg reúne, pela primeira vez, representantes dos trabalhadores da área, da sociedade civil e do poder público para discutir o tema e propor soluções. O objetivo central é criar “princípios e diretrizes” de uma política nacional de segurança pública. 

Entre abril e maio, foram realizadas as conferências municipais em todas as regiões do país — Maceió organizou a sua entre os dias 22 e 24 de abril. De junho a julho, é a vez das etapas estaduais, confirmadas nos 26 estados e no Distrito Federal. Além disso, existem formas alternativas de participação, como as conferências livres e a virtual, que promove discussões por meio do site www.conseg.gov.br.

O que é a Conseg — A 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública tem como objetivo geral definir princípios e diretrizes orientadores da política nacional de segurança pública. Pela primeira vez na história do Brasil, isso será definido em conjunto pela sociedade civil, pelos trabalhadores da área e pelo poder público. Como toda Conferência Nacional, foi convocada por decreto presidencial.

Como funciona — A 1ª Conseg é um processo que inclui etapas preparatórias — encaminham propostas para a etapa nacional ou incentivam o debate sobre o tema — e eletivas — além de enviar propostas, elegem representantes com direito a voz e voto na Conferência Nacional. Todas as contribuições reunidas ao longo desse processo serão sistematizadas e transformadas em um relatório, que será votado na etapa nacional, marcada para 27 a 30 de agosto, em Brasília.

A Conferência Nacional é o ponto culminante de todos os debates realizados desde dezembro de 2008. Mais de 2 mil pessoas participarão da etapa nacional, que ocorre em agosto, em Brasília. A composição das etapas eletivas é a mesma em todos os níveis (municipal, estadual e nacional): 40% dos participantes são da sociedade civil, 30% são trabalhadores da segurança pública e 30% representantes do poder público.

 

Qual será o resultado? — Os “princípios e diretrizes” aprovados na 1ª Conseg, por todos os segmentos da sociedade, vão nortear a criação de políticas públicas na área de segurança em todas as esferas — federal, estadual e municipal. O objetivo é que se construa, a partir do que for definido na Conferência, uma política de Estado, e não mais de governo. Ações que sejam planejadas a longo prazo e construídas com a participação da sociedade civil e dos trabalhadores da área.

 

 

 

 

14/07/2009

Susepe

http://www.agenciaprisional.go.gov.br/noticias/noticia_pub.php?publicacao=54755

 

Presos de Acreúna fazem artesanato com biscuit

 

Os presos do regime fechado do Centro de Inserção Social (CIS) de Acreúna iniciaram, nesta segunda-feira (13/07), a produção de peças em biscuit, em uma sala específica para este fim, na própria unidade prisional. A aprendizagem é ministrada por uma professora voluntária, de segunda-feira a sexta-feira, das 13h às 17h, a seis detentos do CIS.

 

De acordo com o diretor da unidade, Vildebal Alves dos Reis Júnior, a escolha pelo artesanato foi realizada em função da fácil execução e manutenção da atividade. “Artesanato é uma profissão e, futuramente, ajudará os presos no sustento de suas famílias”, completa o diretor.

 

As peças produzidas serão expostas e vendidas em uma feira na cidade. Pelo trabalho, os presos recebem a remissão da pena (um dia a menos na pena para cada três dias trabalhados). O dinheiro arrecadado com a venda do artesanato será revertido para as famílias dos detentos e para a manutenção da atividade.

 

 

 

 

14/07/2009

Jornal Recomeço

http://jornalrecomeco.blogspot.com/2009/07/voz-dos-presos.html

 

Apartheid humano invisível

 

Meu soberaníssimo Deus, Todo Poderoso, isso é um inferno que não desejo para ninguém, pior que a primeira ou a segunda guerra mundial. Muito além das cortinas silenciosas, alguém que não tem socorro, não é rico, branco, olhos verdes, cabelos louros, e sim um afro descendente brasileiro.

 

Quase perco a vontade de acreditar que poder é querer, e vencer é conquistar aquilo que achamos impossível. Ainda luto pelo meu patriotismo.

 

Estamos ou eu me encontro no meio de uma guerra civil que ninguém quer sentir ao vivo e a cores. É um verdadeiro direito de não existir direito. Tento não ver ou finjo que o Brasil é um país de todos. A nossa gente não parece ser nunca minha gente. As famílias, cidades, estados, políticas, miscigenação, igrejas, coletivismos, reliogismos, instituições sociais não estão adiantando tanta coisa assim.

 

Nessa geossocio geneoliticografia incluo minha arqueobiogeneonomico, afro asiático, e ainda sou não sei quem?

 

Negro, órfão, pobre, autista, interiorano, discriminado, marginalizado, indivíduo excepcional, especifico, vitimado em segregação. Porém, simpatizante superador nato num sistema de ninguém que vão dando 10 passos à frente e 1000 passos para trás.. Então, o que faz a cidade, estado e país para mim?

 

Sou mais componente real que não merece um estado, não convenço que existo neste solo latinoamerobrasiles. Violências que superam até mesmo o nazismo, fascismo ditatotial, inquisivitorismo. 509 anos coloniais de tragédia.

 

Nunca seremos o que julgamos ser. O que adianta todas as riquezas se continua a nossa miséria humana? Quem são os bilionários sendo que nada resta, tudo não passa de ilusão e vaidade?

 

Por que um mendigo não pode também ser um ser?

 

Melhor nunca ter nascido num mundo caótico que ser o próprio infanto geneogrinocio do holocausto? Não acredito mais em nenhuma superação patriótica, cultural quando o tema é o debate do processo de miscigenação brasileira.

 

A nossa herança parece mais uma tragédia do que uma experiência dos deuses, talvez por efeitos colaterais “luso negro indígenas”. Eu mesmo me interrogo: sou causa ou efeito num gigante desgosto fisiológico?

 

Nunca na minha cidade do meu país fui estado presente. No meio de muitos, todo mundo, sou “minasgeraisense”. Será que meu próximo pesadelo é terminar em um asilo? Ser mais um vez lixo social em minha própria pátria?

 

Pense no que é amor além desse caos! Desse fel eu dispenso troco. Uai, que nada! Coisas demais para um superador num sistema marginal do absurdo. Dane-se o Estado, é tudo ilusão no universo. Viva a democracia sócio racial brasileira! As lutas e lutas de quem não está para regredir. Ainda sobre sarjeta, não vou acontecer por nada.

 

Eu não gosto do meu nome, pois é como se fosse o reflexo de quem mais foi um oportunista pra tirar proveito com a prostituição do meio social. Um cotidiano conflituoso, ambiente familiar onde há bebidas alcoólicas e brigas entre vizinhos, problemas com polícias, agressões contras mulheres, agressões morais e físicas de irmãos contra irmãos, filhas contra mãe.

 

Uma vez, quando ainda era criança, presenciei um cidadão apontar uma arma na direção de sua mãe, só porque ela deixou um balde dentro do tanque de cimento. Não sei o porquê de tanta desgraça, e eu no meio desse caos sem saber como expressar ou reagir.

Ainda não sei quem são meus parentes biológicos. Fui criado a revelia, em tratando-se de registro, cadastro escolar, fase infanto adolescência no país de todo mundo. Será que alguém acha ser fácil dar a volta por cima dos obstáculos? Causa uma indignação extrema todas as injustiças que tornaram mútuas cicatrizes nesse apartheid humano invisível.

 

A civilização humana não é tudo que aparenta ser. Não sei onde a sociedade brasileira quer chegar.

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* José Roberto Borges é detento na cadeia pública de Cataguases. É escritor assíduo do jornal Recomeço. Tem um estilo contundente e criativo ao descrever o sofrimento e abandono que viveu até vir parar dentro de uma prisão.

 

 

 

 

14/07/2009

MP-GO

http://www.mp.go.gov.br/portalweb/conteudo.jsp?page=7&base=7&mostrarMaisNoticias=true&conteudo=noticia/635eb9bfabf8866aa4ed91c731e2b3ab.html

 

Relatório do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária aponta principais problemas do Sistema Carcerário da Região Metropolitana de Goiânia

 

O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) divulgou o relatório de visita e inspeção realizadas no dia 28 abril de 2009, pelos conselheiros Geder Luiz da Rocha Gomes e Rodrigo Duque Estrada Roig Soares. Os membros do aludido Conselho analisaram as condições das seguintes unidades do sistema carcerário do estado de Goiás: Penitenciária Feminina Consuelo Nasser; Penitenciária Coronel Odenir Guimarães; Núcleo de Custódia; Colônia Agrícola do Regime Semi-Aberto; Casa de Prisão Provisória e Vara de Execução de Penas e Medidas Alternativas.

 

Foram observadas as condições estruturais, a assistência médico-odontológica prestada aos reeducandos, a maneira que são reinseridos na sociedade, além de outros pontos previstos pela Lei de Execução Penal, fazendo comparativo das atuais condições com as encontradas em visitas ocorridas nos anos de 2005 e 2007.

 

Conclusões do Relatório

 

No relatório conclusivo (clique aqui para visualizá-lo) foi destacado que não houve evolução na área de manutenção da estrutura física do sistema prisional, ocorrendo, ainda, retrocesso político-administrativo com a extinção da Secretaria de Justiça.

A assistência jurídica recebida pelos reeducandos foi um dos principais pontos críticos levantados pelos conselheiros, que a consideraram insuficiente, contribuindo para a superlotação das unidades.

 

Especificamente quanto ao prédio da Penitenciária Coronel Odenir Guimarães, o relatório destaca a presença de elementos bastante insalubres e a inexistência de condições de abrigar toda a população carcerária ali encontrada, situação que tende a se agravar caso não sejam tomadas medidas urgentes.

No que diz respeito ao prédio da Penitenciária Feminina, a observação principal é de que não há adequação para comportar o número de mulheres ali recolhidas, mesmo contando com pequena quantidade de reeducandas.

 

O Centro de Prisão Provisória dá sinais claros, segundo os conselheiros, de deterioração em sua estrutura física e clama por atenção de todo o sistema de justiça, que deve priorizar a celeridade na conclusão dos processos, além da aplicação do instituto da transação penal.

 

Por fim, os membros do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária ressaltaram o elevado número de presos do estado em relação ao seu contingente populacional, superando a média da maioria dos estados brasileiros, bem como a necessidade de adoção de uma política que priorize a aplicação de penas alternativas.

 

(Redação: CAO Criminal)

 

 

 

 

14/07/2009

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=39787

Brasil - Trabalho do preso

Alexandre Pontieri *

Trabalho do Preso

 

1. Trabalho do Preso

A Constituição Federal no seu artigo 170 dispõe, "a ordem econômica, fundada na valorização do trabalho e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social". O trabalho sempre esteve inserido na vida da sociedade. O trabalho, seja ele manual ou, intelectual, garante ao indivíduo dignidade dentro de seu meio familiar e social. Como não poderia deixar de ser, o trabalho do preso encontra-se inserido dentro desta ótica que vincula o trabalho à existência digna do ser humano.

Assim, o artigo 39 do Código Penal garante que: o trabalho do preso será sempre remunerado, sendo-lhe garantidos os benefícios da Previdência Social.

Nesta linha de raciocínio, as lições do Professor Celso Delmanto:

"O trabalho é direito e dever dos presos. Será sempre remunerado (em valor não inferior a três quartos do salário mínimo), mas devendo a remuneração atender à reparação do dano do crime, assistência à família etc. (LEP, art. 29). Garante-lhe, ainda, este art. 9 do CP, os benefícios da Previdência Social. Assim, embora o trabalho do preso não fique sujeito ao regime da Consolidação das Leis do Trabalho (LEP, art. 28, § 2º), ele tem direito aos benefícios previdenciários."(1)

A Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984, que instituiu a Lei de Execução Penal, assim dispõe sobre o trabalho:

Art. 28 - O trabalho do condenado, como dever social e condição de dignidade humana, terá finalidade educativa e produtiva.

§ 1º. Aplicam-se à organização e aos métodos de trabalho as precauções relativas à segurança e à higiene.

§ 2º. O trabalho do preso não está sujeito ao regime da Consolidação das Leis do Trabalho.

O trabalho do preso recebe muitas críticas, apesar de estar disposto na lei de execução penal e ser tratado como matéria constitucional. A parcela que critica o trabalho do preso afirma, na maioria das vezes, que o trabalho não conseguirá resgatar o preso de seu meio criminoso, ou que, o Estado não pode perder tempo ou gastar dinheiro aparelhamento uma estrutura prisional para fornecer trabalho aos detentos enquanto o desemprego fora das grades aumenta a cada dia.

Realmente chega a ser preocupante o aumento do desemprego. Mas, o que não pode existir é a confusão entre trabalho do preso e aumento do desemprego. O preso que trabalha não estará "tirando" a vaga de ninguém do mercado de trabalho. Ele, o preso, está inserido em outro contexto, que visa sua reinserção no meio social, sendo o trabalho com finalidade educativa e produtiva, com escopo de dever social e resgate da dignidade humana.

E, o que cremos ser pior, é não qualificá-lo para o mercado de trabalho, pois, aí sim, despreparado e inútil, será muito mais atraído a voltar a delinqüir.

O trabalho do preso será remunerado, conforme disposto no artigo 29 da lei nº 7.210/84:

Art. 29 - O trabalho do preso será remunerado, mediante prévia tabela, não podendo ser inferior a ¾ (três quartos) do salário mínimo.

§ 1º. O produto da remuneração pelo trabalho deverá atender:

a) à indenização dos danos causados pelo crime, desde que determinados judicialmente e não reparados por outros meios;

b) à assistência à família;

c) a pequenas despesas pessoais;

d) ao ressarcimento ao Estado das despesas realizadas com a manutenção do condenado, em proporção a ser fixada e sem prejuízo da destinação prevista nas letras anteriores.

§ 2º. Ressalvadas outras aplicações legais, será depositada a parte restante para constituição do pecúlio em cadernetas de poupança, que será entregue ao condenado quando posto em liberdade.

Art. 30 - As tarefas executadas como prestação de serviço à comunidade não serão remuneradas.

Os Tribunais, em flagrante desacordo com a norma insculpida na Lei de Execução Penal, vem negando o benefício do trabalho ao presos por crimes hediondos, com a alegação de que a Lei nº 8.072/90 fixou o cumprimento da pena em regime integralmente fechado.

Esta a posição do Egrégio Superior Tribunal de Justiça ao julgar o Recurso Ordinário em Habeas Corpus nº 16226/DF:(2)

"Execução Penal. Recurso Ordinário em Habeas Corpus. Latrocínio.

Crime Hediondo. Trabalho Externo. Impossibilidade. O trabalho externo é um benefício incompatível com o regime prisional dos crimes hediondos, qual seja, integralmente fechado".

E continua o mesmo STJ com o Voto do Insigne Ministro Felix Fischer, ao analisar o Recurso em que o Paciente buscava oportunidade de trabalho, alegando deficiências que cabe ao Estado suprir:

"A irresignação não merece acolhida. Prevalece nesta Corte o entendimento no sentido de que o trabalho externo é um benefício incompatível com o regime prisional dos crimes hediondos, qual seja, integralmente fechado".

E, nessa linha de pensamento, citamos outro precedente:

"Trabalho externo e visita à família são benefícios incompatíveis com o regime integralmente fechado." (HC 30397/RJ).

Data maxima venia, não entendemos coerente o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, pois o trabalho serve para dignificar a vida de qualquer ser humano, principalmente dentro de uma sociedade capitalista e cada vez mais consumista. Privar o ser humano do trabalho é privá-lo de seus sonhos e construção de perspectivas presentes e futuras. Privar o preso do trabalho é condená-lo a uma morte lenta e gradual, sem perspectivas de imaginar-se vivendo novamente fora das grades.

Doutrinariamente existe até o entendimento de que, caso o preso queira trabalhar e o Estado não lhe proporcione condições, será possível até mesmo que se aplique o instituto da remição. Assim, o entendimento do Professor Celso Delmanto, tratando que "dadas as nossas péssimas condições carcerárias, não será incomum o condenado querer trabalhar e o Estado não lhe dar condições para isso. Nesta hipótese, desde que comprovadas essas circunstâncias, entendemos que o condenado fará jus à remição."(3)

Indagamos: o trabalho penitenciário existe em nosso sistema? Pelo menos em tese sim. A prática é bem diferente. Heleno Cláudio Fragoso, chegou a tratar a matéria, concluindo que, "infelizmente, devemos dizer que as disposições da lei sobre o trabalho penitenciário constituem uma bela e generosa carta de intenção que não está, e dificilmente estará algum dia, de acordo com a realidade. A ociosidade é comum e generalizada em nossas prisões."(4)

Continuamos acreditando que o trabalho e a educação aos presos são os melhores meios para propiciar sua reeducação e recuperação, sendo considerado por muitos estudiosos como "passaporte" para a reinserção social.

Seguindo a análise do tema relativo ao trabalho do preso, surge a questão da remição, que passa a abreviar parte da pena do condenado por meio de seu trabalho.

Neste diapasão a Lei de Execução Penal trata do instituto da remição através do trabalho, ao dispor em seu artigo 126: "o condenado que cumpre a pena em regime fechado ou semi-aberto poderá remir, pelo trabalho, parte do tempo de execução da pena".

Nas palavras de Julio Fabbrini Mirabete, "a remição é uma nova proposta inserida na legislação penal pela Lei nº 7.210/84, que tem como finalidade mais expressiva a de abreviar, pelo trabalho, parte do tempo da condenação."(5)

E, continua o mesmo autor: "como a remição é instituto criado pela Lei de Execução Penal, tem ela caráter geral, abrangendo todos os condenados sujeitos a esse diploma legal. Como na Lei nº 8.072/90, não existe restrição à possibilidade de o condenado por crime hediondo ou equiparado obter esse benefício."(6)

Desta forma, entendemos plenamente a aplicação do trabalho ao preso, mesmo que condenado com base na lei dos crimes hediondos. Como ressocializar ou reintegrar um egresso do sistema penal ao convívio social se não se lhe proporcionar meios de reingresso? Assim, as lições que podemos extrair de José Antônio Paganella Boschi e Odir Odilon Pinta da Silva, in "Comentários à Lei de Execução Penal", citado em Agravo do Tribunal de Alçada do Estado de Minas Gerais:(7)

"Todo ser humano, uma vez capacitado à atividade laboral para a manutenção de sua própria subsistência e sua perfeita integração na sociedade, de onde é produto, tem necessidade de fugir à ociosidade através do trabalho. A esta regra não escapa o condenado à pena restritiva de liberdade, cujo trabalho, como dever social e condição da dignidade humana, terá finalidade educativa e produtiva (art. 28 da LEP). Educativa porque, na hipótese de ser o condenado pessoa sem qualquer habilitação profissional, a atividade desenvolvida no estabelecimento prisional conduzi-lo-á ante a filosofia da Lei de Execução Penal, ao aprendizado de uma profissão. Produtiva porque, ao mesmo tempo em que impede a ociosidade, gera ao condenado recursos financeiros para o atendimento das obrigações decorrentes da responsabilidade civil, assistência à família, despesas pessoais e, até, ressarcimento ao Estado por sua manutenção. O trabalho durante a execução da pena restritiva da liberdade, além dessas finalidades, impede que o preso venha, produto da ociosidade, desviar-se dos objetivos da pena, de caráter eminentemente ressocializador, embrenhando-se, cada vez mais nos túneis submersos do crime, corrompendo-se ou corrompendo seus companheiros de infortúnio".

A Constituição Federal erigiu o trabalho como direito social assim dispondo no artigo 6º:

"São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição".

E, continuando a análise da questão, transcrevemos parte do texto do Agravo de nº 450.318/0 do Tribunal de Alçada de Minas Gerais, onde discutiu-se sobre a possibilidade do condenado trabalhar externamente, uma vez que apresentou pedido de trabalho externo, com a justificativa de que necessitava do trabalho para ajudar no sustento da família, tendo já uma proposta de emprego em uma oficina mecânica em uma cidade do interior. O preso se ausentaria da prisão durante o dia e retornaria à noite, após o trabalho. Cabe destacar que o preso requerente do benefício cumpria pena em regime fechado.

Manifestou-se de forma muito coesa a Juíza de primeira instância com os seguintes fundamentos:

"Mantenho a decisão recorrida por entender que o trabalho externo não é vedado ao preso em regime fechado ainda que em entidade privada (art. 36 da LEP - Lei 7.210/84). Trabalhar sob observação, com o Juízo informado através da atuação do Conselho da Comunidade e das polícias civil e militar, constitui modalidade de acautelamento capaz de suprir a deficiência da fiscalização direta".

E, o Relator do Agravo, mantendo a decisão de primeiro grau, citou alguns precedentes do Superior Tribunal de Justiça:

"Tem-se, assim, que a lei, às expressas, admite o trabalho externo para os presos em regime fechado, à falta, por óbvio, de qualquer incompatibilidade, por isso que acolhe o benefício, desde que tomadas as cautelas contra a fuga e em favor da disciplina.

E tal ausência de incompatibilidade há de persistir sendo afirmada ainda quando se trate de condenado por crime hediondo ou delito equiparado, eis que a Lei 8.072/90, no particular do regime de pena, apenas faz obrigatório que a reprimenda prisional seja cumprida integralmente em regime fechado, o que, como é sabido, não impede o livramento condicional e, tampouco, o trabalho externo." (STJ - HC 29680/DF, Relator Ministro Hamilton Carvalhido).

E mais:

"O regime fechado de cumprimento de pena não é incompatível com o trabalho do condenado, inclusive o externo, nos termos dos artigos 36 e 37 da LEP, sendo imprescindível, por óbvio, o atendimento dos requisitos objetivos a serem avaliados pelo Juízo da Execução. Recurso conhecido e provido." (STJ - Resp. 183075/MG, Relator Ministro José Arnaldo da Fonseca). E, continuou, demonstrando claramente que não é incompatível o trabalho do preso que cumpre pena em razão da lei dos crimes hediondos:

"Ora, saliento que o regime integralmente fechado imposto ao réu, em face de sua condenação pro crime hediondo, não é incompatível com a possibilidade de trabalho externo, consoante preceitua o art. 36, da Lei de Execuções c/c art. 34, parág. 3º, do Código Penal. De outro lado, não há, na Lei de Crimes Hediondos, qualquer vedação à possibilidade de trabalho externo. Nesta esteira, aliás, já se pronunciou esta Turma." (STJ - HC 19602/DF, Relator Ministro Jorge Scartezzini).

Como fazer o condenado reingressar à sociedade, se o Estado e a própria sociedade não criam mecanismos para efetivar sua reinserção? A Lei de Execução Penal e a Constituição Federal traçam os caminhos que devem ser seguidos para reintegrar o condenado ao convívio social. Ocorre que, o que vemos diariamente é completamente o contrário. Prisões abarrotadas, fugas, rebeliões e ausência total de perspectivas para os detentos.

Existe uma omissão Estatal em todos os sentidos - quer por seus Órgãos de atuação quer por meio de seus Agentes.

Assim, o voto do Ministro Luiz Vicente Cernicchiaro do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 190465/PB:

"A lei (em qualquer setor jurídico) só realiza sua finalidade se existirem as condições que atuam como verdadeiras pressupostos. O Juiz, no caso, não pode imitar o avestruz; precisa encarar a realidade de frente. E mais. Ajustar o fato à norma. Há de evidenciar criatividade, buscando ajustar o fato à finalidade da lei, obediente, fundamentalmente, a este método: realizar o interesse da sociedade através do interesse do condenado. Aliás, com isso, projeta os parâmetros do art. 59 do Código Penal: necessidade e suficiência para reprovação e prevenção do crime.

Urge, então, para alcançar a finalidade da execução - adaptar o delinqüente ao convívio social conforme as regras da sociedade. Se o condenado, analisados, evidente, a personalidade, projetando juízo de previsibilidade, o Juiz constatar que a continuação do exercício do trabalho é preferível à ociosidade perniciosa dos presídios (regra geral), recomenda-se (insista-se: as precaríssimas condições do sistema penitenciário não podem ser esquecidas) não comete nenhuma ilegalidade ao adotar a solução individualizada (a lei não se esgota na expressão gramatical, compreende também a finalidade e o propósito da melhor solução social).

Interpretar finalística e realisticamente a lei, ainda que leve a situação favorável, não é decisão piegas. Ao contrário, realiza concretamente a direção da norma jurídica, tantas vezes esquecida: ordenar a vida em sociedade, sem esquecer o aspecto pragmático."

O trabalho serve para afastar o condenado da inércia, do ostracismo, dos pensamentos negativos e faz, talvez, com que venha a recuperar sua autoestima

e valorização como ser humano.

O trabalho sempre fez e fará parte da vida do ser humano, principalmente nos dias atuais, onde o processo de globalização mundial avança rapidamente, gerando grandes níveis de desigualdade social. É impossível imaginarmos um ser humano do século XXI sem um trabalho que lhe proporcione condições de vida digna e justa. O homem, na maioria das vezes, é identificado dentro de seu meio social pela sua posição profissional, sua ocupação. O trabalho é a porta de entrada para todos os sonhos, desejos, projetos de vida que um ser humano possa almejar.(8)

O Estado brasileiro mostra-se cada vez mais omisso em relação às questões do sistema prisional. O Estado do Rio Grande do Sul merece receber um olhar diferenciado no que diz respeito ao Sistema Prisional e Execução Penal.

No mês de julho de 2004 ocorreu em Porto Alegre o Encontro de Execução Penal, do qual participaram diversos juristas brasileiros com o objetivo de discutir e melhorar a Lei de Execução Penal e adequá-la às suas finalidades.

Na ocasião do encontro foram destacados alguns aspectos positivos da reinserção dos condenados ao convívio social como, por exemplo, a criação de postos de trabalho para apenados, a assinatura de convênios entre o Poder Público e empresas privadas, convênios com Instituições Educacionais, maior participação da sociedade através de seus Conselhos Comunitários e Organizações Não-Governamentais etc.(9)

Assim, entendemos ser perfeitamente compatível o exercício de atividade laboral por parte do condenado, sendo esta a melhor maneira de reintegração do delinqüente ao convívio social, e forma de adequação da legislação ordinária ao texto constitucional que erige o trabalho como direito fundamental da pessoa e forma de promover a cidadania e ressocialização. Faz-se necessário que haja cada vez mais empenho dos governos e da sociedade no desenvolvimento de projetos e perspectivas para o pleno desenvolvimento social e humano do criminoso.

Alguns projetos poderiam visar o incentivo de parcerias entre ONGs, Pastorais e Administrações Penitenciárias para a criação de empregos; a articulação de campanhas de sensibilização na imprensa para a divulgação dos benefícios do trabalho e da educação nos presídios; a ampliação e realização de convênios com instituições de formação profissional etc.(10)

É cada vez mais premente que as penas atinjam seu caráter preventivo, retributivo e principalmente ressocializador, havendo eficiência e qualidade no acompanhamento das execuções da penas. O trabalho do preso só atingirá sua finalidade precípua quando conseguir resgatar o indivíduo de forma a torná-lo apto a reintegrar-se novamente ao convívio social.

O trabalho é a força motriz de toda a sociedade. Deixar o preso reabilitando fora dessa realidade é mais que desqualificá-lo para a nova vida que passará a viver quando de seu retorno ao "mundo livre", fora das grades e do sistema prisional. É colocá-lo novamente em uma linha tênue entre o desemprego, devido a sua baixa qualificação, e a criminalidade, que lhe mostrará formas mais rápidas de conseguir dinheiro e status.

Assim, acreditamos que existe uma grande diferença entre punição e destruição. O trabalho do preso é o mecanismo que pode fazer surgir uma nova perspectiva de cumprimento da pena.

2. Reabilitação do preso através do estudo

Como tratado no item anterior (Trabalho do Preso), o trabalho é a melhor ferramenta para a reinserção do preso ao convívio social. Mas, diante de uma cadeia produtiva cada vez mais veloz e dinâmica, esse trabalho não pode limitar-se exclusivamente a trabalhos braçais ou de sub-importância.

Oferecer trabalho ao preso não é colocá-lo para fazer serviços que ninguém queira executar, ou colocá-lo para executar serviços semi-escravos. Não, não pode ser esse o sentido do trabalho no processo ressocializador e de resgate da dignidade humana do preso enquanto indivíduo que é.

O processo de reabilitação do detento através do trabalho deve adequar-se a uma realidade cada vez mais presente no dia-a-dia de qualquer empresa. O estudo e o trabalho andam cada vez mais lado a lado, formando uma linha paralela de coexistência, onde um não existe sem o outro.

Chega a ser impossível imaginar um trabalhador que não tenha os mínimos conhecimentos de informática, alfabetização adequada (recentemente um concurso para garis no Estado do Rio de Janeiro mobilizou pessoas com nível superior de ensino), técnicas de postura, bom relacionamento interpessoal, além dos mínimos conhecimentos de matemática, geografia, história etc.

A assistência educacional aos presos existe, pelo menos em tese, e vem disposta na bem conhecida, mas não tão executada Lei de Execução Penal. A Lei de Execução Penal(11) disciplina a assistência educacional aos presos, assim dispondo:

Art. 17 - A assistência educacional compreenderá a instrução escolar e a formação profissional do preso e do internado.(12)

Art. 18 - O ensino de primeiro grau será obrigatório, integrando-se no sistema escolar da unidade federativa.

Art. 19 - O ensino profissional será ministrado em nível de iniciação ou de aperfeiçoamento técnico.

Parágrafo único. A mulher condenada terá ensino profissional adequado à sua condição.

Art. 20 - As atividades educacionais podem ser objeto de convênio com entidades públicas ou particulares, que instalem escolas ou ofereçam cursos especializados.

Em relação a esse aspecto disciplinado no artigo 20 da lei nº 7.210/84, reforçamos a idéia de que o Poder Estatal deve firmar de forma premente os referidos convênios dispostos na lei, com instituições de ensino, principalmente quando da abertura de novas faculdades, que deverão se comprometer com a questão da responsabilidade social e não simplesmente com o lucro de seus caríssimos cursos.

E continua a lei de execução penal em seu artigo 21:

Art. 21 - Em atendimento às condições locais, dotar-se-á cada estabelecimento de uma biblioteca, para uso de todas as categorias de reclusos, provida de livros instrutivos, recreativos e didáticos.

Surge aí mais um ponto que pode ser melhor trabalhado, principalmente em parceira com grandes editoras, livrarias, escritores, gráficas etc, que podem vir a estabelecer convênios com as administrações penitenciárias a fim de estruturar e organizar bibliotecas a seus detentos.

Esse processo reeducador deve vir acompanhado de todo um acompanhamento do detento, respeitando sua individualidade, seus limites e suas capacidades de aprendizagem e esforço.

Cabe esclarecer que individualizar e humanizar a sanção penal, buscando a reinserção do condenado através do trabalho e do estudo, nada tem a ver em transformar a cadeia em uma mera instituição de caridade de apoio aos presos. Não é esse o sentido que a aplicação da progressão de regime prisional deve receber. Individualizar e humanizar a aplicação da sanção penal é adequar a correta aplicação da lei penal em total consonância com o que preceitua o texto constitucional, além de se adequar com a evolução humana no trato a seus semelhantes. Ressocializar o preso não tem, e não pode passar a ter, caráter paternalista. Deve, sim, buscar sua finalidade punitiva e ressocializadora, evitando a reincidência além da não-dessocializção.

Tais premissas vão de encontro com o caráter ressocializador e de individualização que a pena deve ter. O trabalho deve ser entendido como o exercício da atividade física ou intelectual, sendo que o labor é condição de dignidade humana e, como tal, direito fundamental do homem, cabendo ao estado preserva-lo em todas as suas manifestações, porque este é o fundamento e finalidade de sua existência.

Assim, nas palavras do Professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Oswaldo Henrique Duek Marques, "não resta dúvida de que o ensino escolar e a profissionalização são indispensáveis à reinscrição social do egresso, principalmente porque são meios aptos a garantir seu sustento e o de sua família. Entretanto, em alguns casos, é preciso que o condenado seja efetivamente "reeducado", isto é, que amadureça e se torne consciente de si próprio e de suas responsabilidades, o que só pode ser atingido pelo processo de individuação. Com efeito, esse processo traduz toda a caminhada do indivíduo em busca de tornar-se pessoa, integrada com seu momento histórico, com atitudes e posturas que traduzem o potencial intrínseco do ser humano."(13)

A educação é um dos principais caminhos condutores do homem para a evolução. O processo educacional do detento necessita, assim, de especial atenção, pois, além da educação "básica", deve vir acompanhada de valores para o convívio social.

Mostra-se cada vez mais crescente, mesmo que lentamente, a corrente que entende, inclusive, que o estudo do preso pode servir como critério de remição do tempo de execução da pena conforme disposto no artigo 126 da Lei de Execução Penal. (14)

A Constituição Federal dispõe em seu artigo 205:

Artigo 205 - A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

A educação deve buscar o desenvolvimento do indivíduo, capacitando-o para o exercício da cidadania. Assim, os agentes políticos do Estado podem até alegar que não podem inserir todos os detentos no competitivo mercado de trabalho diante da alegação do grande desemprego em nível mundial. Porém, não podem os mesmos agentes negar o acesso dos presos ao estudo. Deve existir uma mobilização de toda a sociedade, principalmente das instituições de ensino privado, que se proliferam pelo País afora, para que estas, em parceria com o Setor Público, venham a cooperar na formação e ressocialização dos presos.

Faz-se necessário e urgente a revisão de toda a estrutura prisional brasileira. O dito popular ganha força nas superlotadas cadeias: "cabeça vazia é oficina do diabo". É chegada a hora da inovação, da reestruturação, da aplicação de um sistema que traga resultados positivos e possa garantir equilíbrio, segurança jurídica, e, principalmente, justiça. Oxalá os bons ventos da sabedoria tragam mudanças estruturais e significativas. Não é mais possível continuar como está. Ou muda-se efetivamente buscando-se resultados concretos na ressocialização dos presos, ou, caso contrário, presenciaremos diariamente o caos e à desordem.

Bibliografia